Seis nomeações para o Prémio Sakharov 2017 

 
 

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Descubra as seis nomeações para a edição de 2017 do Prémio Sakharov para a Liberdade de Pensamento no nosso artigo. O laureado é anunciado a 26 de outubro.

Esq- Dta: A. Bibi, A. Chavez Ixcaquic; S. Demirtas e F. Yuksekdag; Oposição Democrática na Venezuela, D. Isaak e P. Mbonimpa. 

Os nomeados foram formalmente apresentados pelos eurodeputados, a 2 de outubro, durante uma reunião conjunta das Comissões dos Assuntos Externos, Desenvolvimento e da Subcomissão dos Direitos do Homem. O laureado será anunciado a 26 de outubro.

Asia Bibi (Paquistão)

Asia Bibi, é uma mulher paquistanesa cristã condenada à morte em 2010 por blasfémia. Bibi recorreu da sentença ao Supremo Tribunal do Paquistão, que tem adiado a decisão sobre o recurso. Foi nomeada pelo grupo ECR.

“O seu comportamento e a sua dignidade na prisão todos estes anos são a melhor prova de que Asia Bibi tem a dignidade de um defensor dos direitos humanos face a um terrível destino”, afirmou a eurodeputada Anna Fotyga (ECR, Polónia). “Esperamos uma sentença final do Supremo Tribunal que eventualmente a absolva”, acrescentou.

Aura Lolita Chavez Ixcaquic (Guatemala)

Aura Lolita Chavez Ixcaquic é uma defensora dos direitos humanos na Guatemala. É membro do Conselho dos Povos Ki’che’ (CPK), uma organização que luta pela proteção dos recursos naturais e direitos humanos face à expansão de projetos dos setores mineiro, madeireiro, hidroelétrico e agroindustrial no território. Aura Lolita Chavez Ixcaquic foi nomeada pelo grupo Verde/ALE.

Molly Scott-Cato (GREENS/EFA, UK) destacou o trabalho da antiga professora e da organização na defesa dos direitos indígenas e das comunidades mais marginalizadas. “Defendeu a vida através do seu trabalho, palavras e ações” afirmou. Florent Marcellesi (Verdes/ALE, Espanha) sublinhou a difícil situação dos ativistas ambientais: “de acordo com Global Witness, em 2015, foram assassinados todas as semanas três ativistas do ambiente.”

Selahattin Demirtas e Figen Yuksekdag (Turquia)

Os copresidentes do Partido Democrático Popular (HDP) pró-curdo, Selahattin Demirtas e Figen Yuksekdag, encontram-se detidos desde novembro de 2016, sob a acusação de terrorismo. Selahattin Demirtas e Figen Yuksekdag foram nomeados pelo grupo CEUE/EVN.

“São símbolos da repressão que ocorre atualmente na Turquia, uma repressão que afeta perto de 150 000 funcionários, incluindo juízes”, afirmou Marie-Christine Vergiat  (CEUE/EVN, França) recordando que os curdos Selahattin Demirtas e Figen Yuksekdag lutam pelos direitos das minorias na Turquia e que a sua imunidade parlamentar tinha sido levantada em maio de 2016, meses antes da tentativa de golpe de Estado.

A Oposição Democrática na Venezuela

A Oposição Democrática na Venezuela: a Assembleia Nacional (Julio Borges) e todos os prisioneiros políticos de acordo com a lista do Foro Penal Venezolano representados por Leopoldo López, Antonio Ledezma, Daniel Ceballos, Yon Goicoechea, Lorent Saleh, Alfredo Ramos e Andrea González foram nomeados pelos grupos políticos PPE e ALDE. A oposição democrática na Venezuela, representada pela Mesa da Unidade Democrática e pelos prisioneiros políticos foi finalista ao Prémio Sakharov em 2015.

“Na Venezuela, um grupo de estudantes e políticos corajosos lutam pela liberdade do seu pais”, afirmou Jose Ignacio Salafranca (PPE, Espanha). Ao atribuirmos este prémio à Oposição Democrática da Venezuela “teremos a oportunidade de provar que estamos empenhados em defender a democracia e os direitos humanos na América Latina”, acrescentou Beatriz Becerra (ALDE, Espanha), recordando que pelo menos 20 prisioneiros políticos são europeus.

Dawit Isaak (Suécia-Eritreia)

O jornalista, escritor e dramaturgo, com nacionalidade sueca e eritreia, foi detido em 2001 pelas autoridades eritreias no âmbito de um movimento da repressão política. Dawit Isaak encontra-se detido sem julgamento desde essa altura e foi visto pela última vez em 2005. Foi nomeado pelo grupo S&D e por Cecilia Wikström e 46 eurodeputados. Dawit Isaak foi finalista na edição do Prémio Sakharov 2009.

Elena Valenciano (S&D, Espanha) lembrou que Dawit Isaak, tal como outros 20 jornalistas, foi preso por ter pedido reformas democráticas e passou até ao momento „16 anos e 8 dias na prisão sem sem um julgamento, direito a um advogado ou sem o contacto à sua familia ”. “Mostrou a coragem ao falar a verdade, ao combater a injustiça, a defesa dos direitos humanos, a liberdade de pensamento e expressão (...) “assegurem-se que a sua luta não é esquecida” acrescentou Cecilia Wikström (ALDE, Suécia).

Pierre Claver Mbonimpa (Burundi)

Mbonimpa é um ativista dos direitos humanos e fundador da Associação para a Proteção dos Direitos Humanos e das Pessoas Detidas (APRODH). Foi detido em 2014 e sobreviveu a uma tentativa de assassinato em 2015, residindo atualmente na Bélgica. Pierre Claver Mbonimpa foi nomeado pelo EFDD.

“Ergueu-se e lutou pelos direitos de todos aqueles que se encontravam na prisão sob acusações falsas, sem julgamento como já tinha acontecido com ele anteriormente”, explicou Fabio Castaldo (EFDD, Itália). “Teve a coragem de denunciar as graves violações dos direitos humanos. Para proteger o seu país e o seu povo, arriscou tudo“, acrescentou.

O Prémio Sakharov

O "Prémio Sakharov para a Liberdade de Pensamento" é atribuído todos os anos pelo Parlamento Europeu. Criado em 1988, recompensa personalidades ou entidades que se esforçam por defender os direitos humanos e as liberdades fundamentais. No ano passado, o prémio foi atribuído às ativistas yazidis Nadia Murad e Lamiya Aji Bashar.

Infografia: o processo passo-a-passo 

O processo passo-a-passo

Os grupos políticos ou, no mínimo, 40 deputados nomeiam os candidatos. As comissões parlamentares de Assuntos Externos e Desenvolvimento votam, criando uma lista restrita de três finalistas com base nas nomeações e, por fim, a Conferência de Presidentes escolhe o laureado.

Artigo atualizado a 4 de outubro com informação sobre a apresentação formal dos nomeados realizada a 2 de outubro de 2017.

Andrei Sakharov e a sua mulher Yelena Bonner. © Yury Rost 
Próximos passos 
  • 10 de outubro de 2017: As comissões de Assuntos Externos e Desenvolvimento escolhem três finalistas 
  • 26 de outubro de 2017: Conferência de Presidentes anuncia o laureado(s) 
  • 13 de dezembro de 2017: Cerimónia de entrega do Prémio em Estrasburgo