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Descubra os factos e os números sobre o gás natural na UE e como a UE quer garantir a segurança do seu fornecimento.

Importância do gás natural no cabaz energético da UE. 

Os Estados-Membros da UE vão passar a estar melhor preparados para enfrentar possíveis interrupções do fornecimento de gás graças a um novo mecanismo de solidariedade aprovado em sessão plenária, esta terça-feira, 12 de setembro.

O gás natural tem um papel cada vez mais importante no cabaz energético da Europa. Assegura 25% do consumo bruto de energia da UE, sendo especialmente importante no aquecimento de habitações e produção de eletricidade.

A sua importância também varia de país para país. O gás desempenha um papel muito mais importante nos Países Baixos, na Itália e no Reino Unido do que na Suécia, na Estónia ou na Finlândia. Malta, por exemplo, recebeu o seu primeiro carregamento de gás natural liquefeito (GNL) no início deste ano e Chipre só recentemente iniciou a exploração de gás.

Importações de gás natural. 

A UE importa dois terços do seu gás natural, seja através de gasodutos ou de navios através de terminais de GNL. Mais de um terço é proveniente da Rússia, seguido da Noruega, Argélia e Qatar. A maioria dos países da UE é totalmente ou quase totalmente dependente das importações para fazer face às necessidades de gás e o abastecimento parece estar por dominado por um único país, a Rússia.

A dependência de uma única fonte ou de uma única rota de transporte representa um perigo para o aprovisionamento, seja devido a possíveis acidentes técnicos ou disputas políticas ou económicas, como as que ocorreram entre a Rússia e a Ucrânia (um país de trânsito para o gás russo para a UE) sobre os preços da energia em 2006 e 2009 e que levaram a interrupções no abastecimento a países europeus.

Gasodutos e terminais de gás liquefeito. 

Como resposta a esta crise, a UE reforçou em 2010 as suas regras para a segurança do aprovisionamento de gás, obrigando os Estados-Membros a garantir o fornecimento de gás a famílias e outros prestadores de serviços importantes, como hospitais, em condições difíceis, como uma possível interrupção da principal infraestrutura de gás.

Em 2014, a Comissão Europeia realizou testes de stress. O resultado? A UE só poderia fazer face a interrupções de gás com uma maior cooperação entre os seus Estados-Membros.

No ano passado, a UE propôs a atualização do regulamento de 2010 para introduzir um novo mecanismo de solidariedade. De acordo com as novas regras, os Estados-Membros que enfrentem uma grave escassez de gás poderão contar com o auxílio de países vizinhos. Em abril, os negociadores do Parlamento e do Conselho chegaram a um acordo sobre o texto que foi votado esta terça-feira, 12 de setembro, em plenário.

" Solidariedade significa que, em tempos difíceis, podemos enviar gás de um país para outro para assegurar fornecimento integral de gás às famílias, a prestadores de serviços sociais importantes como hospitais e a algumas centrais de gás para evitar cortes de energia”, explica o relator Jerzy Buzek (PPE, Polónia) no vídeo.

Para além do mecanismo de solidariedade, os Estados-Membros também estão a diversificar as suas fontes de energia e rotas de transporte através da construção de novos gasodutos e terminais de GNL. No entanto, um desses projetos, o Nord Stream 2, tem recebido críticas por ajudar a aumentar a dependência de uma única fonte (Rússia) em vez de contribuir para a sua redução. A questão será debatida pelos eurodeputados em sessão plenária na quinta-feira.