Cimeira da NATO: “eu sei que existe um compromisso por parte dos europeus” (Entrevista) 

 
 

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Ioan Mircea Pașcu. 

A cimeira da NATO, que decorre nos dias 11 e 12 de julho em Bruxelas, vai celebrar-se num contexto ambíguo. Serão os aliados capazes de demonstrar unidade?

Conversámos com Ioan Mircea Paşcu (S&D, Roménia), responsável pelo relatório do Parlamento sobre as relações UE-NATO.

Desde 2015, os Estados-Membros que pertencem à NATO têm vindo a aumentar o gasto em defesa. Contudo, durante os preparativos para a cimeira, o presidente dos Estado Unidos enviou uma série de cartas aos líderes europeus a pedir para aumentarem o mesmo. Têm sentido que peça mais?

Podemos dizer que sim. Nós sacrificámos a defesa para cobrir outras necessidades imediatamente a seguir à crise de 2007/2008, e só agora é que começámos a lidar com o problema. Os números estão à vista e o critério a seguir deveria ser aumentar a capacidade defensiva através dos nossos gastos.

Mas as coisas são mais complexas do que parecem. Não deve ser tomado ao pé de letra que nós gastamos menos do que devemos em defesa e que os Estados Unidos fazem tudo por nós.

O que tem que acontecer para que a cimeira seja considerada um sucesso?

Um bom resultado seria que não acontecesse algo parecido à cimeira do G7. Estou confiante que a complexidade dos problemas encima da mesa, e o facto de não podermos simplesmente ignorar a realidade, vai aproximar todas as partes. Eu sei que existe um compromisso por parte dos europeus, e espero que o mesmo também exista por parte dos Estados Unidos. Afinal, os Estados Unidos são a coluna vertebral da aliança e a nossa segurança depende em grande parte daquele país.   

No seu relatório sobre as relações entre a UE e a NATO, referiu-se a várias áreas de cooperação. Quais são as três áreas mais importantes e como podemos incentivar a cooperação?

A mobilidade militar, a ciberdefesa e a cooperação e inovação industrial, sendo o orçamento comum para a inovação industrial o ponto de partida neste âmbito. Até agora, esta era uma prerrogativa nacional. Mas agora, a Comissão começou a intervir e a facilitar a cooperação a nível das empresas e dos produtores de sistemas de defesa.

Os números em questão são encorajadores. Além disso, o próximo quadro financeiro fará toda a diferença, incentivando as empresas do sector a serem mais cooperativas e a inovarem mais para potenciar a imaginação dos europeus.

Por enquanto, demos um passo importante para reforçar a segurança e a cooperação na UE, o que não significa ir contra a NATO, mas ajudá-la a cumprir a sua missão.

A segurança é cada vez mais complexa e temos de abordar várias dimensões: a segurança interna, que é uma prerrogativa da UE, mas também a segurança externa, que é sobretudo uma prerrogativa da NATO. Além disso, temos também que ter em conta a voz dos Estados-Membros que não são membros da NATO, e defender os seus interesses.