Dossier
 

Assistentes parlamentares: os "braços direitos" dos eurodeputados

Instituições - 02-04-2007 - 09:06
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São muitos os jovens que exercem funções no Parlamento Europeu. Os assistentes parlamentares preenchem uma larga fatia desse número, colaborando de perto com os eurodeputados eleitos por cada país comunitário. Trabalhando na “sombra” dos eurodeputados, os assistentes prestam um contributo fundamental para o seu dia-a-dia.

Existem actualmente 4.060 assistentes parlamentares, entre os quais 1.416 estão acreditados e exercem funções no Parlamento Europeu distribuídos por Bruxelas e Estrasburgo. Os restantes trabalham nos círculos representados pelos eurodeputados do Parlamento Europeu.
 
Trabalham para 785 eurodeputados e as suas funções variam de departamento para departamento e de eurodeputado para eurodeputado. Os salários também diferem e podem ser pagos mensalmente pelo próprio eurodeputado, a partir do valor mensal disponibilizado pelo Parlamento, ou ainda por delegações nacionais ou associações.
 
O seu trabalho é essencial. São os assistentes parlamentares que estabelecem a ligação entre o Parlamento Europeu, os eurodeputados e os cidadãos europeus.
 
Além do seu trabalho ser fundamental para os diplomatas que assistem, também o é para o funcionamento diário do Parlamento. Vamos descobrir um pouco mais do dia-a-dia dos assistentes parlamentares, "peças chave" para o normal funcionamento político da União Europeia.
 
 
REF.: 20070209FCS02971

Existe uma rotina no trabalho diário dos assistentes parlamentares?

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A resposta é não. As funções dos assistentes parlamentares abrangem trabalho administrativo, aconselhamento político, assessoria de imprensa e representação dos eurodeputados em reuniões. Cada dia traz consigo novos desafios, dependendo de cada eurodeputado. Em seguida apresentamos um dia de trabalho de um assistente italiano.
 
08h30 – Verificação de E-mail e correspondência, atendimento telefónico, leitura da imprensa do dia, elaboração de relatórios para o eurodeputado, actualização de informação através das agências noticiosas e envio de informação aos cidadãos -na sua grande maioria dos círculos dos eurodeputados – sobre as iniciativas e os programas da União Europeia.
 
11h00 – Tempo para um café no bar do Parlamento Europeu, juntamente com eurodeputados, funcionários, visitantes e assistentes de diferentes países e culturas.
 
11h20 – Correcção do relatório da Comissão, que terá de estar pronto antes das 12h00.
 
11h45 – O telemóvel não pára de tocar, o eurodeputado necessita de ir cedo para casa para participar num debate público no seu círculo eleitoral. Passagem rápida pela agência de viagens para reservar uma nova viagem, cancelar uma reserva de hotel para amanhã e ainda reservar um táxi para o aeroporto.
 
13h00 – Hora de almoço. A refeição de hoje é uma sanduíche em frente ao computador.
 
13h00 – Preparação da reunião da Comissão com o eurodeputado (finalização do discurso, algumas recomendações ou emendas) e verificação dos relatórios que vão ser discutidos.
 
15h00 – Seguir a reunião da Comissão e retirar algumas notas importantes.
 
18h30 – O eurodeputado tem uma reunião com um embaixador. Redigir um comunicado de imprensa sobre a reunião e organizar uma conferência de imprensa para a manhã seguinte.
 
19h30 – Altura para redigir uma carta para a Comissão, de forma a expressar as preocupações dos cidadãos... Entretanto o telemóvel volta a tocar. Trata-se do coordenador de um grupo pertencente a um dos círculos eleitorais que visitará amanhã o Parlamento Europeu (visita organizada pelo assistente). Jantar com o eurodeputado esta noite depois de confirmar duas vezes a reserva com o restaurante.
 
23h55 – Fim de um longo dia de trabalho.
 
E mais...
 
Além das tarefas normais do dia-a-dia de um assistente, a relação estreita mantida com o eurodeputado acarreta outro tipo de funções, como saber os seus detalhes bancários de forma a poder assisti-lo pessoalmente.
 
Algumas das tarefas são um pouco atípicas:
 
- Olhar pelas crianças. "A eurodeputada teve que trazer o seu filho para Bruxelas e não conseguiu encontrar ninguém para tomar conta da criança enquanto trabalhava... então levou o seu filho para o escritório para que eu brincasse um pouco com ele";
- Comprar roupa para o eurodeputado. "O seu fato estava perdido e precisava de uma gravata para o Plenário"
-Um assistente francês teve que descobrir uma loja onde o eurodeputado conseguisse alugar um smoking, "e eu tinha apenas um dia, parecia impossível... mas consegui!", afirma.
-Uma assistente irlandesa teve que fazer de guia turístico em Bruxelas. "Depois de estar no Parlamento dois anos, a eurodeputada que assisto decidiu que era tempo de conhecer a cidade para além do Parlamento e do hotel. Levei-a até ao centro para um passeio e para experimentar uma refeição típica, mexilhões com batatas fritas. "Ela não conhecia nem a Grand Place nem o Menneken Pis", afirma a assistente.
 
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Gostaria de ser assistente parlamentar?

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"Todos os caminhos vão dar a Roma". Este provérbio pode aplicar-se ao trabalho dos assistentes. Formação académica e diferentes experiências profissionais poderão constituir uma mais valia, dada a natureza do trabalho. No entanto, algumas características podem encontrar-se em praticamente todos os assistentes do Parlamento.
 
Motivação
 
Trabalhar como assistente oferece a possibilidade de participar de forma activa nas actividades europeias. Segundo a assistente francesa Anne-Claire, "para apreciar esta posição é necessário ter espírito europeísta, de forma a desempenhar uma participação activa no desenvolvimento da União Europeia, assim como no seu funcionamento". Outras opiniões reflectem motivações políticas. A assistente sueca Jeanette revelou que pretendia "estar preparada para trabalhar, tendo em vista os seus interesses e convicções políticas, num meio internacional".
 
Existe uma formação específica para seguir a carreira de assistente parlamentar?
 
Segundo Guna, assistente letã, não. "Acredito que não existe uma educação certa ou errada para chegar a assistente. Tem mais a ver com a personalidade e os objectivos de cada um. Eu, por exemplo, sou licenciada em Ciências da Religião e da Teologia."
 
No entanto, o conhecimento sobre a União Europeia é muito comum entre os assistentes, assim como os conhecimentos linguísticos... "Uma formação em assuntos europeus e a compreensão dos processos institucionais é muito importante", afirma Anne Laure. No entanto, um eurodeputado recente no Parlamento prefere um assistente com conhecimento dos processos legislativos e do trabalho diário da Instituição.
 
É necessário estar agregado a um partido?
 
Segundo a opinião dos assistentes, é necessária proximidade com os ideais políticos do eurodeputado. De acordo com a assistente Anne Laure, "não é possível trabalhar sem proximidade, sem partilhar os mesmos valores e convicções. O que não significa que tenhamos de estar sempre de acordo, pelo contrário: as trocas de opiniões entre o eurodeputado e o seu colaborador são enriquecedoras para o ambiente de trabalho. Se não tiver confiança nas pessoas com quem trabalho não posso fazer o meu trabalho, e vice-versa." É por esta razão que os eurodeputados recrutam o seu assistente no interior do seu grupo político. É este o caso de Tomé, assistente português: "A política e o desenvolvimento europeu interessam-me bastante. Fui um jovem socialista activo e estava no último ano da universidade quando recebi o convite para trabalhar aqui. Todos estes elementos contribuíram para que aceitasse a proposta de trabalho apresentada pelo eurodeputado que assisto."
 
Alguns eurodeputados preferem recrutar o seu assistente fora do seu grupo político, para evitar escolher alguém que esteja implicado em conflitos de política interna. Isto quer dizer que mesmo que nunca tenha assistido a uma reunião política continua a ter hipóteses de se tornar assistente parlamentar!
 
Ter experiência profissional e um estágio numa instituição da União Europeia podem ajudar, assim como uma experiência numa associação pan-europeia. E se for natural da mesma região que o eurodeputado deve mencioná-lo.
 
Flexível e empenhado
 
"Nesta profissão a experiência é a chave, assim como a paixão", afirma Anne-Claire. Motivação e resistência são duas características fundamentais, visto que os dias são longos. "São múltiplas as tarefas que fazem parte do dia-a-dia dos assistentes. Sendo assim é necessário ser-se organizado, reagir de forma rápida e adaptar-se a novas circunstâncias"; afirma Guna, assistente letã. "É necessário ter paciência e flexibilidade, ser eficiente e ter a capacidade para resolver problemas"; afirma Jeanette.
 
Como entrar neste mundo
 
Ainda pretende ser um dos 1.400 felizardos?
 Raramente são anunciadas vagas, pelo que é preciso ter iniciativa! Certamente poderá usar as suas relações e a sua lista de contactos para saber quem está a procurar um assistente. Ser recomendado por alguém conhecido pelo eurodeputado também pode ajudar. Tomé: "A minha experiência diz-me que é através das pessoas que estão em contacto connosco e que trabalham aqui ou que conhecem quem aqui trabalha. É necessário ter um contacto social com alguém que trabalhe no meio e que saiba o que se passa no seio da instituição ou do grupo político para o qual pretende trabalhar."
 
Esteja atento, conheça o eurodeputado para o qual pretende trabalhar ou então candidate-se a um estágio.
 
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A situação legal dos assistentes parlamentares

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Os assistentes são fundamentais para o trabalho diário dos eurodeputados no Parlamento Europeu. O número de assistentes, assim como as suas qualificações profissionais, aumentaram ao longo dos anos, acompanhando o crescimento do poder da instituição. No entanto, os assistentes parlamentares não são empregados directos do parlamento, mas sim dos eurodeputados, através de contratos celebrados em conformidade com a legislação nacional. Não existe um estatuto jurídico comum que forneça aos assistentes segurança social, seguro médico, tributação, pensões, etc. Os eurodeputados estão de acordo quanto à necessidade de criação de um estatuto comum para os assistentes.
 
No entanto, a situação dos assistentes envolve algumas particularidades, uma vez que assinam contratos nacionais mas trabalham predominantemente fora do seu país, o que complica consideravelmente a sua situação contratual. Para ultrapassar o sentimento de instabilidade em que se encontram, muitos assistentes gostariam de ter uma situação legal mais clara.
 
Que medidas tomou o parlamento
 
Apesar de algumas tentativas por parte do Parlamento Europeu, este problema não foi discutido durante um largo período de tempo, por falta de entendimento entre os eurodeputados. No entanto, depois do acordo de 2005 com o Conselho, o novo estatuto dos assistentes deverá ser resolvido após as eleições de 2009 no Parlamento Europeu.
 
"Tendo em consideração que o estatuto do eurodeputado vai ser alterado em 2009, já não existem obstáculos para que o estatuto dos assistentes não seja igualmente alterado" afirmou Joeri Hamvas, assistente belga/húngaro e Presidente da AAPE (Associação de Assistentes Parlamentares Europeus). "Espero que a Mesa do Parlamento Europeu resolva este assunto antes da entrada dos novos eurodeputados, em Julho de 2009."
 
"Espero que o Parlamento Europeu se apresse a resolver esta situação", afirmou Lisa Bauer, assistente alemã e membro da Mesa da AAPE, associação que "não tem cor política ou nacionalidade", sublinha Giovanni Meloghi, tesoureiro da AAPE.
 
Desde 1999 que o eurodeputado Gérard Onesta (Grupo dos Verdes/Aliança Livre Europeia), vice-presidente do Parlamento Europeu, lidera o grupo de trabalho dos assistentes e discute este assunto. Para já, o resultado do seu trabalho é o "CODEX", um único documento que refere todas as normas a adoptar para o estatuto dos assistentes. Este documento irá auxiliar consideravelmente os eurodeputados a resolver toda a situação legal que envolve o emprego dos assistentes parlamentares. De acordo com o eurodeputado, o Codex representa um passo significativo rumo ao progresso, mas aponta para a vontade política do Parlamento, expressa recentemente na votação do orçamento para 2007, de continuar a desenvolver este processo, de forma a que seja alcançada uma plataforma de trabalho comum. Para que isso seja possível, é necessário obter um acordo no Conselho de Ministros, de forma a romper definitivamente com as barreiras do passado.
 
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E depois da experiência no Parlamento, o que se segue?

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Ser assistente parlamentar é uma experiência única mas intensa, o que leva muitos dos assistentes a mudar de trabalho depois de dois ou três anos. E depois? A que futuro profissional pode aspirar um assistente? A experiência no Parlamento é um passo seguro para uma carreira profissional?
"O trabalho como assistente transmitiu-me vários ensinamentos. Obtive um conhecimento profundo do trabalho desenvolvido nas instituições europeias, adquiri uma boa rede de contactos, quer em Bruxelas quer na Dinamarca. Estou convencido que este emprego vai abrir muitas portas e vai ser formidável para o meu futuro profissional, seja no meu país natural ou aqui em Bruxelas," afirma Louise, assistente dinamarquesa.
 
Continuar na política!
 
A estreita relação de trabalho entre o eurodeputado e os grupos políticos seduz alguns assistentes a enveredar pelo mundo da política. O eurodeputado espanhol Antonio López-Istúriz White trabalhou como assistente. "Quando se é apontado como eurodeputado em Bruxelas é necessário algum tempo para saber como trabalhar de forma eficiente nesta gigantesca instituição. Como passei por assistente, ganhei muito tempo. Como se diz em Espanha: "Antes de ser empregado de mesa é necessário trabalhar na cozinha".
 
A eurodeputada holandesa Kathalijne Maria Buitenweg, que também já foi assistente, concorda. "A minha experiência anterior ajudou-me a ultrapassar os primeiros meses. Comecei logo a trabalhar nos primeiros dias". A experiência como assistente também ajuda os eurodeputados a distribuir melhor o trabalho entre os seus assistentes.
 
Alguns dos assistentes voltam à política nacional: um assistente francês deixou o PE em 2005 para liderar um partido político. Outros trabalham hoje para os partidos políticos representados no PE.
 
Outras opções
Existem várias oportunidades. O conhecimento das instituições europeias, uma vasta rede de contactos e o trabalho realizado tornam os assistentes atractivos para os grupos de pressão, grupos de reflexão e ainda para o sector privado com interesses na UE.
 
"Como assistente habituas-te a trabalhar num ambiente intenso, a formar opiniões qualificadas acerca de assuntos políticos de extrema importância e a comunicá-los aos eleitores. Graças ao teu carácter aberto e à capacidade diplomática, crias uma lista de contactos no interior e no exterior das instituições", declara Sofia, ex-assistente sueca." Em Bruxelas encontram-se os diferentes grupos de reflexão, várias organizações e empresas, consultores, outras instituições europeias, etc. As possibilidades são ilimitadas, apenas é necessário descobrir o que existe para oferecer."
 
Concursos para funcionários
Alguns assistentes acabam por permanecer nas instituições como funcionários, quando são bem sucedidos num concurso. Estas competições são bastante selectivas e apenas 3-4% dos candidatos são bem sucedidos. Uma vez que os exames envolvem muitas questões acerca da União Europeia, ter passado por assistente pode ajudar significativamente. A ex-assistente finlandesa Hannariikka, que hoje é funcionária do Parlamento Europeu, afirma: "Como assistente, normalmente tens que seguir um pouco de tudo o que se passa na agenda do Parlamento Europeu. Estar onde as decisões são tomadas e a legislação é adoptada e participar na sua preparação: existe melhor preparação do que aprender, fazendo?"
 
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