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Dia Mundial da Água

Ambiente - 23-03-2009 - 17:06
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Água, um bem cada vez mais escasso e precioso

Água: o "ouro azul" do século XXI

A água, celebrada mundialmente no dia 22 de Março, é um bem cada vez mais precioso e escasso. Mil milhões de pessoas não têm acesso a água potável e estima-se que nos próximos 20 anos este número aumente para 3 mil milhões. Além disso, 2,5 mil milhões de pessoas não têm acesso a condições sanitárias básicas.

Um dos objectivos do milénio, definido pelas Nações Unidas, passa por reduzir para metade, até 2015, a proporção de pessoas desprovidas de acesso permanente a água potável. No entanto, as estimativas actuais indicam que esse número vai aumentar para 3 milhões nos próximos 20 anos.
 
A carência de água tem um efeito devastador na saúde pública. A propagação de doenças pela água representa 80% do número de doentes e de mortes nos países em desenvolvimento.
 
A Europa tem actualmente um abastecimento de água suficiente mas enfrenta vários problemas, causados pelo desperdício, pelo uso inadequado e pela poluição. O Mediterrâneo é uma das regiões do globo onde se desperdiça mais água, nomeadamente através do turismo balnear.
 
As causas da escassez de água estão maioritariamente associadas ao crescimento populacional, à produção de alimentos (nomeadamente através da agricultura, responsável por cerca de 70% da água consumida), à pobreza e à gestão dos recursos hídricos. O aquecimento global vai aumentar a desertificação em África durante o século XXI, assim como a imigração para a Europa, o consumo e o consequente abastecimento de água.
 
O eurodeputado checo Miroslav Ouzký (Grupo do Partido Popular Europeu e dos Democratas Europeus) alerta para os perigos do futuro. "Várias reservas de água vão diminuir, especialmente a água potável no sul da Europa. Será importante alterar todo o conceito de águas superficiais. As políticas de cultivo da terra terão que ter em atenção medidas para a retenção de água".
 
Água: um recurso estratégico
A imigração resultante da escassez de água pode vir a causar novos conflitos. Alguns especialistas prevêem que as guerras do futuro vão ser provocadas pela água e não pelo petróleo. Em algumas regiões vários países partilham o mesmo rio, como acontece no Nilo (que atravessa nove países, abastecendo a totalidade de água consumida no Egipto), no Tigre e no Eufrates, onde a Turquia está a construir barragens e a instalar bombas de água que poderão provocar tensões com a Síria e o Iraque.
 
O eurodeputado italiano Giulietto Chiesa (Grupo Socialista), classificou a água como um "recurso essencial" e manifestou a sua preocupação relativamente às implicações políticas, económicas e sociais que a disputa pela água pode causar no futuro. "Não podemos aceitar que no futuro a água seja apenas uma mercadoria e que a sua gestão seja realizada apenas pelo sector privado."
 
REF.: 20070329STO04903