A presidência dinamarquesa da UE vista pelos eurodeputados dinamarqueses 

 
 

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E-D: Helle Thorning-Schmidt, primeira-ministra dinamarquesa, e Jerzy Buzek, presidente do Parlamento Europeu©eu2012dk/Bjarke Orsted  

A presidência dinamarquesa iniciou o seu mandato de seis meses no dia 1 de Janeiro de 2012, sucedendo os polacos na presidência da UE. Quais são os principais desafios com que se confronta e quais devem ser as suas prioridades? Eurodeputados dinamarqueses de diversos grupos políticos explicaram-nos o que esperam desta presidência.

De acordo com o seu grupo político, quais são os principais desafios com que a União Europeia se confronta actualmente?


Bendt Bendtsen (PPE): O maior desafio é, sem dúvida, a crise económica e temos de conseguir ultrapassar esta situação, protegendo simultaneamente o ambiente e o futuro da inovação na União Europeia.


Dan Jørgensen (S&D): O desafio mais importante para o meu grupo é conseguir promover a agenda do crescimento de forma socialmente mais responsável e mais centrada no investimento. Não conseguiremos ultrapassar a crise se nos focarmos exclusivamente em medidas de austeridade. Por outro lado, temos de continuar a insistir na necessidade de implementar reformas ambiciosas e de longo alcance na regulamentação do sector financeiro.


Morten Løkkegaard (ADLE): A União Europeia confronta-se com uma profunda crise de confiança e temos um trabalho intenso a desenvolver na resolução da crise da dívida soberana e manter os designados "17 versus 10" unidos como 27. Existe o risco de uma Europa a duas velocidades e a medida mais importante para esta presidência é reforçar a União Europeia e evitar a sua fragmentação.


Margrete Auken (Verdes/ALE): A União Europeia atravessa uma crise económica, social, ambiental e democrática. É cada vez maior o número de Estados-Membros que tentam resolver estes problemas por só, ignorando os benefícios de uma boa cooperação entre os 27 Estados-Membros.


Anne Rosbach (ECR): A crise financeira. Para o meu grupo é importante não utilizar a crise como argumento para mais integração da UE. A crise tem de ser resolvida com a diminuição da despesa pública e o aumento da competitividade. Isto pode ser feito sem que seja necessário conferir mais poderes às instituições da União Europeia.


Quais deveriam ser, na sua opinião, as prioridades da presidência dinamarquesa durante os próximos seis meses?


Bendt Bendtsen: Além dos esforços necessários para ultrapassar a crise, a presidência dinamarquesa também terá de se centrar no crescimento, que é a única forma de garantir o nosso futuro, mas temos de saber que tipo de crescimento pretendemos, pois tem de ser um crescimento sustentável! Esta presidência também deve dar prioridade às negociações sobre a Directiva relativa à Eficiência Energética, de forma a garantir que alcançamos os nossos objectivos europeus.


Dan Jørgensen: A presidência dinamarquesa deve dar especial prioridade à agenda ambiental, tendo em consideração os perigos ambientais que vivemos actualmente. É extraordinariamente importante, uma vez que uma estratégia ambiental europeia é uma das formas mais eficazes de retirar a UE da crise económica em que se encontra.


Morten Løkkegaard: Muitas das questões mais importantes dizem respeito a áreas nas quais a Dinamarca decidiu pelo opt out. No entanto, o principal objectivo da presidência dinamarquesa deverá ser a garantia de que os 27 Estados-Membros permanecem juntos. Também será fundamental garantir bons resultados fora da zona euro, designadamente no que se refere ao roaming, ao mercado único digital, à Patente Europeia e aos acordos comerciais.


Margrete Auken: Sabemos que a economia precisa de ajuda mas é vital que esse auxílio seja sustentável, para que os nossos filhos não herdem a nossa factura. Nesse sentido, é absolutamente necessário garantir que o novo crescimento económico europeu seja um crescimento verde.


Anne Rosbach: A presidência dinamarquesa deverá centrar-se na crise financeira, o que não significa que tudo o resto seja posto de lado. Há muitas questões importantes para resolver, como por exemplo as reformas da Política Comum das Pescas e da Política Agrícola Comum, e a questão da eficiência energética. É muito importante que consigamos ir o mais longe possível nestas reformas durante a presidência dinamarquesa.


Morten Messerschmidt (ELD): Infelizmente, parece que o governo dinamarquês está a planear introduzir na UE as alternativas socialistas que defende para a Dinamarca. Trata-se de uma estratégia perigosa na medida em que pode enfraquecer o nível de competitividade da União Europeia. A presidência dinamarquesa deveria centrar-se na melhoria da competitividade em geral, através de investimento na ciência e no desenvolvimento, cortando, por exemplo, os subsídios à agricultura.