Prémio Sakharov 2018: descubra os nomeados 

 
 

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Foram anunciados os candidatos ao Prémio Sakharov para a Liberdade de Pensamento 2018. Descubra quem são e por que motivo foram nomeados.

Desde 1988, o Parlamento Europeu atribui o “Prémio Sakharov” a personalidades e organizações que defendem os direitos humanos e as liberdades fundamentais. A Comissão dos Assuntos Externos, a Comissão do Desenvolvimento e a Subcomissão dos Direitos Humanos anunciaram os candidatos para 2018 em 27 de setembro. Trata-se de:

Oleg Sentsov, realizador de cinema ucraniano, condenado a 20 anos de prisão, acusado de “planear atos terroristas” contra o domínio russo de facto na Crimeia. A Amnistia Internacional descreveu o processo judicial como “um julgamento injusto perante um tribunal militar”. Ele tornou-se também um símbolo dos cerca de 70 cidadãos ucranianos ilegalmente detidos e condenados a longas penas de prisão pelas forças de ocupação russas na península da Crimeia. Está em greve de fome desde maio de 2018. Nomeação proposta pelo Grupo PPE.

ONG que protegem os direitos humanos e salvam vidas de migrantes no Mar Mediterrâneo. Desde 2015, ONG de toda a UE lançaram operações de busca e salvamento no Mediterrâneo numa tentativa de salvar as vidas de refugiados que tentam chegar às costas da UE. As ONG são as seguintes: Boat Refugee Foundation, Jugend Rettet, Barco Salva-vidas Lifeline, Médicos sem Fronteiras Internacional, MOAS, Proactiva Open Arms, PROEM-AID, Save the Children, Sea Eye, Sea-Watch e SOS Mediterranée. Nomeação proposta pelos Grupos S&D e Verts/ALE.

Seyran Ateş, advogada alemã de origem turca, luta contra o extremismo político e religioso e a opressão das mulheres. Esteve por trás da criação da mesquita Ibn Rushd Goethe, em Berlim, onde homens e mulheres podem rezar juntos, tendo recebido inúmeras ameaças de morte, pelo que necessita de proteção 24 horas/dia. Nomeação proposta pelo Grupo ECR, por Hans-Olaf Henkel e por outros 40 deputados do PE pelo seu “compromisso na defesa dos direitos humanos e a sua dedicação a um Islão moderno e aberto”.

Caesar é o nome de código de um antigo fotógrafo militar sírio que fez sair clandestinamente da Síria mais de 55 000 fotografias, expondo as atrocidades da guerra. A organização Human Rights Watch confirmou a autenticidade das fotografias. As fotografias de Caesar irão desempenhar um papel fundamental na instauração de processos penais e civis contra os responsáveis pelos crimes que documentou. Nomeação proposta pelo Grupo ALDE.

Nasser Zefzafi é o líder do Hirak, um movimento de protesto maciço na região do Rif (Marrocos), que luta contra a corrupção, a opressão e o abuso de poder. Foi preso em maio de 2017 e condenado em junho de 2018 a 20 anos de prisão por “conspiração contra a segurança do Estado”. Em agosto de 2018, o Rei Mohammed VI indultou 188 ativistas do Hirak mas neles não se incluía Zefzafi. No fim de agosto, este entrou em greve de fome para denunciar as suas condições de detenção. Nomeação proposta pelo Grupo GUE, por Kati Piri, Judith Sargentini, Marie-Christine Vergiat e por outros 39 deputados do PE “contra a opressão e o abuso de poder”.

Dewayne Johnson é um antigo jardineiro norte-americano que ganhou um processo histórico contra a Monsanto. Ele foi a primeira pessoa a levar a Monsanto a tribunal devido a alegações de que os produtos químicos vendidos pela empresa sob a marca “Roundup” causam cancro. No final do julgamento, Dewayne Johnson tinha apenas alguns meses de vida mas prestou testemunho e descreveu a sua dor e o seu sofrimento. Nomeação proposta pelo Grupo EFDD como inspiração “para todos os que receiam apresentar-se em tribunal para defender os seus direitos”.

AfriForum é uma ONG que visa proteger os direitos das minorias na África do Sul, com uma incidência específica nos direitos do povo africânder. Concentra-se na sensibilização nacional e internacional para os ataques a quintas, os assassinatos e a expropriação de terras agrícolas sem compensação, que ameaça os direitos de propriedade, o abastecimento alimentar e a segurança alimentar. Nomeação proposta pelo Grupo ENF.

Mary Wagner é uma ativista canadiana que foi detida em diversas ocasiões e acusada de “perturbar o negócio” de uma clínica de abortos em Toronto. Ela permaneceu na prisão porque não cumpriu o regime de prova, recusando manter-se afastada das clínicas de abortos. Nomeação proposta por Marek Jurek e por outros 41 deputados do PE pelo seu trabalho para “salvaguardar os direitos daqueles que não podem falar por si próprios”.

Etapas seguintes  
  • 9 de outubro: a Comissão dos Assuntos Externos e a Comissão do Desenvolvimento votam para definir uma lista de três finalistas  
  • 25 de outubro: os dirigentes políticos do PE anunciam o nome do vencedor  
  • 12 de dezembro: cerimónia de entrega do Prémio Sakharov em Estrasburgo 

As nomeações para o Prémio Sakharov podem ser apresentadas pelos grupos políticos e por grupos de, pelo menos, 40 deputados do PE. A Comissão dos Assuntos Externos e a Comissão do Desenvolvimento, com base nas nomeações, votam para definir uma lista de três finalistas. Em seguida, a Conferência dos Presidentes – composta pelo Presidente do Parlamento Europeu e pelos líderes dos grupos políticos – seleciona o laureado.