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Imprensa
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EU in Love

Neste dia de São Valentim, partilhamos convosco uma história de amor, com a União Europeia como cenário.

No final da década de 90, durante o quinto ano da Licenciatura Pré-Bolonha, Ana, uma jovem portuguesa de 22 anos, parte para a Dinamarca para estudar na Aarhus Business School, de agosto a dezembro, graças ao programa Erasmus.

O que se esperava ser uma experiência cultural de curto prazo, veio a revelar-se uma aventura que viria a mudar para sempre a vida desta portuguesa.

Com efeito, a duas semanas de voltar para Portugal, Ana tinha de entregar um trabalho na faculdade.   Encontrou um colega de turma, o Ricki, jovem dinamarquês com quem ainda não tinha falado.   Encontro casual ou sinal do destino, perguntou –lhe onde ficava o gabinete que procurava.  Horas depois, encontravam –se novamente no bar da universidade, com os seus respetivos grupos de amigos. Um convite para dançar assinalaria o início da aproximação dos dois jovens europeus.  Enquanto dançavam, Ricki olhava para o chão, não ousando encarar a jovem portuguesa, numa atitude reservada própria de um jovem dinamarquês. As suas qualidades de bailarino eram escassas, mas tal não desarmou Ana que lhe pediu para a olhar nos olhos, assumindo-se como uma portuguesa determinada. “Temos de seguir o mesmo ritmo!” disse-lhe ela.  Ricki sorriu, com aquele ar de quem descobre que a jovem que dançava com ele não se parecia nada com as suas compatriotas.

Seguiram-se alguns encontros e longas horas de conversa. Apesar disso, pouco tempo depois Ana voltou para Portugal.  Ricki    continuou os seus estudos na Aarhus Business School.  Na hora da despedida, um aperto no coração confirmava que algo estava diferente. Apesar da distância que parecia condenar à partida esta relação, trocaram cartas e emails.  Algumas semanas depois, Ana voltou à Dinamarca e   mais tarde o jovem dinamarquês veio descobrir Portugal.

A facilidade de mobilidade entre ambos os países e a de integração na sociedade dinamarquesa permitiu que Ana regressasse à Dinamarca para ingressar num mestrado, tendo aí feito também o seu doutoramento.

O sucesso da sua investigação sobre os benefícios do consumo de peixe levaram-na a ser convidada para vários programas de televisão e de rádio. O sentimento de cidadania plena fez com que o casal permanecesse mais uns anos na Dinamarca. Mas foi em Portugal que celebrou o seu casamento, em 2004, numa cerimónia rica em comunhão de culturas.

Os choques culturais sentidos sobretudo com o nascimento das filhas Sophia e Camilla, nomeadamente na educação, nos costumes e na alimentação levaram a família a optar por regressar a Portugal. A facilidade de circulação na EU e o sentido prático de ambos facilitaram a instalação no nosso país. Ana e Ricki seguem “o mesmo ritmo”, há vinte anos.

Atualmente, Ana é professora universitária e Ricki tornou-se empresário no setor têxtil. Em casa, falam ora Português, ora Inglês ou ainda Dinamarquês. As filhas, com dupla nacionalidade, são exemplos de uma geração sem barreiras, são cidadãs da Europa.

Quando questionada sobre o que teria sido diferente sem a existência da União Europeia, Ana responde prontamente: “Tudo! A minha vida teria sido muito mais limitada e menos rica. A UE deu-me uma vida nova e bem mais completa que aquela que supostamente estava traçada. Não consigo imaginar a tristeza que deveria ser antes, uma limitação para toda gente sem a possibilidade de viajar, de aprender, de conhecer coisas lindíssimas. Temos tanta sorte!”

Neste dia em que o amor anda no ar, partilhem connosco as vossas histórias!

 Matilde Rodrigues