1. Portugal ficou sob a pressão dos mercados no contexto de uma tensão generalizada no mercado das obrigações soberanas da área do euro. Na situação actual, os agentes do mercado concentram-se muito mais nas fragilidades da economia do que nos progressos resultantes de boas políticas em 2010. A consolidação orçamental tem estado na linha da frente das medidas adoptadas pelo governo português, que, em Maio de 2010, reduziram o objectivo do défice para 7,3 % do produto interno bruto (PIB) em 2010, contra 9,3 % em 2009, o que é uma base robusta para lograr o ambicioso objectivo de 4,6 % para o défice em 2011.
O pacote de 50 medidas de apoio à competitividade e ao emprego, anunciado em Dezembro pelas autoridades portuguesas, visa, correctamente, responder aos maiores desafios que a economia portuguesa enfrenta.
Envidar todos os esforços para garantir o cumprimento do ambicioso objectivo orçamental de 4,6 % do PIB e o melhoramento da competitividade geral da economia é a orientação correcta, e a Comissão apoia as autoridades portuguesas nesses esforços.
2. A Comissão Europeia intensificou a supervisão macrofinanceira das economias e dos sistemas financeiros dos Estados-Membros. Nos casos em que os governos pediram assistência financeira estrangeira por meio do mecanismo de apoio às balanças de pagamentos (Hungria, Roménia e Letónia), por meio de empréstimos conjuntos (Grécia) ou por meio do MEEF(1) e do FEEF(2) (Irlanda), foram negociadas com as autoridades nacionais reformas ambiciosas, cuja execução está a ser acompanhada de perto, em cooperação com o FMI(3) e com o BCE(4). A supervisão macrofinanceira de todos os Estados-Membros está a tornar-se parte de um processo mais amplo de governação económica reforçada, no âmbito da estratégia Europa 2020. O novo enquadramento incluirá a supervisão das agendas de reformas estruturais e a detecção dos desequilíbrios económicos excessivos nos Estados-Membros. A Comissão entende que a aplicação eficaz de agendas de reformas específicas para cada país, a identificação correcta dos desequilíbrios e a sua rectificação atempada, juntamente com a solidez e a sustentabilidade das finanças públicas, são elementos fundamentais para salvaguardar a confiança dos investidores nas economias e nos sistemas financeiros dos Estados-Membros.
3. A emissão conjunta de obrigações soberanas pelos Estados-Membros da área do euro é uma ideia conceptualmente interessante. Deveríamos analisar esse instrumento e eventuais especificações com mais pormenor, sem descurar outras opções, dados os condicionalismos políticos conhecidos. Entretanto, dispomos de outros instrumentos aos quais podemos recorrer.