Propaganda russa: “A continuação dos métodos utilizados na Guerra Fria”, diz Fotyga 

 
 

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Enrevista com Anna Fotyga. 

A propaganda contra a UE, levada a cabo por organizações terroristas e países como a Rússia, propaga-se com facilidade na Internet. Os eurodeputados debatem, em plenário esta terça-feira, 22 de novembro, um relatório que pede mais colaboração entre os Estados-Membros. Falámos com a relatora, a eurodeputada polaca do ECR, Anna Fotyga, sobre o impacto desta propaganda e sobre as melhores formas de a combater. “Temos de investir muito mais nas campanhas para combater a radicalização” afirmou.

Que impacto tem este tipo de propaganda, levada a cabo por organizações ou países, na Europa?

 

A agressão da Rússia à Ucrânia e a anexação da Crimeia foi uma chamada de atenção. Mas do ponto de vista da Europa Central e Oriental, a Rússia começou a distorcer os factos e a influenciar os meios de comunicação muito antes. Trata-se apenas da continuação dos métodos e instrumentos utilizados durante a Guerra Fria.


Claro que estas campanhas de propaganda têm influência sobre as sociedades na Europa e noutros países. Seguramente os cidadãos dos EUA também são um alvo da propaganda russa através de múltiplos instrumentos como a televisão Russia Today.


Como explica o sucesso do Estado Islâmico no recrutamento de jovens muçulmanos na Europa? Como pode a UE defender-se?

 

Infelizmente não se trata apenas de jovens muçulmanos. Através de uma variedade de instrumentos, o Estado Islâmico foi capaz de atrair pessoas de diferentes gerações e outras religiões, de as converter e radicalizar.


Reuni-me com muitos ministros dos Estados-Membros para quem é traumático saber que os seus jovens se podem virar contra a sua própria nação. É realmente difícil lidar com isso, mas estamos prontos e estamos a começar a ser apoiados também a nível europeu.


Existem muitos instrumentos sofisticados que permitem identificar os casos e os padrões de radicalização. Os Estados-Membros possuem ferramentas para monitorizar as redes sociais e os casos de radicalização. Trata-se claro de um grande esforço, mas estamos agora mais conscientes do que se passa graças a uma colaboração muito estreita com as capitais.


No entanto, o financiamento permanece um desafio. Temos de investir mais nas campanhas para lutar contra a radicalização.