Terrorismo na UE: ataques, mortes e detenções  

 
 

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A natureza das ameaças terroristas mudou nos últimos anos. Confira nosso gráfico para examinar a evolução dos ataques, mortes e detenções registadas desde 2014.

Nos últimos anos, temos assistido a um aumento da ameaça terrorista e dos ataques de inspiração religiosa/jihadista violenta, que começaram com o atentado contra a revista satírica "Charlie Hebdo", em Paris. Estes ataques de “inspiração religiosa” foram perpetrados pelo Estado Islâmico (IS) ou inspirados pela ideologia e retórica daquela organização.

Ataques terroristas em números

Sessenta e duas pessoas foram mortas em 2017 durante 33 ataques de inspiração religiosa/jihadista na UE, em comparação com as 135 mortes registadas durante os 13 ataques perpetrados em 2016, segundo a Europol.

Entre 2016 e 2017, apenas 10 ataques foram classificados como tendo sido “concluídos”, ao ter cumprido com o seu objetivo. Em 2017, 23 ataques falharam ou foram impedidos, em comparação com os 3 registados em 2016.

Em 2015, o número de mortes causadas por este tipo de ataque chegou aos 150, uma subida acentuada em relação aos 4 mortos registados 2014, tendo em 2017 os ataques sido muito menos letais.

Durante a apresentação do relatório da Europol sobre a situação e tendências do terrorismo (TESAT) para 2018 à comissão de liberdades cívicas, o diretor do centro europeu contra o terrorismo (ECTC), Manuel Navarrete, afirmou que “se registaram mais ataques, mas que os mesmos são menos sofisticados e, felizmente, produzem menos vítimas”.

Terrorismo 

Situação em 2017

Dez dos 33 ataques registados em 2017 foram classificados como “concluídos”, 12 não alcançaram o seu objetivo e 11 foram impedidos, principalmente na França e no Reino Unido.

No mesmo ano, morreram 62 pessoas vítimas de ataques terroristas na UE: 35 no Reino Unido, 16 em Espanha, 5 na Suécia, 3 na França, 2 na Finlândia e 1 na Alemanha, tendo 819 pessoas ficado feridas.

Finalmente, um total de 705 pessoas foram detidas em 18 Estados-Membros (373 na França) por suspeita de envolvimento em atividades terroristas jihadistas.

A cooperação europeia funciona

O reforço da cooperação entre os países da UE na partilha de informações ajudou a prevenir ataques e a neutralizar ou limitar o impacto dos mesmos, sublinhou Navarrete.

“Os preparativos são descobertos mais cedo porque os instrumentos de vigilância e inteligência são utilizados de forma mais precisa”.

“Estamos a conseguir prevenir o número de ataques e mitigar o número de pessoas que são mortas ou feridas”, concluiu.

Potenciais ameaças

Navarrete sublinhou que "uma das ameaças mais significativas são as pessoas que foram presas devido às suas ligações com os combatentes que se deslocaram ao estrangeiro, e que serão postas em liberdade em breve”.

A maioria dos ataques registados hoje em dia são perpetrados pelos "terroristas locais radicalizados no país de residência", que não têm porque ter viajado para zonas de conflito como a Síria ou o Iraque”, salientou Navarrete, que lembrou que “ainda há pessoas a voltar das zonas de conflito, como por exemplo do Iraque, mas que os números registados em 2017 foram muito baixos”.

Uso sistemático das rotas migratórias pelos terroristas

Navarrete afirmou que “não temos assistido a um uso sistemático dessas rotas pelos terroristas”. Contudo, a Europol identificou "alguns terroristas" que tentaram usar as mesmas para entrar na UE, o que motivou o reforço da cooperação entre países como a Grécia e a Itália, e reforçou a necessidade de continuarmos vigilantes”.