Processo : 2019/2028(BUD)
Ciclo de vida em sessão
Ciclo relativo ao documento : A9-0017/2019

Textos apresentados :

A9-0017/2019

Debates :

PV 22/10/2019 - 14
CRE 22/10/2019 - 14

Votação :

PV 23/10/2019 - 11.2
Declarações de voto

Textos aprovados :

P9_TA(2019)0038

<Date>{16/10/2019}15.10.2019</Date>
<NoDocSe>A9-0017/2019</NoDocSe> (<RefVer>Parte 1</RefVer>)
PDF 466kWORD 211k

<TitreType>RELATÓRIO</TitreType>

<Titre>referente à posição do Conselho sobre o projeto de orçamento geral da União Europeia para o exercício de 2020</Titre>

<DocRef>(11734/2019 – C9-0119/2019 – 2019/2028(BUD))</DocRef>

Parte 1: Proposta de resolução


<Commission>{BUDG}Comissão dos Orçamentos</Commission>

Relatoras:  <Depute>Monika Hohlmeier (Secção III – Comissão)</Depute>

 <Depute>Eider Gardiazabal Rubial (outras secções)</Depute>

PROPOSTA DE RESOLUÇÃO DO PARLAMENTO EUROPEU
 PARECER DA COMISSÃO DOS ASSUNTOS EXTERNOS
 PARECER DA COMISSÃO DO DESENVOLVIMENTO
 PARECER DA COMISSÃO DO CONTROLO ORÇAMENTAL
 PARECER DA COMISSÃO DOS ASSUNTOS ECONÓMICOS E MONETÁRIOS
 PARECER DA COMISSÃO DO EMPREGO E DOS ASSUNTOS SOCIAIS
 PARECER DA COMISSÃO DO AMBIENTE, DA SAÚDE PÚBLICA E DA SEGURANÇA ALIMENTAR
 PARECER DA COMISSÃO DA INDÚSTRIA, DA INVESTIGAÇÃO E DA ENERGIA
 PARECER DA COMISSÃO DO MERCADO INTERNO E DA PROTEÇÃO DOS CONSUMIDORES
 PARECER DA COMISSÃO DOS TRANSPORTES E DO TURISMO
 PARECER DA COMISSÃO DO DESENVOLVIMENTO REGIONAL
 PARECER DA COMISSÃO DA AGRICULTURA E DO DESENVOLVIMENTO RURAL
 PARECER DA COMISSÃO DA CULTURA E DA EDUCAÇÃO
 PARECER DA COMISSÃO DAS LIBERDADES CÍVICAS, DA JUSTIÇA E DOS ASSUNTOS INTERNOS
 PARECER DA COMISSÃO DOS ASSUNTOS CONSTITUCIONAIS
 PARECER DA COMISSÃO DOS DIREITOS DA MULHER E DA IGUALDADE DOS GÉNEROS
 CARTA DA COMISSÃO DO COMÉRCIO INTERNACIONAL
 INFORMAÇÕES SOBRE A APROVAÇÃO NA COMISSÃO COMPETENTE QUANTO À MATÉRIA DE FUNDO
 VOTAÇÃO NOMINAL FINAL NA COMISSÃO COMPETENTE QUANTO À MATÉRIA DE FUNDO

PROPOSTA DE RESOLUÇÃO DO PARLAMENTO EUROPEU

referente à posição do Conselho sobre o projeto de orçamento geral da União Europeia para o exercício de 2020

(11734/2019 – C9-0119/2019 – 2019/2028(BUD))

O Parlamento Europeu,

 Tendo em conta o artigo 314.º do Tratado sobre o Funcionamento da União Europeia,

 Tendo em conta o artigo 106.º-A do Tratado que institui a Comunidade Europeia da Energia Atómica,

 Tendo em conta a Decisão 2014/335/UE, Euratom do Conselho, de 26 de maio de 2014, relativa ao sistema de recursos próprios da União Europeia[1],

 Tendo em conta o Regulamento (UE, Euratom) 2018/1046 do Parlamento Europeu e do Conselho, de 18 de julho de 2018, relativo às disposições financeiras aplicáveis ao orçamento geral da União, que altera os Regulamentos (UE) n.º 1296/2013, (UE) n.º 1301/2013, (UE) n.º 1303/2013, (UE) n.º 1304/2013, (UE) n.º 1309/2013, (UE) n.º 1316/2013, (UE) n.º 223/2014 e (UE) n.º 283/2014, e a Decisão n.º 541/2014/UE, e revoga o Regulamento (UE, Euratom) n.º 966/2012,)[2]

 Tendo em conta o Regulamento (UE, Euratom) n.º 1311/2013 do Conselho, de 2 de dezembro de 2013, que estabelece o quadro financeiro plurianual para o período 2014‑2020[3] (doravante designado por «Regulamento QFP»),

 Tendo em conta o Acordo Interinstitucional, de 2 de dezembro de 2013, entre o Parlamento Europeu, o Conselho e a Comissão sobre a disciplina orçamental, a cooperação em matéria orçamental e a boa gestão financeira[4],

 Tendo em conta a sua Resolução, de 14 de março de 2019, sobre as orientações gerais para a preparação do orçamento de 2020, Secção III – Comissão[5],

 Tendo em conta a sua Resolução, de 28 de março de 2019, sobre a previsão de receitas e despesas do Parlamento Europeu para o exercício de 2020[6],

 Tendo em conta o projeto de orçamento geral da União Europeia para o exercício de 2020, adotado pela Comissão em 5 de julho de 2019 (COM(2019)0400) (doravante designado por «PO»),

 Tendo em conta a posição sobre o projeto de orçamento geral da União Europeia para o exercício de 2020, adotada pelo Conselho em 3 de setembro de 2019 e transmitida ao Parlamento Europeu em 13 de setembro de 2019 (11734/2019 – C9‑0119/2019),

 Tendo em conta o artigo 2.º, n.º 1, alínea c), do Acordo de Paris, ratificado pela União Europeia em 5 de outubro de 2016,

 Tendo em conta o Exame Panorâmico do Tribunal de Contas Europeu intitulado «Ação da UE em matéria de energia e alterações climáticas» (2017),

 Tendo em conta a Comunicação da Comissão intitulada «Um planeta limpo para todos – estratégia a longo prazo da UE para uma economia próspera, moderna, competitiva e com impacto neutro no clima» (COM (2018)0773),

 Tendo em conta o artigo 94.º do seu Regimento,

 Tendo em conta os pareceres das demais comissões interessadas,

 Tendo em conta o relatório da Comissão dos Orçamentos (A9-0017/2019),

Secção III

Observações gerais

1. Recorda que, na sua Resolução, de 14 de março de 2019, sobre as orientações gerais para a preparação do orçamento de 2020, Secção III, o Parlamento definiu prioridades políticas claras, para o orçamento de 2020 ser uma ponte para a futura Europa e gerar valor acrescentado europeu; reafirma o seu forte compromisso para com essas prioridades e define a posição seguinte, para assegurar um nível adequado de financiamento para a sua concretização;

2. Reitera a opinião do Parlamento de que o orçamento de 2020 deve preparar o caminho para o Quadro Financeiro Plurianual (QFP) 2021-2027 e ser um ponto de partida sólido para o lançamento da nova geração de políticas e programas da União; recorda, além disso, que 2020 é o último ano do QFP em vigor e, por conseguinte, a última oportunidade para a União se aproximar de cumprir os compromissos políticos estabelecidos para esse período, nomeadamente sobre a consecução do objetivo climático da UE e a implementação dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) das Nações Unidas e a concretização do Pilar Europeu dos Direitos Sociais; salienta, neste contexto, que o orçamento da União deve avaliar e integrar plenamente o impacto das políticas da União em matéria de igualdade de género (orçamentação sensível ao género), promovendo assim a integração da perspetiva de género e a igualdade de oportunidades;

3. Toma nota da posição do Conselho sobre o PO, com um corte de 1,51 mil milhões de EUR nas dotações de autorização em relação à proposta da Comissão; considera que os cortes do Conselho contrariam frontalmente as prioridades da União, não são justificados pela capacidade de absorção e visam reverter todos os aumentos específicos solicitados e obtidos pelo Parlamento em exercícios orçamentais anteriores; decide, por conseguinte, como regra geral, repor as dotações em todas as rubricas cortadas pelo Conselho ao nível do PO, tanto para as despesas operacionais como para as administrativas, e tomar o PO como ponto de partida para desenvolver a sua posição;

4. Está firmemente convicto de que é imperativo enfrentar o desafio climático e proteger o ambiente de forma a estimular o emprego, a criar novos empregos, a reforçar a competitividade, a promover o desenvolvimento sustentável e a garantir a prosperidade social; sublinha o papel fundamental das novas tecnologias e das tecnologias emergentes na consecução desse objetivo; salienta a necessidade de a União dar o exemplo e inspirar os outros países a investir mais em despesas relacionadas com o clima; congratula-se com os fortes apelos à ação dos líderes da União na recente Cimeira das Nações Unidas sobre as alterações climáticas e os compromissos recentemente assumidos por vários Estados-Membros no sentido de aumentar a despesa em domínios como a eficiência energética, as energias renováveis e as infraestruturas sustentáveis de transportes e de energia; considera que essas declarações devem ser acompanhadas de ações concretas por parte dos Estados-Membros, nomeadamente ao deliberar no seio do Conselho;

5.  Recorda as obrigações da União decorrentes do Acordo de Paris e o compromisso da União de alcançar um objetivo de 20 % para as despesas da União relacionadas com o clima no período 2014-2020; observa que 21,0 % das dotações de autorização propostas no PO para 2020 estão relacionadas com o clima e que 3,5 mil milhões de EUR adicionais, pelo menos, teriam de ser consagrados a despesas relacionadas com o clima, para alcançar o objetivo de 20 %; lamenta que, no âmbito do QFP em vigor, o orçamento da União disponha de meios limitados para enfrentar por si só o desafio climático e chama a atenção para as necessidades muito mais elevadas de investimento neste domínio, estimadas pela Comissão em 175 a 290 mil milhões de EUR por ano;

6.  Sublinha que o orçamento de 2020 deverá preparar a União para um objetivo ainda mais ambicioso quanto à integração do clima e da biodiversidade no QFP 2021-2027, para corresponder às expectativas dos cidadãos europeus; solicita uma metodologia mais transparente, rigorosa e abrangente, estabelecida em conformidade com as metodologias estabelecidas a nível internacional, incluindo indicadores de desempenho revistos, para definir e acompanhar as despesas relevantes em matéria de biodiversidade e clima; aguarda com expectativa a proposta concreta sobre o Pacto Ecológico Europeu, como indicado nas orientações políticas da Presidente eleita da Comissão que agora vai entrar em funções; recorda, neste contexto, o seu forte compromisso para com a reforma dos sistemas de recursos próprios da União, incluindo a introdução de um cabaz de novos recursos próprios mais bem alinhados com as principais prioridades políticas da União, incluindo a luta contra as alterações climáticas;

7. Propõe, por conseguinte, um orçamento para 2020 que contribua de forma significativa para enfrentar os desafios em matéria ambiental e as alterações climáticas e que compense, tanto quanto possível, o atual atraso na consecução do objetivo de 20 % para as despesas da União relacionadas com o clima no período 2014-2020; propõe um reforço significativo de mais de 2 mil milhões de EUR em relação aos níveis do PO para rubricas orçamentais que integram várias rubricas do QFP e, predominantemente, na sub-rubrica 1A, que dão um contributo elevado para o objetivo em matéria de despesas relacionadas com o clima; direciona criteriosamente esses reforços para rubricas orçamentais em que se verifica uma excelente taxa de execução e que dispõem de capacidade operacional para absorver dotações adicionais em 2020;

8. Sublinha que a juventude continua a ser uma prioridade global para o orçamento da União; salienta que, não obstante as tendências positivas no sentido de uma diminuição das taxas de desemprego dos jovens na União, a falta de oportunidades futuras para os jovens é uma verdadeira emergência social em certas regiões da União, existindo disparidades significativas entre Estados-Membros e regiões; decide, por conseguinte, reforçar a Iniciativa para o Emprego dos Jovens (IEJ) para um nível superior ao proposto pela Comissão, a fim de assegurar uma transição harmoniosa para o Fundo Social Europeu Mais (FSE+) no próximo QFP;

9. Reforça os recursos financeiros para corresponder à procura futura do Erasmus+, o programa primordial para a educação e a formação, incluindo o ensino e a formação profissionais, a juventude e o desporto na Europa; salienta que o programa Erasmus+ é um programa emblemático fundamental da União, que é amplamente conhecido entre os seus cidadãos e que produziu resultados tangíveis com um claro valor acrescentado europeu; recorda o seu compromisso de triplicar o financiamento deste programa no QFP 2021-2027; sublinha a necessidade de prosseguir e reforçar a ação preparatória DiscoverEU, tendo em vista a sua integração programada no programa Erasmus+ 2021‑2027; solicita que seja dada especial atenção às ações de mobilidade no domínio da educação de adultos, em particular para a população sénior, no programa Erasmus+;

10. Propõe reforços específicos suplementares de outras rubricas orçamentais relacionadas com as prioridades do Parlamento, em áreas como as PME, a digitalização, a inteligência artificial, a investigação sobre o cancro, a cooperação em matéria de segurança e justiça, as alfândegas, a migração e a política externa, incluindo o desenvolvimento e a ajuda humanitária;

11. Aprova, de um modo geral, as previsões da Comissão no tocante às necessidades orçamentais das agências descentralizadas; considera, por conseguinte, que eventuais cortes propostos pelo Conselho colocariam em risco o bom funcionamento das agências e não lhes permitiriam desempenhar as suas funções; propõe aumentos específicos do nível de dotações das agências que terão de desempenhar funções adicionais ou que são confrontadas com um aumento da sua carga de trabalho devido a novos desafios;

12. Conclui que, para o financiamento adequado das prioridades prementes supracitadas e tendo em conta as margens extremamente reduzidas ou inexistentes sob determinadas rubricas em 2020, o Instrumento de Flexibilidade e a Margem Global relativa às Autorizações devem ser integralmente mobilizados, a Margem para Imprevistos deve ser mobilizada, enquanto uma parte da mesma fica também disponível para o financiamento de acontecimentos imprevistos no decurso do próximo ano; recorda igualmente que as flexibilidades previstas no Regulamento QFP caducam no final desse período;

13.  Salienta a necessidade de reutilizar totalmente as anulações de autorizações no domínio da investigação, tal como previsto no artigo 15.º, n.º 3, do Regulamento Financeiro; lamenta vivamente que o Conselho rejeite novamente a aplicação dessa disposição legislativa que a Comissão propôs ativar parcialmente no PO; declara a sua intenção de insistir na sua posição, que reflete tanto a letra como o espírito do Regulamento Financeiro; tenciona resolver esta questão na conciliação orçamental deste ano; propõe que estas anulações de autorizações sejam integralmente reutilizadas, para reforçar as quatro rubricas orçamentais do programa Horizonte 2020 com o nível mais elevado de atividades de investigação relacionadas com o clima;

14. Fixa o nível global das dotações para o orçamento de 2020 (todas as secções) em 170 971 519 973 EUR em dotações de autorização, o que representa um aumento de 2 699 813 994 EUR em comparação com o PO; decide, além disso, reconstituir um montante de 280 700 000 EUR em dotações de autorização, no seguimento das anulações de autorizações nos termos do artigo 15.º, n.º 3, do Regulamento Financeiro; fixa o nível global das dotações para o orçamento de 2020 (todas as secções) em 159 146 168 195 EUR em dotações de pagamento;

Sub-rubrica 1A – Competitividade para o crescimento e o emprego

15. Salienta que o programa Horizonte 2020 proporciona uma grande mais-valia europeia e dá um contributo vital para o desenvolvimento de tecnologias ecológicas e de inovações respeitadoras do clima e do ambiente, para lançar as bases de um futuro descarbonizado e apoiar a transição para uma economia mais circular; salienta, além disso, a importância do programa para outros domínios importantes da investigação europeia, como a digitalização, a inteligência artificial e a investigação sobre o cancro; aumenta, por conseguinte, significativamente a dotação do programa Horizonte 2020 em relação ao nível do PO em 737,8 milhões de EUR em dotações de autorização; reconstitui, além disso, em conformidade com o artigo 15.º, n.º 3, do Regulamento Financeiro, a totalidade do montante de 280,7 milhões de EUR em dotações de autorização correspondente à anulação de autorizações em 2018, devido à não execução de projetos de investigação, em benefício das rubricas orçamentais do programa Horizonte 2020 mais relevantes para os projetos de investigação relacionados com o clima, e exorta a Comissão a dar especial atenção a uma repartição geográfica equitativa desses fundos;

16. Está convicto de que a luta contra o cancro deve ser uma prioridade absoluta para a União e que é necessário envidar esforços significativos nesse sentido; sublinha que a investigação sobre o cancro é um pilar importante neste processo; adota, por conseguinte, um aumento dos recursos financeiros a afetar à investigação sobre o cancro no âmbito das rubricas orçamentais pertinentes do programa Horizonte 2020 que também demonstram uma execução orçamental muito elevada; salienta que a investigação neste domínio deve ser intensificada sem demora, tendo também em conta os investimentos mais substanciais previstos no próximo QFP;

17. Recorda que a posição da Europa enquanto fornecedor importante de tecnologias da informação e da comunicação (TIC) depende dos recursos para desenvolver e testar novas tecnologias TIC, bem como da prestação de assistência às startups e às empresas tecnológicas, a fim de aumentar a capacidade relevante para o mercado; reafirma, neste contexto, a necessidade de conceder financiamento adicional aos centros de investigação europeus e às PME que se dedicam ao desenvolvimento e à promoção de tecnologias como motores de pesquisa, serviços de tradução e tecnologias de ponta semelhantes;

18. Sublinha o papel crucial do Mecanismo Interligar a Europa (MIE) na promoção do desenvolvimento estratégico de uma rede transeuropeia de elevado desempenho, que seja sustentável e interligada nos domínios das infraestruturas de transportes, dando especial atenção à rede ferroviária, incluindo os comboios noturnos, de energia e de TIC e contribua de forma significativa para a transição para uma sociedade com um impacto neutro no clima; propõe, por conseguinte, um aumento do financiamento para o MIE-Transportes e o MIE-Energia num montante total de 545 milhões de EUR em dotações de autorização acima do nível do PO;

19. Considera que é igualmente necessário reforçar outras prioridades importantes nesta sub-rubrica; chama a atenção, a este respeito, para as PME, que são um elemento essencial da economia da União e que desempenham um papel fundamental na realização de investimento de excelente qualidade e na criação de emprego em todos os Estados-Membros; adota, neste contexto, um aumento para o programa COSME, a fim de reforçar o potencial do programa para a promoção do empreendedorismo, incluindo o empreendedorismo das mulheres, e a melhoria da competitividade e do acesso aos mercados das empresas da União, e solicita que seja dada ênfase à transformação digital das PME; recorda que a dotação proposta no PO para o COSME foi mesmo inferior à prevista na programação financeira e adota um aumento de 50 milhões de EUR em dotações de autorização acima do nível do PO;

20. Salienta que o programa Erasmus+ é um programa muito apreciado e extremamente popular, com um volume de candidaturas que ultrapassa largamente o financiamento disponível, e que contribui para a promoção de um forte sentimento de identidade europeia partilhada; adota, por conseguinte, um aumento de 123,4 milhões de EUR em dotações de autorização acima dos níveis do PO, para contrariar a baixa taxa de sucesso das candidaturas e permitir que mais pessoas beneficiem deste programa;

21.  Propõe aumentos específicos do nível de dotações da Autoridade Europeia do Trabalho (AET), da Agência da União Europeia para a Segurança da Aviação, da Agência Ferroviária da União Europeia, da Agência da União Europeia para a Cibersegurança (ENISA), bem como do nível de dotações e do pessoal da Agência do GNSS Europeu, do Organismo de Reguladores Europeus das Comunicações Eletrónicas (ORECE) e da Agência de Cooperação dos Reguladores da Energia (ACER);

22. Aumenta, por conseguinte, o nível das dotações de autorização para a sub-rubrica 1A em 1 503 766 221 EUR acima do PO (excluindo os projetos-piloto e as ações preparatórias), financiando o aumento através da utilização da margem disponível e da mobilização dos instrumentos especiais; reconstitui, além disso, nesta sub-rubrica, um montante de 280 700 000 EUR em dotações de autorização, no seguimento das anulações de autorizações nos termos do artigo 15.º, n.º 3, do Regulamento Financeiro;

Sub-rubrica 1B – Coesão económica, social e territorial

23. Recorda que o crescimento sustentável e um investimento bem direcionado são a chave para a criação de empregos de qualidade e uma maior prosperidade para todos, e que é necessário, portanto, direcionar os fundos estruturais e os investimentos de forma mais eficaz no sentido de promover o crescimento inclusivo, reduzir as desigualdades e promover uma convergência social ascendente;

24. Lamenta que o nível de desemprego dos jovens, estimado em 14,2 % em abril de 2019, continue a ser inaceitavelmente elevado e particularmente grave em alguns Estados-Membros e regiões da União; sublinha a importância de reforçar a empregabilidade e a capacidade empreendedora dos jovens, combatendo simultaneamente as desigualdades; está convicto de que a luta contra o desemprego exige esforços financeiros substanciais; está determinado a assegurar um financiamento adicional para o programa IEJ no último ano do QFP em vigor; sublinha a necessidade de acelerar a execução deste programa e de continuar a melhorar a sua eficiência, para garantir que o programa proporcione mais valor acrescentado europeu às políticas nacionais de emprego; propõe, por conseguinte, um aumento de 363,3 milhões de EUR acima dos níveis do PO em dotações de autorização para a IEJ;

25. Aumenta o financiamento para assistência técnica, para fazer face à complexidade dos procedimentos de gestão dos projetos, desde a preparação das candidaturas até à gestão financeira e ao acompanhamento do impacto, que é um obstáculo de monta a uma melhor absorção dos «Fundos Estruturais»;

26. Aumenta o nível das dotações de autorização para a sub-rubrica 1B em 373 278 264 EUR acima do PO (excluindo os projetos-piloto e as ações preparatórias), financiando este aumento através da mobilização dos instrumentos especiais;

Rubrica 2 – Crescimento sustentável: recursos naturais

27. Observa com preocupação que , mais uma vez, apenas 8,3 % do total das dotações de autorização dizem respeito à inversão do declínio da biodiversidade, o que representa a taxa mais baixa desde 2015, apesar da taxa de extinção sem precedentes e cada vez mais rápida das espécies; solicita aumentos suficientes e a atribuição de recursos rastreáveis para assegurar a proteção coerente e a longo prazo da biodiversidade em toda a União; em consonância com a prioridade geral de combater as alterações climáticas, concentra aumentos significativos, no valor de 233 milhões de EUR em dotações de autorização, nas rubricas orçamentais relativas ao programa LIFE+ nos títulos 7 e 34; espera que a Comissão garanta a capacidade de absorção necessária para uma utilização eficaz desses meios adicionais e assegure uma repartição geográfica mais justa destes fundos amigos do ambiente, como se verificará nos programas do próximo QFP;

28. Propõe os aumentos necessários para determinadas rubricas orçamentais, em particular para financiar medidas que visam fazer face ao impacto da peste suína africana (PSA) em vários Estados-Membros; constata um forte impacto e um grande número de surtos registados desde o início de 2019, com dezenas de milhares de animais abatidos; observa que países terceiros investiram em investigação para desenvolver uma vacina contra a PSA e que a União deveria investir na investigação e desenvolvimento de uma vacina, o que ajudaria a erradicar a propagação e a incidência da PSA o mais rapidamente possível;

29. Recorda que o nível de dotações do Fundo Europeu Agrícola de Garantia (FEAGA) terá ainda de ser ajustado tendo em conta as receitas afetadas que se prevê que estarão disponíveis em 2020, tal como comunicado na carta retificativa da Comissão;

30.  Propõe um aumento específico do nível das dotações e do pessoal da Agência Europeia do Ambiente;

31. Aumenta, em resumo, as dotações de autorização em 267,3 milhões de EUR na rubrica 2 (excluindo os projetos-piloto e as ações preparatórias), financiando este aumento através da margem disponível sob o limite máximo; salienta que não deverão ser realizados mais cortes no orçamento agrícola, dado que o setor agrícola é amiúde afetado por crises que requerem uma resposta orçamental;

Rubrica 3 – Segurança e cidadania

32. Reforça, no contexto de um limite máximo baixo e irrealista desde o início do QFP em vigor, o financiamento das prioridades do Parlamento nos domínios da segurança interna, da migração, dos direitos fundamentais e do respeito do Estado de direito, bem como para promover a não discriminação e a igualdade e a luta contra a violência baseada no género; opõe-se vivamente aos cortes do Conselho no Fundo para a Segurança Interna (FSI) e no Fundo para o Asilo, a Migração e a Integração (FAMI) e rejeita a proposta do Conselho de transferir 400 milhões de EUR das dotações de autorização do FAMI para uma reserva, a aguardar um avanço na reforma do Regulamento Dublin III[7], uma vez que isto impediria os Estados-Membros que estão na primeira linha de receber apoio para gerir a pressão migratória de forma humana;

33. Sublinha que é da maior importância investir num adequado financiamento e nível de pessoal para todas as agências que operam nos domínios da migração, da segurança, do controlo das fronteiras e dos direitos fundamentais, em especial a Europol, a Eurojust, a Procuradoria Europeia, a Frontex e a Agência dos Direitos Fundamentais (FRA); salienta que a Procuradoria Europeia deve ser dotada dos meios necessários para poder investigar de forma aprofundada e perseguir as atividades criminosas transfronteiras;

34. Insta a Comissão a criar urgentemente um fundo destinado a apoiar as operações de busca e salvamento, a fim de garantir uma presença forte na área da busca e salvamento no Mediterrâneo;

35.  Reafirma a sua disponibilidade para utilizar o orçamento da União como um instrumento para combater efetivamente as desigualdades existentes e promover a igualdade de género, em particular aumentando os recursos para o objetivo Daphne do programa Direitos, Igualdade e Cidadania e para o desenvolvimento humano no âmbito do Instrumento de Cooperação para o Desenvolvimento; salienta a necessidade de um financiamento suficiente para combater a violência baseada no género e a violência contra as mulheres e as raparigas refugiadas e outros grupos vulneráveis, como as pessoas LGBTQI+;

36. Propõe um aumento de 10 % das dotações de autorização para os subprogramas MEDIA e Cultura do programa Europa Criativa, a fim de resolver o seu subfinanciamento crónico e as reduzidas taxas de sucesso das candidaturas; aumenta igualmente as dotações para ações multimédia, que são fundamentais para combater a desinformação e promover um jornalismo independente;

37.  Propõe igualmente um aumento específico da contribuição da União para a Agência Europeia de Medicamentos;

38. Reforça, por conseguinte, a rubrica 3 em 121 799 746 EUR em dotações de autorização acima dos níveis do PO (excluindo os projetos-piloto e as ações preparatórias), financiando o aumento através de uma mobilização dos instrumentos especiais;

Rubrica 4 – Europa Global

39. Sublinha a necessidade de o orçamento da União contribuir mais para as medidas de atenuação e adaptação às alterações climáticas, bem como para a diplomacia climática, nos países abrangidos pelo Instrumento de Cooperação para o Desenvolvimento e pelo Mecanismo de Proteção Civil da União; salienta a possibilidade de o orçamento da União prestar assistência financeira para a redução do risco de catástrofes e mobilizar instrumentos financeiros inovadores, incluindo o plano de investimento externo da UE, para apoiar a preparação e o financiamento de projetos de desenvolvimento relacionados com o clima em África;

40. Propõe um aumento substancial do financiamento previsto para os países dos Balcãs Ocidentais ao abrigo do Instrumento de Assistência de Pré-Adesão, em especial nos domínios do funcionamento das instituições democráticas, do Estado de direito, da boa governação e da administração pública; sublinha a importância de um financiamento significativo, tendo em conta os muitos desafios que a União, juntamente com os Estados-Membros, terá de enfrentar na Vizinhança Europeia, para apoiar as reformas políticas e o alinhamento com o acervo nos Balcãs Ocidentais;

41. Recorda que, tendo em conta as persistentes ameaças à segurança e a deterioração do ambiente de segurança nas fronteiras orientais da União, assim como as difíceis reformas com que os parceiros da Europa Oriental se defrontam, é importante prever um financiamento suficiente para apoiar a prevenção de crises e conflitos, a estabilidade, a democracia e a criação de confiança e intensificar os esforços para apoiar a redução da pobreza e o desenvolvimento económico na região; recorda ainda que os países da vizinhança meridional precisam de um apoio financeiro adicional, dado que enfrentam uma enorme pressão, nomeadamente os conflitos na Síria e na Líbia, o aumento do extremismo e os movimentos associados de refugiados e migrantes;

42. Considera necessário aumentar as dotações da rubrica orçamental relativa à comunidade cipriota turca, a fim de contribuir de forma decisiva para a continuação e a intensificação da missão do Comité das Pessoas Desaparecidas em Chipre, para o bem-estar dos maronitas que pretendam reinstalar-se e para o de todas as pessoas residentes em enclaves, conforme estabelecido no 3.º Acordo de Viena, e de apoiar o Comité Técnico Bicomunitário sobre o Património Cultural, promovendo assim a confiança e a reconciliação entre as duas comunidades;

43. Salienta a responsabilidade da União no apoio à proteção do Ártico; destaca a importância de investir numa política da UE para o Ártico que seja mais coerente;

44. Solicita um acréscimo do financiamento dos projetos centrados no apoio aos refugiados da Venezuela que fugiram para os países vizinhos, nomeadamente para os territórios dos Estados-Membros nas Caraíbas;

45. Considera que, tendo em conta o grave e persistente esforço da Turquia para comprometer a estabilidade regional com um comportamento agressivo contra os Estados-Membros, bem como os seus défices nos domínios da democracia, do Estado de direito e dos direitos fundamentais, se justifica reduzir ainda mais as dotações atribuídas à Turquia ao abrigo do Instrumento de Assistência de Pré-Adesão; decide, por conseguinte, não reverter os cortes efetuados pelo Conselho no financiamento previsto para a Turquia, reduzir esse financiamento em mais 5 milhões de EUR e inscrever na reserva 100 milhões de EUR do financiamento;

46. Lamenta o papel limitado do Parlamento na supervisão e governação do Fundo Fiduciário de Emergência da União Europeia para África; considera que é fundamental que o Parlamento possa controlar as atividades do Comité Operacional e insta a Comissão a fornecer informações pormenorizadas sobre as decisões tomadas nesse comité e a assegurar que o Parlamento esteja representado nas suas reuniões;

47. Reforça a rubrica 4 no seu conjunto em 257 217 394 EUR acima do PO (excluindo os projetos-piloto e as ações preparatórias), financiando o aumento através de uma mobilização adicional dos instrumentos especiais;

Rubrica 5 – Administração; outras rubricas – despesas de apoio administrativo e de apoio à investigação

48. Repõe os níveis do PO nas rubricas respeitantes às despesas administrativas, incluindo as despesas de apoio administrativo e de apoio à investigação nas rubricas 1 a 4 do QFP; propõe um aumento de 5,5 milhões de EUR em dotações de autorização acima do PO para uma Conferência sobre a Democracia Europeia e o Futuro da Europa; salienta que esta conferência deverá poder funcionar com o grau de autonomia necessário e a participação do Parlamento em pé de igualdade com as outras instituições europeias; sublinha, além disso, que a conferência deve permitir a participação e o envolvimento de um vasto leque de cidadãos, incluindo os jovens;

Projetos-piloto e ações preparatórias (PP-AP)

49. Relembra a importância dos projetos-piloto e das ações preparatórias (PP-AP) enquanto instrumentos para a definição das prioridades políticas e a introdução de novas iniciativas que podem transformar-se em atividades e programas permanentes da União; salienta, neste contexto, para aqueles projetos-piloto e ações preparatórias que abrem o caminho para novos programas apoiados pelo atual Presidente da Comissão e pelo Parlamento, como o Fundo para uma Transição Justa, que a Comissão deve ter em especial atenção a sua aplicação da forma que reúna o maior apoio do Parlamento; feita uma análise cuidadosa de todas as propostas apresentadas e tendo plenamente em conta a avaliação da Comissão quanto ao respeito dos requisitos legais e à exequibilidade, aprova um pacote equilibrado de PP-AP que reflete as prioridades políticas do Parlamento; insta a Comissão a implementar rapidamente os PP-AP e a prestar informações sobre o seu desempenho e os resultados obtidos no terreno;

Pagamentos

50. Chama a atenção para a margem sem precedentes de 20 067,6 milhões de EUR, existente sob o limite máximo dos pagamentos no PO, devido ao grande atraso no arranque dos programas do período 2014-2020 e à correspondente acumulação de pagamentos não utilizados, nomeadamente na sub-rubrica 1B; salienta a necessidade de evitar uma acumulação significativa de pedidos de pagamento no início do próximo QFP, que pode conduzir a outra crise de pagamentos no orçamento da União, à semelhança do que aconteceu no período em curso, e obstar a um início ordenado da próxima geração de programas para 2021-2027;

51. Aumenta, por conseguinte, os pagamentos para os Fundos Europeus Estruturais e de Investimento no valor global de 3 mil milhões de EUR, na expectativa de que os Estados-Membros irão acelerar ainda mais a execução dos seus programas operacionais no último ano do QFP em vigor e respeitar melhor as suas próprias previsões; aumenta o provisionamento do fundo de garantia do FEIE em 948 milhões de EUR, a fim de antecipar para 2020, de uma forma neutra do ponto de vista orçamental, as prestações anuais que estavam até agora planeadas para o período 2021-2023, isto é, a fase em que se prevê uma maior pressão sobre os pagamentos; reforça, por último, as dotações de pagamento nas rubricas cujas dotações de autorização são aumentadas;

Outras secções

Secção I – Parlamento Europeu

52. Repõe as dotações fixadas na previsão de receitas e despesas com base numa análise cuidadosa e responsável das necessidades do Parlamento para 2020, que foram aprovadas pelo Plenário, na sua supramencionada Resolução de 28 de março de 2019, por larga maioria; está ciente de que o artigo 314.º do Tratado sobre o Funcionamento da União Europeia permite à Comissão ajustar o projeto de previsão de receitas e despesas das outras instituições; manifesta, não obstante, a sua surpresa e profunda preocupação relativamente aos cortes efetuados pela Comissão no orçamento do Parlamento, o que rompe com a tradição de boa cooperação entre ambas as instituições;

53. Aumenta duas rubricas orçamentais em relação ao PO, devido a novos elementos com impacto nos subsídios de reintegração para o orçamento de 2020, que não foi possível impedir, a saber: uma taxa mais elevada de deputados não reeleitos nas eleições europeias (63 %, enquanto a base de cálculo foi uma média de 50 %) e o adiamento do Brexit até 31 de outubro de 2019; aumenta igualmente a rubrica relativa às fundações políticas europeias, uma vez que o seu trabalho é fundamental para a promoção da democracia e para combater as notícias falsas e a desinformação;

54. Em conformidade com a previsão de receitas e despesas adotada pelo Parlamento:

-  solicita à Mesa que trabalhe numa solução técnica que permita aos deputados exercer o seu direito de voto, enquanto beneficiam de uma licença de maternidade, de paternidade ou por doença prolongada;

- reitera o seu pedido de um processo de decisão transparente no domínio da política imobiliária; discorda, por conseguinte, da prática corrente, isto é, a transferência de remanescentes no final do exercício para contribuir para os projetos imobiliários em curso, que é realizada sistematicamente nos mesmos capítulos, títulos e, frequentemente, exatamente nos mesmos artigos orçamentais; considera que a política imobiliária deve ser financiada de uma forma transparente, por artigos orçamentais especificamente destinados a essa finalidade;

-  recorda o seu pedido à Mesa para que tome medidas com vista a alinhar plenamente os subsídios aplicáveis às deslocações em serviço entre os três locais de trabalho do Parlamento para os funcionários, os outros agentes e os assistentes parlamentares acreditados (APA), a partir de 1 de janeiro de 2020;

-  reitera o seu apelo à Conferência dos Presidentes e à Mesa para que revejam as normas de execução que regem o trabalho das delegações e missões fora da União Europeia; sublinha o facto de que essa revisão deverá considerar a possibilidade de os APA, sob determinadas condições, acompanharem os deputados nas delegações e missões oficiais do Parlamento;

-  solicita ao Secretário-Geral que apresente rapidamente as regras de execução, para garantir os direitos estatutários dos APA, a fim de evitar uma interpretação discricionária e as desigualdades atuais, que obstam ao pleno exercício do seu trabalho, tal como estabelecido no Estatuto dos Deputados e no Estatuto dos Assistentes;

-  solicita a plena aplicação das medidas recomendadas na Resolução do Parlamento, de 26 de outubro de 2017, sobre a luta contra o assédio sexual e os abusos sexuais na UE[8], nomeadamente a realização da formação contra o assédio para todo o pessoal e todos os deputados, a auditoria externa dos dois comités existentes contra o assédio, bem como a transformação dos dois comités existentes num comité independente, com médicos e advogados como membros permanentes; solicita um apoio suplementar para cobrir os custos de pessoal adicional, que seja competente para gerir os casos de assédio no Parlamento, reunindo, num serviço específico, pessoal com preparação no domínio médico, psicológico, jurídico e de gestão dos recursos humanos, e para cobrir as despesas judiciais e médicas das vítimas de assédio, em conformidade com o artigo 24.º do Estatuto dos Funcionários;

-  reitera o seu pedido ao Secretário-Geral de estimativas detalhadas e uma discriminação dos custos dos trabalhos técnicos preparatórios no edifício SPAAK, com vista à sua renovação, calculados em 12,4 milhões de EUR;

- reitera o seu apelo a uma maior utilização da videoconferência e outras tecnologias, para proteger o ambiente e poupar recursos, nomeadamente para reduzir as deslocações em serviço do pessoal entre os três locais de trabalho;

Outras secções (Secções IV-X)

55.  Observa que, de uma maneira geral, o PO reflete as previsões de receitas e despesas das várias instituições que integram as outras secções do orçamento e corresponde, por conseguinte, com algumas exceções, às suas necessidades financeiras; considera que os cortes propostos pelo Conselho teriam, por conseguinte, um efeito prejudicial sobre o funcionamento das instituições em causa e, consequentemente, sobre o seu contributo vital para o funcionamento da União; por este motivo, propõe a reposição dos níveis do PO em quase todos os casos, nomeadamente no que diz respeito aos quadros de pessoal da Autoridade Europeia para a Proteção de Dados e do Serviço Europeu para a Ação Externa; em conformidade com o acordo de cavalheiros, não altera a leitura do Conselho relativa ao Conselho e ao Conselho Europeu;

56. Considera que, num número limitado de casos e tendo em conta as previsões de receitas e despesas das instituições, é necessário aumentar as rubricas orçamentais acima do PO e sugerir lugares adicionais; propõe, por conseguinte:

a) Em relação ao Tribunal de Justiça e em razão do seu volume de trabalho crescente, repor os 11 lugares propostos pelo Tribunal na sua previsão de receitas e despesas (7 lugares AD e 4 AST), que a Comissão não incluiu no PO, e prever as dotações necessárias para as respetivas remunerações e subsídios;

b) No que diz respeito ao Comité Económico e Social Europeu e ao Comité das Regiões, aumentar as dotações previstas no PO em algumas rubricas orçamentais, de modo a manter um nível de dotações semelhante ao do ano passado;

c) Quanto ao Provedor de Justiça Europeu, acrescentar dois lugares AD em relação ao PO e efetuar pequenos cortes em três rubricas orçamentais, para compensar os montantes repostos em duas outras rubricas orçamentais;

o

o o

57. Encarrega o seu Presidente de transmitir a presente resolução, juntamente com as alterações ao projeto de orçamento geral, ao Conselho, à Comissão, às restantes Instituições e aos órgãos interessados, bem como aos parlamentos nacionais.

PARECER DA COMISSÃO DOS ASSUNTOS EXTERNOS (1.10.2019)

<CommissionInt>dirigido à Comissão dos Orçamentos</CommissionInt>


<Titre>sobre o projeto de orçamento geral da União Europeia para o exercício de 2020</Titre>

<DocRef>(2019/2028(BUD))</DocRef>

Relator de parecer: <Depute>Michael Gahler</Depute>

 

 

 

SUGESTÕES

A Comissão dos Assuntos Externos insta a Comissão dos Orçamentos, competente quanto à matéria de fundo, a incorporar as seguintes sugestões na proposta de resolução que aprovar:

1. Regista com preocupação a diminuição de mais de mil milhões de EUR em dotações de autorização para a categoria 4 (Europa Global), que resultaria num orçamento para ações externas inferior a todos os orçamentos dos três anos anteriores; considera que, no atual contexto internacional, a UE, em cooperação com os Estados-Membros, tem de assumir cada vez mais responsabilidades, e não menos, e deve ser dotada dos recursos financeiros necessários face aos numerosos desafios que se colocam na vizinhança europeia e mais além; solicita a inscrição de uma margem superior a 200 milhões de euros na categoria 4, em particular para a resposta a crises, a prevenção de conflitos, a consolidação da paz e a preparação para situações de crise;

2. Considera que é necessário um novo aumento do financiamento para os países dos Balcãs Ocidentais ao abrigo do instrumento de assistência de pré-adesão (IPA II), em especial nos domínios do funcionamento das instituições democráticas, do Estado de direito, da boa governação e da administração pública; assinala que a Comissão recomendou a abertura de negociações de adesão com a Albânia e a Macedónia do Norte; salienta que é importante manter essa promessa e encetar as negociações de adesão já em 2019; desaprova, nesse sentido, a proposta de redução dos fundos destinados a apoiar reformas políticas e o alinhamento pelo acervo nos Balcãs Ocidentais, e solicita, ao invés, um aumento substancial desses fundos;

3. Observa que as dotações a favor da Turquia permanecem a um nível reduzido, e considera que tal se justifica pelas falhas graves e persistentes no domínio da democracia, do Estado de direito e dos direitos fundamentais nesse país; insta a Comissão a acompanhar de perto a situação e, se necessário, a adaptar o apoio financeiro, mantendo simultaneamente o contacto com os cidadãos da Turquia; congratula-se com a maior importância conferida ao apoio à sociedade civil, designadamente no domínio da democracia e do Estado de direito, e com a prossecução da transição para a gestão direta, e incentiva a Comissão a acelerar ainda mais esse processo de reequilíbrio;

4.  Salienta a necessidade de dar prioridade à estabilidade nos países vizinhos a sul e a leste da União; salienta, em particular, a necessidade de apoiar os principais países, como a Ucrânia, a Moldávia, a Tunísia e a Geórgia, que demonstraram ter efetuado progressos significativos que devem ser reconhecidos e apoiados; recorda a importância de manter um elevado nível de apoio e participação da UE em prol de uma vizinhança europeia estável, tendo simultaneamente em conta os compromissos dos países parceiros em relação aos seus programas globais de reformas, especialmente nos domínios da democracia, do Estado de direito e dos direitos humanos; recorda ainda que, atendendo às persistentes ameaças à segurança e à deterioração do ambiente de segurança nas fronteiras orientais da UE, é importante continuar a reforçar a confiança dos parceiros orientais e disponibilizar fundos suficientes para apoiar a estabilidade e a consolidação da democracia na região, em especial no que diz respeito à Ucrânia e à persistência da situação de conflito criada pela Rússia no leste deste país; apoia um papel reforçado e mais visível da Missão de Observação da UE na Geórgia, face à crescente agressão russa a este país; sublinha que, no caso da Moldávia, a UE deve aproveitar a dinâmica política e garantir um forte apoio financeiro para que as necessárias reformas democráticas, económicas e sociais se realizem;

5. Apela a um acréscimo do financiamento destinado a combater as campanhas de desinformação que ameaçam os processos democráticos nos países vizinhos da União;

6. Recorda que os países da vizinhança meridional enfrentam uma enorme pressão devido a desenvolvimentos tumultuosos na região, incluindo os conflitos na Síria e na Líbia, à escalada do extremismo e aos movimentos de refugiados e migrantes que lhe estão associados, e considera que mais esforços e o financiamento de medidas de reforço da confiança poderiam ser uma forma de resolver os problemas atuais; apela à eliminação dos cortes orçamentais propostos para os países da vizinhança meridional, no âmbito do Instrumento Europeu de Vizinhança (IEV); frisa que as contribuições do IEV para o compromisso para com a Síria e o Fundo Fiduciário da UE para África não devem ser feitas em detrimento das prioridades essenciais do IEV, e solicita que estas autorizações adicionais sejam inteiramente contrabalançadas por reforços;

7.  Congratula-se com os compromissos assumidos na Conferência de Bruxelas III «Apoiar o futuro da Síria e da região», e salienta que, para além dos 560 milhões de euros atribuídos, a UE deve empenhar-se numa participação longa e estável na região; realça os esforços envidados pelas organizações que se consagram à recolha de provas na Síria, e solicita que seja atribuída prioridade absoluta à preservação das provas de crimes de guerra e de crimes contra a humanidade cometidos por todas as partes envolvidas no conflito;

8.  Solicita um maior apoio da UE à viabilidade de uma solução assente na coexistência de dois Estados, à Autoridade Palestiniana, à sociedade civil tanto de Israel como da Palestina e à Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina no Próximo Oriente (UNRWA); regista com preocupação as recentes alegações de abuso de poder por parte dos dirigentes da UNRWA, e espera um inquérito completo e transparente e um controlo externo destas questões; continua preocupado com a destruição e o confisco reiterados da assistência humanitária financiada pela UE na Cisjordânia;

9. Apela ao restabelecimento do mandato do Representante Especial da União Europeia para a região do Sul do Mediterrâneo, para que desempenhe um papel de liderança na cooperação da UE com a região e confira maior visibilidade à UE;

10.  Solicita um aumento do financiamento destinado ao Instrumento Europeu para a Democracia e os Direitos Humanos (IEDDH); reitera o seu firme apoio aos defensores dos direitos humanos, em particular aos mais ameaçados, inclusivamente através do mecanismo da UE para proteção dos defensores dos direitos humanos (ProtectDefenders.eu);

11. Salienta a necessidade de apoiar e proteger a comunidade LGBTI+ em todo o mundo; solicita a atribuição de fundos da UE para apoiar as comunidades LGBTI+ nos países onde os seus direitos estão ameaçados;

12.  Destaca o importante papel das missões internacionais de observação eleitoral (MOE) da UE no reforço das instituições democráticas e da confiança da opinião pública nos processos eleitorais, promovendo, assim, a estabilidade e reforçando outros objetivos de política externa, designadamente a consolidação da paz; salienta a importância de reforçar as MOE e de aumentar o seu financiamento; assinala que o aumento proposto deve destinar-se, em especial, a intensificar o apoio às organizações locais da sociedade civil que observam as eleições, devendo 25 %, no máximo, do orçamento total do IEDDH ser consagrado ao financiamento das MOE; incentiva a Comissão a promover uma maior concorrência entre os prestadores de serviços como forma de aumentar a eficácia e a eficiência;

13.  Destaca a importância de um enquadramento progressivo da política de defesa comum da UE e a necessidade de apoiar o reforço do financiamento para garantir a sua execução; reitera o seu vivo apoio ao Programa Europeu de Desenvolvimento Industrial no domínio da Defesa (PEDID) e congratula-se com a inscrição de 255 milhões de euros no projeto de orçamento; recorda o importante papel que o Fundo Europeu de Defesa (FED) deve desempenhar em futuros orçamentos, nomeadamente no próximo quadro financeiro plurianual; exorta os Estados-Membros a fazerem maior uso destas oportunidades de financiamento;

14. Reitera a sua opinião de que o financiamento das despesas administrativas e operacionais da Agência Europeia de Defesa e da cooperação estruturada permanente a partir do orçamento da União é a única opção permitida pelos Tratados;

15. Considera que devem ser consagrados fundos adicionais às operações de prevenção de conflitos civis, mediação e reconciliação, especialmente nos países vizinhos a sul e a leste da União;

16. Realça as consequências que as alterações climáticas terão na ação externa da UE; salienta a necessidade de adequar a situação de emergência climática a um aumento substancial do número de fundos consagrados aos objetivos em matéria de clima e à diplomacia climática;

17. Salienta a responsabilidade da UE no apoio à proteção do Ártico; destaca a importância de investir numa política da UE para o Ártico que seja mais coerente;

18. Destaca a necessidade vital de erradicar a violência sexual e a violência com base no género, combatendo a sua utilização generalizada e sistémica como arma de guerra; exorta à utilização de fundos da UE para apoiar as vítimas de violência com base no género e os direitos de acesso das mulheres ao aborto seguro e legal em todo o mundo;

19. Solicita um acréscimo do financiamento de projetos centrados no apoio aos refugiados da Venezuela que fugiram para os países vizinhos, nomeadamente para os territórios de Estado-Membro nas Caraíbas;

20. Manifesta a sua consternação face à reduzida percentagem de mulheres em cargos de chefia intermédia e superior no SEAE (25 % e 13 %, respetivamente); insta o Vice-Presidente da Comissão/Alto Representante da União para os Negócios Estrangeiros e a Política de Segurança a assumir um compromisso por escrito sobre a percentagem de mulheres em cargos de gestão, incluindo o objetivo de atribuir a mulheres 50 % dos cargos de chefia das delegações até 2024;

21. Chama a atenção para o facto de as crises imprevistas exigirem flexibilidade e margem de manobra no orçamento, e recorda, por isso, que é necessário estar preparado e ser capaz de agir rápida e eficazmente, se necessário for;

22. Recorda que a atual proposta de orçamento se baseia num orçamento para o qual o Reino Unido contribuirá integralmente ao longo de 2020.

 


INFORMAÇÕES SOBRE A APROVAÇÃO
NA COMISSÃO ENCARREGADA DE EMITIR PARECER

Data de aprovação

1.10.2019

 

 

 

Resultado da votação final

+:

–:

0:

42

12

1

Deputados presentes no momento da votação final

Maria Arena, Petras Auštrevičius, Traian Băsescu, Phil Bennion, Lars Patrick Berg, Anna Bonfrisco, Reinhard Bütikofer, Fabio Massimo Castaldo, Włodzimierz Cimoszewicz, Tanja Fajon, Michael Gahler, Giorgos Georgiou, Nathan Gill, Raphaël Glucksmann, Klemen Grošelj, Bernard Guetta, Sandra Kalniete, Stelios Kouloglou, David Lega, Nathalie Loiseau, Antonio López-Istúriz White, Jaak Madison, Claudiu Manda, Thierry Mariani, David McAllister, Vangelis Meimarakis, Sven Mikser, Francisco José Millán Mon, Javier Nart, Demetris Papadakis, Tonino Picula, Giuliano Pisapia, Nacho Sánchez Amor, Isabel Santos, Sergei Stanishev, Hermann Tertsch, Idoia Villanueva Ruiz, Viola Von Cramon-Taubadel, Irina Von Wiese, Isabel Wiseler-Lima, Željana Zovko

Suplentes presentes no momento da votação final

Attila Ara-Kovács, Vladimír Bilčík, Loucas Fourlas, Neena Gill, Markéta Gregorová, Roman Haider, Sergey Lagodinsky, Hannah Neumann, Bert-Jan Ruissen, Tineke Strik, Mick Wallace

Suplentes (art. 209.º, n.º 7) presentes no momento da votação final

Michael Bloss, Liudas Mažylis, Philippe Olivier

 


 

VOTAÇÃO NOMINAL FINAL
NA COMISSÃO ENCARREGADA DE EMITIR PARECER

42

+

ECR

Hermann Tertsch

NI

Fabio Massimo Castaldo

PPE

Traian Băsescu, Vladimír Bilčík, Loucas Fourlas, Michael Gahler, Sandra Kalniete, David Lega, Antonio López-Istúriz White, David McAllister, Liudas Mažylis, Vangelis Meimarakis, Francisco José Millán Mon, Isabel Wiseler-Lima, Željana Zovko

RENEW

Petras Auštrevičius, Phil Bennion, Klemen Grošelj, Bernard Guetta, Nathalie Loiseau, Javier Nart, Irina Von Wiese

S&D

Attila Ara-Kovács, Maria Arena, Włodzimierz Cimoszewicz, Tanja Fajon, Neena Gill, Raphaël Glucksmann, Claudiu Manda, Sven Mikser, Demetris Papadakis, Tonino Picula, Giuliano Pisapia, Nacho Sánchez Amor, Isabel Santos

VERTS/ALE

Michael Bloss, Reinhard Bütikofer, Markéta Gregorová, Sergey Lagodinsky, Hannah Neumann, Tineke Strik, Viola Von Cramon-Taubadel

 

12

-

ECR

Bert-Jan Ruissen

GUE/NGL

Giorgos Georgiou, Stelios Kouloglou, Idoia Villanueva Ruiz, Mick Wallace

ID

Lars Patrick Berg, Anna Bonfrisco, Roman Haider, Jaak Madison, Thierry Mariani, Philippe Olivier

NI

Nathan Gill

 

1

0

S&D

Sergei Stanishev

 

Legenda dos símbolos utilizados:

+ : votos a favor

- : votos contra

0 : abstenções


 

 

 

PARECER DA COMISSÃO DO DESENVOLVIMENTO (9.10.2019)

<CommissionInt>dirigido à Comissão dos Orçamentos</CommissionInt>


<Titre>sobre o projeto de orçamento geral da União Europeia do exercício de 2020 </Titre>

<DocRef>(2019/2028(BUD))</DocRef>

Relator de parecer: <Depute>Charles Goerens</Depute>

 

 

 

SUGESTÕES

A Comissão do Desenvolvimento insta a Comissão dos Orçamentos, competente quanto à matéria de fundo, a incorporar as seguintes sugestões na proposta de resolução que aprovar:

1. Sublinha a necessidade de que o orçamento geral da União Europeia contribua de forma adequada para a concretização da Agenda 2030 e os seus Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), bem como para o objetivo de erradicação da pobreza estipulado nos artigos 3.º e 21.º do Tratado da União Europeia e no artigo 208.º do Tratado sobre o Funcionamento da União Europeia; salienta que os ODS devem ser uma prioridade estratégica e que a sua aplicação deve ser transversal a todas as políticas internas e externas da União Europeia; recorda que, segundo as Nações Unidas, o cumprimento dos ODS exigirá entre 5 e 7 biliões de dólares por ano (dos quais 2,5 a 3 biliões nos países em desenvolvimento); destaca que, para ser um interveniente credível a nível mundial, a União Europeia tem de assumir um papel de liderança no cumprimento dos ODS e reforçar a sua Coerência das Políticas para o Desenvolvimento (CPD); realça que é importante instaurar um diálogo e garantir uma participação e uma apropriação inclusivas a nível local para que a ajuda da União chegue às populações; assinala que os ODS estão interligados e são indivisíveis, mas que é imperativo refletir mais claramente no orçamento geral da União Europeia para 2020 o ODS 3 relativo à saúde, o ODS 4 relativo à educação, o ODS 5 relativo à igualdade de género, o ODS 13 relativo à ação climática e o ODS 16 relativo à paz, à justiça e a instituições eficazes;

2. Realça que a União e os seus Estados-Membros devem honrar o compromisso coletivo, reconfirmado em 2015, de aumentar a sua ajuda pública ao desenvolvimento (APD) para 0,7 % do RNB até 2030; solicita à Comissão e aos Estados-Membros que apresentem um calendário vinculativo para um aumento progressivo até esse nível; recorda o compromisso coletivo da União de destinar aos países menos desenvolvidos 0,20 % do RNB afetado à APD; reitera o compromisso da Comissão de consagrar pelo menos 20 % do total da sua APD ao desenvolvimento humano e à inclusão social; salienta a necessidade de promover e proteger a saúde e os direitos sexuais e reprodutivos;

3. Reitera a sua preocupação com a utilização dos fundos de desenvolvimento para objetivos não relacionados com este domínio e salienta que o financiamento que não cumpre os critérios da APD deve provir de outros instrumentos que não o instrumento de cooperação para o desenvolvimento (ICD); sublinha a importância de assegurar normas em matéria de direitos humanos em toda a cooperação ao abrigo do ICD e insiste em que, a fim de combater eficazmente a pobreza a longo prazo, a UE tem de abordar as causas da pobreza e das desigualdades; reitera o seu apoio à orçamentação do Fundo Europeu de Desenvolvimento e insiste num controlo parlamentar suficiente do financiamento da União Europeia para o desenvolvimento;

4.  Solicita a adoção de uma abordagem baseada nos resultados, na aplicação dos mecanismos de comunicação, na eficiência e no controlo dos fundos destinados à ajuda ao desenvolvimento da UE;

5. Manifesta a sua profunda preocupação com a forma como o Fundo Fiduciário de Emergência da União Europeia para África (EUTF) está a ser utilizado; observa, em particular, que a prioridade atribuída ao financiamento da gestão da migração e das fronteiras é muitas vezes separada dos objetivos de redução da pobreza e de combate às causas profundas da migração e que isso tem efeitos adversos; considera que não é adequado, por exemplo, utilizar esse instrumento para financiar a guarda costeira líbia sem ter em conta as graves violações dos direitos humanos cometidas na Líbia;

6. Sublinha a abordagem em matéria de desenvolvimento baseada nos direitos e o princípio de não deixar ninguém para trás; insiste em que as políticas e os programas da União têm de assegurar normas em matéria de direitos humanos e ajudar a combater as desigualdades mundiais persistentes e a discriminação com base em fatores como o rendimento, a etnia, o sexo, a idade, a deficiência, a religião ou crença, a orientação sexual e a identidade de género; salienta a necessidade de apoiar a não discriminação e a proteção dos defensores dos direitos humanos;

7. Lamenta o papel limitado que o Parlamento Europeu desempenha na supervisão e governação do EUTF; considera especialmente vital que o Parlamento possa controlar as atividades do comité operacional e insta a Comissão a fornecer informações pormenorizadas sobre as decisões tomadas nesse comité e a assegurar que o Parlamento Europeu esteja representado nas suas reuniões;

8. Insiste na necessidade de fazer avançar o ODS 5 relativo à igualdade de género e apela a uma ação mais concreta na política externa da União, incluindo ações e medidas específicas em favor da igualdade de género; insiste na necessidade de combater a violência contra as mulheres e as raparigas e de promover o acesso à saúde e aos direitos sexuais e reprodutivos;

9. Sublinha o ODS 16 e o apoio à democracia, à boa governação e ao Estado de direito; chama a atenção para a importância de apoiar o diálogo, a apropriação local inclusiva e a criação de um ambiente favorável à participação dos cidadãos; realça a importância dos jovens e das mulheres como agentes fundamentais da mudança; salienta a importância de incluir as mulheres na construção da paz e na resolução de conflitos;

10. Salienta a importância de apoiar os civis nas zonas de conflito e de reconstruir as sociedades que emergem de situações de conflito; chama a atenção para a situação dos grupos de minorias curda, iazidi, cristã e outras minorias étnicas e religiosas no Médio Oriente; salienta que é importante que Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina no Próximo Oriente funcione e receba apoio suficiente numa altura em que outros intervenientes a nível mundial reduziram o seu apoio;

11. Apoia a intenção da Comissão de clarificar a doutrina que irá aplicar no domínio da cooperação para o desenvolvimento com os Estados que violam os princípios da política externa da União Europeia;

12. Considera que o orçamento destinado ao desenvolvimento para 2020 deve refletir de forma mais coerente a concentração da ação da UE nos países menos desenvolvidos nos domínios da educação e do emprego dos jovens, das raparigas e das mulheres vítimas de violência baseada no género e do acesso universal à água;

13. Insta a Comissão a assegurar que o financiamento das atividades de adaptação às alterações climáticas e outras atividades relacionadas com o clima em países terceiros complemente o financiamento das atividades dos instrumentos de cooperação para o desenvolvimento; salienta que as alterações climáticas podem afetar mais gravemente aqueles que já são vulneráveis e levar a um retrocesso nos avanços já realizados na luta contra a pobreza e a fome; manifesta a sua preocupação com o facto de as alterações climáticas poderem ter efeitos negativos multiplicadores que provoquem mais crises humanitárias, por exemplo, através do aumento dos conflitos e guerras;

14. Salienta a importância de promover a criação de mais empregos dignos e ecológicos, em conformidade com o ODS 8; chama a atenção para as ligações entre comércio e desenvolvimento e insta a União a prestar um melhor apoio aos países para que estes participem no comércio internacional e dele beneficiem plenamente; salienta a importância de promover o diálogo entre os parceiros sociais e, neste contexto, destaca as iniciativas como o Acordo global para o trabalho digno e o crescimento inclusivo; sublinha a importância de garantir os direitos laborais nas cadeias de valor mundiais e de promover o trabalho digno com base nas normas laborais da Organização Internacional do Trabalho;

15. Considera que devem ser tomadas medidas para enfrentar as crises humanitárias – com especial destaque para a prevenção, o reforço da resiliência e a cooperação com as partes interessadas – de modo a encontrar uma solução para o défice de financiamento mundial destinado à ação humanitária; salienta que deve ser intensificada a cooperação entre os governos, a sociedade civil e o setor privado; insiste num aumento significativo da dotação financeira para as rubricas orçamentais relativas à ajuda humanitária, para que possam dar resposta a novas catástrofes, em vez de cobrirem apenas as crises em curso, garantindo simultaneamente um financiamento suficiente da cooperação para o desenvolvimento a mais longo prazo, em prol de sociedades fortes, resilientes e inclusivas; salienta que as crises não são suscetíveis de diminuir e são cada vez mais prolongadas; realça a importância de boas ligações entre a ajuda humanitária e a cooperação para o desenvolvimento;

16. Destaca a importância de manter as dotações de pagamento no capítulo da ajuda humanitária pelo menos ao mesmo nível das dotações de autorização, a fim de evitar pagamentos atrasados que possam ter efeitos negativos consideráveis nas pessoas e nos parceiros de execução;

17. Insiste em que a União não pode regredir enquanto força do multilateralismo e da cooperação global, e solicita uma dotação financeira suficiente para a cooperação para o desenvolvimento e a ajuda humanitária no âmbito do novo Quadro Financeiro Plurianual.

INFORMAÇÕES SOBRE A APROVAÇÃO
NA COMISSÃO ENCARREGADA DE EMITIR PARECER

Data de aprovação

8.10.2019

 

 

 

Resultado da votação final

+:

–:

0:

20

2

2

Deputados presentes no momento da votação final

Hildegard Bentele, Udo Bullmann, Ryszard Czarnecki, Gianna Gancia, Mónica Silvana González, Pierrette Herzberger-Fofana, György Hölvényi, Martin Horwood, Rasa Juknevičienė, Pierfrancesco Majorino, Lukas Mandl, Marc Tarabella, Tomas Tobé, Chrysoula Zacharopoulou

Suplentes presentes no momento da votação final

Manon Aubry, Stéphane Bijoux, Ellie Chowns, Ewa Kopacz, María Soraya Rodríguez Ramos

Suplentes (art. 209.º, n.º 7) presentes no momento da votação final

Sándor Rónai

 


 

VOTAÇÃO NOMINAL FINAL
NA COMISSÃO ENCARREGADA DE EMITIR PARECER

20

+

ECR

Ryszard Czarnecki

GUE/NGL

Manon Aubry

ID

Gianna Gancia

PPE

Hildegard Bentele, György Hölvényi, Rasa Juknevičienė, Ewa Kopacz, Lukas Mandl, Tomas Tobé

Renew

Stéphane Bijoux, Martin Horwood, María Soraya Rodríguez Ramos, Chrysoula Zacharopoulou

S&D

Udo Bullmann, Mónica Silvana González, Pierfrancesco Majorino, Sándor Rónai, Marc Tarabella

Verts/ALE

Ellie Chowns, Pierrette Herzberger-Fofana

 

2

-

NI

Louis Stedman-Bryce, James Wells

 

2

0

ID

Dominique Bilde, Bernhard Zimniok

 

Legenda dos símbolos utilizados:

+ : votos a favor

- : votos contra

0 : abstenções

 

 


 

 

 

 

PARECER DA COMISSÃO DO CONTROLO ORÇAMENTAL (26.9.2019)

<CommissionInt>dirigido à Comissão dos Orçamentos</CommissionInt>


<Titre>sobre o projeto de orçamento geral da União Europeia para o exercício de 2020 </Titre>

<DocRef>(2019/2028(BUD))</DocRef>

Relatora de parecer: <Depute>Corina Crețu</Depute>

 

 

SUGESTÕES

A Comissão do Controlo Orçamental insta a Comissão dos Orçamentos, competente quanto à matéria de fundo, a incorporar as seguintes sugestões na proposta de resolução que aprovar:

Gestão financeira

1. Recorda que o artigo 247.º, n.º 1, alínea c), do Regulamento Financeiro impõe à Comissão a obrigação de comunicar, a 31 de julho, ao Parlamento Europeu e ao Conselho, um conjunto integrado de relatórios financeiros e de prestação de contas, incluindo uma previsão a longo prazo dos futuros fluxos de entrada e de saída para os próximos cinco anos;

2. Insiste em que esses relatórios devem analisar o impacto das autorizações na dimensão dos pagamentos em atraso de um dado quadro financeiro plurianual (QFP);

Declarações de despesas operacionais dos programas que acompanham o orçamento

3. Congratula-se com as declarações de despesas operacionais do programa que acompanham o orçamento geral da União Europeia para o exercício de 2020 (orçamento de 2020) que, nos termos do artigo 41.º, n.º 3, alínea h), do Regulamento Financeiro, fornecem informações sobre cada um dos programas de despesas;

4. Congratula-se com o facto de as declarações de despesas de 2020 se referirem à consecução de objetivos políticos transversais, como o combate às alterações climáticas e a integração da biodiversidade; congratula-se com o facto de a Comissão apresentar igualmente os programas de despesas relevantes que contribuem para a consecução das prioridades da Estratégia Europa 2020 e sublinha as iniciativas mais recentes e relevantes suscetíveis de contribuir para os objetivos de desenvolvimento sustentável na política de cooperação e de desenvolvimento, embora muitas vezes de forma indireta e não quantificável;

5. Insta a Comissão dos Orçamentos, em coordenação com as comissões setoriais do Parlamento, a promover uma verdadeira cultura «orientada para os resultados» que vise otimizar a utilização dos fundos, analisar as razões que conduzem a programas com um baixo desempenho e promover medidas que melhorem a absorção e o desempenho;

Relatórios sobre o desempenho

6. Recorda que o atual quadro de desempenho dos programas comunicados nas fichas de programa inclui mais de 700 indicadores que medem o desempenho em função de mais de 60 objetivos gerais e mais de 220 objetivos específicos;

7. Interroga-se por que razão a Comissão utiliza dois conjuntos de objetivos e de indicadores para medir o desempenho da sua gestão financeira: por um lado, os diretores-gerais da Comissão avaliam a consecução dos objetivos definidos no seu plano de gestão nos objetivos e indicadores que figuram nos seus relatórios anuais de atividades e, por outro, a Comissão avalia o desempenho dos programas de despesas através das fichas de programa de despesas operacionais anexadas ao projeto de orçamento; insta a Comissão a apresentar os seus relatórios com base num único conjunto de objetivos e indicadores;

8. Lamenta que a Comissão não tenha explicado nos seus relatórios sobre o desempenho a forma como utilizou as informações sobre o desempenho no seu processo de tomada de decisão;

9. Insta a Comissão a:

(a) Simplificar a elaboração de relatórios sobre o desempenho nomeadamente:

 Reduzindo ainda mais o número de objetivos e de indicadores que utiliza para os seus vários relatórios sobre o desempenho, por forma a poder concentrar-se nos que melhor medem o desempenho do orçamento da União;

 Apresentando as informações financeiras de molde a permitir a sua comparação com as informações sobre o desempenho, por forma a que o vínculo entre as despesas e o desempenho seja claro;

(b) Indicando de que forma as informações sobre o desempenho do orçamento da União foram utilizadas no seu processo de tomada de decisão;

(c) Desenvolvendo métodos de tratamento de dados para as grandes quantidades de dados criadas pela elaboração de relatórios de desempenho, com o objetivo de dar uma imagem oportuna, justa e verdadeira dos resultados obtidos; insiste em que os relatórios de desempenho devem ser utilizados para a adoção de medidas corretivas aquando do não cumprimento dos objetivos dos programas;

(d) Equilibrando melhor os relatórios sobre o desempenho apresentando claramente informações sobre os principais desafios a superar no futuro;

Absorção atempada

10. Insta a Comissão a melhorar a exatidão das previsões de pagamentos e a utilizar os ensinamentos retirados do período de programação anterior, a fim de fazer face aos atrasos acumulados nos pagamentos e a evitar o seu impacto negativo no próximo QFP, assim como a apresentar um plano de ação tendo em vista a redução dos pagamentos em atraso durante o QFP 2021-2027;

11. Insta a Comissão a prestar assistência técnica adequada às autoridades nacionais dos Estados-Membros para estas poderem aceder aos montantes afetados;

12. Sublinha o facto de que o orçamento da União não pode ser deficitário e que os crescentes pagamentos em atraso representam, de facto, uma dívida financeira;

Alterações climáticas

13. Salienta o compromisso da União Europeia de consagrar 20 % do seu orçamento a questões relacionadas com o clima; insta a Comissão a reforçar a investigação, o desenvolvimento e a inovação, por forma a atingir o objetivo supracitado de 20 %;

Migração, proteção das fronteiras e direitos humanos

14. Exorta a Comissão, para efeitos de gestão e de comunicação de informações, a criar uma forma de registar as despesas orçamentais da União que permita a comunicação de todos os financiamentos relacionados com questões atinentes aos refugiados e às migrações, bem como sobre a futura política da União em matéria de gestão dos fluxos migratórios e de integração;

Horizonte 2020

15.  Salienta que o programa Horizonte 2020 beneficia do apoio político dos Estados-Membros; observa que a investigação é uma forma de investimento direto num crescimento inteligente, sustentável e inclusivo promotor de emprego; considera que só a adoção de um orçamento ambicioso permitirá à União assumir uma liderança científica que lhe permitirá fazer face aos desafios com que a sociedade se confronta em termos de emprego, transição energética e digitalização, assim como investigação médica e farmacêutica;

16. Recorda que cada crise migratória comporta um elemento humanitário que, por necessidade, implica normalmente medidas urgentes; insta a Comissão a encontrar soluções céleres para fazer face à crise migratória e às situações humanitárias que lhe subjazem;

17. Insta a Comissão a disponibilizar mais recursos aos Estados-Membros que têm de lidar, em primeira linha, com a crise migratória e com a crise dos refugiados, por forma a estes poderem responder, de forma mais eficaz, ao problema da crise migratória;

18. Reitera o seu apelo no sentido da criação de uma rubrica orçamental dedicada ao objetivo específico do programa Daphne, que faz parte do  programa «Direitos, Igualdade e Cidadania», para demonstrar o compromisso que a União assumiu de combater a violência contra as mulheres e as raparigas; apela a um aumento dos recursos na rubrica orçamental supracitada e a que se ponha termo ao corte dos fundos afetados ao programa Daphne para o período 2014-2020; propõe, no âmbito do próximo QFP, um reforço do orçamento para o novo Fundo para a Justiça, os Direitos e os Valores, que incluirá igualmente o Programa Direitos, Igualdade e Cidadania; insta a um esforço continuado para aumentar a sensibilização em relação às subvenções incluídas no objetivo específico do programa Daphne, juntamente com medidas destinadas a tornar os procedimentos administrativos conexos mais acessíveis ao utilizador;

Segurança e defesa

19. Insta a Comissão a criar uma rubrica dedicada à segurança e à defesa, a fim de assegurar um controlo mais transparente;

20. Sublinha o grande risco orçamental e organizativo que comporta uma grande expansão das agências, como a proposta no âmbito do QFP 2021-27 para a Frontex; para gerir este risco orçamental, insta à elaboração, à comunicação de informações e ao controlo de um programa de expansão circunstanciado e faseado no âmbito da base jurídica aprovada para o próximo QFP, que será tido em consideração e que determinará as disposições orçamentais para os próximos anos.

Instrumentos financeiros e fundos fiduciários

21. Insiste, juntamente com o Tribunal de Contas, na necessidade de os relatórios sobre os instrumentos financeiros serem mais pormenorizados e insta a Comissão a apresentar informações precisas e exaustivas sobre os instrumentos financeiros em regime de gestão partilhada após o encerramento, indicando os montantes devolvidos ao orçamento da União e os montantes remanescentes nos Estados-Membros;

22. Salienta que a ajuda a países terceiros tem vindo a utilizar, cada vez mais, modelos de financiamento alternativo – como, por exemplo, fundos fiduciários e o Mecanismo em Favor dos Refugiados na Turquia –, o que aumenta a complexidade das estruturas financeiras existentes;

23. Sublinha que a congregação de recursos do Fundo Europeu de Desenvolvimento, do orçamento da União e de outros doadores em fundos fiduciários não deve ter como consequência que os fundos reservados para a política de desenvolvimento e cooperação não persigam os seus objetivos iniciais, como a erradicação da pobreza e a promoção dos direitos fundamentais;

24. Salienta que os fundos fiduciários só devem ser criados quando a sua utilização se justifique e a ação necessária não seja possível através de outros canais de financiamento existentes; apela ainda à Comissão, de acordo com o princípio da unidade do orçamento, para que pondere eliminar os fundos fiduciários que não conseguem atrair contribuições de outros doadores ou que não oferecem uma mais-valia comparativamente aos instrumentos externos «tradicionais» da União;

25. Considera que a melhor forma de garantir um bom funcionamento dos fundos fiduciários da União é a prestação de contas relativamente à sua aplicação e uma gestão transparente no âmbito do orçamento geral da União.

EPPO

26. Insiste em que a Procuradoria Europeia (EPPO) seja dotada de recursos financeiros e humanos adequados; salienta que a EPPO tem de estar operacional a partir de novembro de 2020; salienta a importância de uma clara divisão de tarefas e de uma boa coordenação entre a Procuradoria Europeia e o Organismo Europeu de Luta Antifraude (OLAF);

27. Recorda a importância da Iniciativa para o Emprego dos Jovens para promover a participação e a integração dos jovens no mercado de trabalho;

28. Assinala que, no projeto de orçamento para 2020, a contribuição da União ascende a um total de 8 372 000 EUR;

29. Recorda a importância de atribuir recursos e pessoal adequados ao OLAF, à Europol e à Eurojust, para poderem cooperar eficazmente com a EPPO e cumprir a sua missão comum de proteger os interesses financeiros da União. Manifesta, neste contexto, a sua preocupação relativamente à redução de pessoal assinalada pelo OLAF no seu Relatório Anual de 2018, embora se tenha verificado um aumento do volume do trabalho estrutural deste organismo.


INFORMAÇÕES SOBRE A APROVAÇÃO
NA COMISSÃO ENCARREGADA DE EMITIR PARECER

Data de aprovação

25.9.2019

 

 

 

Resultado da votação final

+:

–:

0:

24

2

1

Deputados presentes no momento da votação final

Matteo Adinolfi, Olivier Chastel, Caterina Chinnici, Lefteris Christoforou, Corina Crețu, Tamás Deutsch, Raffaele Fitto, Daniel Freund, Isabel García Muñoz, Cristian Ghinea, Michael Heaver, Monika Hohlmeier, Joachim Kuhs, Claudiu Manda, Tsvetelina Penkova, Markus Pieper, Sabrina Pignedoli, Petri Sarvamaa, Angelika Winzig, Lara Wolters, Tomáš Zdechovský

Suplentes presentes no momento da votação final

Katalin Cseh, Derk Jan Eppink, Mikuláš Peksa, Ramona Strugariu, Viola Von Cramon-Taubadel, Lucia Vuolo

 


VOTAÇÃO NOMINAL FINAL NA COMISSÃO ENCARREGADA DE EMITIR PARECER

24

+

ID

NI

EPP

Renew

S&D

Verts/ALE

Matteo Adinolfi, Joachim Kuhs, Lucia Vuolo

Sabrina Pignedoli

Lefteris Christoforou, Tamás Deutsch, Monika Hohlmeier, Markus Pieper, Petri Sarvamaa, Angelika Winzig, Tomáš Zdechovský

Olivier Chastel, Katalin Cseh, Cristian Ghinea, Ramona Strugariu

Caterina Chinnici, Corina Crețu, Isabel García Muñoz, Claudiu Manda, Tsvetelina Penkova, Lara Wolters

Daniel Freund, Mikuláš Peksa, Viola Von Cramon-Taubadel

 

2

-

ECR

NI

Derk Jan Eppink

Michael Heaver

 

1

0

ECR

Raffaele Fitto

 

Legenda dos símbolos:

+ : votos a favor

- : votos contra

0 : abstenções

 

 

 

 

 


 

 

 

PARECER DA COMISSÃO DOS ASSUNTOS ECONÓMICOS E MONETÁRIOS (6.9.2019)

<CommissionInt>dirigido à Comissão dos Orçamentos</CommissionInt>


<Titre>sobre o projeto de orçamento geral da União Europeia para o exercício de 2020</Titre>

<DocRef>(2019/2028(BUD))</DocRef>

Relator de parecer: <Depute>Siegfried Mureşan</Depute>

 

 

 

SUGESTÕES

A Comissão dos Assuntos Económicos e Monetários insta a Comissão dos Orçamentos, competente quanto à matéria de fundo, a incorporar as seguintes sugestões na proposta de resolução que aprovar:

 

1. Apela a que o projeto de orçamento para o exercício de 2020 reflita as prioridades definidas no âmbito do Semestre Europeu, nomeadamente a concretização de investimentos públicos e privados de elevada qualidade, por exemplo em empresas em fase de arranque e em PME, bem como de reformas que reforcem a competitividade e o crescimento sustentável, inclusivo e coeso, respeitando ao mesmo tempo a aplicação do Pacto de Estabilidade e Crescimento e as suas disposições em matéria de flexibilidade; recorda a importância de continuar a assegurar a estabilidade macrofinanceira e a solidez das finanças públicas, a implementação de reformas estruturais equilibradas, o aprofundamento e o reforço do mercado único, incluindo a componente digital, assim como a conclusão da União Económica e Monetária (UEM);

2. Considera que o orçamento da UE deve continuar a apoiar a retoma económica na União Europeia, bem como proporcionar recursos suficientes para enfrentar os desafios de natureza transnacional, como as alterações climáticas e as migrações;

3. Destaca a importância de reservar recursos suficientes para a coordenação e a supervisão das políticas macroeconómicas, da criminalidade financeira e da luta contra o branqueamento de capitais, bem como para a adesão ao quadro de governação económica e a comunicação transparente com os cidadãos da UE relativamente a estas medidas; recorda a necessidade de melhorar constantemente a qualidade e as disponibilidade de opções linguísticas no que toca às informações apresentadas em linha, de modo a melhor refletir as perguntas frequentes dos cidadãos;

4. Sublinha a necessidade de impulsionar o desenvolvimento e o crescimento económico sustentáveis e socialmente equilibrados, tendo simultaneamente em conta as alterações climáticas e a sustentabilidade e prosseguindo as reformas estruturais destinadas a modernizar as economias europeias e a facilitar o acesso das PME ao financiamento, nomeadamente respeitando as prioridades orçamentais conexas;

5. Solicita, além disso, que o orçamento contribua para a concretização das prioridades políticas em termos de conclusão da União dos Mercados de Capitais, incluindo a promoção de um ambiente de investimento que melhore o acesso ao financiamento para os participantes no mercado, em particular as PME e as empresas em fase de arranque;

6. Preconiza a atribuição de recursos financeiros e humanos adequados às Autoridades Europeias de Supervisão (AES) face às suas novas atribuições e competências decorrentes da adoção do regulamento 2017/0230(COD) revisto, que estabelece as AES; sublinha que as AES devem continuar a aumentar a sua eficiência, inclusive combatendo o branqueamento de capitais e o financiamento do terrorismo e controlando as atividades do sistema bancário paralelo, sem comprometer a qualidade do seu trabalho, apostando principalmente na reavaliação contínua dos métodos de trabalho e numa utilização eficaz e transparente dos recursos humanos e financeiros; salienta a importância de promover o equilíbrio entre géneros, em especial a nível da gestão das ESA; realça que, no interesse de uma utilização prudente dos respetivos orçamentos, as AES devem continuar cingir-se às atribuições e ao mandato conferidos pelo legislador europeu, tendo plenamente em conta, entre outros, os princípios da proporcionalidade e da subsidiariedade nas suas atividades quotidianas; frisa que as AES devem prever medidas suficientes para poderem reagir rapidamente às potenciais consequências de um Brexit duro;

7. Salienta que o financiamento das entidades de contabilidade e das autoridades fiscais deve continuar, em particular para as apoiar na luta contra a fraude e a evasão fiscais, frisando ainda que as referidas autoridades devem ser responsáveis perante o Parlamento Europeu; manifesta, por conseguinte, a sua preocupação com a proposta do Conselho de reduzir as despesas com o pessoal na direção-geral europeia responsável por questões fiscais, apesar de a aplicação da legislação recentemente adotada requerer acompanhamento e de estar em curso uma nova reforma fiscal internacional, tanto a nível do G20 como do quadro inclusivo; destaca a necessidade financiamento adequado para a avaliação adequada, por parte da Comissão Europeia, das normas relativas à luta contra o branqueamento de capitais aplicadas nos Estados-Membros e nos países terceiros;

8. Realça a importância da responsabilização e da transparência dos órgãos que recebem financiamento.


INFORMAÇÕES SOBRE A APROVAÇÃO
NA COMISSÃO ENCARREGADA DE EMITIR PARECER

Data de aprovação

4.9.2019

 

 

 

Resultado da votação final

+:

–:

0:

39

12

2

Deputados presentes no momento da votação final

Gunnar Beck, Stefan Berger, Gilles Boyer, Cristian-Silviu Buşoi, Derk Jan Eppink, Engin Eroglu, Markus Ferber, Jonás Fernández, Frances Fitzgerald, José Manuel García-Margallo y Marfil, Luis Garicano, Sven Giegold, Neena Gill, José Gusmão, Enikő Győri, Eero Heinäluoma, Danuta Maria Hübner, Stasys Jakeliūnas, Herve Juvin, Othmar Karas, Billy Kelleher, Ondřej Kovařík, Georgios Kyrtsos, Aušra Maldeikienė, Costas Mavrides, Csaba Molnár, Luděk Niedermayer, Dimitrios Papadimoulis, Piernicola Pedicini, Lídia Pereira, Dragoş Pîslaru, Luisa Porritt, Jake Pugh, Evelyn Regner, Antonio Maria Rinaldi, Alfred Sant, Joachim Schuster, Pedro Silva Pereira, Ernest Urtasun, Inese Vaidere, Johan Van Overtveldt, Stéphanie Yon-Courtin, Marco Zanni

Suplentes presentes no momento da votação final

Gerolf Annemans, Manon Aubry, Carmen Avram, Niels Fuglsang, Eugen Jurzyca, Margarida Marques, Siegfried Mureşan, Ville Niinistö, Irene Tinagli

Suplentes (art. 200.º, n.º 2) presentes no momento da votação final

Alice Kuhnke

 


 

 

VOTAÇÃO NOMINAL FINAL
NA COMISSÃO ENCARREGADA DE EMITIR PARECER

39

+

PPE

Stefan Berger, Cristian-Silviu Buşoi, Markus Ferber, Frances Fitzgerald, José Manuel García-Margallo y Marfil, Danuta Maria Hübner, Othmar Karas, Georgios Kyrtsos, Aušra Maldeikienė, Siegfried Mureşan, Luděk Niedermayer, Lídia Pereira, Inese Vaidere

RENEW

Gilles Boyer, Engin Eroglu, Luis Garicano, Billy Kelleher, Ondřej Kovařík, Dragoş Pîslaru, Luisa Porritt, Stéphanie Yon-Courtin

S&D

Carmen Avram, Jonás Fernández, Niels Fuglsang, Neena Gill, Eero Heinäluoma, Margarida Marques, Costas Mavrides, Csaba Molnár, Evelyn Regner, Alfred Sant, Joachim Schuster, Pedro Silva Pereira, Irene Tinagli

VERTS/ALE

Sven Giegold, Stasys Jakeliūnas, Alice Kuhnke, Ville Niinistö, Ernest Urtasun

 

12

-

ECR

Derk Jan Eppink, Eugen Jurzyca

GUE/NGL

Manon Aubry, José Gusmão, Dimitrios Papadimoulis

ID

Gerolf Annemans, Gunnar Beck, Herve Juvin, Antonio Maria Rinaldi, Marco Zanni

NI

Jake Pugh

PPE

Enikő Győri

 

2

0

ECR

Johan Van Overtveldt

NI

Piernicola Pedicini

 

Legenda dos símbolos utilizados:

+ : votos a favor

- : votos contra

0 : abstenções

 

 


 

 

 

 

PARECER DA COMISSÃO DO EMPREGO E DOS ASSUNTOS SOCIAIS (27.9.2019)

<CommissionInt>dirigido à Comissão dos Orçamentos</CommissionInt>


<Titre>sobre o projeto de orçamento geral da União Europeia do exercício de 2020</Titre>

<DocRef>(2019/2028(BUD))</DocRef>

Relatora de parecer: <Depute>Lucia Ďuriš Nicholsonová</Depute>

 

 

 

SUGESTÕES

A Comissão do Emprego e dos Assuntos Sociais insta a Comissão dos Orçamentos, competente quanto à matéria de fundo, a incorporar as seguintes sugestões na proposta de resolução que aprovar:

1. Recorda que as políticas sociais e de emprego eficazes e cuidadosamente ponderadas devem ter em conta os desafios socioeconómicos, demográficos e da automatização e os desafios colocados pelo compromisso da UE em matéria de descarbonização e que essas políticas devem ser acompanhadas de estratégias de investimento bem direcionadas e devem continuar a ser uma condição prévia importante para o crescimento sustentável – que é o fator determinante para o emprego de qualidade, a redução das desigualdades e o aumento da convergência social ascendente;

2. Congratula-se com os desenvolvimentos políticos no domínio do emprego e dos assuntos sociais durante a 8.ª legislatura, mas frisa que, para entrarem em funcionamento, as iniciativas políticas necessitam de financiamento adequado e em tempo útil;

3. Sublinha que o orçamento de 2020 deve contribuir para a realização dos objetivos da Estratégia Europa 2020 no domínio social e do emprego, os quais parecem ser alcançáveis no caso da taxa de emprego, mas não no que diz respeito ao objetivo de redução do número de pessoas em risco de pobreza ou de exclusão social, especialmente dado que cada vez mais pessoas que trabalham estão em risco de pobreza;

4.  Salienta também a necessidade de alinhar progressivamente a orientação estratégica das políticas e programas da União com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável e os princípios sociais definidos pelo Pilar Europeu dos Direitos Sociais (PEDS), que devem ser plenamente integrados nas disposições dos programas de financiamento da União e do Semestre Europeu;

5.  Salienta, a este respeito, a necessidade de reformas políticas abrangentes e de abordagens integradas que reforcem a inclusão social e combatam o desemprego dos jovens e de longa duração e o problema, muitas vezes negligenciado, da empregabilidade dos idosos e das pessoas com deficiência;

6.  Sublinha, neste contexto, a importância de um financiamento adequado dos programas e iniciativas no âmbito do Quadro Financeiro Plurianual (QFP) 2014-2020 que visam promover o crescimento inclusivo, combater o desemprego, a pobreza e a exclusão social, reduzir as desigualdades e aumentar a convergência social ascendente, especialmente os que visam os mais desfavorecidos da sociedade;

7.  Salienta a necessidade de estes programas e iniciativas receberem um nível de financiamento adequado em 2020 e até à entrada em vigor da próxima fase de programação do QFP;

8.  Rejeita, por isso, a redução da programação orçamental para as rubricas 04 01 01, 04 01 02 01, 04 01 03, 04 03 02 01, 04 03 12, 04 03 13, 08 02 03 06 e 13 08 01;

9.  Recorda também que é fundamental encontrar um equilíbrio adequado entre as dotações para autorizações e as dotações para pagamentos, a fim de que estes programas e iniciativas possam alcançar plenamente o seu potencial;

10. Salienta que a participação e a inclusão dos trabalhadores em questões empresariais têm um impacto positivo significativo na sua produtividade, saúde e bem-estar, na qualidade do emprego e no nível dos vencimentos; salienta, além disso, que as rubricas orçamentais relativas ao apoio ao diálogo social na União são de importância primordial quando se trata de reforçar a participação dos parceiros sociais, nomeadamente no âmbito do Semestre Europeu e da aplicação do PEDS; insta, por isso, ao aumento das dotações relativas às relações laborais e ao diálogo social;

11. Realça a importância da responsabilização orçamental e da definição de prioridades tendo em vista a criação de valor acrescentado para os cidadãos da União, incluindo uma maior ênfase na elaboração de políticas fundamentadas e uma atenção especial às disparidades sociais, regionais e territoriais;

12.  Considera que o princípio do valor acrescentado europeu deve ser a pedra angular de todas as despesas futuras; realça que o financiamento da União deve, portanto, refletir um modelo de orçamentação pública baseado no desempenho, no qual cada rubrica orçamental seja acompanhada de objetivos e resultados mensuráveis; a este respeito, sublinha a importância da responsabilização e da transparência dos órgãos que recebem financiamento da União;

13. Reconhece o papel crucial do Fundo Social Europeu (FSE), da Iniciativa para o Emprego dos Jovens (IEJ), do Fundo Europeu de Ajustamento à Globalização (FEG), do Programa para o Emprego e a Inovação Social (EaSI) e do Fundo de Auxílio Europeu às Pessoas mais Carenciadas (FEAD) e reitera que esses fundos devem criar sinergias que contribuam para reduzir as divergências e as desigualdades sociais, a fim de garantir que nenhum grupo-alvo é esquecido neste processo; adverte que quaisquer reduções orçamentais nestes domínios poderão dificultar que estas políticas sejam eficazes e alcancem os seus objetivos;

14.  Salienta, a este respeito, que as realidades dos pequenos Estados-Membros e das regiões remotas (incluindo as regiões ultraperiféricas a que se refere o artigo 349.º do TFUE) devem ser tidas em conta; salienta, em particular, que é imperativo melhorar o acesso aos fundos dos países e territórios ultramarinos, que possuem recursos e conhecimentos administrativos limitados devido ao seu estatuto e dimensão específicos; considera, em especial, que o FEG tem de refletir as realidades dos mercados de trabalho de pequena dimensão e dos pequenos Estados-Membros – em particular, no que se refere a candidaturas que envolvam PME e quando os despedimentos têm graves repercussões nas taxas de emprego e na economia local ou regional;

15.  Sublinha que as atividades realizadas ao abrigo destes fundos e programas devem resultar sempre em medidas estratégicas com objetivos e metas claramente definidos e que a eficiência e eficácia da despesa são tão importantes como os limites máximos do orçamento na sua totalidade; sublinha, a este respeito, a importância duma verdadeira cultura «orientada para os resultados» que vise otimizar a utilização dos fundos, analisar as razões que conduzem a programas com um baixo desempenho e promover medidas que tragam melhorias;

16.  Reconhece, a este respeito, os esforços para tornar mais transparentes e acessíveis os procedimentos de reclamação dos fundos no orçamento de 2020;

17. Insta a Comissão e os Estados-Membros a proporcionarem a flexibilidade necessária na execução dos programas da União para 2020, nomeadamente o FEG, a fim de cobrir o impacto da saída do Reino Unido da União para os trabalhadores e as entidades estabelecidos nos Estados-Membros; congratula-se, a este respeito, com a proposta da Comissão de alterar o âmbito de aplicação do atual programa do FEG, a fim de permitir o apoio a trabalhadores deslocados devido a perturbações causadas pela saída do Reino Unido da União;

18. Regista a futura fusão, a partir de 2021, do atual FSE, da IEJ, do FEAD, do EaSI e do Programa de Saúde da UE, no âmbito do FSE+; reitera a sua posição no sentido de aumentar o FSE+ para 120 457 000 000 de euros, a preços correntes, no âmbito do QFP 2021-2027; insta a Comissão a apresentar as informações financeiras e as dotações orçamentais de um modo que permita a comparação dos números e das subcategorias do FSE+ com as dotações atuais; rejeita a diminuição substancial (de 5 milhões de euros) proposta pelo Conselho para o eixo PROGRESS do EaSI em 2020 e recomenda que a sua dotação orçamental iguale, pelo menos, a proposta da Comissão; salienta, a este respeito, que todas as revisões legislativas e orçamentais devem ser fundamentadas e basear-se na compreensão das suas repercussões, estar em consonância com o Programa Legislar Melhor, exigir uma avaliação de resultados quantificável e comparável em vez de simples medições da produção e basear-se em todas as recomendações conexas do Tribunal de Contas Europeu;

19. Sublinha que, no contexto das atuais restrições orçamentais, será fundamental aplicar bem o orçamento geral para 2020, especialmente no que se refere a políticas capazes de apoiar o crescimento económico sustentável e a criação de emprego de qualidade, como as futuras políticas em matéria de competências, o ensino e a formação profissionais (EFP), as políticas e medidas de requalificação e de melhoria de competências para apoiar os mercados de trabalho que funcionam bem e um melhor ajustamento às alterações demográficas, em particular através de uma melhor integração dos grupos vulneráveis e desfavorecidos – nomeadamente os idosos e as pessoas com deficiência – no mercado de trabalho e da aplicação de medidas de integração e redução da pobreza; observa que a Comissão do Emprego e dos Assuntos Sociais propôs vários projetos-piloto (PP) e ações preparatórias (AP) orientados para as comunidades socialmente excluídas;

20. Incentiva vivamente todos os investimentos na adoção de novas tecnologias em todos os setores da economia e da produção industrial, dando especial atenção a programas específicos destinados a acelerar a transição atempada da mão de obra e a restringir os efeitos secundários potencialmente prejudiciais dessa transição – como o desemprego estrutural, a crescente desigualdade de rendimentos ou as disparidades regionais e territoriais; observa, neste contexto, o papel dos instrumentos da União no apoio às empresas e aos trabalhadores na sua transição para uma economia digital e mais ecológica;

21.  Reitera a importância do EFP na era da digitalização; insta a Comissão a explorar novas oportunidades de apoio aos programas de ensino e formação profissionais, especialmente nos domínios do desenvolvimento de software e das tecnologias da informação;

22. Salienta que, apesar das tendências positivas no sentido da diminuição das taxas de desemprego dos jovens na União, a falta de oportunidades futuras para os jovens constitui uma verdadeira emergência social em certas regiões da União – havendo disparidades significativas entre os Estados-Membros e as regiões – e que os jovens continuam expostos a um maior risco de pobreza e de exclusão social e económica; realça que isto requer soluções inovadoras e orientadas, passíveis de rápida implementação, a fim de trazer melhorias concretas a curto prazo; espera, portanto, que a Comissão e os Estados-Membros tornem a luta contra o desemprego dos jovens a sua prioridade, que deve ser refletida no orçamento de 2020;

23.  Reitera, por isso, a importância dos fundos de programação que promovem medidas para combater as desigualdades e abordar a empregabilidade dos jovens, nomeadamente a Garantia para a Juventude, a IEJ, o FSE e o Erasmus+;

24.  Salienta, em particular, o papel da IEJ no combate ao desemprego dos jovens e constata a proposta da Comissão de aumentar as dotações da IEJ em 2020 em 116 milhões de euros mas considera que esse número é insuficiente; portanto, solicita um aumento de 600 milhões de euros das dotações de autorização da IEJ;

25.  Congratula-se também com o compromisso assumido pela Presidente indigitada da Comissão, Ursula von der Leyen, nas suas orientações políticas, no sentido de reforçar a Garantia para a Juventude, transformando-a num instrumento permanente, com um orçamento maior e a apresentação regular de relatórios;

26. Lamenta que mais de um quarto das crianças da União estejam em risco de pobreza ou de exclusão social;

27.  Aguarda a publicação do estudo de viabilidade sobre a Garantia para as Crianças – que deve constituir a base para a execução de mais atividades – mas insta a Comissão a ter plenamente em conta as propostas de execução das AP da Garantia para as Crianças – aprovadas nos orçamentos anuais de 2017, 2018 e 2019 – que dispõem dum nível de financiamento que permitirá a execução duma fase experimental adequada da Garantia para as Crianças no próximo período de programação de 2021-2027;

28.  Congratula-se, neste contexto, com o compromisso assumido pela Presidente indigitada da Comissão, Ursula von der Leyen, nas suas orientações políticas, no sentido de criar a Garantia Europeia para as Crianças, a fim de ajudar a garantir que todas as crianças da União em risco de pobreza ou de exclusão social tenham acesso ao conjunto mais básico de direitos, como os cuidados de saúde e a educação;

29.  Salienta a necessidade de promover a inclusão social das crianças vulneráveis e, em particular, de corrigir a situação das crianças ciganas, em particular, promovendo o seu acesso às escolas; observa que um projeto-piloto seria um instrumento adequado para resolver esta questão;

30. Destaca o importante contributo das agências para o tratamento de uma vasta gama de questões no domínio do emprego, dos assuntos sociais e da recolha de dados; salienta que as suas funções estão a evoluir e em expansão constante e que, portanto, devem dispor dos recursos necessários para desempenhar as suas funções e assegurar que obtenham os melhores resultados possíveis em prol dos objetivos legislativos e políticos da União; solicita, por conseguinte, uma avaliação exaustiva das novas funções atribuídas às agências e do seu desempenho global, com vista a assegurar apenas dotações orçamentais adequadas e eficazes;

31.  Regista a criação da Autoridade Europeia do Trabalho (AET), que deverá começar a funcionar em 2019; salienta a necessidade de garantir que sejam reservados recursos financeiros suficientes para a sua criação; insiste em que esse financiamento não pode ser realizado através da reafetação de dotações das outras agências de emprego e assuntos sociais e das rubricas orçamentais e que a AET, sendo um novo organismo, necessita de recursos novos para funcionar corretamente; salienta, em particular, que a criação da AET não deve resultar numa redução dos recursos e capacidades da rede EURES, que desempenha um papel central na facilitação da mobilidade laboral dos cidadãos da União e oferece serviços e parcerias a candidatos a emprego e empregadores, serviços públicos de emprego, parceiros sociais e autoridades locais; salienta, portanto, a necessidade de manter rubricas orçamentais claras e separadas para a AET e a EURES;

32. Reitera que os PP e as AP, se preparados cuidadosamente, constituem instrumentos de grande valor para lançar novas atividades e políticas nos domínios do emprego – em particular, o emprego dos jovens – e da inclusão social, podendo servir para recolher dados e factos, visando a melhoria das futuras políticas de emprego da União; constata que várias ideias da Comissão do Emprego e dos Assuntos Sociais foram, no passado, executadas com êxito enquanto PP ou AP; insta a autoridade orçamental a incluir no orçamento de 2020 os oito PP e AP propostos pela comissão e relativos à inclusão social de grupos particularmente vulneráveis (ciganos, especialmente crianças ciganas, jovens desfavorecidos, agregados familiares de baixos rendimentos, idosos), ao desemprego dos jovens, à saúde e segurança no trabalho e ao salário mínimo; incentiva a uma plena utilização das margens disponíveis em cada categoria;

33. Observa que é fundamental que o Parlamento seja regularmente informado sobre as várias fases de execução dos PP e das AP da Comissão, incluindo a avaliação adequada dos resultados e do seu valor acrescentado para os cidadãos da União; salienta a importância duma abordagem transparente por parte da Comissão aquando da avaliação dos PP e das AP.


INFORMAÇÕES SOBRE A APROVAÇÃO
NA COMISSÃO ENCARREGADA DE EMITIR PARECER

Data de aprovação

24.9.2019

 

 

 

Resultado da votação final

+:

–:

0:

42

9

1

Deputados presentes no momento da votação final

Atidzhe Alieva-Veli, Abir Al-Sahlani, Gabriele Bischoff, Vilija Blinkevičiūtė, Jane Brophy, Sylvie Brunet, David Casa, Leila Chaibi, Estrella Durá Ferrandis, Lucia Ďuriš Nicholsonová, Rosa Estaràs Ferragut, Nicolaus Fest, Loucas Fourlas, Cindy Franssen, Chiara Gemma, Helmut Geuking, Elisabetta Gualmini, Alicia Homs Ginel, France Jamet, Radan Kanev, Stelios Kympouropoulos, Katrin Langensiepen, Elena Lizzi, Radka Maxová, Lefteris Nikolaou-Alavanos, Matthew Patten, Sandra Pereira, Kira Marie Peter-Hansen, Alexandra Louise Rosenfield Phillips, Dragoş Pîslaru, Manuel Pizarro, Dennis Radtke, Elżbieta Rafalska, Guido Reil, Daniela Rondinelli, Mounir Satouri, Monica Semedo, Beata Szydło, Eugen Tomac, Romana Tomc, Yana Toom, Nikolaj Villumsen, Marianne Vind, Maria Walsh, Tatjana Ždanoka, Tomáš Zdechovský

Suplentes presentes no momento da votação final

Alex Agius Saliba, José Gusmão, Jeroen Lenaers, Pierfrancesco Majorino, Anne Sander, Birgit Sippel

 


VOTAÇÃO NOMINAL FINAL NA COMISSÃO ENCARREGADA DE EMITIR PARECER

42

+

ECR

Lucia Ďuriš Nicholsonová, Helmut Geuking, Elżbieta Rafalska, Beata Szydło

NI

Chiara Gemma, Daniela Rondinelli

PPE

David Casa, Rosa Estaràs Ferragut, Loucas Fourlas, Cindy Franssen, Radan Kanev, Stelios Kympouropoulos, Jeroen Lenaers, Dennis Radtke, Anne Sander, Eugen Tomac, Romana Tomc, Maria Walsh, Tomáš Zdechovský

RENEW

Abir Al-sSahlani, Atidzhe Alieva-Veli, Jane Brophy, Sylvie Brunet, Radka Maxová, Dragoş Pîslaru, Monica Semedo, Yana Toom

S&D

Alex Agius Saliba, Gabriele Bischoff, Vilija Blinkevičiūtė, Estrella Durá Ferrandis, Elisabetta Gualmini, Alicia Homs Ginel, Pierfrancesco Majorino, Manuel Pizarro, Birgit Sippel, Marianne Vind

VERTS/ALE

Katrin Langensiepen, Kira Marie Peter-Hansen, Alexandra Louise Rosenfield Phillips, Mounir Satouri, Tatjana Ždanoka

 

9

-

GUE/NGL

Leila Chaibi, José Gusmão, Sandra Pereira, Nikolaj Villumsen

ID

Nicolaus Fest, France Jamet, Elena Lizzi, Guido Reil

NI

Lefteris Nikolaou-Alavanos

 

1

0

NI

Matthew Patten

 

Legenda dos símbolos utilizados:

+ : votos a favor

- : votos contra

0 : abstenções

 


 

 

 

 

PARECER DA COMISSÃO DO AMBIENTE, DA SAÚDE PÚBLICA E DA SEGURANÇA ALIMENTAR (5.9.2019)

<CommissionInt>dirigido à Comissão dos Orçamentos</CommissionInt>


<Titre>sobre o projeto de orçamento geral da União Europeia para o exercício de 2020</Titre>

<DocRef>(2019/2028(BUD))</DocRef>

Relator de parecer: <Depute>Pascal Canfin</Depute>

 

 

 

SUGESTÕES

A Comissão do Ambiente, da Saúde Pública e da Segurança Alimentar insta a Comissão dos Orçamentos, competente quanto à matéria de fundo, a incorporar as seguintes sugestões na proposta de resolução que aprovar:

1. Salienta que 21,0 % do total das dotações de autorização do projeto de orçamento para 2020 dizem respeito ao clima; lamenta que a tendência aponte para apenas 19,7 % do orçamento da União durante o período do atual quadro financeiro plurianual (QFP), quando o objetivo acordado antes de 2014 era de «pelo menos 20 %» para o período de 2014-2020; salienta que, segundo a Comissão, será necessário um montante adicional de 3,5 mil milhões de euros em despesas relacionadas com o clima no orçamento de 2020, a fim de se atingir o objetivo de 20 %; sublinha que é necessário envidar todos os esforços para garantir que o objetivo global do orçamento da União seja alcançado até ao final de 2020; reitera o seu apelo para uma integração mais ambiciosa das questões relacionadas com o clima, a definir em 40 %, observando que o Parlamento sugeriu 30 % na sua resolução de novembro de 2018, para uma metodologia melhor de acompanhamento das ações em matéria de clima e uma maior resistência às alterações climáticas no próximo período do QFP, bem como a sua harmonização com o Acordo de Paris e com os objetivos da União em matéria de ação climática; insiste que o próximo QFP se deve basear numa metodologia sólida, definida em conformidade com as metodologias estabelecidas a nível internacional, a fim de acompanhar o financiamento das ações em matéria de clima e evitar o risco de sobrestimação dessas ações; considera que a orçamentação verde do próximo QFP é fundamental para alcançar os nossos objetivos em matéria de clima;

2. Observa com preocupação que , mais uma vez, apenas 8,3 % do total das dotações de autorização dizem respeito à inversão do declínio da biodiversidade, o que representa a taxa mais baixa desde 2015, apesar da taxa de extinção sem precedentes e cada vez mais rápida das espécies; solicita a disponibilização de mais recursos suficientes e rastreáveis para assegurar a proteção coerente de longo prazo da biodiversidade em toda a União; reitera que o próximo QFP se deve basear numa metodologia sólida, definida em conformidade com as metodologias estabelecidas a nível internacional, a fim de acompanhar a evolução da biodiversidade e evitar o risco de sobrestimação das ações em prol da biodiversidade;

3. Considera que, em particular no último ano do QFP, é necessário um orçamento ambicioso para programas relacionados com a ação climática e a proteção da biodiversidade, a fim de criar uma ponte com o próximo QFP, que se prevê ter um arranque lento até todos os novos programas estarem operacionais;

4. Insta a União a afetar fundos suficientes para a plena e eficaz aplicação do futuro Pacto Verde Europeu;

5. Salienta que, além disso, no contexto das orientações políticas para a próxima Comissão Europeia, avançadas pela presidente eleita da Comissão, existe uma urgência absoluta para acelerar a redução das emissões;

6. Em conformidade com a Agenda 2030 e os compromissos assumidos pela União e pelos seus Estados-Membros na Assembleia-Geral das Nações Unidas, salienta a necessidade de assegurar recursos suficientes no orçamento de 2020 para a consecução dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável;

7. Regista o aumento de 21,5 milhões de EUR nas dotações de autorização para o programa LIFE (+3,9 %); considera que o orçamento do programa LIFE para 2020 é insuficiente (529,6 milhões de euros); solicita um aumento significativo para 2020, a fim de estar preparado e em conformidade com os pedidos do Parlamento no sentido de duplicar o programa LIFE durante o QFP pós-2020; lamenta profundamente que este programa represente apenas 0,3 % do projeto de orçamento para 2020;

8. Congratula-se com o facto de o novo programa rescEU vir a receber 156,2 milhões de euros, a fim de contribuir para um melhor combate aos sismos, aos incêndios florestais e a outras catástrofes naturais; salienta a necessidade de instrumentos como o Mecanismo de Proteção Civil e o Fundo de Solidariedade para cobrir as catástrofes ambientais e valorizar os danos ambientais;

9. Toma nota da proposta de 69,7 milhões de EUR em dotações de autorização (+2,0 %) e de 64,2 milhões de EUR em dotações de pagamento (+4,7 %) para o domínio da saúde; lamenta que este montante corresponda a apenas 0,04 % do projeto de orçamento para 2020 e a 1,9 % da rubrica 3 (em dotações de autorização);

10. Salienta que devem ser atribuídos recursos adequados no orçamento à elaboração e aplicação do futuro plano europeu de luta contra o cancro; sublinha que este plano é essencial para promover e melhorar a prevenção, a investigação, o acesso à inovação e a reintegração;

11. Regista a proposta de afetar 280,0 milhões de EUR em dotações de autorização (-3,3 %) e 244,7 milhões de EUR em dotações de pagamento (2,3 %) ao domínio dos alimentos para consumo humano e animal; lamenta que este montante corresponda a apenas 0,17 % do projeto de orçamento para 2020 e a 7,5 % da rubrica 3 (em dotações de autorização);

12. Toma nota da proposta de afetar 156,2 milhões de EUR em dotações de autorização (+4,4 %) e 77,0 milhões de EUR em dotações de pagamento (-5,7 %) ao Mecanismo de Proteção Civil da União, que constitui um dos pilares da solidariedade na União;

13. Observa que os lugares permanentes e temporários autorizados no âmbito do projeto de orçamento para 2020 se mantêm inalterados relativamente ao orçamento de 2019 no que respeita ao Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças (ECDC) e à Agência Europeia de Medicamentos (EMA), ao passo que há um aumento desses lugares para a Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos (EFSA) (+34, na sequência da revisão da legislação alimentar geral), a Agência Europeia do Ambiente (AEA) (+1) e a Agência Europeia dos Produtos Químicos (ECHA) (+2); sublinha que, sempre que apropriado, devem ser atribuídos mais recursos humanos e financeiros a estas agências para poderem cumprir o seu mandato e desempenhar as suas funções, assim como para promover uma abordagem científica na União; sublinha que uma melhor coordenação entre as agências otimizaria não só o seu trabalho como a utilização de fundos públicos;

14. Insta a Comissão a dar rapidamente início aos projetos-piloto e às ações preparatórias (PP-AP);

15. Observa que os projetos-piloto e as ações preparatórias devem estar alinhadas com os objetivos em matéria de clima e devem receber financiamento substancial durante todo o seu ciclo de vida, a fim de permitir que possam alcançar todo o seu potencial e preparar o terreno para a adoção de medidas futuras.


INFORMAÇÕES SOBRE A APROVAÇÃO
NA COMISSÃO ENCARREGADA DE EMITIR PARECER

Data de aprovação

4.9.2019

 

 

 

Resultado da votação final

+:

–:

0:

60

10

0

Deputados presentes no momento da votação final

Bartosz Arłukowicz, Margrete Auken, Simona Baldassarre, Marek Paweł Balt, Aurelia Beigneux, Monika Beňová, Malin Björk, Delara Burkhardt, Cristian-Silviu Buşoi, Pascal Canfin, Sara Cerdas, Mohammed Chahim, Nathalie Colin-Oesterlé, Miriam Dalli, Seb Dance, Esther de Lange, Marco Dreosto, Eleonora Evi, Agnès Evren, Fredrick Federley, Pietro Fiocchi, James Alexander Glancy, Andreas Glück, Catherine Griset, Jytte Guteland, Teuvo Hakkarainen, Pär Holmgren, Jan Huitema, Yannick Jadot, Petros Kokkalis, Athanasios Konstantinou, Ewa Kopacz, Joanna Kopcińska, Peter Liese, Sylvia Limmer, Javi López, César Luena, Liudas Mažylis, Anthea McIntyre, Aileen McLeod, Tilly Metz, Silvia Modig, Alessandra Moretti, Ljudmila Novak, Grace O’Sullivan, Rory Palmer, Jutta Paulus, Rovana Plumb, Jessica Polfjärd, Frédérique Ries, Sándor Rónai, Rob Rooken, Silvia Sardone, Christine Schneider, Günther Sidl, Nicolae Ştefănuță, Nils Torvalds, Edina Tóth, Véronique Trillet-Lenoir, Caroline Voaden, Alexandr Vondra, Mick Wallace, Michal Wiezik, Anna Zalewska

Suplentes presentes no momento da votação final

Michael Bloss, Christophe Hansen, Lídia Pereira, Susana Solís Pérez, Nikolaj Villumsen

 


VOTAÇÃO NOMINAL FINAL NA COMISSÃO ENCARREGADA DE EMITIR PARECER

60

+

ECR

Pietro Fiocchi, Joanna Kopcińska, Alexandr Vondra, Anna Zalewska

GUE/NGL

Malin Björk, Petros Kokkalis, Silvia Modig, Nikolaj Villumsen, Mick Wallace

NI

Eleonora Evi, Athanasios Konstantinou

PPE

Bartosz Arłukowicz, Cristian-Silviu Buşoi, Nathalie Colin-Oesterlé, Agnès Evren, Christophe Hansen, Ewa Kopacz, Esther de Lange, Peter Liese, Liudas Mažylis, Ljudmila Novak, Lídia Pereira, Jessica Polfjärd, Christine Schneider, Edina Tóth, Michal Wiezik

RENEW

Pascal Canfin, Catherine Chabaud, Fredrick Federley, Andreas Glück, Jan Huitema, Frédérique Ries, Susana Solís Pérez, Nicolae Ştefănuță, Nils Torvalds, Véronique Trillet-Lenoir, Caroline Voaden

S&D

Marek Paweł Balt, Monika Beňová, Delara Burkhardt, Sara Cerdas, Mohammed Chahim, Miriam Dalli, Seb Dance, Jytte Guteland, Javi López, César Luena, Alessandra Moretti, Rory Palmer, Rovana Plumb, Sándor Rónai, Günther Sidl

VERTS/ALE

Margrete Auken, Michael Bloss, Pär Holmgren, Yannick Jadot, Aileen McLeod, Tilly Metz, Grace O'Sullivan, Jutta Paulus

 

10

-

ECR

Anthea McIntyre, Rob Rooken

ID

Simona Baldassarre, Aurelia Beigneux, Marco Dreosto, Catherine Griset, Teuvo Hakkarainen, Sylvia Limmer, Silvia Sardone

NI

James Alexander Glancy

 

0

0

 

 

 

Legenda dos símbolos utilizados:

+ : votos a favor

- : votos contra

0 : abstenções

 

 

 


 

 

 

PARECER DA COMISSÃO DA INDÚSTRIA, DA INVESTIGAÇÃO E DA ENERGIA (26.9.2019)

<CommissionInt>dirigido à Comissão dos Orçamentos</CommissionInt>


<Titre>sobre o projeto de orçamento geral da União Europeia para o exercício de 2020</Titre>

<DocRef>(2019/2028(BUD))</DocRef>

Relatora de parecer: <Depute> Adina-Ioana Vălean </Depute>

 

 

 

SUGESTÕES

A Comissão da Indústria, da Investigação e da Energia insta a Comissão dos Orçamentos, competente quanto à matéria de fundo, a incorporar as seguintes sugestões na proposta de resolução que aprovar:

1. Lamenta que o orçamento proposto pela Comissão seja inferior em 474,6 milhões de EUR ao limite máximo da categoria 1A, apesar de os programas relevantes ultrapassarem o orçamento e poderem facilmente absorver fundos adicionais; salienta a extrema importância dos programas da categoria 1A para impulsionar o crescimento económico induzido pela inovação e contribuir para a transição para uma sociedade com impacto neutro no clima, em conformidade com o Acordo de Paris;

2. Sublinha a importância de desenvolver a liderança em matéria de inovação e investigação incremental e disruptiva em tecnologias avançadas para alcançar os objetivos políticos da União; rejeita, por conseguinte, os cortes efetuados pelo Conselho num total de 747,4 milhões de EUR na categoria 1A, incluindo 424,9 milhões de EUR para o Quadro Estratégico Comum para a Investigação e a Inovação, especialmente nas rubricas orçamentais pertinentes para o reforço da investigação em tecnologias futuras e emergentes, o reforço das infraestruturas de investigação europeias, incluindo infraestruturas eletrónicas e a liderança no domínio das tecnologias da informação e das comunicações, para além de 28 milhões de EUR para a vertente TIC do Mecanismo Interligar a Europa e 20 milhões de EUR para o programa COSME, o que pode comprometer os esforços da União não apenas em prol do crescimento sustentável e do emprego de alta qualidade, mas também para alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas e conseguir uma economia sem emissões de gases com efeito de estufa até 2050, sem deixar ninguém para trás;

3. Considera que, em particular no último ano do QFP, é necessário um orçamento ambicioso no âmbito da categoria 1A a fim de estabelecer uma ligação com o próximo QFP, cujos novos programas levarão tempo a tornar-se plenamente operacionais, a fim de assegurar o pleno funcionamento destes programas para que possam continuar a contribuir para a realização das prioridades políticas da União;

4. Solicita, por conseguinte, um nível de dotações de autorização até ao limite máximo da categoria 1A, assim como a utilização de todos os instrumentos de flexibilidade disponíveis ao abrigo do Regulamento QFP e da disposição especial relativa à reutilização de fundos libertados pela anulação de autorizações relativas a projetos de investigação, constante do Regulamento Financeiro, a fim de assegurar o nível mais elevado possível de dotações de autorização para o orçamento de 2020;

5. Recorda a importância da investigação e da inovação para enfrentar os desafios da sociedade e contribuir para o desenvolvimento sustentável; regista a taxa excessiva de candidaturas a vários programas, como os programas Horizonte 2020 e COSME, que se traduz numa taxa de sucesso inferior para as candidaturas no âmbito do programa Horizonte 2020 em comparação com o anterior período do QFP, o que significa que muitos mais projetos de alta qualidade no domínio da investigação e inovação poderiam ser financiados se fosse concedido um financiamento suficiente da União; salienta que esta situação deve ser resolvida com um orçamento mais ambicioso para 2020 e com o reforço das complementaridades com outros fundos da União, instrumentos financeiros, programas nacionais e investimentos privados; considera que o financiamento da investigação e da inovação da União deve apoiar especialmente as zonas afetadas por deficiências graves do mercado e pela ausência de resposta aos desafios da sociedade; entende, por conseguinte, que o montante das anulações de autorizações  deve ser disponibilizado de novo, em conformidade com o artigo 15.º, n.º 3, do Regulamento Financeiro; recorda a sua posição, consoante a qual são necessários pelo menos 120 milhões de EUR a preços de 2018 para o programa Horizonte Europa no próximo QFP;

6 Sublinha que as PME são uma parte essencial da economia da UE, uma vez que proporcionam um elevado número de empregos na União; assinala a necessidade de criar um ambiente empresarial favorável às PME, bem como de apoiar polos e redes de PME; congratula-se, por conseguinte, com o aumento do instrumento a favor das PME; observa com preocupação os cortes efetuados pelo Conselho nos fundos destinados a aumentar a inovação nas PME, o que envia sinais contraditórios às empresas da União;

7. Sublinha a importância de alcançar os objetivos do Mercado Único Digital para o desenvolvimento da digitalização na União e a inclusão digital da economia da União, do setor público e dos cidadãos; reconhece, a este respeito, a importância de iniciativas como o programa WiFi4EU; lamenta os cortes propostos pelo Conselho no que toca a esta iniciativa;

8 Salienta a necessidade de proceder a uma reforma do setor da mobilidade da União, a fim de criar transportes sustentáveis, limpos e competitivos na União, bem como tornar a indústria automóvel da União mais apta a enfrentar o futuro e alcançar os nossos objetivos em matéria de clima; destaca, por conseguinte, a necessidade de financiamento suficiente para os programas que apoiam estes objetivos, como o Horizonte, o MIE-Transportes e a Empresa Comum «Pilhas de Combustível e Hidrogénio 2» (PCH 2); manifesta, por conseguinte, a sua preocupação com o efeito dos cortes propostos pelo Conselho na realização de um sistema de transportes da União que seja eficiente em termos de recursos, respeitador do ambiente, seguro e sem descontinuidades;

9 Lamenta profundamente o facto de o orçamento proposto pela Comissão se situar mais uma vez muito abaixo do orçamento solicitado pela ACER e considera que tal pode pôr em risco o funcionamento da ACER e a sua capacidade para executar as suas tarefas em matéria de acompanhamento e transparência do mercado, para além das tarefas que lhe foram atribuídas pela legislação recente;

10 Reitera que é necessário aumentar os investimentos na investigação e na inovação, a fim de melhorar o acesso ao conhecimento, promover o desenvolvimento social e aumentar a qualidade de vida;

11 Insta, no que se refere a todas as agências no âmbito das suas competências (ACER, ORECE, ENISA e GSA), a que o nível de dotações e de pessoal seja o solicitado por essas agências; insiste em que os recursos financeiros e humanos sejam aumentados por forma a acompanhar o alargamento das tarefas das agências em causa e a preparar a aplicação de nova legislação, atendendo igualmente à necessidade de planear futuras funções e responsabilidades; observa que a GSA se confronta com o surgimento de novos desafios relacionados com a segurança e com outros domínios sensíveis, em que a externalização poderá reduzir a segurança e a relação custo-eficácia, conduzindo a uma perda de conhecimentos especializados; entende, por conseguinte, que é necessário recrutar e manter peritos altamente especializados;

12 Recorda o compromisso assumido pelo Parlamento, pelo Conselho e pela Comissão na Declaração Comum anexa ao Regulamento (UE) 2017/1953 do Parlamento Europeu e do Conselho[9], que visa assegurar um financiamento global da promoção da conectividade à Internet nas comunidades locais num valor de 120 milhões de EUR durante um período de três anos, para que a iniciativa se torne um verdadeiro êxito europeu, em benefício das comunidades locais e dos cidadãos; sublinha, a este respeito, que, na sequência de dois convites à apresentação de candidaturas, mais de 23 000 municípios de toda a União se inscreveram no portal WiFi4EU e que 6 200 municípios já receberam vales WiFi4EU, o que demonstra o êxito da iniciativa;

13. Solicita fundos adicionais para acelerar o desenvolvimento e a utilização de tecnologias mais limpas, bem como fundos adicionais para facilitar uma transição justa das regiões carboníferas e de elevada intensidade carbónica, de molde a contribuir para a realização dos compromissos assumidos pela União no âmbito do Acordo de Paris, nomeadamente dando continuação a projetos-piloto e ações preparatórias existentes e lançando novos; reitera a proposta do Parlamento Europeu de criação do Fundo para uma Transição Justa no âmbito do quadro financeiro plurianual 2021-2027 para fazer face às incidências sociais, socioeconómicas e ambientais nos trabalhadores e nas comunidades afetados negativamente pela transição da dependência do carvão e do carbono; salienta a necessidade de continuar a apoiar as regiões carboníferas e de elevada intensidade carbónica na União, para que estejam preparadas para beneficiar de um novo Fundo para uma Transição Energética Justa;

14. Salienta que a investigação e a inovação são motores essenciais do desenvolvimento sustentável e recorda o compromisso assumido pela União e pelos seus Estados-Membros no sentido de alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável; congratula-se com a estimativa da Comissão segundo a qual as despesas com as alterações climáticas atingirão 21 % do orçamento de 2020 e recorda que estes esforços devem ser intensificados; lamenta o facto de o orçamento proposto para o programa Horizonte 2020 muito provavelmente não atingir os objetivos de despesas definidos para o clima e a sustentabilidade e, por conseguinte, para todo o período de vigência do atual QFP; salienta a sua posição de que, na sequência do compromisso da União no âmbito do Acordo de Paris, as despesas relacionadas com o clima devem ser suficientemente aumentadas; recorda, neste contexto, o princípio do primado da eficiência energética, bem como o objetivo da União de se tornar número um mundial das energias renováveis;

15. Solicita dotações adicionais para o Mecanismo Interligar a Europa, designadamente para as suas vertentes «energia sustentável» e «TIC», a fim de assegurar a realização da União da Energia, a interligação dos mercados isolados e a eliminação dos estrangulamentos, bem como uma rede energética da União capaz de enfrentar o futuro;

16. Manifesta a sua profunda preocupação com a atual incerteza em relação à saída do Reino Unido da União Europeia; sublinha que são necessárias precauções financeiras no caso de o Reino Unido não contribuir, total ou parcialmente, para o orçamento de 2020; insta, por conseguinte, todos os outros Estados-Membros a intervirem de molde a compensar integralmente a contribuição do Reino Unido, uma vez que todos os programas estão na fase final e os beneficiários de fundos da União necessitam de ter a certeza de que a União honrará os seus compromissos;

17. Salienta que o não cumprimento pela União dos seus compromissos jurídicos e políticos em matéria de dotações para pagamentos afetaria seriamente a sua fiabilidade e teria um sério impacto negativo na confiança na capacidade das instituições da União para desempenhar o seu papel; frisa que esse aspeto é reforçado pelo facto de a União se aproximar do termo do atual QFP e que, por conseguinte, é necessário avançar rapidamente com a execução dos programas plurianuais.

INFORMAÇÕES SOBRE A APROVAÇÃO
NA COMISSÃO ENCARREGADA DE EMITIR PARECER

Data de aprovação

25.9.2019

 

 

 

Resultado da votação final

+:

–:

0:

54

6

6

Deputados presentes no momento da votação final

François Alfonsi, Nicola Beer, François-Xavier Bellamy, Michael Bloss, Manuel Bompard, Paolo Borchia, Marc Botenga, Markus Buchheit, Klaus Buchner, Carlo Calenda, Andrea Caroppo, Maria Da Graça Carvalho, Katalin Cseh, Ciarán Cuffe, Josianne Cutajar, Pilar del Castillo Vera, Martina Dlabajová, Christian Ehler, Valter Flego, Niels Fuglsang, Jens Geier, Nicolás González Casares, Christophe Grudler, András Gyürk, Henrike Hahn, Robert Hajšel, Ivo Hristov, Ivars Ijabs, Eva Kaili, Seán Kelly, Łukasz Kohut, Andrius Kubilius, Miapetra Kumpula-Natri, Thierry Mariani, Marisa Matias, Eva Maydell, Joëlle Mélin, Iskra Mihaylova, Dan Nica, Ville Niinistö, Mauri Pekkarinen, Markus Pieper, Sara Skyttedal, Maria Spyraki, Jessica Stegrud, John David Edward Tennant, Grzegorz Tobiszowski, Patrizia Toia, Evžen Tošenovský, Isabella Tovaglieri, Adina-Ioana Vălean, Henna Virkkunen, Pernille Weiss, Carlos Zorrinho

Suplentes presentes no momento da votação final

Rasmus Andresen, Marco Dreosto, Giorgos Georgiou, Klemen Grošelj, Alicia Homs Ginel, Adam Jarubas, Janusz Lewandowski, Jutta Paulus, Dominique Riquet, Massimiliano Salini, Edina Tóth

Suplentes (art. 200.º, n.º 2) presentes no momento da votação final

Hannes Heide

 


 

 

VOTAÇÃO NOMINAL FINAL
NA COMISSÃO ENCARREGADA DE EMITIR PARECER

54

+

ECR

Evžen Tošenovský

ID

Thierry Mariani, Joëlle Mélin

PPE

François-Xavier Bellamy, Maria Da Graça Carvalho, Pilar del Castillo Vera, Christian Ehler, András Gyürk, Adam Jarubas, Seán Kelly, Andrius Kubilius, Janusz Lewandowski, Eva Maydell, Markus Pieper, Massimiliano Salini, Sara Skyttedal, Maria Spyraki, Edina Tóth, Adina-Ioana Vălean, Henna Virkkunen, Pernille Weiss

RENEW

Nicola Beer, Katalin Cseh, Martina Dlabajová, Valter Flego, Klemen Grošelj, Christophe Grudler, Ivars Ijabs, Iskra Mihaylova, Mauri Pekkarinen, Dominique Riquet

S&D

Carlo Calenda, Josianne Cutajar, Niels Fuglsang, Jens Geier, Nicolás González Casares, Robert Hajšel, Hannes Heide, Alicia Homs Ginel, Ivo Hristov, Eva Kaili, Łukasz Kohut, Miapetra Kumpula-Natri, Dan Nica, Patrizia Toia, Carlos Zorrinho

VERTS/ALE

François Alfonsi, Rasmus Andresen, Michael Bloss, Klaus Buchner, Ciarán Cuffe, Henrike Hahn, Ville Niinistö, Jutta Paulus

 

6

-

ECR

Jessica Stegrud

ID

Paolo Borchia, Andrea Caroppo, Marco Dreosto, Isabella Tovaglieri

NI

John David Edward Tennant

 

6

0

ECR

Grzegorz Tobiszowski

GUE/NGL

Manuel Bompard, Marc Botenga, Giorgos Georgiou, Marisa Matias

ID

Markus Buchheit

 

Legenda dos símbolos utilizados:

+ : votos a favor

- : votos contra

0 : abstenções


PARECER DA COMISSÃO DO MERCADO INTERNO E DA PROTEÇÃO DOS CONSUMIDORES (3.9.2019)

<CommissionInt>dirigido à Comissão dos Orçamentos</CommissionInt>


<Titre>sobre o projeto de orçamento geral da União Europeia para o exercício de 2020</Titre>

<DocRef>(2019/2028(BUD))</DocRef>

Relatora de parecer:  <Depute>Svenja Hahn</Depute>

SUGESTÕES

A Comissão do Mercado Interno e da Proteção dos Consumidores insta a Comissão dos Orçamentos, competente quanto à matéria de fundo, a incorporar as seguintes sugestões na proposta de resolução que aprovar:

1. Observa que a competência da Comissão do Mercado Interno e da Proteção dos Consumidores (IMCO) no processo orçamental abrange rubricas dos títulos 2 (Mercado Interno, Indústria, Empreendedorismo e PME), 14 (Fiscalidade e União Aduaneira) e 33 (Justiça e Consumidores) do orçamento;

2. Salienta que o mercado interno continua a ser uma das realizações mais importantes e tangíveis da União, trazendo benefícios para as empresas, incluindo as microempresas e as pequenas empresas, os consumidores e os cidadãos em toda a Europa; considera que, no orçamento de 2020, deve ser conferida prioridade ao aprofundamento do mercado único, à redução dos fardos burocráticos que dificultam a livre circulação de bens, capitais, serviços e trabalho e ao desenvolvimento do mercado único digital, em prol da manutenção da competitividade das empresas da União e da proteção dos consumidores em toda a União; sublinha que, neste contexto, é importante acompanhar sistematicamente os progressos neste domínio, a fim de detetar questões emergentes e apresentar recomendações políticas para o desenvolvimento do mercado único digital no futuro;

3. Realça a importância do mercado interno dos serviços; insta a União a consagrar financiamento adicional à conclusão do mercado interno dos serviços e a incentivar o desenvolvimento de serviços novos e inovadores;

4. Apela a que o orçamento para o exercício de 2020 contribua para a realização das prioridades definidas no âmbito do Semestre Europeu, nomeadamente a concretização de reformas e de investimentos de elevada qualidade que aumentem a competitividade e a produtividade das empresas, incluindo as microempresas e as pequenas empresas, continuando a aprofundar o mercado único e a desenvolver ulteriormente o mercado único digital;

5. Congratula-se com o facto de, no seu projeto de orçamento, a Comissão ter atribuído um orçamento adequado à maior parte das principais prioridades da comissão IMCO – nomeadamente o mercado interno dos produtos e serviços, o apoio às pequenas e médias empresas (PME) e a proteção dos consumidores e a competitividade – e convida o Conselho e o Parlamento a confirmarem estas dotações no orçamento de 2020;

6. Congratula-se com o aumento das dotações para o «funcionamento e desenvolvimento do mercado interno dos produtos e serviços» (rubrica orçamental 02 03 01), tendo em vista a supervisão do mercado e o estabelecimento da rede da UE para a conformidade dos produtos, bem como para «melhorar o acesso das PME ao financiamento» (orçamento de 02 02 02) e «despesas de apoio relativas ao Programa para a Competitividade das Empresas e pequenas e médias empresas (COSME)» (orçamento de 02 01 04 01), uma vez que estas três ações são cruciais para impulsionar o crescimento económico na União; lamenta profundamente a redução por parte do Conselho nas rubricas orçamentais 02 03 01 e 02 02 02;

7. Salienta, a este respeito, que as PME são uma parte essencial da economia da União e desempenham um papel crucial na criação de emprego em toda a União e considera necessário criar e promover um ambiente empresarial favorável às PME; sublinha, por conseguinte, que a melhoria do acesso das PME ao financiamento continua a ser uma prioridade fundamental para a comissão IMCO no orçamento de 2020;

8. Salienta que o Programa para a Competitividade das Empresas e pequenas e médias empresas (COSME) é um instrumento fundamental para promover a cultura empresarial, apoiar as PME existentes e assegurar a competitividade, a sustentabilidade e o crescimento; solicita, em particular, o reforço do acelerador do Conselho Europeu da Inovação (instrumento para as PME), uma vez que este presta apoio decisivo às PME com ideias radicalmente novas e soluções inovadoras comercializáveis; considera que o orçamento da União e o acesso ao financiamento que este proporciona são um instrumento fundamental para tornar as empresas em fase de arranque, as microempresas e as PME mais competitivas e mais inovadoras e promovem o espírito empresarial na União;

9. Sublinha a importância de uma política dos consumidores sólida e aplicada de forma eficaz que proporcione proteção e previsibilidade aos consumidores, que combata as práticas comerciais desleais, tanto em linha como fora de linha, que ofereça confiança às empresas para que forneçam os seus bens e serviços em todo o mercado interno, que vele pela conformidade do mercado com o direito nacional e da UE e pela aplicação deste e que simultaneamente reduza ao mínimo a carga burocrática para as PME; salienta que os desafios da proteção dos consumidores persistem, tanto a nível digital como a nível físico, pelo que é da maior importância aumentar os esforços em matéria de conhecimentos e sensibilização dos consumidores e dos cidadãos;

10. Congratula-se com o aumento das dotações de pagamento para «salvaguardar o interesse dos consumidores e melhorar a sua segurança e informação» (rubrica orçamental 33 04 01), uma vez que a melhoria dos direitos dos consumidores e a promoção da sensibilização para estes mesmos direitos é uma forma importante de reforçar a confiança dos consumidores no mercado interno e na capacidade da União para obter benefícios tangíveis;

11. Realça a importância de financiar adequadamente a transição para operações aduaneiras totalmente automatizadas, no interesse de uma maior eficiência das empresas europeias, da concorrência leal e de uma melhor proteção dos consumidores; considera que, para o efeito, é essencial aumentar o financiamento do Programa Alfândega 2020 – que prevê mecanismos de cooperação que permitem que as autoridades aduaneiras e os agentes de toda a União procedam ao intercâmbio e partilha de informações e boas práticas – e assegurar o financiamento da aquisição e manutenção de equipamento de controlo aduaneiro atualizado e eficiente;

12. Recorda que a Comissão e os Estados-Membros já acumularam atrasos na implementação agendada do Código Aduaneiro da União e, por isso, lamenta veementemente a redução das dotações orçamentais destinadas ao «apoio ao funcionamento e modernização da união aduaneira» (rubrica orçamental 14 02 01), o que poderá provocar novos atrasos, comprometer o aumento da eficiência dos controlos aduaneiros em toda a UE e prejudicar o funcionamento do mercado interno; recorda que a aplicação plena e uniforme do Código é essencial para melhor proteger os cidadãos e os interesses financeiros da União e que a alfândega eletrónica é uma política prioritária para a melhoria do funcionamento do mercado interno;

13. Reconhece que 2020 é o último ano do atual quadro financeiro plurianual (QFP) e, por conseguinte, insta a Comissão a utilizar plenamente, no orçamento de 2020, as margens disponíveis no QFP nos domínios de intervenção no âmbito de competências da Comissão IMCO;

14. Salienta a importância de a Comissão respeitar plenamente as recomendações do Tribunal de Contas Europeu, no interesse de um orçamento mais eficaz e de um melhor valor para os cidadãos europeus;

15. Solicita à Comissão que financie todos os projetos-piloto e ações preparatórias aprovados pela comissão IMCO.


INFORMAÇÕES SOBRE A APROVAÇÃO
NA COMISSÃO ENCARREGADA DE EMITIR PARECER

Data de aprovação

3.9.2019

 

 

 

Resultado da votação final

+:

–:

0:

38

6

0

Deputados presentes no momento da votação final

Alex Agius Saliba, Andrus Ansip, Pablo Arias Echeverría, Alessandra Basso, Adam Bielan, Hynek Blaško, Vlad-Marius Botoş, Markus Buchheit, Dita Charanzová, David Cormand, Petra De Sutter, Dinesh Dhamija, Carlo Fidanza, Alexandra Geese, Svenja Hahn, Virginie Joron, Eugen Jurzyca, Arba Kokalari, Marcel Kolaja, Andrey Kovatchev, Maria Manuel Leitão Marques, Morten Løkkegaard, Adriana Maldonado López, Antonius Manders, Beata Mazurek, Leszek Miller, Brian Monteith, Dan-Ştefan Motreanu, Kris Peeters, Anne-Sophie Pelletier, Christel Schaldemose, Andreas Schwab, Tomislav Sokol, Ivan Štefanec, Róża Thun und Hohenstein, Kim Van Sparrentak, Marion Walsmann, Marco Zullo

Suplentes presentes no momento da votação final

Clara Aguilera, Claudia Gamon, Lucy Elizabeth Harris, John Howarth

Suplentes (art. 200.º, n.º 2) presentes no momento da votação final

Delara Burkhardt, Predrag Fred Matić

 


VOTAÇÃO NOMINAL FINAL NA COMISSÃO ENCARREGADA DE EMITIR PARECER

38

+

ECR

Adam Bielan, Carlo Fidanza, Eugen Jurzyca, Beata Mazurek

GUE/NGL

Anne-Sophie Pelletier

NI

Marco Zullo

PPE

Pablo Arias Echeverría, Arba Kokalari, Andrey Kovatchev, Antonius Manders, Dan-Ştefan Motreanu, Kris Peeters, Andreas Schwab, Tomislav Sokol, Ivan Štefanec, Róża Thun und Hohenstein, Marion Walsmann

RENEW

Andrus Ansip, Vlad-Marius Botoş, Dita Charanzová, Dinesh Dhamija, Claudia Gamon, Svenja Hahn, Morten Løkkegaard

S&D

Alex Agius Saliba, Clara Aguilera, Delara Burkhardt, John Howarth, Maria Manuel Leitão Marques, Adriana Maldonado López, Predrag Fred Matić, Leszek Miller, Christel Schaldemose

VERTS/ALE

David Cormand, Petra De Sutter, Alexandra Geese, Marcel Kolaja, Kim Van Sparrentak

 

6

-

ID

Alessandra Basso, Hynek Blaško, Markus Buchheit, Virginie Joron

NI

Lucy Elizabeth Harris, Brian Monteith

 

0

0

 

 

 

Legenda dos símbolos:

+ : votos a favor

- : votos contra

0 : abstenções


 

 

 

PARECER DA COMISSÃO DOS TRANSPORTES E DO TURISMO (26.9.2019)

<CommissionInt>dirigido à Comissão dos Orçamentos</CommissionInt>


<Titre>referente à posição do Conselho sobre o projeto de orçamento geral da União Europeia para o exercício de 2020</Titre>

<DocRef>(2019/2028(BUD))</DocRef>

Relator de parecer: <Depute>Daniel Freund</Depute>

 

 

 

SUGESTÕES

A Comissão dos Transportes e do Turismo insta a Comissão dos Orçamentos, competente quanto à matéria de fundo, a incorporar as seguintes sugestões na proposta de resolução que aprovar:

1. Toma conhecimento do projeto de orçamento proposto pela Comissão no sector dos transportes; deplora os cortes indiscriminados solicitados pelo Conselho; insiste num orçamento ambicioso para o sector dos transportes da UE, que tenha em conta os desafios emergentes e as atuais prioridades políticas relacionadas com a política de transportes da UE;

2. Considera que é chegado o momento de proceder a uma reformulação mais profunda do financiamento dos transportes da UE, com vista a criar um sector de transportes com zero emissões até 2050 e garantir o pleno alinhamento com o Acordo de Paris e os objetivos de desenvolvimento sustentável; salienta que um elevado nível de financiamento, uma utilização eficiente e orientada para os resultados dos fundos destinados à vertente dos transportes, aos programas e às empresas comuns que cumpram estes objetivos no âmbito do Horizonte 2020, se revestem da maior importância; destaca a importância dos projetos e programas nos domínios da descarbonização e da digitalização e solicita que lhes seja atribuído prioridade e um financiamento adequado; insta a Comissão a promover a digitalização na logística; considera que esta reformulação deve ter plenamente em conta as necessidades dos grupos sociais e das regiões vulneráveis para que a transição seja justa e inclusiva; sublinha que o financiamento deve garantir a melhoria da conectividade e da eficiência dos transportes;

3. Reitera que a política de transportes da UE é essencial para a sustentabilidade económica, social e ambiental, pelo que deve ser dada prioridade à qualidade e sustentabilidade dos projetos e à sua utilidade para os cidadãos e as empresas, e não à sua quantidade ou dimensão; salienta que a política de transportes da UE necessita de um financiamento adequado e suficiente para garantir o crescimento, o emprego e a competitividade na Europa, mormente nas zonas geográficas mais remotas, a par de mais investimentos na investigação e inovação, na coesão social e territorial; sublinha que a transversalidade entre políticas, finanças e procedimentos administrativos deve ser desenvolvida com o objetivo de obter ganhos de eficiência em grandes projetos de infraestruturas;

4. Destaca o papel crucial que a política de transportes e o investimento da UE desempenham na promoção e no reforço da coesão territorial, social e económica na UE e na garantia da acessibilidade territorial e da interconectividade de todas as regiões da UE, designadamente nas regiões remotas, nas regiões ultraperiféricas e insulares, nas regiões periféricas, nas regiões montanhosas e nas regiões fronteiriças, bem como nas zonas despovoadas e escassamente povoadas;

5. Recorda que os investimentos públicos no transporte rodoviário, ferroviário, aéreo e marítimo têm um impacto positivo no mercado interno e na economia europeia, que deve tornar-se líder mundial;

6. Salienta que a política da UE em matéria de infraestruturas de transportes deve concentrar-se mais na integração dos três aspetos seguintes:

– a interconectividade entre os corredores e a rede global e as ligações transfronteiriças tem de ser prioritária;

– a intermodalidade deve ser uma base para as decisões relativas aos projetos;

– a interoperabilidade tem de ser uma condição para o cofinanciamento de projetos de transportes;

7. Reitera que o acordo provisório sobre o regulamento que cria Programa InvestEU[10] contém uma disposição geral – aplicável a todo o financiamento relacionado com os transportes – que garante que os «projetos que sejam incompatíveis com o cumprimento dos objetivos climáticos não devem ser elegíveis para apoio» e que as operações de financiamento e de investimento os «devem ser avaliad[a]s (..) para determinar se têm uma incidência ambiental, climática e social e, em caso afirmativo, devem ser submetid[a]s a uma avaliação quanto à sua sustentabilidade»; recorda que o Fundo InvestEU deve apoiar investimentos que contribuam para uma maior coesão económica, territorial e social na União e que, para maximizar o impacto e o valor acrescentado do apoio financeiro da UE, é conveniente maximizar as «sinergias entre os programas da União relevantes em sectores como os transportes, a energia e os serviços digitais»;

8. Salienta que, para além do seu papel fundamental na execução do Fundo Europeu para Investimentos Estratégicos (FEIE) e do InvestEU, é crucial que a revisão da política de transportes do Banco Europeu de Investimento (BEI), prevista para 2020, abra caminho a uma revisão mais profunda do financiamento dos transportes pelo Banco; recorda que o BEI disponibilizou cerca de 140 mil milhões de euros em empréstimos para projetos no sector dos transportes no período de 2007-2018, dos quais cerca de 80 % dizem respeito a infraestruturas rodoviárias[11]; insta o BEI a apresentar ao Parlamento, em tempo útil, um relatório sobre todas as etapas da sua revisão da política de transportes;

9. Sublinha o papel fundamental do programa do Mecanismo Interligar a Europa (MIE) na promoção do desenvolvimento de uma rede transeuropeia (RTE-T) de elevado desempenho, sustentável e interligada nos domínios das infraestruturas de transportes, da energia e dos serviços digitais; reafirma que a rápida conclusão da RTE-T contribuirá de forma significativa para a coesão socioeconómica e territorial da União, bem como para a promoção dos objetivos de descarbonização por esta almejados; salienta que o MIE é fundamental para o investimento no crescimento sustentável a longo prazo, na inovação, na coesão, na competitividade e na criação de emprego na União;

10. Considera que as despesas do MIE no sector dos transportes podem ser melhoradas aumentando ainda mais a percentagem de financiamento para os modos de transporte sem emissões; recorda que o MIE é um instrumento financeiro extremamente importante e vital no sector dos transportes e que o planeamento das despesas a curto e a longo prazo deve fazer-se segundo uma abordagem orientada para os resultados e procurar o valor acrescentado da UE, especialmente no que diz respeito ao desenvolvimento e à conclusão das redes principal e global da RTE-T; congratula-se com a abordagem da Comissão visando cofinanciar o restabelecimento das ligações ferroviárias regionais transfronteiriças que foram desmanteladas ou abandonadas[12] e incentiva os Estados-Membros, as regiões transfronteiriças e a Comissão a intensificar os projetos ascendentes que contribuam para a reabertura das fronteiras da UE, nos casos em que tais fronteiras ainda existam; insta a Comissão a aumentar significativamente o montante reservado na rubrica orçamental do MIE para financiar o restabelecimento das ligações ferroviárias regionais em falta que foram desmanteladas ou abandonadas, tendo sobretudo em consideração as áreas que apresentam desvantagens geográficas; exorta Comissão a ter em conta as divergências ainda consideráveis em termos de infraestruturas de transportes em toda a UE; cumpre intensificar a eletrificação da infraestrutura ferroviária e acelerar a implantação do Sistema Europeu de Gestão do Tráfego Ferroviário (ERTMS); o orçamento do MIE deve também ter em conta medidas de redução do ruído do transporte ferroviário de mercadorias, para assegurar um sistema de transporte de mercadorias sustentável e eficiente; considera que o MIE deve integrar e valorizar ainda mais o transporte marítimo; solicita que, no quadro da repartição dos fundos disponíveis para os transportes, seja mantida a quota de financiamento destinada ao MIE;

11. Solicita à Comissão que apresente, até ao final de 2019, uma avaliação da execução de todos os projetos contratados, que inclua o ponto da situação e as previsões relativas à conclusão dos projetos e propostas que permitam atingir um nível de despesas de 100 %, nomeadamente a reafectação de fundos;

12. Recorda que o financiamento da política de coesão para as infraestruturas de transportes deve ter como objetivo a prossecução do objetivo de coesão económica, social e territorial consagrado no Tratado; salienta que as abordagens descentralizadas são importantes e que a conectividade e a acessibilidade das zonas rurais continuam a ser um problema que cumpre tratar urgentemente; manifesta a sua preocupação com a pouca atenção conferida à transferência modal na utilização do Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional (FEDER) e do Fundo de Coesão; sublinha a necessidade de uma descarbonização dos fundos da UE, nomeadamente em relação ao sector dos transportes; recomenda o aumento dos investimentos em deslocações a pé e de bicicleta e reitera o seu pedido já antigo relativamente à transparência do financiamento da UE no sector dos transportes, em particular dos recursos em regime de gestão partilhada; solicita à Comissão que disponibilize informações exaustivas sobre projetos de transportes que tenham recebido financiamento do FEDER e do FC;

13. Solicita à Comissão que apresente, até ao final do ano, uma avaliação da utilização dos fundos da UE no âmbito do MIE, do FC e do FEDER para projetos de transportes, incluindo o nível de cumprimento das estratégias de transporte e das condicionalidades ex ante previstas nos acordos de parceria;

14. Solicita à Comissão que faça, até ao final de 2019, o ponto da situação das despesas relativas aos montantes afetados aos instrumentos financeiros, das previsões relativas ao nível final de absorção e das propostas a aplicar para obter um nível de 100 %, incluindo a reafectação a outras rubricas orçamentais do MIE;

15. Solicita à Comissão que avalie a utilização dos montantes afetados à implantação do programa SESAR, a situação atual, as ações futuras e a contribuição dos projetos financiados a partir desses montantes deste programa nos Estados-Membros;

16. Exorta a Comissão a promover a revitalização de comboios noturnos europeus confortáveis como alternativa possível e sustentável aos voos de curta distância e às viagens de automóvel de longa distância; insta a Comissão a ponderar as opções de possíveis combinações entre o cofinanciamento da rede EuroVelo e a rede ferroviária global;

17. Entende que o transporte marítimo constitui uma alternativa à abordagem exclusivamente rodoviária e que a Diretiva (UE) 2016/802 do Parlamento Europeu e do Conselho[13] relativa à redução do teor de enxofre de determinados combustíveis navais terá como efeito o reforço da sustentabilidade desse modo de transporte, havendo progressos a fazer na descarbonização do sector; faz notar que os portos europeus constituem polos multimodais e pontos de acesso para mais de 90 % dos bens importados pela União; insta a Comissão a promover e a financiar ainda mais esse modo de transporte;

18. Salienta que a digitalização pode tornar os transportes na UE mais inclusivos, inovadores, interligados e sustentáveis; recorda à Comissão a importância de elaborar uma nova estratégia da UE, cujas prioridades devem ser uma transição justa e a reconversão profissional das pessoas cujos empregos se tornem obsoletos devido à digitalização do sector dos transportes;

19. Insiste em que a Comissão e os Estados-Membros deem prioridade ao financiamento da segurança dos transportes de passageiros em diferentes meios de transporte e que se centrem na segurança dos utentes vulneráveis da estrada, nomeadamente os peões, as pessoas com deficiência, os ciclistas e outros utentes da micromobilidade, assim como na transição modal para modos de transporte mais seguros e limpos, como o transporte ferroviário, face ao número ainda muito elevado de mortos e feridos em acidentes de viação e à nova Diretiva relativa à gestão da segurança da infraestrutura rodoviária, que prevê que os Estados-Membros assegurem que «as necessidades dos utentes da estrada vulneráveis sejam tidas em conta»; insta a Comissão a prestar a assistência técnica e administrativa necessária aos Estados-Membros no que toca às medidas de manutenção adequadas das estradas existentes nos respetivos planos globais de transporte, tendo em vista aumentar a qualidade e a segurança das estradas;

20. Considera que uma maior articulação do financiamento dos transportes urbanos com os planos de mobilidade urbana sustentável (SUMPS) é essencial para impulsionar a transformação da mobilidade urbana; solicita que estes planos de mobilidade urbana promovam a multimodalidade entre os diferentes modos de transporte sustentáveis, estabelecendo mecanismos de equilíbrio socioeconómico que assegurem a não discriminação dos cidadãos europeus;

21. Salienta que os sistemas de mobilidade urbana devem contribuir para reduzir o tempo dos movimentos pendulares (casa-trabalho-casa), garantir a interoperabilidade, aumentar a atratividade dos transportes públicos para as populações e reduzir a prevalência do transporte privado, contribuindo, assim, para a sustentabilidade ambiental e climática e para o desenvolvimento da sociedade. considera que, dada a diversidade dos modos de transporte público nas áreas metropolitanas da UE (alguns deles com sistemas de transporte dispersos e sistemas de bilhética desorganizados, o que os torna mais dispendiosos), o orçamento para 2020 deve concentrar-se nos problemas decorrentes da complexa bilhética dos transportes públicos e apoiar a introdução de um plano de ação, tendo em vista aplicar um sistema único de bilhética multimodal;

22. Apela a um cenário de financiamento e a avaliações de projetos mais transparentes, que atendam, em particular, à participação dos cidadãos, da sociedade civil e das ONG num processo decisório transparente e à monitorização do desenvolvimento de grandes projetos com um volume total de investimento superior a mil milhões de euros; considera que o financiamento deve centrar-se em objetivos que garantam um verdadeiro valor acrescentado para os Estados-Membros, especialmente a nível social e ambiental;

23. Recorda que o investimento público em infraestruturas é particularmente permeável à corrupção; salienta a importância de garantir um processo de adjudicação transparente e competitivo para os grandes projetos de infraestruturas de transportes financiados pela UE; insiste na necessidade de que as autoridades adjudicantes e os proponentes para estes projetos de grande envergadura celebrem pactos de integridade ao abrigo dos quais terceiros controlem a sua conformidade com os compromissos em matéria de melhores práticas e de transparência; relembra que os Estados-Membros são os principais responsáveis pela criação de um sistema de gestão destinado a assegurar uma execução eficaz e eficiente dos projetos de investimento, e insta a Comissão a proporcionar o apoio administrativo e técnico necessário para facilitar a respetiva implementação; considera que é igualmente importante ter em conta as condições sociais dos trabalhadores no contexto dos contratos públicos; salienta que, atualmente, o sector dos transportes se debate com dificuldade em recrutar pessoal e que, para solucionar este problema, cumpre melhorar as condições de trabalho do sector;

24. Considera que as análises de custo-benefício dos projetos de transportes não devem continuar a centrar-se em análises económicas a curto prazo, mas sim na compreensão global de todos os custos externos a curto e longo prazo, com base no recente estudo sobre externalidades e internalização de custos encomendado pela Comissão, que revelou que a dimensão global dos custos externos dos transportes se estima em cerca de 1 bilião de euros anuais[14].

25. Insta a Comissão a adotar uma abordagem orientada para os resultados, a procurar um valor acrescentado para a UE e a centrar-se mais nos objetivos políticos, definindo os critérios de seleção dos projetos-piloto e das ações preparatórias, e recorda a importância da sua correta aplicação;

26. Reitera a necessidade de uma Agência Europeia para a Segurança da Aviação (AESA) robusta e com o nível de financiamento adequado para garantir e liderar, a nível global, a segurança dos cidadãos da UE (por exemplo desafios das novas tecnologias, ciberameaças, interferências nos sistemas GNSS), bem como a sustentabilidade ambiental do sector dos transportes aéreos, melhorando a sua pegada ambiental (menos ruído e emissões, descarbonização, economia circular), promovendo a proteção ambiental (medidas de atenuação), o desenvolvimento de tecnologias inovadoras e sustentáveis (aeronaves não tripulada, aeronaves elétricas e híbridas, combustíveis sustentáveis para a aviação), um programa de rótulo ecológico e mobilidade multimodal (ou seja, interligação com/entre infraestruturas ferroviárias e aeroportuárias);

27. Lamenta que as tarefas alargadas das agências da UE relacionadas com os transportes –a  Agência da União Europeia para a Segurança da Aviação (AESA), Agência Europeia da Segurança Marítima (AESM) e Agência Ferroviária da União Europeia (AFE) – não tenham sido tidas em conta no orçamento de 2020, devendo ser registada a necessidade acrescida de recursos financeiros e humanos, para assegurar a plena implementação das suas tarefas; recorda que, segundo um parecer do Tribunal de Contas, os custos a cargo do orçamento da UE poderiam ser reduzidos através da centralização das atividades da AFE numa única sede;

28. Salienta a importância dos projetos que promovem o turismo, um sector que contribui significativamente para o PIB dos Estados-Membros e tem impacto económico no crescimento, na competitividade, no emprego e no desenvolvimento social; lamenta que o orçamento não inclua o turismo enquanto domínio de intervenção separado e reitera o seu pedido para que lhe seja consagrado um financiamento específico, numa rubrica orçamental separada, no próximo quadro financeiro exclusivamente consagrada ao turismo; salienta que os Estados-Membros enfrentam desafios comuns no sector do turismo, designadamente a gestão de crises, a concorrência de países terceiros, a sustentabilidade das atividades turísticas, o reforço das comunidades locais e isoladas e a transição para uma economia com emissões nulas de carbono, pelo que considera que as políticas comuns europeias são portadoras de um valor acrescentado significativo;

 

 

 


ANEXO: LISTA DE ENTIDADES OU PESSOAS SINGULARES DE QUEM O RELATOR DE PARECER RECEBEU CONTRIBUTOS

 

 

 

 

Entidade e/ou pessoa singular

European Federation for Transport and Environment - 58744833263-19

 

 

Community of European Railway and Infrastructure Companies - 7574621118-27

 

 

 

 

 


INFORMAÇÕES SOBRE A APROVAÇÃO
NA COMISSÃO ENCARREGADA DE EMITIR PARECER

Data de aprovação

24.9.2019

 

 

 

Resultado da votação final

+:

–:

0:

35

6

3

Deputados presentes no momento da votação final

Andris Ameriks, José Ramón Bauzá Díaz, Izaskun Bilbao Barandica, Marco Campomenosi, Ciarán Cuffe, Johan Danielsson, Andor Deli, Anna Deparnay-Grunenberg, Ismail Ertug, Gheorghe Falcă, Giuseppe Ferrandino, Mario Furore, Isabel García Muñoz, Jens Gieseke, Kateřina Konečná, Elena Kountoura, Julie Lechanteux, Bogusław Liberadzki, Peter Lundgren, Benoît Lutgen, Marian-Jean Marinescu, Tilly Metz, Caroline Nagtegaal, Bill Newton Dunn, Jan-Christoph Oetjen, Philippe Olivier, Tomasz Piotr Poręba, Dominique Riquet, Sven Schulze, Vera Tax, Cristian Terheş, Barbara Thaler, István Ujhelyi, Petar Vitanov, Lucia Vuolo, Roberts Zīle, Kosma Złotowski

Suplentes presentes no momento da votação final

Paolo Borchia, Gina Dowding, Ilhan Kyuchyuk, Ljudmila Novak, Andrey Novakov, Anne-Sophie Pelletier, Catherine Rowett

 


 

 

VOTAÇÃO NOMINAL FINAL
NA COMISSÃO ENCARREGADA DE EMITIR PARECER

35

+

GUE/NGL

Kateřina Konečná, Elena Kountoura, Anne-Sophie Pelletier

NI

Mario Furore

PPE

Andor Deli, Gheorghe Falcă, Jens Gieseke, Benoît Lutgen, Marian-Jean Marinescu, Ljudmila Novak, Andrey Novakov, Sven Schulze, Barbara Thaler

RENEW

José Ramón Bauzá Díaz, Izaskun Bilbao Barandica, Ilhan Kyuchyuk, Caroline Nagtegaal, Bill Newton Dunn, Jan-Christoph Oetjen, Dominique Riquet

S&D

Andris Ameriks, Johan Danielsson, Ismail Ertug, Giuseppe Ferrandino, Isabel García Muñoz, Bogusław Liberadzki, Vera Tax, Cristian Terheş, István Ujhelyi, Petar Vitanov

VERTS/ALE

Ciarán Cuffe, Anna Deparnay-Grunenberg, Gina Dowding, Tilly Metz, Catherine Rowett

 

6

-

ECR

Peter Lundgren

ID

Paolo Borchia, Marco Campomenosi, Julie Lechanteux, Philippe Olivier, Lucia Vuolo

 

3

0

ECR

Tomasz Piotr Poręba, Roberts Zīle, Kosma Złotowski

 

Legenda dos símbolos utilizados:

+ : votos a favor

- : votos contra

0 : abstenções

 

 


 

 

 

 

PARECER DA COMISSÃO DO DESENVOLVIMENTO REGIONAL (7.10.2019)

<CommissionInt>dirigido à Comissão dos Orçamentos</CommissionInt>


<Titre>sobre o projeto de orçamento geral da União Europeia para o exercício de 2020</Titre>

<DocRef>(2019/2028(BUD))</DocRef>

Relator de parecer: <Depute>Younous Omarjee</Depute>

 

 

 

SUGESTÕES

A Comissão do Desenvolvimento Regional insta a Comissão dos Orçamentos, competente quanto à matéria de fundo, a incorporar as seguintes sugestões na proposta de resolução que aprovar:

1. Relembra que a coesão é um dos objetivos da União estabelecidos no artigo 3.º do Tratado da União Europeia, é definida no artigo 174.º do TFUE e é uma competência partilhada da União e dos Estados-Membros; sublinha que a política de coesão é uma das mais importantes políticas da União e a sua principal política de investimento público, com um orçamento de 351,8 mil milhões de euros no QFP 2014-2020, ou seja, um terço do QFP, que deve continuar a sê-lo no próximo QFP, sem novos cortes, e que as novas iniciativas da União devem ser acompanhadas de novos recursos financeiros adequados e submetidas à codecisão;

2. Salienta que a política de coesão se baseia numa política de solidariedade, perseguindo o seu objetivo enunciado no Tratado de promover e apoiar o desenvolvimento harmonioso do conjunto dos Estados-Membros e das regiões, fomenta a cooperação inter-regional e visa reduzir as disparidades económicas, sociais e territoriais entre as regiões da União e no seu interior, bem como assegurar que nenhuma região fique para trás, tendo em conta os desafios demográficos; considera que esta política contribui para o crescimento e o emprego em toda a União, bem como para a realização dos seus principais objetivos e prioridades, incluindo as suas metas em matéria de clima e de energia, bem como o crescimento económico inteligente, sustentável e inclusivo; observa que a adicionalidade pode contribuir para uma utilização equilibrada dos fundos estruturais em combinação com todas as fontes disponíveis, incluindo instrumentos financeiros;

3. Verifica com satisfação que já não há necessidades de pagamento para o período 2007‑2013, que a melhoria da execução dos pagamentos e o aumento da taxa de seleção de projetos avançam a velocidade de cruzeiro e que o ritmo da seleção de projetos no terreno finalmente atingiu e ultrapassou os níveis do período de programação anterior, situando-se nos 83 % em setembro de 2019; observa, contudo, grandes disparidades entre os Estados-Membros em relação a esta taxa e insta a Comissão a continuar a prestar assistência aos Estados-Membros que registam atrasos, a fim de melhorar os respetivos resultados;

4. Regista que as dotações de autorização aumentaram 2,5 % na subcategoria 1b no projeto de orçamento da UE para 2020 em comparação com o orçamento de 2019, enquanto as dotações de pagamento, no seu conjunto, aumentaram 6,4 %;

5. Solicita ao Conselho e à Comissão que retirem ensinamentos deste período de programação e evitem novas crises e futuros atrasos dos pagamentos; chama a atenção para o facto de o início tardio dos programas e da execução ter conduzido à acumulação de pedidos de pagamento;

6. Salienta que as regiões ultraperiféricas a que se refere o artigo 349.º do TFUE beneficiam de medidas específicas, nomeadamente no âmbito da política de coesão, no que se refere às condições de acesso aos fundos, necessários e essenciais para promover o seu desenvolvimento sustentável e, por conseguinte, para concretizar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, tendo em conta a sua situação económica e social, o forte impacto estrutural do seu isolamento geográfico, bem como a sua particular exposição aos efeitos das alterações climáticas;

7. Recorda que a política de coesão é um dos instrumentos mais importantes no âmbito das prioridades delineadas no projeto de orçamento da Comissão para 2020; sublinha o retorno do investimento da política de coesão, uma vez que cada euro investido produz um resultado de 2,74 EUR em crescimento e criação de emprego;

8. Reitera que, para alcançar os objetivos da política de coesão, as autoridades regionais, locais, urbanas e outras devem trabalhar em conjunto e estabelecer um diálogo com as organizações da sociedade civil, incluindo universidades, organizações ambientais e grupos que representem a diversidade étnica, religiosa ou ligada à idade, à deficiência, à orientação sexual ou à identidade de género;

9. Recorda que a política de coesão é um instrumento útil para apoiar o acolhimento e a integração dos migrantes e insiste em que o orçamento da UE para 2020 deve contribuir para enfrentar os desafios relacionados com a migração, num espírito de solidariedade;

10. Solicita um exercício de reprogramação da Iniciativa para o Emprego dos Jovens, na sequência do acordo no âmbito do processo orçamental de 2019, a fim de aumentar significativamente o nível das dotações de autorização; insiste no financiamento de medidas específicas destinadas a limitar o êxodo de jovens das regiões menos desenvolvidas;

11. Manifesta a sua preocupação com as consequências de um eventual Brexit sem acordo e, em especial, com as possíveis repercussões negativas na política de coesão e nas regiões transfronteiriças; salienta a importância das negociações sobre o próximo QFP e solicita, nesse contexto, que os efeitos orçamentais do Brexit na política de coesão sejam tão limitados quanto possível;

12. Reitera a importância de reforçar a capacidade administrativa das autoridades locais e regionais, que constitui um elemento fundamental para a correta preparação e execução dos projetos no terreno;

13. Observa que o exercício orçamental de 2020 é o último do atual QFP e salienta, por conseguinte, a importância da preparação para o novo período financeiro, bem como de uma adaptação harmoniosa ao mesmo;

14. Manifesta a sua preocupação com a possibilidade de não ser alcançado o objetivo de dedicar às despesas relacionadas com o clima 20 % do orçamento da UE no QFP 2014‑2020 e insta a Comissão a aumentar de forma significativa a percentagem dessas despesas para 2020; insta os Estados-Membros e as regiões a terem devidamente em conta o importante contributo da política de coesão para o investimento na proteção do clima e para a consecução do objetivo da União em matéria de despesas relacionadas com o clima, insistindo simultaneamente na necessidade de colmatar o défice orçamental em matéria de clima de 3,5 milhões de EUR e de evitar gastar dinheiro público em combustíveis fósseis, a fim de centrar mais a atenção no combate às alterações climáticas a fim de respeitar o Acordo de Paris;

15. Considera que deve ser prestado um apoio suficiente às ações com uma incidência especial nos aspetos da saúde e do ambiente, que podem também decorrer de requisitos relacionados com a transição energética, como o desmantelamento de centrais nucleares; salienta a necessidade de descarbonizar as 41 regiões dependentes do carvão mediante a requalificação e a melhoria das competências dos trabalhadores do setor e assegurar uma transição justa para uma economia sustentável através do estabelecimento de um Fundo para a Transição Justa que permita prever recursos suficientes no orçamento, a fim de assegurar uma transição justa e equitativa para uma economia sem carbono até 2050;

16. Observa que, no que toca às transferências para o Mecanismo Interligar a Europa, 2020 será o segundo ano em que pode ser solicitada uma nova parcela de pré-financiamento para as ações iniciadas em 2014, 2015 ou 2016 e o último ano para a reafetação dos recursos não utilizados;

17. Salienta que a política de coesão não deve ser objeto de qualquer transferência que possa comprometer a capacidade dos fundos estruturais e de investimento para atingirem os seus objetivos;

18. Assinala que o financiamento do Programa de Apoio às Reformas Estruturais será efetuado através da margem global relativa às autorizações; adverte para o facto de os aumentos do financiamento não deverem ser efetuados em detrimento da política de coesão; recorda que as novas iniciativas da União devem ser financiadas com novos recursos adicionais e não em detrimento das políticas de longa data da União; observa que a política de coesão e a governação económica podem ter objetivos diferentes e que as reformas devem ter em devida consideração os impactos territoriais;

19. Lamenta a diminuição das dotações para o Fundo de Coesão em comparação com o anterior período de programação e regista os riscos de aumento das disparidades de desenvolvimento no que toca às infraestruturas de base, em particular as infraestruturas de transportes; apela a uma maior flexibilidade dos mecanismos orçamentais por forma a garantir a reafetação necessária para cobrir investimentos adicionais em infraestruturas de base, designadamente a infraestrutura da RTE-T, como principal motor da inclusão económica, social e territorial ao nível da UE, nos Estados-Membros com disparidades óbvias de desenvolvimento;

20. Solicita à Comissão e aos Estados-Membros que garantam uma utilização transparente, justa e responsável dos recursos da União.


INFORMAÇÕES SOBRE A APROVAÇÃO
NA COMISSÃO ENCARREGADA DE EMITIR PARECER

Data de aprovação

2.10.2019

 

 

 

Resultado da votação final

+:

–:

0:

38

0

1

Deputados presentes no momento da votação final

Mathilde Androuët, Pascal Arimont, Adrian-Dragoş Benea, Isabel Benjumea Benjumea, Tom Berendsen, Stéphane Bijoux, Franc Bogovič, Andrea Cozzolino, Corina Crețu, Rosa D’Amato, Tamás Deutsch, Francesca Donato, Jill Evans, Raffaele Fitto, Cristian Ghinea, Mircea-Gheorghe Hava, Krzysztof Hetman, Manolis Kefalogiannis, Ondřej Knotek, Constanze Krehl, Elżbieta Kruk, Naomi Long, Cristina Maestre Martín De Almagro, Pedro Marques, Martina Michels, Andżelika Anna Możdżanowska, Andrey Novakov, Younous Omarjee, Alessandro Panza, Tsvetelina Penkova, Caroline Roose, André Rougé, Susana Solís Pérez, Monika Vana, Julie Ward

Suplentes presentes no momento da votação final

Ciarán Cuffe, Barbara Ann Gibson, Tomislav Sokol, Maria Spyraki

 


VOTAÇÃO NOMINAL FINAL NA COMISSÃO ENCARREGADA DE EMITIR PARECER

38

+

ECR

Raffaele Fitto, Elżbieta Kruk, Andżelika Anna Możdżanowska

GUE/NGL

Martina Michels, Younous Omarjee

ID

Mathilde Androuët, Francesca Donato, Alessandro Panza, André Rougé

NI

Rosa D'Amato

PPE

Pascal Arimont, Isabel Benjumea Benjumea, Tom Berendsen, Franc Bogovič, Mircea-Gheorghe Hava, Krzysztof Hetman, Manolis Kefalogiannis, Andrey Novakov, Tomislav Sokol, Maria Spyraki

RENEW

Stéphane Bijoux, Cristian Ghinea, Barbara Ann Gibson, Ondřej Knotek, Naomi Long, Susana Solís Pérez

S&D

Adrian-Dragoş Benea, Andrea Cozzolino, Corina Crețu, Constanze Krehl, Cristina Maestre Martín De Almagro, Pedro Marques, Tsvetelina Penkova, Julie Ward

VERTS/ALE

Ciarán Cuffe, Jill Evans, Caroline Roose, Monika Vana

 

0

-

 

 

 

1

0

PPE

Tamás Deutsch

 

Legenda dos símbolos:

+ : votos a favor

- : votos contra

0 : abstenções

 


 

 

 

 

PARECER DA COMISSÃO DA AGRICULTURA E DO DESENVOLVIMENTO RURAL (6.9.2019)

<CommissionInt>dirigido à Comissão dos Orçamentos</CommissionInt>


<Titre>sobre o projeto de orçamento geral da União Europeia para o exercício de 2020 </Titre>

<DocRef>(2019/2028(BUD))</DocRef>

Relator de parecer: <Depute>Paolo De Castro</Depute>

 

 

 

SUGESTÕES

A Comissão da Agricultura e do Desenvolvimento Rural insta a Comissão dos Orçamentos, competente quanto à matéria de fundo, a incorporar as seguintes sugestões na proposta de resolução que aprovar:

1. Toma nota dos montantes de 59 994,9 milhões de EUR em autorizações e de 58 014,3 milhões de EUR em pagamentos propostos pela Comissão no projeto de orçamento para 2020 relativamente à rubrica 2, dos quais as dotações do Fundo Europeu Agrícola de Garantia sofrem um ligeiro aumento para 43 531,8 milhões de EUR em autorizações (+ 0,8 %) e 43 501,7 milhões de EUR em pagamentos (+ 0,9 %) em relação ao orçamento de 2019; lamenta profundamente a redução das dotações do Fundo Europeu Agrícola de Desenvolvimento Rural (FEADER) para 14 708,7 milhões de EUR em autorizações (- 0,1 %) e 13 141,2 milhões de EUR em pagamentos (- 0,1 %) em relação ao orçamento de 2019, principalmente devido a uma estagnação do valor nominal do FEADER enquanto tal e a uma forte diminuição das despesas de apoio;

2. Insiste em que todas as receitas para o orçamento da União decorrentes de receitas afetadas ou de reembolsos por irregularidades na agricultura em anos anteriores devem permanecer na rubrica 2;

3. Insiste em que não deverão ser realizados mais cortes no orçamento agrícola, especialmente tendo em conta que este setor é amiúde afetado por crises que requerem uma resposta orçamental;

4. Observa que o exercício orçamental de 2020 é o último do atual quadro financeiro plurianual e salienta, por conseguinte, a importância de uma preparação e adaptação harmoniosa ao novo período financeiro, durante o qual deve ser garantido aos agricultores um nível de vida justo;

5. Manifesta a sua profunda preocupação com as consequências orçamentais de um Brexit sem acordo e, uma vez que os agricultores necessitam de planear antecipadamente a sua atividade, opõe-se veementemente a qualquer redução inesperada das dotações da política agrícola comum (PAC) em 2020, caso não haja acordo entre a União e o Reino Unido;

6. Sublinha que o orçamento da União deve ser coerente com os objetivos do Acordo de Paris no âmbito da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas, adotado em dezembro de 2015;

7. Rejeita a redução de dotações proposta pela Comissão para as organizações de produtores do setor das frutas e produtos hortícolas (-14,6 milhões de EUR), que poderá afetar de forma negativa o seu contributo crescente para reequilibrar o poder negocial na cadeia de abastecimento alimentar, uma vez que os agricultores serão diretamente afetados; neste contexto, considera que a Comissão deve assegurar que os pagamentos para este setor não sejam reduzidos; deplora a ausência de dotações para o setor da carne de aves de capoeira e sugere a atribuição de verbas, na secção «Outras medidas relativas à carne de suíno, às aves, aos ovos, à apicultura e a outros produtos animais», para apoiar o setor das aves de capoeira, que é afetado por distorções comerciais desleais provocadas pela Ucrânia;

8. Lamenta a falta de compensação pela redução das dotações propostas pela Comissão para os produtores de frutas e produtos hortícolas na União, que é um setor que enfrenta uma crise grave, devido a agentes fitófagos ou patológicos, tais como o vírus Tristeza, no caso das laranjas, o Mal secco nos limões, o Tuta absoluta no caso dos tomates e a Xylella fastidiosa no que respeita às oliveiras; solicita, por conseguinte, que, apesar das reduções de dotações, se preveja um plano de financiamento para os citrinos destinado a apoiar os custos de reconversão dos atuais pomares de citrinos e olivais para variedades das mesmas plantas que sejam mais resistentes e permitam um verdadeiro relançamento do setor;

9. Congratula-se com a proposta da Comissão de atribuir 50 milhões de EUR a «Outras medidas relativas à carne de bovino», a fim de apoiar o setor da carne de bovino na Irlanda em caso de dificuldades de mercado relacionadas com a potencial saída do Reino Unido da União; salienta que a saída do Reino Unido da União também terá um impacto negativo significativo em vários setores agrícolas da União; solicita à Comissão que proponha um plano de apoio, baseado numa avaliação de impacto adequada, setor a setor e Estado-Membro a Estado-Membro, para todos os setores agrícolas da União suscetíveis de serem afetados pela saída do Reino Unido da União e que alargue esse plano aos Estados-Membros afetados em função do seu grau de exposição; considera que, para ser eficaz, o plano deve incluir medidas estruturais destinadas a reforçar a organização desses setores e a promover a diversificação dos fluxos comerciais;

10. Considera que o acordo comercial entre a União e o Mercosul cria pressões adicionais para esses setores agrícolas e solicita, por conseguinte, à Comissão que apresente em pormenor, até ao final de 2019, o conteúdo do plano de apoio da União no montante de mil milhões de EUR anunciado em 28 de junho de 2019, destinado a permitir que os setores agrícolas sensíveis da União possam fazer face ao potencial impacto negativo desse acordo comercial, caso seja ratificado;

11. Destaca a ineficiência orçamental de apoiar setores sensíveis quando simultaneamente se sujeitam estes setores a uma maior concorrência e risco de instabilidade do mercado, nomeadamente através de acordos bilaterais de comércio livre; observa, além disso, a erosão a longo prazo verificada nos recursos próprios tradicionais do orçamento da União, causada em particular pela diminuição dos direitos aduaneiros que a celebração de acordos de comércio livre ocasiona;

12. Toma nota da proposta da Comissão de ajudar os agricultores com um pacote de apoio financeiro num montante máximo de mil milhões de EUR em caso de perturbação do mercado decorrente do acordo comercial da União com o Mercosul; insiste em que essas verbas não devem ser retiradas de qualquer rubrica orçamental agrícola já existente;

13. Manifesta a sua preocupação face à atual crise no setor do açúcar, na sequência da eliminação do sistema de quotas e do recente anúncio de encerramento de oito fábricas na União; lamenta a falta de verbas destinadas a apoiar esse setor; considera que, na ausência de intervenção dos poderes públicos, os intervenientes privados devem ser autorizados a tomar iniciativas privadas para regular a produção de forma voluntária; propõe, neste contexto, que a Comissão avalie, à luz da nova campanha de produção, a possibilidade de desencadear medidas neutras do ponto de vista orçamental, disponíveis nos termos do artigo 222.º do Regulamento (UE) n.º 1308/2013 do Parlamento Europeu e do Conselho[15] que autoriza os agricultores, as suas organizações e organizações interprofissionais reconhecidas a celebrarem acordos coletivos, a fim de retirarem do mercado, armazenarem ou reduzirem a sua produção de uma forma concertada;

14. Congratula-se com o aumento do financiamento proposto pela Comissão Europeia para medidas de promoção, que confirma a eficácia das melhorias introduzidas pela última reforma; considera que a Comissão deve continuar a reforçar as campanhas de promoção para abrir novos mercados para produtos de qualidade, uma vez que as medidas de promoção são cruciais para expandir a quota das exportações da União nos mercados de todo o mundo;

15. Lamenta a ausência de medidas de apoio aos agricultores, nomeadamente no setor do leite e dos produtos lácteos, que enfrenta dificuldades de mercado persistentes devido à proibição pela Rússia da importação de um conjunto de produtos agrícolas da União («o embargo russo»);

16. Recorda que, nos últimos cinco anos, os setores agrícolas da União têm sofrido os efeitos do embargo russo; salienta que quaisquer efeitos adicionais no comércio de produtos agrícolas associados à saída do Reino Unido da União podem causar mais perturbações e solicita dotações adicionais para medidas excecionais, se necessário;

17. Entende que a União pode dar um contributo fundamental para a promoção de hábitos alimentares saudáveis, especialmente entre as crianças, considerando, por conseguinte, que é essencial utilizar plenamente os limites máximos previstos para os programas escolares da União, bem como desenvolver regimes adicionais para um consumo sustentável no regulamento em vigor; insta, por conseguinte, os Estados-Membros a reforçarem os seus programas nacionais para assegurar a plena utilização das dotações máximas disponíveis (250 milhões de EUR) mediante a criação de programas menos burocráticos;

18. Congratula-se com o aumento do apoio à investigação e à inovação consagradas ao abastecimento de alimentos seguros e de alta qualidade, assim como à segurança alimentar; realça que é essencial que os fundos destinados à investigação no setor agroalimentar, em especial do orçamento do Horizonte 2020, permaneçam integralmente disponíveis enquanto tal, por forma a estimular a inovação e soluções inteligentes, designadamente através da investigação agroecológica com uma abordagem global do sistema agroecológico, nos setores da agricultura e do desenvolvimento rural. sublinha a importância da aplicabilidade prática dos resultados ao nível das explorações, assim como o papel desempenhado pelos serviços de extensão agrícola; salienta que a política de investigação deve manter a coerência com os objetivos em matéria de ambiente, clima, biodiversidade, saúde e bem-estar social, e incentivar e apoiar iniciativas adaptadas às necessidades das pequenas explorações sem economias de escala, para que possam beneficiar das novas tecnologias; sublinha a necessidade de reforçar a ligação entre a investigação e a prática, através da participação dos produtores primários e da difusão de conhecimentos e boas práticas;

19. Exorta a Comissão a fornecer apoio financeiro suficiente para uma maior aceitação de soluções inteligentes e inovadoras no setor agrícola, tendo em conta os seus comprovados benefícios ambientais e a necessidade de maior eficiência agrícola; considera que a agricultura de precisão e a utilização da digitalização devem continuar a ser objeto de análise e promoção;

20. Uma vez que a União continua vulnerável a surtos de doenças dos animais e das plantas, lamenta o corte em 60 % das dotações do Fundo para medidas de emergência relativas à fito e à zoossanidade;

21. Regista com grande preocupação o pesado impacto da propagação da peste suína africana (PSA) a vários Estados-Membros e o grande número de surtos registados desde o início de 2019; manifesta a sua preocupação pelo facto de grandes suiniculturas terem sido afetadas pela necessidade de abater seletivamente dezenas de milhares de animais; lamenta, por conseguinte, a falta de dotações para a prevenção e a luta contra a PSA, sublinhando que o orçamento da União para 2019 consagrou 28 milhões de EUR a este fim; salienta que deve ser incluída pelo menos uma dotação semelhante no orçamento da União para 2020; toma nota de que países terceiros investiram na investigação para desenvolver uma vacina contra a PSA; considera que a União deve investir o mais rapidamente possível na investigação e desenvolvimento de uma vacina que ajude a erradicar a propagação e a incidência da PSA;

22. Incentiva os Estados-Membros a reforçarem o apoio ao estabelecimento de jovens agricultores, em consonância com o objetivo de melhor contribuir para a renovação geracional dos agricultores na União;

23. Salienta a importância dos compromissos e das despesas em matéria de desenvolvimento rural para as medidas agroambientais e a economia rural em geral, e em particular a importância das iniciativas que visam os jovens agricultores e os apoiam;

24. Congratula-se com o financiamento de novos projetos-piloto essenciais para a reflexão sobre o futuro da PAC, nomeadamente projetos de desenvolvimento de uma «caixa de ferramentas» destinada a agricultores para a gestão integrada de pragas, para a promoção de «aldeias inteligentes» e para a criação de um programa operacional no setor da pecuária;

25. Pede que se mantenham as dotações para os programas POSEI aos níveis máximos previstos na legislação da União, sublinhando a relevância de tais programas para a resiliência dos produtores agrícolas, e chama a atenção para a fragilidade da situação económica das regiões ultraperiféricas, que estão ainda a ser fortemente afetadas pela crise.


INFORMAÇÕES SOBRE A APROVAÇÃO
NA COMISSÃO ENCARREGADA DE EMITIR PARECER

Data de aprovação

4.9.2019

 

 

 

Resultado da votação final

+:

–:

0:

39

5

1

Deputados presentes no momento da votação final

Mazaly Aguilar, Álvaro Amaro, Eric Andrieu, Attila Ara-Kovács, Carmen Avram, Adrian-Dragoş Benea, Benoît Biteau, Mara Bizzotto, Daniel Buda, Matt Carthy, Asger Christensen, Dacian Cioloș, Ivan David, Paolo De Castro, Jérémy Decerle, Diane Dodds, Herbert Dorfmann, Luke Ming Flanagan, Dino Giarrusso, Martin Häusling, Martin Hlaváček, Krzysztof Jurgiel, Jarosław Kalinowski, Elsi Katainen, Gilles Lebreton, Norbert Lins, Marlene Mortler, Ulrike Müller, Juozas Olekas, Sheila Ritchie, Bronis Ropė, Bert-Jan Ruissen, Anne Sander, Petri Sarvamaa, Annie Schreijer-Pierik, Veronika Vrecionová, Sarah Wiener, Juan Ignacio Zoido Álvarez

Suplentes presentes no momento da votação final

Atidzhe Alieva-Veli, Franc Bogovič, Lena Düpont, Estrella Dura Ferrandis, Ivo Hristov, Jan Huitema, Anthea McIntyre, Joëlle Mélin, Tilly Metz, Daniela Rondinelli, Christine Schneider, Marc Tarabella, Irène Tolleret

 


VOTAÇÃO NOMINAL FINAL NA COMISSÃO ENCARREGADA DE EMITIR PARECER

39

+

ECR

Mazaly Aguilar, Krzysztof Jurgiel, Anthea McIntyre, Veronika Vrecionová

GUE/NGL

Matt Carthy, Luke Ming Flanagan

ID

Mara Bizzotto, Gilles Lebreton, Joëlle Mélin

NI

Diane Dodds, Dino Giarrusso

PPE

Álvaro Amaro, Franc Bogovič, Daniel Buda, Herbert Dorfmann, Lena Düpont, Jarosław Kalinowski, Norbert Lins, Marlene Mortler, Anne Sander, Petri Sarvamaa, Annie Schreijer-Pierik, Juan Ignacio Zoido Álvarez

Renew

Asger Christensen, Dacian Cioloș, Jérémy Decerle, Martin Hlaváček, Elsi Katainen, Ulrike Müller, Sheila Ritchie

S&D

Eric Andrieu, Attila Ara-Kovács, Carmen Avram, Adrian-Dragoş Benea, Paolo De Castro, Estrella Dura Ferrandis, Ivo Hristov, Juozas Olekas, Marc Tarabella

 

5

-

Verts/ALE

Benoît Biteau, Martin Häusling, Tilly Metz, Bronis Ropė, Sarah Wiener

 

1

0

ID

Ivan David

 

Legenda dos símbolos:

+ : votos a favor

- : votos contra

0 : abstenções

 


 

 

 

 

<Date>{06/09/2019}5.9.2019</Date>


<CommissionResp>PARECER DA COMISSÃO DAS PESCAS</CommissionResp>


<CommissionInt>dirigido à Comissão dos Orçamentos</CommissionInt>


<Titre>sobre o projeto de orçamento geral da União Europeia para o exercício de 2020</Titre>

<DocRef>(2019/2028(BUD))</DocRef>

Relator de parecer: <Depute>Chris Davies</Depute>

 

 

 

SUGESTÕES

A Comissão das Pescas insta a Comissão dos Orçamentos, competente quanto à matéria de fundo, a incorporar as seguintes sugestões na proposta de resolução que aprovar:

1. Recorda que são necessárias medidas financeiras adequadas para garantir um setor das pescas viável; salienta que os objetivos da PCP só podem ser atingidos se houver um orçamento suficiente; regista que o orçamento se concentra principalmente na secção III e no título 11 «Assuntos marítimos e pescas»; relembra que o Fundo Europeu dos Assuntos Marítimos e da Pesca (FEAMP) e as contribuições obrigatórias para as organizações regionais de gestão da pesca e os acordos de pesca sustentável constituem a maior parte do orçamento;

2. Salienta que deve ser estabelecido um equilíbrio entre as prioridades ambientais e a estabilidade socioeconómica, a fim de alcançar uma economia azul sustentável, em particular no que diz respeito às comunidades dependentes da pequena pesca costeira;

3. Salienta que os objetivos fundamentais da PCP devem permitir um equilíbrio entre a viabilidade de um setor de importância estratégica para a União Europeia e a necessidade de preservar os ecossistemas marinhos, desenvolvendo uma pesca económica e ambientalmente sustentável;

4. Considera que foram envidados esforços importantes para reforçar a solidez dos conhecimentos científicos sobre os recursos biológicos marinhos; assinala que, embora o conhecimento tenha melhorado, ainda estamos longe de um conhecimento ótimo que permita uma avaliação adequada; considera que, por conseguinte, há que aumentar os fundos da União destinados às organizações de investigação científica internacionais e dos Estados-Membros, a fim de melhorar a avaliação das unidades populacionais, e aumentar o conhecimento do meio marinho, nomeadamente através do estudo do impacto das alterações climáticas e da poluição nas unidades populacionais; de um modo mais geral, considera necessário promover o contributo dos pescadores para o conhecimento do meio marinho, nomeadamente através do financiamento de instrumentos de medição a bordo;

5. Salienta que mais de metade do abastecimento da União em produtos da pesca provém de águas internacionais e das zonas económicas exclusivas de países terceiros; salienta que a promoção, pela UE, de uma pesca sustentável em águas de países terceiros é essencial para a frota da UE e para a prosperidade das comunidades costeiras da UE e de países terceiros, para a conservação dos recursos haliêuticos e do ambiente marinho, o desenvolvimento das indústrias locais e o emprego gerado pela pesca, transformação e comércio, bem como o contributo da pesca para a segurança alimentar; recorda a importância estratégica dos acordos de parceria no domínio da pesca sustentável, bem como, de um modo mais geral, a dimensão externa da PCP; considera que é necessário prever, no orçamento anual para 2020, dotações orçamentais adequadas e fiáveis e que o atual orçamento não deve ser sujeito a cortes a fim de cumprir as obrigações decorrentes de acordos de pesca internacionais e assegurar a participação da União nas organizações regionais de gestão das pescas;

6. Recorda que a UE é parte signatária de acordos internacionais, como o Acordo de Paris e os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas, e nomeadamente o n.º 14 sobre a conservação e a utilização sustentável dos oceanos, mares e recursos marinhos com vista ao desenvolvimento sustentável, e deve manter-se coerente com os seus compromissos para a execução das suas políticas, e nomeadamente a Política Comum das Pescas;

7. Recorda que um dos objetivos da PCP é contribuir para a garantia da segurança alimentar na UE; recorda que uma parte significativa dos produtos da pesca consumidos na UE são produtos importados; salienta que a aquicultura se está a tornar um elemento importante para atingir este objetivo e reduzir a dependência da União da importação de produtos da pesca;

8. Realça que, no orçamento de 2020, deve ser conferida especial importância aos recursos financeiros necessários para apoiar o setor das pescas quando são aplicados os regimes de obrigação de desembarque;

9. Reitera a importância da frota costeira e artesanal de pequena escala; sublinha que este setor representa cerca de 75 % de todos os navios de pesca registados na União e quase metade de todos os postos de trabalho no setor das pescas, assumindo-se, por isso, como uma importante componente, não só económica mas também social, para numerosas comunidades costeiras; observa que os operadores da pequena pesca costeira dependem de unidades populacionais saudáveis, que constituem a sua principal fonte de rendimento;

10. Insiste na importância da dimensão social e económica da pesca para as comunidades locais e certas regiões marítimas, como sejam as regiões costeiras e insulares, que estão particularmente dependentes desta atividade; recorda que as empresas de pesca dessas regiões são frequentemente prejudicadas por custos adicionais e desvantagens naturais permanentes, pelo que devem ser apoiadas por recursos adicionais;

11. Solicita à Comissão e aos Estados-Membros que ajudem as comunidades dependentes da pesca a diversificar as suas economias para outras atividades marítimas, como o turismo, a conservação marinha, a recolha de dados e a investigação, e a contribuir para aumentar o valor das suas atividades de pesca, criando, por exemplo, incentivos para as atividades no setor;

12. Observa que a adoção dos atuais planos plurianuais e a aplicação de novas medidas técnicas destinadas a contribuir para alcançar níveis sustentáveis exigem uma política de controlo sólida e apoiada por fundos adequados;

13. Recorda a importância e a necessidade de medidas socioeconómicas que acompanhem as decisões de gestão destinadas a reduzir o esforço de pesca, a fim de manter níveis adequados de sustentabilidade;

14. Salienta que a Agência Europeia de Controlo das Pescas (AECP) desempenha um papel fundamental na coordenação e execução da PCP e que os atuais níveis de financiamento devem, por conseguinte, ser mantidos;

15. Chama a atenção para o problema do lixo marinho constituído por plásticos; considera que devem ser envidados esforços adicionais e que devem ser garantidos recursos adequados, a fim de assegurar a aplicação das normas pertinentes em matéria de redução do impacto dos produtos de plástico no mar;

16. Chama a atenção para a atual intenção do Reino Unido de sair da União, que terá impacto na execução do FEAMP 2014-2020; salienta que, com o «Brexit», será necessário atribuir máxima importância ao estabelecimento de um novo quadro orçamental e financeiro para o período 2021-2027; considera que o orçamento da União necessita de um grau de flexibilidade adicional para fazer face a tal situação; observa que o Brexit não deve, em caso algum, conduzir a uma diminuição dos fundos em relação ao atual FEAMP (2014-2027); pelo contrário, solicita que o orçamento de 2021-2027 seja aumentado para que os operadores possam fazer face às graves consequências do Brexit;

17. Realça que, seis anos após a adoção do atual Fundo, o nível de execução do FEAMP 2014-2020 é muito baixo e que a Comissão e os Estados-Membros devem acelerar os procedimentos de gestão e controlo e reduzir os encargos administrativos, a fim de assegurar benefícios adequados e atempados para o setor;

18. Chama a atenção para a necessidade de aumentar os recursos financeiros a favor dos conselhos consultivos, tendo em conta o maior empenho destes órgãos nas políticas de regionalização nos termos do artigo 18.º do Regulamento (UE) n.º 1380/2013, que estão cada vez mais presentes nos planos de gestão plurianuais, bem como no novo regulamento «medidas técnicas»;

19. Recorda o papel de «guardiões do mar» que cabe aos pescadores e insta a Comissão a prever recursos financeiros adequados para promover a combinação das atividades de pesca e de atividades de proteção ambiental, como, por exemplo, a recolha de plásticos no mar, a recolha de amostras de água ou a presença de investigadores a bordo, o que se traduz também num menor impacto nas unidades populacionais de peixes.


INFORMAÇÕES SOBRE A APROVAÇÃO
NA COMISSÃO ENCARREGADA DE EMITIR PARECER

Deputados presentes no momento da votação final

Clara Aguilera, Christian Allard, Pietro Bartolo, Izaskun Bilbao Barandica, Rosanna Conte, Richard Corbett, Rosa D’Amato, Chris Davies, Filip De Man, Diane Dodds, João Ferreira, Søren Gade, Niclas Herbst, France Jamet, Predrag Fred Matić, Francisco José Millán Mon, Nosheena Mobarik, Grace O’Sullivan, Annie Schreijer-Pierik, Ruža Tomašić, Peter van Dalen, Theodoros Zagorakis

Suplentes presentes no momento da votação final

Catherine Chabaud, Nicolás Gonzalez Casares, Ivo Hristov, Brian Monteith, June Alison Mummery, Manuel Pizarro, Caroline Roose, Raffaele Stancanelli, Maria Walsh

 


VOTAÇÃO NOMINAL FINAL NA COMISSÃO ENCARREGADA DE EMITIR PARECER

25

+

ECR

Nosheena Mobarik, Ruža Tomašić

ID

Filip De Man, France Jamet

NI

Rosa D'Amato, Diane Dodds

PPE

Peter van Dalen, Niclas Herbst, Francisco José Millán Mon, Annie Schreijer-Pierik, Maria Walsh, Theodoros Zagorakis

RENEW

Izaskun Bilbao Barandica, Catherine Chabaud, Chris Davies, Søren Gade

S&D

Clara Aguilera, Pietro Bartolo, Richard Corbett, Nicolás Gonzalez Casares, Ivo Hristov, Predrag Fred Matić

VERTS/ALE

Christian Allard, Grace O'Sullivan, Caroline Roose

 

0

-

 

 

 

1

0

GUE/NGL

João Ferreira

 

Legenda dos símbolos:

+ : votos a favor

- : votos contra

0 : abstenções

 

 

 


 

 

 

 

PARECER DA COMISSÃO DA CULTURA E DA EDUCAÇÃO (2.10.2019)

<CommissionInt>dirigido à Comissão dos Orçamentos</CommissionInt>


<Titre>sobre o projeto de orçamento geral da União Europeia para o exercício de 2020 </Titre>

<DocRef>(2019/2028(BUD))</DocRef>

Relatora de parecer: <Depute>Petra Kammerevert</Depute>

 

 

 

SUGESTÕES

A Comissão da Cultura e da Educação insta a Comissão dos Orçamentos, competente quanto à matéria de fundo, a incorporar as seguintes sugestões na proposta de resolução que aprovar:

1. Recorda que o programa Erasmus+ é um investimento estratégico, destinado sobretudo à geração jovem europeia, que apoia oportunidades de educação e formação em toda a Europa, contribui para aumentar a coesão social e para a criação de um sentimento europeu de pertença e, por conseguinte, é um investimento fundamental no futuro da União; salienta que, embora o orçamento do Erasmus + seja relativamente pequeno, representando apenas 1,8% do atual QFP, este é um dos programas mais conhecidos da União; reitera que um aumento substancial do orçamento do programa Erasmus+ é fundamental para dar resposta à sua elevada procura, como demonstra o volume de candidaturas recebidas, o qual excede de longe o orçamento disponível; solicita, por conseguinte, um aumento de 10% do financiamento em todas as rubricas orçamentais relacionadas com o Erasmus + no projeto de orçamento para 2020, a fim de contrariar as baixas taxas de sucesso e dar a mais pessoas a oportunidade de beneficiar do programa; reitera o apoio do Parlamento a uma triplicação do orçamento para o programa Erasmus + no próximo quadro financeiro plurianual (QFP), bem como a sua intenção de defender esse aumento;

2. Opõe-se veementemente à proposta do Conselho para reduzir o financiamento do programa Europa Criativa, o que poria em causa o seu objetivo, que consiste em apoiar os setores cultural e criativo da União, promovendo, assim, o sentimento europeu de pertença, a coesão social, o emprego e o crescimento; insiste em que os níveis de financiamento devem corresponder às ambições do programa e recorda que este sofre de uma escassez crónica de financiamento; solicita, por conseguinte, e em oposição aos cortes, um aumento de 10% das rubricas orçamentais correspondentes ao programa Europa Criativa no projeto de orçamento para 2020, a fim de impulsionar os esforços destinados a reforçar os setores cultural e criativo; reitera o apoio do Parlamento a uma duplicação do orçamento do programa Europa Criativa no próximo QFP, bem como a sua intenção de defender esse aumento; insta a Comissão a continuar a apoiar a oferta multilíngue de programação televisiva cultural europeia de qualidade em toda a Europa através do programa Europa Criativa;

3. Reconhece que o acordo interinstitucional sobre o financiamento do Corpo Europeu de Solidariedade foi respeitado e que foi afetado um orçamento adequado ao funcionamento do programa; reconhece que a vertente do programa relativa ao voluntariado despertou um grande interesse por parte dos participantes e das organizações; 

4. Sublinha o valor do programa Europa para os Cidadãos para que os cidadãos europeus melhor compreendam a União e para se fomentar um sentimento de cidadania; lamenta, por conseguinte, os cortes orçamentais propostos pelo Conselho; solicita o restabelecimento e o reforço das rubricas orçamentais correspondentes, a fim de incentivar o empenho cívico e a participação democrática; salienta que o próximo programa Europa para os Cidadãos requer um financiamento adequado no próximo QFP para o período 2021-2027, embora no âmbito do programa Cidadãos, Igualdade, Direitos e Valores; considera que é necessário reforçar a educação em matéria de cidadania europeia e global, a fim de fornecer a informação necessária para compreender o quadro institucional da União e permitir uma participação ativa dos cidadãos para enfrentar os desafios mundiais e as mudanças sociopolíticas em curso a nível internacional;

5. Insta a Comissão a aproveitar a atenção suscitada pelo Ano Europeu do Património Cultural 2018 para construir uma estratégia coerente e sustentável a longo prazo para a promoção e salvaguarda do património cultural na Europa, incluindo através da investigação, e a atribuir os fundos necessários para o efeito em 2020 e nos anos seguintes; solicita, a este respeito, a disponibilização de fundos específicos através dos programas pertinentes do QFP;

6. Congratula-se com o apoio a projetos e infraestruturas relacionados com a cultura e a educação através de uma série de programas e instrumentos da União, nomeadamente os FEEI, o FEIE e o Horizonte 2020; insta uma vez mais a Comissão a promover sinergias coerentes entre os programas da União, nomeadamente o Horizonte 2020, o Mecanismo Interligar a Europa, o Erasmus+, o EaSI, o Europa Criativa e o COSME, o FEIE e os FEEI, a fim de reforçar o apoio a projetos nos domínios da educação, da juventude e do desporto, bem como nos setores cultural e criativo; insiste em que as sinergias não devem ser interpretadas como uma aprovação pelo Parlamento de quaisquer reafetações ou cortes orçamentais;

7. Insta a Comissão a ter igualmente em conta os territórios ultramarinos dos Estados‑Membros, onde residem mais de cinco milhões de cidadãos europeus, tendo em conta que a componente desportiva do programa Erasmus + foi bem sucedida; realça, neste contexto, a necessidade de rubricas orçamentais realistas e adaptadas para o capítulo relativo ao desporto do QFP 2021-2027, incluindo no que respeita a reuniões transnacionais no âmbito do programa Erasmus + no domínio do desporto.

8. Insta a Comissão a melhorar a sua comunicação externa e o contacto com os cidadãos, a fim de combater as notícias falsas e a desinformação e melhorar a informação sobre as atividades da União; salienta a importância das ações multimédia para promover uma esfera pública europeia comum e o multilinguismo; reconhece que as sociedades europeias necessitam de um jornalismo forte e independente que lhes forneça informações do ponto de vista europeu; insta, por conseguinte, a Comissão a assegurar e a aumentar o projeto de orçamento para 2020 relativo às ações multimédia; solicita, a este respeito, um aumento de 5 % na rubrica orçamental relativa às ações multimédia no projeto de orçamento para 2020, a fim de garantir o trabalho crucial da Euranet Plus para o resto do período de vigência do QFP; ao mesmo tempo, insta a Comissão a aumentar a transparência e a responsabilização na utilização do orçamento para ações multimédia, nomeadamente através da criação de rubricas orçamentais específicas relacionadas com as diferentes ações, bem como a proceder a uma revisão integral do orçamento utilizado para ações multimédia;

9. Está alarmado com as conclusões do exame rápido de casos do Tribunal de Contas Europeu sobre a Euronews, que salienta que 85 % da Euronews são atualmente detidos por investidores privados e apenas 15 % por empresas de radiodifusão da União e de países terceiros e pelas autoridades públicas locais, que o apoio financeiro da União à Euronews carece de transparência e de responsabilização, que os mecanismos de acompanhamento e avaliação não são suficientemente sólidos e a maioria dos cidadãos da União não tem acesso à Euronews; manifesta-se particularmente preocupado com a constatação de que, na sequência da revisão de 2018 do Regulamento Financeiro, que suprimiu a referência à noção de organismos que visam um fim de interesse geral da União, as subvenções são concedidas à Euronews ao abrigo do artigo 195.º, primeiro parágrafo, alíneas c) e f), do Regulamento Financeiro (organismos que se encontram em situação de monopólio de facto/com competência técnica específica) e não ao abrigo do artigo 180.º (ações destinadas a ajudar a atingir um objetivo político da União /organismos que têm um objetivo que se inscreve no quadro de uma política da União e que a apoia), o que significa que a Euronews já não prossegue um objetivo de interesse geral da União; tendo em conta o que precede, insta a Comissão a responder a todas as preocupações manifestadas pelo Tribunal de Contas no âmbito da monitorização dos fundos atribuídos à Euronews e a reavaliar a sua abordagem na cooperação com a Euronews; solicita, além disso, que a duração do contrato-quadro com a Euronews não exceda dois anos, caso seja prorrogado para além de 2020; incentiva, além disso, a Comissão a estudar novas formas de prestar informações independentes e completas sobre os assuntos da União aos telespetadores europeus, tendo em conta os novos desenvolvimentos tecnológicos e as alterações dos hábitos dos consumidores; insta, por conseguinte, a Comissão a investir numa combinação diversificada de instrumentos de informação que poderiam incluir a Euronews;

10. Chama a atenção para o potencial dos projetos-piloto e das ações preparatórias (PPAP); considera que a avaliação prévia dos PPAP pela Comissão concede um tempo muito limitado para que as comissões do Parlamento Europeu que emitem pareceres possam dar resposta às avaliações e aos comentários; lamenta, além disso, que, em determinadas situações, as avaliações e os comentários emitidos pela Comissão não sejam totalmente objetivos, parecendo ter sido influenciados por preferências institucionais ou pessoais; recorda que a não adoção de um PPAP na Comissão nunca pode ser motivo para atribuir uma nota de avaliação negativa; insta, por conseguinte, a Comissão a ponderar a revisão do seu procedimento de avaliação prévia, a fim de dar à comissão tempo suficiente para analisar os resultados da mesma; convida, além disso, a Comissão a fornecer informações sobre a aplicação dos PPAP das comissões, com especial destaque para os projetos bem-sucedidos e os projetos não selecionados.


INFORMAÇÕES SOBRE A APROVAÇÃO
NA COMISSÃO ENCARREGADA DE EMITIR PARECER

Data de aprovação

1.10.2019

 

 

 

Resultado da votação final

+:

–:

0:

25

4

1

Deputados presentes no momento da votação final

Asim Ademov, Isabella Adinolfi, Christine Anderson, Andrea Bocskor, Judith Bunting, Gianantonio Da Re, Laurence Farreng, Claire Fox, Romeo Franz, Catherine Griset, Irena Joveva, Petra Kammerevert, Niyazi Kizilyürek, Ryszard Antoni Legutko, Predrag Fred Matić, Dace Melbārde, Shaffaq Mohammed, Niklas Nienaß, Peter Pollák, Domènec Ruiz Devesa, Andrey Slabakov, Massimiliano Smeriglio, Michaela Šojdrová, Sabine Verheyen, Julie Ward, Salima Yenbou, Milan Zver

Suplentes presentes no momento da votação final

Isabel Benjumea Benjumea, Ibán García Del Blanco, Iuliu Winkler

 


VOTAÇÃO NOMINAL FINAL NA COMISSÃO ENCARREGADA DE EMITIR PARECER

25

+

ECR

Ryszard Antoni Legutko, Dace Melbārde, Andrey Slabakov

GUE/NGL

Niyazi Kizilyürek

NI

Isabella Adinolfi

PPE

Asim Ademov, Isabel Benjumea Benjumea, Andrea Bocskor, Peter Pollák, Michaela Šojdrová, Sabine Verheyen, Iuliu Winkler, Milan Zver

RENEW

Judith Bunting, Laurence Farreng, Irena Joveva, Shaffaq Mohammed

S&D

Ibán García Del Blanco, Petra Kammerevert, Predrag Fred Matić, Massimiliano Smeriglio, Julie Ward

Verts/ALE

Romeo Franz, Niklas Nienaß, Salima Yenbou

 

4

-

ID

Christine Anderson, Gianantonio Da Re, Catherine Griset

NI

Claire Fox

 

1

0

S&D

Domènec Ruiz Devesa

 

Legenda dos símbolos:

+ : votos a favor

- : votos contra

0 : abstenções

 

 

 

 


 

 

 

PARECER DA COMISSÃO DAS LIBERDADES CÍVICAS, DA JUSTIÇA E DOS ASSUNTOS INTERNOS (9.9.2019)

<CommissionInt>dirigido à Comissão dos Orçamentos</CommissionInt>


<Titre>sobre o projeto de orçamento geral da União Europeia para o exercício de 2020</Titre>

<DocRef>(2019/2028(BUD))</DocRef>

Relatora de parecer: <Depute>Gwendoline Delbos-Corfield</Depute>

 

 

 

SUGESTÕES

A Comissão das Liberdades Cívicas, da Justiça e dos Assuntos Internos insta a Comissão dos Orçamentos, competente quanto à matéria de fundo, a incorporar as seguintes sugestões na proposta de resolução que aprovar:

1. Toma nota da redução global de 15,4 % (menos 172 milhões de euros) das dotações de autorização do Fundo para o Asilo, a Migração e a Integração (FAMI) face a 2019; lamenta que as dotações de autorização destinadas a reforçar e desenvolver o Sistema Europeu Comum de Asilo (SECA) e a melhorar a partilha de responsabilidades entre os Estados-Membros tenham sofrido uma diminuição de 29,5 % comparativamente a 2019; reconhece, no entanto, que as dotações de autorização permanecem bastante acima do nível estabelecido no orçamento de 2018 e constata que a diminuição está, pelo menos em parte, relacionada com o facto de a reforma do Regulamento de Dublim ter sido bloqueada devido à inércia política no Conselho; recorda a importância de aplicar na União normas elevadas em matéria de asilo, bem como de fornecer uma capacidade financeira adequada para apoiar o acolhimento, o abrigo e a integração dos requerentes de asilo e dos migrantes nos Estados-Membros, estratégias eficazes de regresso, programas de reinstalação, a eficácia do exame dos pedidos de asilo, a execução das decisões em matéria de pedidos de asilo e a resposta às necessidades de ajuda de emergência dos Estados-Membros que acolhem um grande número de requerentes de asilo e/ou de recém-chegados; observa que o orçamento do FAMI não inclui reservas financeiras para financiar a legislação revista de Dublim e os novos regimes de reinstalação da União, caso sejam aprovados em 2020; propõe que se preveja na reserva um montante destinado a disposições temporárias para o desembarque na União e para a recolocação de pessoas socorridas no Mediterrâneo; sugere, a fim de libertar recursos financeiros, que o Fundo Fiduciário da UE para África e os programas regionais de desenvolvimento e proteção para o Norte de África, que apoiam em primeiro lugar as políticas externas da União, sejam financiados pela categoria IV (Europa global) e não pelo FAMI no âmbito da categoria III (Segurança e cidadania); recorda a necessidade de assegurar a coerência entre as ações empreendidas no âmbito da categoria III e da categoria IV;

2. Insta a Comissão a aumentar o número de rubricas orçamentais no âmbito do FAMI, a fim de facilitar uma maior transparência quanto à forma como os recursos financeiros do Fundo são afetados aos diversos objetivos; apela, em particular, à clara separação entre as despesas relativas ao reforço das estratégias de regresso equitativas e as despesas relativas à migração legal e à promoção da integração efetiva dos cidadãos de países terceiros;

3. Recorda a necessidade de afetar um montante adequado de recursos do orçamento da União para reforçar a dimensão externa da migração e garantir a proteção adequada das fronteiras externas da União;

4. Destaca o baixo montante destinado à ajuda de emergência no âmbito do FSI (8,5 milhões de euros); solicita à Comissão que reavalie este montante com atenção e de forma mais realista, tendo em conta as eventuais necessidades de ajuda de emergência dos Estados-Membros no âmbito do FSI, como a gestão de incidentes relacionados com a segurança;

5. Apela a um maior financiamento do programa «Europa para os Cidadãos», tendo em conta o papel fundamental que desempenha no reforço do «demos» europeu e da sua cidadania;

6. Toma nota dos aumentos das dotações de autorização das agências JAI, como o EASO (41,5 %), a Guarda Europeia de Fronteiras e Costeira (34,6 %), a CEPOL (14 %), o OEDT (7,7 %), a FRA (5,4 %), a Eurojust (5,2 %) e a Europol (2,1 %), em comparação com o orçamento de 2019; congratula-se com o aumento global dos fundos disponíveis através do programa «Justiça»; lamenta, contudo, a diminuição de 23,6 % das autorizações destinadas a facilitar e apoiar a cooperação judiciária em matéria civil e penal;

7. Observa que o orçamento da Guarda Europeia de Fronteiras e Costeira aumentou 34,8 % (mais 108 milhões de euros) em 2020 na sequência da adoção do novo mandato da Guarda Europeia de Fronteiras e Costeira, o que representa de longe o maior aumento entre todas as agências JAI; recorda que, no âmbito da quitação relativa ao orçamento de 2017, o Tribunal de Contas considerou que os Estados-Membros sobrestimaram as necessidades financeiras da Guarda Europeia de Fronteiras e Costeira em 2017; regista o objetivo de dotar a Guarda Europeia de Fronteiras e Costeira com mais recursos humanos (10 000 guardas de fronteira até 2027) e o facto de o número de mortes no mar continuar a aumentar devido à ausência de recursos para as atividades de busca e salvamento no Mediterrâneo; sugere que este aumento dos recursos também seja utilizado para salvar vidas no mar; insta a Comissão a criar urgentemente um fundo destinado a apoiar as operações de busca e salvamento, a fim de garantir uma forte presença no Mediterrâneo; lamenta a diferença notável entre as dotações de autorização atribuídas à Guarda Europeia de Fronteiras e Costeira (420 milhões de euros) em 2020 e o montante atribuído ao EASO (133 milhões de euros); solicita que o EASO seja transformado numa verdadeira agência descentralizada da União com um mandato consideravelmente reforçado e considera que o orçamento e o pessoal do EASO devem ser aumentados para que a Agência possa desempenhar corretamente as funções que lhe foram confiadas; toma nota da redução de 6,1% (menos 32,6 milhões de euros) das dotações de autorização do FSI comparativamente a 2019; recorda a necessidade de prestar apoio no domínio da cooperação policial e judiciária em matéria penal;

8. Congratula-se com o aumento de 70,5 % das dotações de autorização da Procuradoria Europeia; recorda o importante papel da Procuradoria Europeia em matéria de investigação e instauração de ações judiciais em casos de fraude relacionada com fundos da União, bem como a necessidade de lhe atribuir recursos financeiros suficientes para que esteja plenamente operacional antes de dezembro de 2020; solicita à Comissão que estude mais aprofundadamente as necessidades financeiras geradas pela expansão do papel da Procuradoria Europeia de modo a incluir o terrorismo transfronteiras, em consonância com a sua comunicação de 12 de setembro de 2018;

9. Lamenta que a Comissão não tenha respondido favoravelmente aos pedidos orçamentais da Europol e da Eurojust e que tenha proposto, para 2020, reduzir a dotação da Europol em 33,5 milhões de euros e a da Eurojust em 3,7 milhões de euros, em comparação com os seus objetivos financeiros; sublinha que essa diminuição poderá ter impacto nas atividades operacionais de ambas as agências; observa que o apoio da Europol tem sido crucial em investigações conjuntas em toda a União e que desempenha um papel fundamental na luta contra a criminalidade organizada; apoia a execução da Estratégia 2020+ da Europol, que visa reforçar o apoio operacional e as capacidades analíticas da Europol em benefício dos Estados-Membros, e propõe novos investimentos em grandes domínios da criminalidade, como a luta contra o tráfico de droga e a criminalidade financeira; observa que a diminuição das dotações de autorização da eu-LISA em 18,7 % (menos 55 milhões de euros) corresponde
à conclusão do desenvolvimento do Sistema de Entrada/Saída; reitera a necessidade de assegurar um apoio financeiro adequado às agências JAI, bem como os efetivos e a formação necessários, para que possam desempenhar as funções que lhes foram atribuídas com total transparência e lutar contra as formas graves de criminalidade transfronteiras, respeitando plenamente os direitos fundamentais;

10. Congratula-se com o montante de 19 milhões de euros atribuído à AEPD; observa que mais de 30 % deste montante são utilizados para assegurar o secretariado do CEPD; salienta a necessidade de assegurar recursos orçamentais e humanos suficientes para que a AEPD possa levar a cabo, com total independência, as tarefas adicionais decorrentes da aplicação do novo quadro de proteção de dados da União (RGPD); realça, por conseguinte, que o orçamento previsto representa o mínimo indispensável.

11. Manifesta a sua preocupação pelo facto de o projeto de orçamento da Comissão para a CEPOL (défice de financiamento de 1,5 milhões de euros) não permitir à CEPOL responder adequadamente às necessidades dos Estados-Membros em matéria de educação e formação para os serviços de aplicação da lei na União e respetiva vizinhança; lamenta que a CEPOL não disponha de financiamento suficiente para fazer face aos novos desafios ligados aos novos sistemas de informação, nomeadamente o SIS II, e que não possa ministrar formação aos agentes dos serviços repressivos em domínios como a corrupção e a fraude em matéria de impostos especiais de consumo, embora a avaliação das necessidades estratégicas de formação da UE tenha identificado que tal formação é necessária para fins de aplicação da lei a nível da União; sublinha que, devido a restrições orçamentais, a CEPOL teve de recusar 54 pedidos de formação válidos e legítimos dos Estados-Membros no domínio do desempenho de funções de liderança em matéria de repressão, imigração ilegal, crimes de ódio e branqueamento de capitais; defende que o pedido orçamental da CEPOL (12 milhões de euros) para 2020 é necessário para poder dar resposta ao aumento da procura por parte dos Estados‑Membros, em especial no domínio da cibercriminalidade e da digitalização; salienta que a confiança, as redes e o intercâmbio de informações entre os serviços de aplicação da lei além-fronteiras podem ser melhorados através do aditamento de um novo componente de um mês ao atual programa de intercâmbio da CEPOL e da proposta de visitas de estudo à Europol e de programas de intercâmbio entre os agentes operacionais dos Estados-Membros e o pessoal da Europol; para tal seria, contudo, necessário dotar a CEPOL de recursos financeiros e humanos suplementares adequados;

12. Regista o aumento do recrutamento de «agentes temporários» em comparação com «agentes contratuais» nas agências da União; considera que o caráter sensível da informação acessível ao pessoal das agências no âmbito da JAI exige uma política rigorosa de confidencialidade, nomeadamente ao nível da contratação e gestão do pessoal;

13. Exorta a Comissão a reforçar o apoio ao jornalismo de investigação, nomeadamente na sua vertente transfronteiriça, e à liberdade dos meios de comunicação social através de fundos específicos, que contribuem, inter alia, para a prevenção e a luta contra a criminalidade, assim como para a sensibilização dos cidadãos da União;

14. Recorda que apoia a luta contra as práticas discriminatórias, a violência baseada no género e os crimes de ódio e que é a favor dos programas que defendem o pleno exercício dos direitos, a igualdade e a justiça; salienta o importante papel desempenhado pelas dotações consagradas aos instrumentos de luta contra a discriminação e aos programas de apoio à igualdade, no sentido de fazer respeitar os direitos das minorias, com especial destaque para os direitos das mulheres, dos idosos, das pessoas com deficiência e das pessoas LGBTQI+;

15. Insta a Comissão, o Conselho e os Estados-Membros a aplicarem a orçamentação sensível ao género em todas as despesas públicas, especialmente no âmbito do planeamento, da negociação, da execução e da reavaliação do próximo quadro financeiro plurianual (QFP); o empenho em salvaguardar a promoção e a proteção da igualdade de género e dos direitos das mulheres e raparigas no processo orçamental de 2020 é fundamental; por conseguinte, a orçamentação sensível ao género deve ser integrada em todas as rubricas orçamentais e respeitar: 1) a promoção da responsabilização e da transparência no planeamento orçamental; 2) o aumento da participação sensível ao género no processo orçamental; e 3) a promoção da igualdade de género e dos direitos das mulheres;

16. Apela a que se reserve um financiamento sustentável e adequado para as ações em apoio da aplicação efetiva da Convenção de Istambul e da Diretiva relativa aos direitos das vítimas, que são elementos fundamentais da legislação em matéria de combate à violência contra as mulheres e à violência doméstica, bem como para a prestação de um apoio adequado às vítimas, a criação de um quadro jurídico abrangente e de uma abordagem para combater a violência baseada no género, a organização de campanhas de sensibilização e a criação de uma infraestrutura estatal adequada para combater este tipo de violência;

17. Lamenta que não se tenham registado progressos significativos em termos do acompanhamento dado aos compromissos políticos e jurídicos de alto nível da União a favor da igualdade de género e da integração da perspetiva de género no processo orçamental e nas decisões relativas às despesas desde 2015, como indica também o facto de a igualdade de género não ter sido considerada nem na revisão intercalar do QFP 2014-2020, nem na proposta da Comissão para o QFP 2021-2027.

 


INFORMAÇÕES SOBRE A APROVAÇÃO
NA COMISSÃO ENCARREGADA DE EMITIR PARECER

Data de aprovação

5.9.2019

 

 

 

Resultado da votação final

+:

–:

0:

46

10

4

Deputados presentes no momento da votação final

Malik Azmani, Katarina Barley, Pernando Barrena Arza, Pietro Bartolo, Vladimír Bilčík, Vasile Blaga, Saskia Bricmont, Jorge Buxadé Villalba, Damien Carême, Caterina Chinnici, Clare Daly, Anna Júlia Donáth, Lena Düpont, Cornelia Ernst, Sylvie Guillaume, Balázs Hidvéghi, Antony Hook, Evin Incir, Sophia in ‘t Veld, Marina Kaljurand, Fabienne Keller, Peter Kofod, Moritz Körner, Alice Kuhnke, Jeroen Lenaers, Juan Fernando López Aguilar, Magid Magid, Roberta Metsola, Claude Moraes, Nadine Morano, Javier Moreno Sánchez, Maite Pagazaurtundúa, Kostas Papadakis, Nicola Procaccini, Paulo Rangel, Terry Reintke, Ralf Seekatz, Michal Šimečka, Birgit Sippel, Sylwia Spurek, Tineke Strik, Ramona Strugariu, Annalisa Tardino, Dragoş Tudorache, Milan Uhrík, Tom Vandendriessche, Bettina Vollath, Jadwiga Wiśniewska, Javier Zarzalejos

Suplentes presentes no momento da votação final

Bartosz Arłukowicz, Gwendoline Delbos-Corfield, Claire Fox, Raphaël Glucksmann, Lívia Járóka, Kris Peeters, Anne-Sophie Pelletier, Sabrina Pignedoli, Loránt Vincze, Maria Walsh, Juan Ignacio Zoido Álvarez

 


 

VOTAÇÃO NOMINAL FINAL
NA COMISSÃO ENCARREGADA DE EMITIR PARECER

46

+

NI

Sabrina Pignedoli

PPE

Bartosz Arłukowicz, Vladimír Bilčík, Vasile Blaga, Lena Düpont, Balázs Hidvéghi, Lívia Járóka, Jeroen Lenaers, Roberta Metsola, Kris Peeters, Paulo Rangel, Ralf Seekatz, Loránt Vincze, Maria Walsh, Javier Zarzalejos, Juan Ignacio Zoido Álvarez

RENEW

Malik Azmani, Anna Júlia Donáth, Antony Hook, Sophia in 't Veld, Fabienne Keller, Moritz Körner, Maite Pagazaurtundúa, Michal Šimečka, Ramona Strugariu, Dragoş Tudorache

S&D

Katarina Barley, Pietro Bartolo, Caterina Chinnici, Raphaël Glucksmann, Sylvie Guillaume, Evin Incir, Marina Kaljurand, Juan Fernando López Aguilar, Claude Moraes, Javier Moreno Sánchez, Birgit Sippel, Sylwia Spurek, Bettina Vollath

VERTS/ALE

Saskia Bricmont, Damien Carême, Gwendoline Delbos-Corfield, Alice Kuhnke, Magid Magid, Terry Reintke, Tineke Strik

 

10

-

GUE/NGL

Pernando Barrena Arza, Clare Daly, Cornelia Ernst, Anne-Sophie Pelletier

ID

Peter Kofod, Annalisa Tardino, Tom Vandendriessche

NI

Claire Fox, Kostas Papadakis, Milan Uhrík

 

4

0

ECR

Jorge Buxadé Villalba, Nicola Procaccini, Jadwiga Wiśniewska

PPE

Nadine Morano

 

Legenda dos símbolos utilizados:

+ : votos a favor

- : votos contra

0 : abstenções

 

 

 

 


 

 

 

 

PARECER DA COMISSÃO DOS ASSUNTOS CONSTITUCIONAIS (4.9.2019)

<CommissionInt>dirigido à Comissão dos Orçamentos</CommissionInt>


<Titre>sobre o projeto de orçamento geral da União Europeia do exercício de 2020 </Titre>

<DocRef>(2019/2028(BUD))</DocRef>

Relator de parecer: <Depute>Antonio Tajani</Depute>

 

 

 

SUGESTÕES

A Comissão dos Assuntos Constitucionais insta a Comissão dos Orçamentos, competente quanto à matéria de fundo, a incorporar as seguintes sugestões na proposta de resolução que aprovar:

1. Congratula-se com a proposta de um aumento do financiamento das ações de comunicação de 1,9 % em autorizações e de 2,2 % em pagamentos relativamente ao orçamento de 2019; considera que se deve promover a comunicação com os cidadãos, a fim de assegurar um amplo debate público e a participação dos cidadãos no debate sobre o futuro da Europa; recorda as vantagens obtidas por consultas semelhantes já realizadas junto dos cidadãos em Estados-Membros da UE;

2. Congratula-se, por conseguinte, com o aumento proposto para o financiamento da comunicação das representações da Comissão, do diálogo com os cidadãos e das ações de parceria de 8,8 % em autorizações e de 7,9 % em pagamentos; lamenta, contudo, a posição do Conselho de reduzir o financiamento das ações de comunicação;

3. Salienta a necessidade de prosseguir os esforços para combater as notícias falsas e a desinformação, atribuindo níveis adequados de financiamento a estas atividades e garantindo, simultaneamente, uma cooperação interinstitucional adequada;

4. Congratula-se com o aumento proposto de 3,1 % em autorizações, mas lamenta a diminuição de 3,8 % em pagamentos para o programa «Europa para os Cidadãos» (rubrica orçamental: 18 04 01 01); condena a posição do Conselho de reduzir em 4,4 % as autorizações para este programa, tendo em conta a sua importância institucional para a promoção de uma União democrática; congratula-se com o aumento de 5,3 % em autorizações e de 21,3 % em pagamentos para o programa «Direitos, Igualdade e Cidadania» (rubrica orçamental: 33 02 01), mas lamenta a posição do Conselho de reduzir em 3,5 % as autorizações; congratula-se com o facto de ser atribuído um montante específico à rubrica orçamental relativa à Iniciativa de Cidadania Europeia (ICE);

5. Sublinha a necessidade de dotar o Secretariado Comum do Registo de Transparência dos meios administrativos e financeiros suficientes e adequados para levar a cabo as suas tarefas, uma vez que desempenha um papel fundamental enquanto garante da lealdade e da transparência nas atividades dos grupos de interesse;

6. Insta a Comissão a apresentar as propostas necessárias para o financiamento da conferência proposta sobre o futuro da Europa; sublinha que esta conferência deve funcionar com os níveis de autonomia necessários e que a participação do Parlamento Europeu deve ser em pé de igualdade com as outras instituições europeias; salienta, ademais, que a conferência deve assegurar a participação e o empenho de um grande número de cidadãos, nomeadamente dos jovens.

7. Considera que a União Europeia deve reforçar a confiança dos cidadãos no orçamento da UE e no seu valor acrescentado, bem como os conhecimentos que têm nesta matéria, mediante a disponibilização de uma análise orçamental relativa a cada novo programa e a cada nova tarefa em termos de economias realizadas a nível nacional e do valor acrescentado que é gerado a nível da UE; entende que, desde modo, podemos obter o apoio dos cidadãos da UE e dos Estados-Membros, mudar as mentalidades no que respeita às contribuições para o orçamento da UE e contribuir para dar continuidade ao projeto europeu.


INFORMAÇÕES SOBRE A APROVAÇÃO
NA COMISSÃO ENCARREGADA DE EMITIR PARECER

Data de aprovação

3.9.2019

 

 

 

Resultado da votação final

+:

–:

0:

21

3

0

Deputados presentes no momento da votação final

Martina Anderson, Gerolf Annemans, Catherine Bearder, Gabriele Bischoff, Damian Boeselager, Richard Corbett, Pascal Durand, Daniel Freund, Charles Goerens, Maria Grapini, Brice Hortefeux, Laura Huhtasaari, Giuliano Pisapia, Paulo Rangel, Antonio Maria Rinaldi, Domènec Ruiz Devesa, Antonio Tajani, László Trócsányi, Guy Verhofstadt, Loránt Vincze

Suplentes presentes no momento da votação final

Vladimír Bilčík, Gwendoline Delbos-Corfield, Othmar Karas, Miapetra Kumpula-Natri

 


VOTAÇÃO NOMINAL FINAL NA COMISSÃO ENCARREGADA DE EMITIR PARECER

21

+

GUE/NGL

Martina Anderson

PPE

Vladimír Bilčík, Brice Hortefeux, Othmar Karas, Paulo Rangel, Antonio Tajani, László Trócsányi, Loránt Vincze

RENEW

Catherine Bearder, Pascal Durand, Charles Goerens, Guy Verhofstadt

S&D

Gabriele Bischoff, Richard Corbett, Maria Grapini, Miapetra Kumpula Natri, Giuliano Pisapia, Domènec Ruiz Devesa

VERTS/ALE

Damian Boeselager, Gwendoline Delbos-Corfield, Daniel Freund

 

3

-

ID

Gerolf Annemans, Laura Huhtasaari, Antonio Maria Rinaldi

 

0

0

 

 

 

Legenda dos símbolos:

+ : votos a favor

- : votos contra

0 : abstenções

 


 

 

 

PARECER DA COMISSÃO DOS DIREITOS DA MULHER E DA IGUALDADE DOS GÉNEROS (2.10.2019)

<CommissionInt>dirigido à Comissão dos Orçamentos</CommissionInt>


<Titre>sobre o projeto de orçamento geral da União Europeia para o exercício de 2020 </Titre>

<DocRef>(2019/2028(BUD))</DocRef>

Relatora de parecer: <Depute>Frances Fitzgerald</Depute>

 

 

 

SUGESTÕES

A Comissão dos Direitos da Mulher e da Igualdade dos Géneros insta a Comissão dos Orçamentos, competente quanto à matéria de fundo, a incorporar as seguintes sugestões na proposta de resolução que aprovar:

A. Considerando que a União se funda, inter alia, no valor da igualdade entre homens e mulheres e que o artigo 8.º do Tratado sobre o Funcionamento da União Europeia estabelece que, na realização de todas as suas ações, a União terá por objetivo eliminar as desigualdades e promover a igualdade entre homens e mulheres, exigindo, por conseguinte, que a igualdade de género seja incorporada em todas as políticas e tida em conta a todos os níveis do processo orçamental, através da integração da perspetiva de género e da orçamentação sensível ao género; que a garantia de coerência entre os seus procedimentos internos em matéria de orçamento e quitação e as suas ações externas no domínio da promoção da igualdade de género é essencial para a credibilidade do Parlamento e das outras instituições da União;

B. Considerando que os orçamentos não são neutros do ponto de vista do género e, por conseguinte, devem ser estabelecidos com o objetivo claro de combater a discriminação e beneficiar de forma equitativa ambos os géneros; 

C. Considerando que a União se comprometeu a implementar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, nomeadamente o Objetivo 5 relativo à igualdade de género;

D. Considerando que o Parlamento Europeu apelou reiteradamente à atribuição de financiamento suficiente ao Programa Direitos, Igualdade e Cidadania e à manutenção de um perfil tão elevado quanto possível do objetivo deste programa especificamente relacionado com o Programa Daphne; que o Parlamento Europeu solicitou a prossecução de todas as ações relacionadas com o combate à violência contra as mulheres, mediante uma dotação orçamental independente consagrada a esse objetivo também no Programa Direitos e Valores para o quadro financeiro plurianual (QFP) 2021-2027;

E. Considerando que as mulheres continuam a estar sub-representadas no mercado de trabalho, bem como na vida pública e política, e dedicam um tempo desproporcionadamente maior do que os homens a atividades não remuneradas como o trabalho doméstico e a prestação de cuidados;

F. Considerando que a proposta de projeto de orçamento geral da União Europeia para o exercício de 2020 visa manter o apoio ao investimento estratégico e ao crescimento sustentável, a fim de melhorar a coesão económica e a criação de emprego, em particular para os jovens, os idosos e os portadores de deficiência; que, neste contexto, é também importante prestar uma atenção especial ao aumento da participação das mulheres, incluindo das LGBTI, no mercado de trabalho, nomeadamente através do investimento em infraestruturas e serviços públicos para apoiar o equilíbrio entre vida profissional e a vida familiar, e ao reforço do seu potencial em todos os setores da economia, nomeadamente da economia digital, das tecnologias da informação e da comunicação (TIC), e da ciência, tecnologia, engenharia e matemática (CTEM), bem como em posições de liderança, e à redução da disparidade de género nos domínios do emprego e da remuneração;

G. Considerando que a digitalização tem um impacto substancial no mercado de trabalho, nomeadamente através da criação de novas oportunidades de emprego e de condições de trabalho mais flexíveis, como o teletrabalho, que podem servir de instrumento para uma melhor conciliação entre a vida profissional e as tarefas domésticas tanto para as mulheres como para os homens;

H. Considerando que a igualdade de género é um objetivo central da União, mas continua gravemente subfinanciado; que, em 2019, o Instituto Europeu para a Igualdade de Género observou que apenas 1 % dos Fundos Estruturais e de Investimento da União foram reservados para a promoção da igualdade de género no orçamento da União para 2020; que, no entanto, a desigualdade e a discriminação de género têm um custo económico enorme tanto para as mulheres como para a sociedade; que o Banco Mundial calcula que se perdem cerca de 145 biliões de euros em capital humano devido às desigualdades salariais entre homens e mulheres; que, segundo a ONU Mulheres de 2016, só em Inglaterra e no País de Gales, a violência doméstica custa cerca de 33 mil milhões de dólares por ano;

1. Reitera o seu enérgico pedido no sentido de que a igualdade entre mulheres e homens seja promovida, apoiando a integração da igualdade de género e a orçamentação sensível ao género a todos os níveis no processo orçamental, inclusive aquando da finalização das negociações do próximo QFP, e de que as despesas orçamentais sejam utilizadas como um instrumento eficaz para combater as desigualdades existentes e promover a igualdade de género, incluindo dos homens e das mulheres LGBTI; recorda que a orçamentação sensível ao género é uma metodologia que tem de ser aplicada a todas as rubricas orçamentais da União; salienta a importância de aumentar os recursos consagrados à igualdade de género para que sejam alcançados progressos substanciais, bem como a necessidade de uma melhor canalização e monitorização do financiamento da União neste domínio, em especial no caso dos Estados-Membros que violam o Estado de direito e onde se assiste a um retrocesso nos direitos das mulheres;

2. Salienta que a orçamentação sensível ao género deve passar a fazer parte integrante do processo orçamental em todas as rubricas orçamentais, e não apenas dos programas em que o impacto de género é mais evidente, permitindo assim que a despesa orçamental se converta num instrumento eficaz de promoção da igualdade de género;

3. Recorda que a orçamentação sensível ao género constitui uma das dimensões de uma estratégia mais ampla de integração da perspetiva de género e salienta a importância da aplicação da integração da perspetiva de género em todas as fases do ciclo político;

4. Recorda que um dos requisitos para aplicar a orçamentação sensível ao género é prever rubricas orçamentais independentes para ações específicas ligadas a objetivos em matéria de igualdade de género; reitera, por conseguinte, o seu pedido de afetação de uma outra rubrica orçamental independente ao objetivo do Programa Direitos, Igualdade e Cidadania destinado a promover a igualdade de género e a integração da perspetiva de género;

5. Lamenta a tendência dos últimos anos para reduzir os fundos da União para o combate todas as formas de violência contra as mulheres e as raparigas, reitera o seu pedido no sentido de que sejam aumentados os recursos consagrados ao objetivo especificamente relacionado com o Programa Daphne do atual Programa Direitos, Igualdade e Cidadania e solicita que esse aumento seja mantido no Programa Direitos e Valores; apela à disponibilização de financiamento adequado para ações destinadas a combater a violência contra as mulheres e as raparigas, incluindo a mutilação genital feminina, e o tráfico de seres humanos, em particular para fins de exploração sexual, no quadro da aplicação efetiva da Convenção do Conselho da Europa para a Prevenção e o Combate à Violência Contra as Mulheres e a Violência Doméstica; solicita à Comissão que apoie programas e medidas que combatam especificamente o assédio, incluindo o de cariz sexual;

6. Solicita aos Estados-Membros que ratifiquem sem demora a Convenção de Istambul para a Prevenção e o Combate à Violência Contra as Mulheres e a Violência Doméstica, tendo particularmente em conta o papel desta na proteção das mulheres e das raparigas contra a violência e o consequente impacto económico nas vítimas e nas sociedades; solicita que os fundos pertinentes da União sejam utilizados para prestar assistência nos preparativos para a aplicação da Convenção de Istambul nos Estados-Membros e na prossecução dos esforços nesse sentido;

7. Salienta a necessidade de prosseguir todas as ações centradas na prevenção e no combate a todas as formas de violência contra as mulheres no âmbito do programa que irá substituir o Programa Direitos, Igualdade e Cidadania no próximo período do QFP, mediante uma dotação orçamental independente para o combate à violência de género contra as mulheres e uma atenção específica ao combate ao tráfico de seres humanos e à exploração sexual, bem como à cultura da honra e à violência em nome da honra;

8. Salienta a necessidade de financiamento específico para apoiar as mulheres e as raparigas mais vulneráveis da nossa sociedade, em especial as mulheres com deficiência, as mulheres refugiadas e as vítimas de tráfico e de abusos; apoia, neste contexto, o aumento das dotações de autorização e de pagamento das duas vertentes do Programa Direitos, Igualdade e Cidadania;

9. Salienta a necessidade de reforçar as dotações orçamentais que apoiam o acesso das mulheres à saúde e aos direitos sexuais e reprodutivos, tanto no interior como no exterior da União, uma vez que este acesso está cada vez mais ameaçado;

10. Insta a União a apoiar as organizações e os ativistas dos direitos das mulheres e o seu trabalho, bem como a aumentar a sua representação nos processos de tomada de decisão europeus;

11. Reitera o seu pedido de aumento dos recursos no âmbito dos fundos estruturais da União para defender os direitos económicos e sociais das mulheres, nomeadamente através de medidas destinadas a aumentar a participação das mulheres no mercado de trabalho e o investimento em serviços públicos de prestação de cuidados de elevada qualidade;

12. Salienta a importância de utilizar os Fundos Europeus Estruturais e de Investimento, designadamente o Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional (FEDER) e o Fundo Social Europeu (FSE), para promover o emprego das mulheres, nomeadamente através do financiamento de estruturas de prestação de cuidados de elevada qualidade e a preços acessíveis;

13. Solicita a atribuição de dotações orçamentais destinadas a apoiar o empreendedorismo das mulheres e a sua independência económica, bem como a garantir e incentivar o acesso das mulheres a formação profissional especializada, empréstimos com custos razoáveis e financiamento por capitais próprios através de programas e fundos da União, como o COSME, o Horizonte 2020 e o FSE, a fim de maximizar a participação das mulheres no mercado de trabalho, em particular as mães sós, as cuidadoras e as mulheres que regressam ao mercado de trabalho após um longo período de interrupção, a fim de aumentar a sua empregabilidade; no que se refere a esses fundos, que devem contar com recursos suficientes, apela a que seja apoiada a promoção da igualdade de género através da educação e dos cuidados de saúde, assim como uma maior integração da perspetiva de género e o objetivo de alcançar a igualdade de género através de cada programa;

14. Observa com preocupação o baixo número de raparigas que estudam disciplinas relacionadas com as TIC e reitera a necessidade de repor o orçamento proposto pela Comissão nesse domínio; acrescenta que, a fim de colmatar o fosso digital entre os géneros, é necessário um financiamento adequado para melhorar a educação, apoiar as empresárias no setor digital e aumentar as campanhas de sensibilização;

15. Salienta a necessidade de colmatar o fosso digital entre mulheres e homens, que conduz a disparidades significativas no mercado de trabalho, afetando recursos à educação e à formação, bem como ao apoio às trabalhadoras independentes;

16. Destaca a necessidade de afetar recursos para incentivar o interesse das mulheres na economia digital e em setores como as TIC e a CTEM, e de as apoiar neste contexto;

17. Salienta a importância de prever um financiamento adequado para a Iniciativa para o Emprego dos Jovens (IEJ), a fim de combater as taxas de desemprego dos jovens, que são particularmente elevadas; solicita que seja garantida a igualdade de participação das jovens nas medidas abrangidas por essa iniciativa e que seja prestada especial atenção à qualidade das ofertas de formação e emprego que lhes são apresentadas, em particular nos setores da economia digital, das TIC e das CTEM, em que as mulheres se encontram consideravelmente sub-representadas, quer a nível da educação e formação, quer a nível do emprego, o que conduz a um fosso digital entre mulheres e homens; entende que medidas como a IEJ devem contribuir não apenas para ajudar os jovens a entrar para o mercado de trabalho, mas também para promover emprego de qualidade; afirma que deve também ser prestada especial atenção ao financiamento de formação de qualidade sobre questões como o sexismo, o assédio sexual, o assédio moral e o discurso de ódio, fomentando a participação equitativa de raparigas e mulheres jovens, assim como de rapazes e homens jovens;

18. Recorda que uma parte muito significativa dos refugiados e requerentes de asilo que entram na União são mulheres e crianças; salienta que a integração da perspetiva de género se encontra igualmente entre os princípios fundadores do Fundo para o Asilo, a Migração e a Integração, e reitera o seu apelo a que a dimensão de género também seja tida em conta nas políticas de migração e asilo, através da afetação de fundos especificamente destinados a prevenir a violência baseada no género e a garantir o acesso aos direitos e serviços de saúde e de saúde reprodutiva;

19. Realça que é essencial assegurar um orçamento adequado para o desenvolvimento humano com vista à concretização da Agenda 2030 e dos ODS, nomeadamente do ODS 5; relembra o compromisso da União de investir 20 % da ajuda pública ao desenvolvimento no desenvolvimento humano e solicita que sejam afetadas dotações adequadas a este domínio com vista a apoiar medidas e projetos destinados a erradicar a pobreza feminina e infantil, promover uma melhor integração no mercado de trabalho,  eliminar as desigualdades salariais entre homens e mulheres, combater a violência contra as mulheres, as crianças e os jovens e melhorar o acesso à saúde e a prestação de cuidados de saúde, incluindo a saúde e os direitos sexuais e reprodutivos, a educação, a igualdade de género e a proteção social no âmbito do programa Bens Públicos e Desafios Globais;

20. Solicita que o orçamento destinado ao combate à mutilação genital feminina continue a ser atribuído através dos programas de ação externa, incluindo o Instrumento de Cooperação para o Desenvolvimento;

21. Salienta que, na última década, com a eclosão da crise económico-financeira, se agravaram as desigualdades económicas, sociais, do mercado de trabalho e de género no interior dos Estados-Membros e entre eles; relembra o importante papel desempenhado pelo Instituto Europeu para a Igualdade de Género na sensibilização para a dimensão e as causas da desigualdade de género na UE e solicita que o seu orçamento, o seu organigrama e a sua independência sejam dotados de meios adequados para garantir o seu bom funcionamento e a execução dos seus projetos ambiciosos; solicita igualmente o aumento da dotação orçamental da rubrica "Promoção da não discriminação e da igualdade".

22. Regista que o Instituto Europeu para a Igualdade de Género assinalou em 2019 que a integração da perspetiva de género é «tratada como um tema que tem pouco impacto no conteúdo real dos programas de financiamento»; apela, por conseguinte, à adoção de medidas sólidas e abrangentes para melhorar a integração das questões de género, incluindo a atribuição de uma ênfase renovada à promoção da prestação de contas e da transparência no planeamento orçamental e o aumento da participação sensível ao género no processo orçamental;

23. Recomenda, em particular, o reforço das verbas destinadas a promover a proteção da maternidade, da parentalidade e da primeira infância através dos programas adequados; solicita, nesse sentido, que seja conferida uma especial importância à saúde materno-infantil no orçamento da UE para 2020; recomenda igualmente que sejam garantidos fundos para a defesa, a promoção e o apoio da amamentação, contribuindo assim para o cumprimento do objetivo definido pela Organização Mundial de Saúde de que, até 2025, a taxa mundial de aleitamento materno exclusivo nos primeiros seis meses de vida do bebé seja de, pelo menos, 50%, objetivo esse que exige, entre outras medidas, a adequação da duração e remuneração das licenças de maternidade e paternidade;

24. Solicita que as dotações orçamentais visem as necessidades específicas dos diferentes grupos de mulheres que enfrentam um leque diversificado de desafios económicos, incluindo, mas não apenas, a pobreza das raparigas, a precariedade económica das pensionistas sós e a disparidade de pensões entre homens e mulheres, as obrigações de prestação de cuidados não remuneradas e a pobreza das mães e das prestadoras de cuidados, bem como a exclusão socioeconómica e a discriminação laboral das mulheres negras, asiáticas e de minorias étnicas.


INFORMAÇÕES SOBRE A APROVAÇÃO
NA COMISSÃO ENCARREGADA DE EMITIR PARECER

Data de aprovação

30.9.2019

 

 

 

Resultado da votação final

+:

–:

0:

19

5

1

Deputados presentes no momento da votação final

Christine Anderson, Annika Bruna, Belinda De Lucy, Frances Fitzgerald, Jackie Jones, Sandra Pereira, Pina Picierno, Samira Rafaela, Elżbieta Rafalska, Evelyn Regner, María Soraya Rodríguez Ramos, Christine Schneider, Elissavet Vozemberg-Vrionidi

Suplentes presentes no momento da votação final

Isabella Adinolfi, Lena Düpont, Lina Gálvez Muñoz, Marina Kaljurand, Elena Kountoura, Alessandra Moretti, Alexandra Louise Rosenfield Phillips, Pernille Weiss

Suplentes (art. 209.º, n.º 7) presentes no momento da votação final

Mazaly Aguilar, Enikő Győri, Pär Holmgren, Kathleen Van Brempt

 


 

VOTAÇÃO NOMINAL FINAL
NA COMISSÃO ENCARREGADA DE EMITIR PARECER

19

+

PPE

Lena Düpont, Frances Fitzgerald, Christine Schneider, Pernille Weiss, Elissavet Vozemberg-Vrionidi

S&D

Lina Gálvez Muñoz, Jackie Jones, Marina Kaljurand, Alessandra Moretti, Pina Picierno, Evelyn Regner, Kathleen Van Brempt

RE

Samira Rafaela, María Soraya Rodríguez Ramos

GREENS/EFA

Pär Holmgren, Alexandra Louise Rosenfield Phillip

GUE/NGL

Elena Kountoura, Sandra Pereira

NI

Isabella Adinolfi

 

5

-

ID

Christine Anderson, Annika Bruna

ECR

Mazaly Aguilar, Elżbieta Rafalska

NI

Belinda De Lucy

 

1

0

PPE

Enikő Győri

 

Legenda dos símbolos utilizados:

+ : votos a favor

- : votos contra

0 : abstenções


CARTA DA COMISSÃO DO COMÉRCIO INTERNACIONAL

Exmo. Senhor Johan Van Overtveldt

Presidente

Comissão dos Orçamentos

BRUXELAS

Assunto: <Titre>Parecer sobre o orçamento geral da União Europeia para o exercício de 2020 - todas as secções</Titre> <DocRef>COM(2019)0400 – C9‑0000/2019 – 2019/2028(BUD) </DocRef>

Senhor Presidente,

No âmbito do processo em epígrafe, a Comissão do Comércio Internacional decidiu submeter um parecer à comissão a que V. Ex.ª preside. Na sua reunião de 24 de setembro de 2019, a comissão decidiu enviar o parecer sob a forma de carta.

Nessa reunião, a Comissão do Comércio Internacional apreciou o assunto e decidiu instar a Comissão dos Orçamentos, competente quanto à matéria de fundo, a incorporar as seguintes sugestões na proposta de resolução que aprovar.

 

Com os melhores cumprimentos,

Bernd Lange


SUGESTÕES

1. Observa que a agenda comercial ambiciosa da União exige recursos suficientes para a sua execução; salienta, por conseguinte, que a DG Comércio deve receber um financiamento adequado para assegurar uma negociação e celebração rápidas de acordos comerciais e um acompanhamento adequado da execução dos acordos comerciais celebrados e da legislação comercial, garantindo simultaneamente um financiamento suficiente para permitir ao novo Responsável Principal no domínio do Comércio desempenhar esta nova função de forma eficaz; apoia a atribuição à DG Comércio da dotação orçamental necessária para a execução do regulamento relativo à análise do investimento direto estrangeiro, a partir da sua entrada em vigor em outubro de 2020;

 

2. Salienta que, embora promova principalmente um crescimento económico mutuamente benéfico e o desenvolvimento sustentável, nomeadamente garantindo um melhor acesso ao mercado e a criação de regras internacionais em matéria de investimento, a política comercial é um instrumento fundamental para a política externa da União, que pode contribuir para promover os valores da UE a nível internacional, em particular o respeito dos direitos humanos, a igualdade de género, a proteção do clima, o Estado de direito e a aplicação das normas laborais internacionais, e pode ajudar a garantir a consecução dos ODS à escala mundial, incentivando simultaneamente os nossos parceiros comerciais a colocar os direitos sociais e a sustentabilidade no centro das suas políticas económicas; insta, por conseguinte, a que sejam disponibilizados fundos suficientes para assegurar um acompanhamento e avaliações intercalares e ex post adequados, com dados desagregados por género, bem como para assegurar o respeito dos compromissos assumidos por países terceiros;

 

3. Sublinha que a aceitação da política comercial da UE exige uma relação ativa com os seus intervenientes e a sociedade civil; salienta, por conseguinte, que devem ser disponibilizados mais recursos para ações de sensibilização sobre a política comercial, diálogos com os cidadãos, serviços de apoio e assistência às PME e aos consumidores, assim como aos grupos consultivos nacionais, que são os principais veículos para conseguir uma participação efetiva da sociedade civil na aplicação e no acompanhamento dos capítulos relativos à sustentabilidade do comércio dos acordos comerciais, que são uma parte essencial da arquitetura comercial;

 

4. Solicita uma plena utilização dos fundos disponíveis para apoiar a internacionalização das PME, dando especial atenção aos Estados-Membros atualmente mais atrasados neste domínio, e permitir a sua participação na tomada de decisões em matéria de política comercial;

 

5. Sublinha o papel vital desempenhado pelos parlamentos nos debates sobre a política comercial mundial; observa que a Conferência Parlamentar da OMC é um instrumento valioso neste contexto, que requer um financiamento adequado para realizar o seu potencial; salienta, por conseguinte, que, tal como em 2019, devem ser disponibilizados recursos suficientes para permitir a participação do PE no fórum e proporcionar uma infraestrutura adequada para as atividades da conferência.

 

 

 

 

 

INFORMAÇÕES SOBRE A APROVAÇÃO NA COMISSÃO COMPETENTE QUANTO À MATÉRIA DE FUNDO

Data de aprovação

14.10.2019

 

 

 

Resultado da votação final

+:

–:

0:

26

8

0

Deputados presentes no momento da votação final

Rasmus Andresen, Clotilde Armand, Anna Bonfrisco, Jonathan Bullock, Olivier Chastel, Lefteris Christoforou, David Cormand, José Manuel Fernandes, Eider Gardiazabal Rubial, Valentino Grant, Valerie Hayer, Monika Hohlmeier, John Howarth, Moritz Körner, Joachim Kuhs, Zbigniew Kuźmiuk, Ioannis Lagos, Hélène Laporte, Pierre Larrouturou, Janusz Lewandowski, Margarida Marques, Jan Olbrycht, Henrik Overgaard Nielsen, Karlo Ressler, Nils Torvalds, Nils Ušakovs

Suplentes presentes no momento da votação final

Eero Heinäluoma, Fabienne Keller, Aušra Maldeikienė, Jake Pugh

Suplentes (art. 209.º, n.º 7) presentes no momento da votação final

Agnes Jongerius, Anne-Sophie Pelletier, Viola Von Cramon-Taubadel, Javier Zarzalejos

 


VOTAÇÃO NOMINAL FINAL NA COMISSÃO COMPETENTE QUANTO À MATÉRIA DE FUNDO

26

+

ECR

Zbigniew Kuźmiuk

NI

Ioannis Lagos

PPE

Lefteris Christoforou, José Manuel Fernandes, Monika Hohlmeier, Janusz Lewandowski, Ausra Maldeikiene, Jan Olbrycht, Karlo Ressler, Javier Zarzalejos

RENEW

Clotilde Armand, Olivier Chastel, Valerie Hayer, Fabienne Keller, Moritz Körner, Nils Torvalds

S&D

Eider Gardiazabal Rubial, Eero Heinäluoma, John Howarth, Agnes Jongerius, Pierre Larrouturou, Margarida Marques, Nils Ušakovs

VERTS/ALE

Rasmus Andresen, David Cormand, Viola Von Cramon-Taubadel

 

8

-

GUE/NGL

Anne-Sophie Pelletier

ID

Anna Bonfrisco, Valentino Grant, Joachim Kuhs, Hélène Laporte

NI

Jonathan Bullock, Henrik Overgaard Nielsen, Jake Pugh

 

0

0

 

 

 

Legenda dos símbolos utilizados:

+ : votos a favor

- : votos contra

0 : abstenções

 

[1] JO L 168 de 7.6.2014, p. 105.

[2]  JO L 193 de 30.7.2018, p. 1.

[3]  JO L 347 de 20.12.2013, p. 884.

[4]  JO C 373 de 20.12.2013, p. 1.

[5] Textos Aprovados desta data, P8_TA(2019)0210.

[6] Textos Aprovados desta data, P8_TA(2019)0326.

[7] Regulamento (CE) n.º 604/2013 do Parlamento Europeu e do Conselho, de 26 de junho de 2013, que estabelece os critérios e mecanismos de determinação do Estado-Membro responsável pela análise de um pedido de proteção internacional apresentado num dos Estados-Membros por um nacional de um país terceiro ou por um apátrida (JO L 180 de 29.6.2013, p. 31).

[8] Textos Aprovados, P8_TA(2017)0417.

[9]  Regulamento (UE) 2017/1953 do Parlamento Europeu e do Conselho, de 25 de outubro de 2017, que altera os Regulamentos (UE) n.º 1316/2013 e (UE) n.º 283/2014 no que se refere à promoção de conectividade à Internet em comunidades locais (JO L 286 de 1.11.2017, p. 1).

[10] Resolução legislativa do Parlamento Europeu, de 18 de abril de 2019, sobre a proposta de regulamento do Parlamento Europeu e do Conselho que cria o Programa InvestEU  (COM(2018)0439 – C8-0257/2018 – 2018/0229(COD)).

[11] Tribunal de Contas Europeu – apresentação da auditoria «Roads connecting European regions» (Estradas que ligam regiões da Europa) p. 9 - https://www.eca.europa.eu/Lists/ECADocuments/AP19_08/AP_CONNECTING_ROADS_EN.pdf

[12] Comprehensive analysis of the existing cross-border rail transport connections and missing links on the internal EU borders (https://ec.europa.eu/regional_policy/sources/docgener/studies/pdf/cb_rail_connections_en.pdf)

[13] Diretiva (UE) 2016/802 do Parlamento Europeu e do Conselho, de 11 de maio de 2016, relativa à redução do teor de enxofre de determinados combustíveis líquidos (JO L 132 de 21.5.2016, p. 58).

 [14] Study on Sustainable Transport Infrastructure Charging and Internalisation of Transport Externalities (https://ec.europa.eu/transport/themes/sustainable-transport/internalisation-transport-external-costs_en).

[15] Regulamento (UE) n.º 1308/2013 do Parlamento Europeu e do Conselho, de 17 de dezembro de 2013, que estabelece uma organização comum dos mercados dos produtos agrícolas e revoga os Regulamentos (CEE) n.º 922/72, (CEE) n.º 234/79, (CE) n.º 1037/2001 e (CE) n.º 1234/2007 do Conselho (JO L 347 de 20.12.2013, p. 671).

Última actualização: 21 de Outubro de 2019Advertência jurídica