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Assembleia Parlamentar Paritária UE–ACP

Desenvolvimento e cooperação / Relações externas 31-05-2012 - 11:30
 
 

A Assembleia Parlamentar Paritária composta pelos Estados-membros da União Europeia e por 78 países ACP (África, Caribe e Pacífico) reuniu-se pela 23ª vez em sessão plenária, entre 28 e 30 de maio, na Dinamarca. Em destaque estiveram questões relacionadas com segurança, especialmente em África, desenvolvimento e alterações climáticas.


Louis Michel, eurodeputado belga, e Musikari Kombo, deputado queniano, copresidentes da Assembleia, falaram-nos da situação "desastrosa" que se vive no Mali e da cooperação no séc. XXI.


Mali

A situação no Mali é "extremamente" preocupante, sublinhou Michel: “o país está partido ao meio e a sua eventual divisão ou desaparecimento teria um efeito dominó na região, podendo atingir a Argélia e a própria Libéria", onde tiveram início os problemas.


Tanto Michel como Kombo manifestaram graves preocupações quanto à possibilidade de solução política da crise, instando a Europa e as outras grandes potências regionais a fornecer auxílio militar para neutralizar a situação tensa que se vive. "O Mali vai necessitar de intervenção militar, os separatistas devem ser retirados à força", referiu Kombo, que considera que isso só será possível através do auxílio militar da UE à organização regional ECOWAS, que quer intervir mas não dispõe de meios para o efeito.


Do auxílio ao comércio

Décadas depois da celebração dos Acordos de Lomé e Cotonou entre os países europeus e as suas ex-colónias, é tempo de começar de novo. "Temos de alterar profundamente a natureza das nossas relações", avançou Michel. "Pensar que podemos desenvolver um país com algum apoio financeiro, enviando alimentos ou financiando um ou outro projeto é tão ridículo que chega a ser quase cínico", acrescentou, uma vez que o que é verdadeiramente necessário é uma governação forte que abra caminho a uma "verdadeira economia social e de mercado".


"Nunca acreditei no auxílio como solução para os problemas dos países ACP", explicou Kombo. “O auxílio só deve ser prestado em casos de absoluta necessidade, mas não para erradicar a pobreza". No momento da independência, em 1963, a economia do Quénia era muito mais forte do que a da Coreia do Sul, "mas eles cresceram... E nós temos de perceber como é que conseguiremos consolidar o crescimento e o comércio. As parcerias comerciais são a abordagem correta", acrescentou.

REF. : 20120525STO45815