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Direitos humanos em foco: Prémio Sakharov 2010

Finalistas do Prémio Sakharov 2010 para a Liberdade de Pensamento

 
 
Os três finalistas do Prémio Sakharov 2010 (Guillermo Fariñas photo ©BELGA_EPA_ALEJANDRO ERNESTO)   Os três finalistas do Prémio Sakharov 2010 (Guillermo Fariñas photo ©BELGA_EPA_ALEJANDRO ERNESTO)

A ONG israelita Breaking the Silence, o dissidente cubano Guillermo Fariñas e o político etíope Birtukan Mideksa são os três finalistas do Prémio Sakharov 2010, seleccionados no dia 18 de Outubro pelas comissões parlamentares dos Assuntos Externos e do Desenvolvimento. No dia 21 de Outubro os líderes dos grupos políticos do Parlamento Europeu irão decidir quem será o laureado do Prémio Sakharov de 2010 para a Liberdade de Pensamento, atribuído anualmente pelo Parlamento Europeu.


Os três finalistas, por ordem alfabética:


Birtukan Mideksa

Nascida em 1975, esta política etíope e ex-juíza é a líder do partido da oposição Unidade para a Democracia e a Justiça. Detida e condenada a prisão perpétua em Dezembro de 2008, depois de ter falado com jornalistas suecos sobre a forma como os líderes da oposição eram libertados no seu país. Mideksa admitiu abertamente a sua "luta pacífica por mais democracia, respeito pelos direitos humanos e legalidade" na Etiópia. Mideksa foi libertada no início de Outubro, depois de praticamente dois anos de reclusão. "O Prémio Sakharov deve ser atribuído aos que necessitam de visibilidade e protecção internacional. Birtukan Mideksa necessita de ambas. Ao atribuir o Prémio Sakharov a Birtukan Mideksa, em nome de todos os prisioneiros políticos da Etiópia, o Parlamento Europeu estaria a chamar a atenção para esta jovem mãe, uma das poucas mulheres líderes partidárias em África. Seria também uma forma de garantir visibilidade à luta de milhares de prisioneiros políticos esquecidos que lutam pela justiça, pela legalidade e pela democracia na Etiópia", declarou o eurodeputado romeno Adrian Severin (Grupo da Aliança Progressista dos Socialistas e Democratas).


Guillermo Fariñas

Com 48 anos, foi seleccionado em nome de todos os que lutam pela liberdade e pelos direitos humanos em Cuba. Psicólogo, jornalista independente e dissidente político, Fariñas passou 11 anos e meio na prisão e já fez em 23 greves de fome ao longo dos anos como forma de protesto contra o regime cubano, a censura e as violações dos direitos humanos. "Uma forma de defender todos os seus compatriotas", afirmou o eurodeputado espanhol José Ignacio Salafranca (Grupo do Partido Popular Europeu), a propósito da sua nomeação para o Prémio Sakharov 2010. Em Julho, Fariñas terminou uma greve de fome de 4 meses, na qual reclamava a libertação dos activistas da oposição detidos e em más condições de saúde. Os médicos referem que Guillermo Fariñas esteve muito próximo da morte. Defensor da não-violência, Guillermo Fariñas "é um símbolo de esperança para dezenas de jornalistas e activistas que se encontram actualmente detidos", referiram os eurodeputados que o nomearam para o Prémio. "Ao defender a dignidade e a democracia no seu país, Fariñas é o candidato ideal para o Prémio Sakharov", acrescentaram. Em 2006 Guillermo Fariñas foi galardoado com o Prémio de Ciber-Liberdade dos Repórteres sem Fronteiras.


Romper o silêncio (Breaking the Silence)

Esta Organização Não Governamental criada em 2004 por soldados e veteranos das forças armadas israelitas dedica-se a recolher e divulgar experiências sobre o serviço militar, e a promover o debate sobre o impacto da ocupação prolongada, tanto para a população palestiniana como para a sociedade israelita. A missão desta ONG é a de "romper o silêncio" dos soldados das forças armadas israelitas que regressam à vida civil. Publica relatórios escritos e videográficos no seu sítio da Internet, e os seus membros já participaram em viagens de divulgação em Israel, na Europa Ocidental e nos Estados Unidos da América. O governo israelita já protestou contra o financiamento da Organização por parte de governos estrangeiros. "Se escolhermos a Organização 'Romper o silêncio' estamos a votar pela paz, a honrar a democracia israelita e a demonstrar que estamos a favor de dois Estados: o Estado da Palestina e o Estado de Israel", afirmou o eurodeputado francês Daniel Cohn-Bendit (Verdes/ALE).

 
 
 
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