Dimitris Droutsas: Não podemos enfraquecer os nossos elevados padrões de proteção de dados 

 
 

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Entrevista a Dimitrios Droutsas.  

A descoberta da vigilância em massa dos europeus pelos Estados Unidos lançou a tempestade nas relações transatlânticas, no momento em que se iniciavam as negociações para um acordo de comércio livre entre a UE e os EUA. Muitos eurodeputados concordaram que após o escândalo do Prism vai ser difícil construir um novo nível de cooperação entre amigos. Discutimos o tema com o eurodeputado socialista grego, Dimitris Droutsas, responsável pelo tratamento transfronteiriço de dados no Parlamento.

Está satisfeito com a resposta dos EUA e acredita que o escândalo pode pôr em causa o acordo de livre comércio com os EUA?


As recentes revelações foram um verdadeiro choque para a Europa e para a opinião pública. Mas os europeus têm o direito não apenas a serem protegidos mas também a serem informados do que se está a passar. Não se pode esperar isto de um governo. É por isso que o papel do Parlamento Europeu é ainda mais importante. Pedimos que fosse instaurado um inquérito e está a ser feito.


O acordo de comércio livre é muito importante e a UE está empenhada. Por outro lado, não podemos sacrificar os direitos fundamentais dos nossos cidadãos.


Pessoalmente, penso que o público europeu deve estar preparado para ouvir notícias ainda piores. Dependendo da evolução, teremos que decidir se existirão consequências para as negociações.


As informações difundidas pelos meios de comunicação sugerem que os EUA não são o único ator envolvido na vigilância. Quão importante é implementar as regras dos procedimentos na nossa própria casa e modernizar a legislação sobre a matéria?


No meu ponto de vista, atingimos um elevado nível de proteção dos dados pessoais dos nossos cidadãos. Devemos sempre que possível manter esse nível ou mesmo aumentar esses elevados padrões. Mas, não estamos sozinhos no mundo e temos que lidar não só com outros países, como com diferentes ideologias e atitudes relativamente à proteção de dados. Apelo à Comissão Europeia para não permita o enfraquecimento dos nossos elevados padrões.