Comunicado de imprensa

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Revolução Húngara de 1956, tentativa de reunificação de uma Europa dividida
Instituições - 26-10-2006 - 13:49
Ao aprovar uma resolução sobre o 50º aniversário da Revolução Húngara de 1956, o Parlamento Europeu solicita que seja criado um programa europeu destinado a reforçar a cooperação entre os centros de investigação e documentação dos Estados-Membros que se dedicam ao estudo dos crimes dos regimes totalitários. Os eurodeputados qualificam a Revolução Húngara como uma das manifestações emblemáticas no século XX da luta pela liberdade e pela democracia, que desafiou o comunismo no bloco soviético.

Na resolução, subscrita pelos grupos políticos à excepção do Grupo Confederal da Esquerda Unitária Europeia/Esquerda Nórdica Verde e do Grupo Independência/Democracia, os deputados sublinham que "a comunidade democrática deve rejeitar inequivocamente a ideologia comunista, repressiva e antidemocrática" (§ 3), defender os princípios da liberdade, democracia, direitos humanos e Estado de Direito e adoptar uma posição clara quando estes são violados.
 
"A Revolução Húngara constituiu uma tentativa histórica de reunificação de uma Europa dividida e, portanto, permanece como um elemento essencial do património histórico comum da Europa", sublinham. Segundo os deputados, esta revolução contribuiu para o reforço da coesão no mundo democrático e para a fundação das Comunidades Europeias em 1957, desempenhou um papel precursor das mudanças políticas democráticas que tiveram lugar em 1989-1990 na Europa Central e Oriental e permitiram a reunificação pacífica da Europa através do processo de integração europeia.
 
O Parlamento Europeu presta homenagem aos valorosos homens e mulheres da Hungria que, com o sacrifício da própria vida, "infundiram uma réstia de esperança noutras nações sob o domínio comunista", e reconhece o valor essencial da solidariedade entre as nações, em particular, entre as diversas nações da Europa Central e Oriental que lutaram pela sua liberdade – húngaros, checos, polacos, alemães, estónios, letões e lituanos.
 
Os eurodeputados referem-se ao "vínculo histórico e político" entre a Revolução Húngara de 1956 e outras variadas formas e movimentos de resistência, tais como as demonstrações em massa na Alemanha de Leste em Junho de 1953, as manifestações de Poznan, na Polónia em Junho de 1956, a Primavera de Praga em 1968, o nascimento do movimento Solidariedade na Polónia em 1980 e os movimentos pela democracia na antiga URSS, nomeadamente entre os povos bálticos.
 
A Eurocâmara expressa também a sua gratidão pela solidariedade demonstrada pelos povos de muitos países ocidentais que acolheram 194 mil refugiados húngaros em 1956 e 1957.
 
Por fim, os deputados exortam todos os países democráticos a "condenarem inequivocamente os crimes cometidos por todos os regimes totalitários" e solicita a criação de um programa europeu destinado a reforçar a cooperação entre os centros de investigação e documentação que, nos Estados-Membros, se dedicam ao estudo dos crimes destes regimes.
 
Vítimas da Revolução Húngara
 
De acordo com a resolução, durante os confrontos e represálias subsequentes, 2170 pessoas foram mortas, 228 pessoas executadas entre 1956 e 1961, 20 mil detidas e encarceradas entre 1956 e 1958 e milhares discriminadas durante décadas por parte dos dirigentes comunistas que retomaram o poder.

REF.: 20061020IPR11874
Última actualização: 30 de Novembro de 2007Advertência jurídica