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Direitos humanos em foco: Prémio Sakharov 2010

Guillermo Fariñas: Prémio Sakharov 2010 para a Liberdade de Pensamento

 
 
Guillermo Fariñas em greve de fome e sede, Santa Clara, Cuba, 2 de Março de 2010 ©BELGA_EPA_ALEJANDRO ERNESTO   Guillermo Fariñas em greve de fome e sede, Santa Clara, Cuba, 2 de Março de 2010 ©BELGA_EPA_ALEJANDRO ERNESTO

O Presidente do Parlamento Europeu anunciou hoje, durante a sessão plenária de Estrasburgo, a atribuição do Prémio Sakharov 2010 para a Liberdade de Pensamento ao dissidente cubano Guillermo Fariñas. Nomeado em representação de todos os que lutam pelos direitos humanos e pela liberdade em Cuba, o psicólogo, jornalista independente e dissidente político de 48 anos fez 23 greves de fome ao longo dos anos, como forma de protesto contra o regime cubano. Fariñas será convidado para a cerimónia de entrega do Prémio, no valor de 5.000 euros, agendada para o próximo dia 15 de Dezembro, em Estrasburgo.


Na sequência da decisão tomada pelos presidentes dos grupos políticos do Parlamento Europeu, o Presidente Jerzy Buzek anunciou o laureado de 2010, referindo-se a Guillermo Fariñas como alguém "que esteve disposto a sacrificar a sua saúde e a própria vida, exercendo pressão para que a situação em Cuba mude". "Gostaria de lhe poder entregar pessoalmente o Prémio, aqui em Estrasburgo, em Dezembro, num momento que seria fantástico para o Parlamento Europeu e para todos os prisioneiros de consciência cubanos. Espero sinceramente que, juntamente com Guillermo Fariñas, também as Mulheres de Branco, laureadas com o Prémio Sakharov 2005, possam vir receber o seu Prémio pessoalmente", acrescentou Jerzy Buzek.


Durante o seu discurso, Buzek insistiu diversas vezes na libertação imediata de todos os prisioneiros políticos de Cuba e convidou os deputados ao Parlamento Europeu a aplaudirem todos os nomeados para o Prémio Sakharov.


Guillermo Fariñas

Este ex-soldado aderiu à oposição em 1989, desistindo da sua filiação na Jovem Liga Comunista. Psicólogo e jornalista, criou a "Cubanacán Press", uma agência noticiosa independente, tendo em vista sensibilizar o resto do mundo para o destino dos prisioneiros políticos em Cuba. A agência foi fechada e já não publica. Defensor da não-violência, Fariñas passou onze anos e meio detido e optou pela greve de fome como forma de protesto contra a opressão no seu país. Em 2006 entrou em greve de fome para protestar contra a censura na Internet e apelar à liberdade de acesso à Internet para todos. Nesse mesmo ano foi galardoado com o Prémio Ciber-Liberdade Repórteres sem Fronteiras.


A um passo da morte

No dia 24 de Fevereiro, Guillermo Fariñas iniciou a sua vigésima terceira greve de fome, na sequência da controversa morte de Orlando Zapata Tamayo, prisioneiro de consciência, depois de uma greve de fome que durou quase três meses. No dia 8 de Julho, Fariñas terminou o 135° dia de greve de fome, depois de o governo de Havana ter anunciado a libertação de 52 prisioneiros políticos, na sequência de uma mediação feita pela igreja católica. Os médicos afirmam que Fariñas – que garante estar disposto a morrer pela contra a censura em Cuba – também esteve muito perto da morte.


É a terceira vez que o Parlamento Europeu atribui o Prémio Sakharov a dissidentes cubanos: Mulheres de Branco, em 2005, e Oswaldo José Payá Sardiñas, em 2002.


Cerimónia de entrega do Prémio

A cerimónia de entrega do Prémio Sakharov 2010 para a Liberdade de Pensamento – composto por um diploma e um cheque no valor de 5.000 euros – está agendada para o próximo dia 15 de Dezembro, em Estrasburgo. O laureado será convidado a participar na cerimónia.