Frank-Walter Steinmeier: "Não há receitas óbvias para lidar com o terrorismo” 

 
 

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Frank-Walter Steinmeier, Ministro dos Negócios Estrangeiros da Alemanha durante a reunião.  

A Comissão dos Assuntos Externos e o ministro dos negócios estrangeiros alemão debateram, esta segunda-feira, as repercussões dos atentados terroristas em Paris. Steinmeier alertou que "não existem receitas óbvias para lidar com o terrorismo” e que "a ação militar por si só não é suficiente". Para Elmar Brok, presidente da Comissão dos Assuntos Externos, é essencial distinguir migração de terrorismo. "Os refugiados são vítimas do terror, não fazem parte do terror”, afirmou.

Os atentados terroristas em Paris e a necessidade de encontrar uma solução para a crise síria foram dois dos temas em debate numa reunião que juntou os eurodeputados da Comissão dos Assuntos Externos e o ministro dos negócios estrangeiros alemão esta segunda-feira, 16 de novembro. Embora Frank-Walter Steinmeier tenha sublinhado que “não há razão para otimismo ou euforia”, as recentes negociações sobre a Síria em Viena podem dar alguma esperança ao trazer para à mesa de negociação os EUA, a Rússia, o Irão e a Arábia Saudita.


"O exército sírio e o exército da oposição não podem a continuar a combater um contra ou outro, ou não terão força para enfrentar o Estado Islâmico e o Al Nusra. Daqui a seis meses devem ser nomeados os membros do governo de transição e daqui a 18 meses poderiam ser organizadas eleições”, acrescentou.


"Como podemos combater o Estado Islâmico se os estrategas militares afirmam que precisamos de cinco anos e meio?”, perguntou o eurodeputado espanhol do grupo ALDE Javier Nart. “A Turquia está a combater os combatentes curdos enquanto a Europa apoia tanto a Turquia como os Peshmerga”, alertou Takis Hadjigeorgiou, eurodeputado cipriota do grupo CEUE/EVN.


Barbara Lochbihler afirmou-se estar contente com os resultados alcançados em Viena para a Síria, mas lembrou que o futuro de Assad ainda está por resolver. “Assistimos a crimes de guerra muito graves, os responsáveis não podem escapar impunes”, afirmou a eurodeputada alemã dos Verdes/ALE.


Schengen e a resposta aos ataques de Paris


Michèle Alliot Marie, eurodeputada francesa do grupo PPE, questionou ser esta seria a altura ideal para implementar o artigo 222 do Tratado de Lisboa, segundo o qual a União e os seus Estados-Membros atuariam em conjunto, num espírito de solidariedade, se um Estado-Membro fosse alvo de um ataque terrorista, e arrancar com a ideia de uma força de defesa europeia.


"Temos que fazer mais para garantir a segurança das nossas fronteiras externas e para assegurar a eficácia da troca de informação entre os nossos serviços de informação", afirmou Afzal Khan, eurodeputado britânico do S&D. "Muito europeus muçulmanos temem agora ataques de represália e mais discriminação, “acrescentou.


Vários eurodeputados abordaram ainda o impacto dos ataques na livre circulação de pessoas e na comunicação entre as autoridades policiais. "Porque é que a polícia alemã não notificou as autoridades francesas sobre o carro apreendido na fronteira com a Áustria cheio de armas que tinha Paris como destino há cerca de uma semana?”, perguntou Charles Tannock, eurodeputado britânico do ERC.


James Carver, eurodeputado britânico do Reino Unido alertou para a "falta de controlos fronteiriços” e perguntou se os ataques de Paris podem” efetivamente significar o fim de Schengen e do princípio de circulação de pessoas”.