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Desafios de 2012

Instituições 05-01-2012 - 12:37
 
 
Logótipo do euro, Banco Central Europeu ©BELGA/AFP/D.Roland   Logótipo do euro, Banco Central Europeu ©BELGA/AFP/D.Roland

A resolução da crise da zona euro é a principal prioridade para 2012, sublinham os líderes dos grupos políticos representados no Parlamento Europeu. "Necessitamos de uma nova onda de integração política, económica e fiscal, com determinação revigorada" e o envolvimento pleno do Parlamento Europeu no processo de tomada de decisões, garante o Presidente Jerzy Buzek.


"A minha principal prioridade é a conclusão do euro pacto, que permitirá evitar que os países da zona euro se endividem demasiado", garante Joseph Daul, líder do Grupo do Partido Popular Europeu.


Martin Schulz, líder do Grupo da Aliança Progressista dos Socialistas e Democratas, "gostaria que, apesar da crise e das tendências nacionalistas e autoritárias, as bases da União Europeia se continuem a alicerçar em princípios democráticos firmes e solidários".


Guy Verhofstadt, líder do Grupo da Aliança dos Democratas e Liberais, espera que "os líderes da União Europeia compreendam que têm de chegar a acordo e tomar medidas concretas e sólidas que permitam evitar a desintegração da zona euro através da mutualização da dívida ou de uma intervenção aprofundada do Banco Central Europeu.


Rebecca Harms, co-presidente do Grupo dos Verdes/Aliança Livre Europeia, gostaria que "em 2012 a União Europeia encarasse a crise do euro como uma oportunidade para criar uma verdadeira união fiscal e política".


Martin Callanan, líder dos Conservadores e Reformistas Europeus, avisa que "a crise da zona euro não pode ser resolvida com euro-obrigações nem auxílios estatais eternos, nem por mais uma ronda de debate sobre os tratados e as instituições... este ano só não será economicamente duro se os líderes forem capazes de agir no interesse de toda a zona euro e pedirem a um ou dois países para sair".


Lothar Bisky, líder do Grupo Confederal da Esquerda Unitária Europeia/Esquerda Nórdica Verde, espera "que a crise não seja resolvida à custa dos grupos mais vulneráveis e marginalizados, como a juventude, os trabalhadores e os idosos".


Nigel Farage, co-presidente do Grupo Europa da Liberdade e Democracia, garante que "a Europa está a ficar mais pobre e menos livre. Gostaria que os PIGS (Portugal, Irlanda, Grécia e Espanha) se libertassem da prisão do euro para poderem revitalizar as suas economias e democracias".


Concorrência

"Os esforços devem convergir para o crescimento e a criação de empregos. A competitividade e o crescimento económico são as únicas formas de garantir aos nosso filhos o modelo único de economia social de mercado da União Europeia", acrescenta Daul.


Para Callanan, "a UE deve colocar a competitividade no centro das atenções, juntamente com a actividade empresarial e a criação de empregos".


"A União Europeia tem de acelerar a sua transformação ecológica e envidar os esforços necessários para continuar na vanguarda da luta contra as alterações climáticas", sublinha Harms.


Assuntos externos

Tendo em consideração o impacto da primavera árabe "nos nossos parceiros do Mediterrâneo, esperamos que este ano a sua coragem, liderança e dignidade sejam um exemplo para outras regiões do mundo", refere, por seu lado, Buzek.


Bisky faz votos de "mais progressos no sentido de um mundo mais livre e pacífico", dando prioridade aos direitos humanos e ao apoio a soluções pacíficas dos conflitos no Norte de África, Médio Oriente e Sahara Ocidental.


Parlamento Europeu

Diversos deputados sublinham a importância do envolvimento pleno do Parlamento Europeu nas negociações relacionadas com a resolução da crise na zona euro.


"Não gostaria que o Parlamento Europeu continuasse a ser posto de lado por governos nacionais nas decisões cruciais de resposta à crise do euro", alerta Harms.


"Mais do que em qualquer outro momento, em 2012 o Parlamento Europeu terá de agir de forma decisiva enquanto guardião da Europa unida, democrática e solidária que queremos", acrescenta Schulz.


Para Verhofstadt, "o Parlamento Europeu deve continuar no centro do projecto europeu, defender o interesse comum contra esta cacofonia de interesses nacionais disfarçados e exercer um controlo democrático pleno da legislação europeia e das alterações constitucionais".


Farage gostaria que o Parlamento Europeu fizesse uma campanha de referendos nacionais sobre a adesão à União Europeia e respectivos tratados "para permitir que as vozes dos europeus sejam ouvidas".


"Espero que em 2012 consigamos finalmente acabar com estas viagens mensais entre Bruxelas e Estrasburgo", sublinha Callanan.

REF. : 20120103STO34826