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Depois da austeridade o crescimento: debate sobre a crise económica

Outros Artigo - Assuntos económicos e monetários18-04-2012 - 18:38
  • Parlamento Europeu, Estrasburgo
  • 18 de abril de 2012
 
Parlamento Europeu, Estrasburgo, 18 de abril de 2012   Parlamento Europeu, Estrasburgo, 18 de abril de 2012

A necessidade urgente de medidas que promovam o crescimento e mitiguem os atuais níveis de desemprego, especialmente entre os jovens, nos países mais afetados pela crise da União Europeia, dominou o debate realizado hoje, no hemiciclo de Estrasburgo, com o Presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso. Muitos dos intervenientes sublinharam os custos sociais da crise e expressaram reservas quanto à manutenção do euro, pelo menos na sua forma atual.


Durão Barroso (Comissão Europeia): apresentou duas iniciativas da Comissão Europeia e instou "os Estados-Membros a agirem depressa e a tomarem as medidas necessárias". O Pacote do Emprego tem por objetivos encorajar as pequenas e médias empresas (PME), maximizar o emprego na Europa, fornecer apoio político na criação de empregos, apoiar a economia verde e a segurança social. "A segunda iniciativa tem por objetivo ajudar a Grécia e introduz uma série de ações prioritárias que incluem a mitigação do desemprego entre os jovens e a reforma fiscal. Estas medidas deverão permitir o crescimento e a criação de emprego". Durão Barroso alertou para a necessidade de "envidar todos os esforços para aplicar o mapa que aprovámos em outubro" e acrescentou que "a Comissão Europeia não hesitará em forçar Estados-Membros a fazê-lo".


Joseph Daul (Grupo do Partido Popular Europeu, França) afirmou que a União Europeia tem desenvolvido um bom trabalho na estabilização da economia, desde o início da crise financeira. "Equipámo-nos com mecanismos de disciplina reforçados e que eram necessários" para podermos ser "novamente credíveis". Daul sublinhou a necessidade de uma "nova lógica de crescimento", mais centrada nas PME. "Temos de ajudar as PME para que os bancos as possam financiar" e reduzir "a burocracia" que, no entender do líder do PPE, representa um custo anual de 40 mil milhões de euros para a economia europeia.


Hannes Swoboda (Grupo da Aliança Progressista dos Socialistas e Democratas, Áustria): "Vemos muita austeridade e muito pouca segurança", afirmou, insistindo na necessidade de promover o crescimento e não apenas a austeridade. Swoboda defendeu que o Pacote do Emprego deve ter força legal uma vez que "as declarações não chegam", "continuamos a fazer muito pouco pelo desemprego" e "os jovens desempregados começam a alienar-se e a perder a esperança".


Guy Verhofstadt (Aliança dos Democratas e Liberais, Bélgica) referiu que, apesar das medidas de austeridade, do resgate massivo da dívida soberana e do "maior corte de cabelo de sempre", "todos sabemos que a crise ainda não acabou".


Rebecca Harms (Grupo dos Verdes/Aliança Livre Europeia, Alemanha) manifestou o seu desapontamento com a ausência de Mario Draghi pois gostaria de o questionar sobre a estratégia contraproducente do Banco Central Europeu na resolução da crise, ao longo dos últimos dois anos. Harms criticou o facto de já terem sido gastos milhares de milhões de euros no resgate de bancos europeus sem qualquer impacto na economia real. A eurodeputada alemã concluiu que o BCE "não utilizou o dinheiro de forma adequada".


Martin Callanan (Grupo dos Conservadores e Reformistas, Reino Unido): "A zona euro continua a confrontar-se com os mesmos problemas do passado e "está na hora de os líderes europeus tomarem uma decisão". "A Grécia deveria poder sair da zona euro. Até uma criança de dez anos é capaz de compreender isso. Na verdade, uma criança de dez anos compreendeu isso".


Nigel Farage (Europa da Liberdade e Democracia, Reino Unido): "O euro está condenado", garantiu, e "ninguém acredita que, se nos mantivermos juntos, conseguiremos resolver a crise".


Gabriele Zimmer (Grupo Confederal da Esquerda Unitária Europeia/Esquerda Nórdica Verde, Alemanha) criticou o facto de os mercados estarem a ser auxiliados mas as pessoas não. "Foi um erro consolidar apenas a economia e ignorar a vida das pessoas: deveria ter sido ao contrário". Dirigindo-se a Durão Barroso, aconselhou-o a "enviar pessoas à Grécia e a Portugal, para verem o que se está a passar".

REF. : 20120413STO42891