Dossier
 

2008, Ano Europeu do Diálogo Intercultural

Cultura - 11-12-2008 - 11:33
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Parlamento Europeu promove diálogo intercultural

Parlamento Europeu promove diálogo intercultural

Lançado oficialmente no dia 8 de Janeiro na cidade eslovena de Ljubljana, o Ano Europeu do Diálogo Intercultural é uma iniciativa da UE destinada a promover a compreensão entre as culturas e a ajudar os cidadãos europeus a lidar com um ambiente mais complexo e aberto em termos culturais. O Parlamento Europeu tem um papel de destaque nas actividades a desenvolver ao longo do ano, incluindo a visita de diversas personalidades e a realização de uma série de eventos especiais.

O Ano Europeu do Diálogo Intercultural é uma iniciativa destinada a promover uma genuína compreensão entre as culturas em diversos aspectos da vida, incluindo a educação, a religião, a juventude, o desporto e a cidadania. A promoção do diálogo intercultural é uma forma de fazer face à rápida globalização do mundo em que vivemos, onde se misturam e interagem as diferentes culturas, tradições e sistemas de pensamento.
 
Este dossier reúne entrevistas e artigos sobre os eventos a que o Parlamento Europeu quis prestar uma homenagem especial, no contexto do diálogo intercultural.
 
 
REF.: 20080211FCS20948

Duas perguntas sobre diálogo intercultural ao Presidente do Parlamento Europeu

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O Presidente do PE durante a entrevista

O Presidente do PE durante a entrevista

O diálogo intercultural é uma questão central do seu mandato. Por que motivo este tema é tão importante para si?
"A compreensão entre as culturas é fundamental para que exista paz no mundo. As relações entre o mundo ocidental e os mundos árabe e islâmico serão decisivas para o séc. XXI. Acredito profundamente que o terrorismo não teria lugar nessas condições. Alguns terroristas argumentam que utilizam a força porque o Islão os ensina a fazê-lo. Isto não é aceitável, o islamismo é, por natureza, uma religião pacífica.
 
Nunca esquecerei o discurso feito, perante o Parlamento Europeu, pelo último líder egípcio Anwar Al Sadat, que foi muito firme neste ponto: o verdadeiro islamismo é uma religião de paz. Devemos aproveitar as oportunidades e estabelecer relações com pessoas bem intencionadas do mundo islâmico. Se o fizermos, deixa de haver espaço para o "choque civilizacional" previsto por alguns. Temos a responsabilidade de desenvolver este diálogo, que se deve basear na tolerância recíproca e na verdade. Não pode ser um caminho de sentido único."
 
Por vezes parecem existir poucos motivos para ter esperança. Está optimista e acredita que pode haver uma alteração positiva desta situação?
"Alguma vez viu um pessimista ganhar no fim? Temos que ser optimistas. Sou cristão e para mim a esperança e o optimismo fazem parte das nossas vidas. Só podemos ser bem sucedido e alcançar os nossos objectivos se acreditarmos nos mesmos. Tomemos como exemplo a integração europeia. Eu tive o privilégio de iniciar funções no Parlamento Europeu em 1979 e, nessa altura, muitas pessoas jamais pensariam que a Europa se reunificasse, que tivéssemos um Parlamento Europeu mais forte, uma moeda europeia mais forte, mas a verdade é que tudo isso se tornou realidade. Estes resultados não foram alcançados numa semana: foi necessário trabalhar intensivamente e" contar com boa vontade e cooperação. É por isso que sou um optimista no que se refere ao sucesso do diálogo entre as culturas."
 
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Satguru Baba Ji: "Uma rosa não diz a uma tulipa: tu não existes"

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"As pessoas devem continuar a aprender até ao fim"

"As pessoas devem continuar a aprender até ao fim"

No dia 26 de Setembro o PE recebeu a visita do líder espiritual hindu Baba Ji, a convite da eurodeputada inglesa Neena Gill, presidente da delegação parlamentar para as relações com a Índia. Durante a visita, integrada nos preparativos para 2008, Ano Europeu do Diálogo Intercultural, Baba Ji reuniu-se com o Presidente do PE. Em entrevista exclusiva, o líder hindu falou-nos de sabedoria, conhecimento e coexistência pacífica. Um pouco de espiritualidade num mundo por vezes demasiado materialista?

"Os líderes religiosos que pregam uma existência pacífica e tolerante podem dar uma contribuição importantíssima às nossas sociedades", afirmou Hans-Gert Pöttering, na sequência da visita de Baba Ji ao Parlamento Europeu, em Estrasburgo. "O seu método de reunir líderes de diferentes religiões para debater o papel da espiritualidade na promoção dos valores humanos universais é idêntico ao que fazemos na União Europeia", acrescentou Pöttering.
 
Acaba de se reunir com o Presidente do Parlamento Europeu. Qual a importância dos encontros entre líderes religiosos e políticos? Que mensagem quis transmitir a Hans-Gert Pöttering?
"Debatemos essencialmente os princípios e valores da Missão Nirankari, da qual faço parte, tendo em vista a criação de uma fraternidade universal. O encontro centrou-se nos seres humanos, vivam eles na Europa ou na Índia, e na capacidade que a humanidade tem de coexistir em paz. Os políticos têm um papel fundamental, uma vez que dirigem governos e instituições, aos quais podem imprimir uma perspectiva humana. Com o Presidente Pöttering debati o lado espiritual da política e a forma de alcançar a harmonia entre os seres humanos."
 
O seu movimento apregoa a tolerância e o respeito entre os povos. 2008 será o Ano Europeu do Diálogo Intercultural. De acordo com a sua experiência, como é que na Europa os diferentes grupos étnicos, culturais e religiosos podem viver em harmonia?
"O que nos aproxima uns dos outros é o amor e a compaixão. O que pode criar uma verdadeira fraternidade, na qual todo o mundo pode participar, é a unidade de Deus. Na nossa missão temos hindus, cristãos, muçulmanos, diferentes tradições e estilos de vida, mais de 17 idiomas e 83 dialectos... e só estou a falar da Índia. O Parlamento Europeu também utiliza 23 línguas! Existem diferenças, nomeadamente linguísticas, mas isso é a diversidade. Tal como vós, também nós defendemos que aproximar as pessoas passa pela "unidade na diversidade". Mas é necessário trabalhar para isso: quando duas culturas diferentes se encontram, devem florescer juntas. Tal como acontece num jardim, onde uma rosa não diz a uma tulipa: tu não existes."
 
Algumas pessoas falam de uma crise espiritual na Europa, associada a uma diminuição da frequência dos locais de culto tradicionais. Na sua opinião, isto facilita ou dificulta a existência de uma sociedade pacífica e harmoniosa?
"Isso torna as coisas mais difíceis. As questões materiais da vida têm mais peso. As pessoas passam menos tempo em locais de culto. Mas a religião, no seu verdadeiro sentido, é a humanidade, o amor e a compaixão. Um poeta indiano dizia que "Não temos uma necessidade obrigatória de locais de culto religioso, uma vez que podemos adorar Deus amando a humanidade". Devemos perguntar-nos a nós próprios se sentimos amor e compaixão pelos outros, se somos humildes e capazes de ajudar os outros, não por orgulho ou egoísmo, mas por amor e desinteressadamente. Se uma pessoa for capaz disso e conseguir, ao mesmo tempo, dar resposta às suas necessidades materiais, excelente. Mas é necessário compreender quais são os principais ingredientes do culto: amor, compaixão e tolerância."
 
Defende que os seres humanos que querem aprender mais devem pedi-lo. Na União Europeia fala-se muito em aprendizagem ao longo da vida. O que devemos fazer para continuarmos abertos ao conhecimento?
"Aprender e adquirir novos conhecimentos é um processo que não acaba. As pessoas devem continuar a aprender até ao fim. O verdadeiro conhecimento é benéfico para os próprios e para toda a humanidade, pois permite construir um ambiente harmonioso. Os europeus devem manter o espírito e o coração abertos: foi essa a base dos desenvolvimentos passados. Mesmo existindo diversos Estados-Membros na UE, eles estão unidos e têm um único Parlamento Europeu. Este toque humano é importante para as pessoas. Nós somos uma família e, como em todas as famílias, os irmãos podem litigar sobre questões materiais mas, no final, continuam a ser irmãos."
 
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Grande Mufti da Síria: "os dedos de uma criança são mais sagrados do que o planeta inteiro"

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"Os líderes espirituais devem ser universais"

"Os líderes espirituais devem ser universais"

O Grande Mufti da Síria, a mais alta autoridade religiosa do país, discursou perante o plenário no dia 15 de Janeiro, onde se deslocou acompanhado de uma delegação multiconfessional. A visita, feita na sequência do convite endereçado pelo Presidente do Parlamento Europeu, Hans-Gert Pöttering, marcou o início do Ano Europeu do Diálogo Intercultural. A entrevista que se segue foi-nos concedida antes da sua partida de Estrasburgo.

No seu discurso perante o plenário afirmou que a humanidade partilha a mesma civilização. Em que medida poderá essa afirmação aplicar-se à forma como os líderes políticos lidam com a resolução dos conflitos no mundo?
"No meu discurso afirmei que existe uma única civilização e muitas culturas. A civilização é como um grande lago no qual confluem todas as culturas. A cultura pode ser francesa ou alemã, mas todas as culturas confluem na civilização humana. A cultura espiritual, seja ela cristã ou muçulmana, confere uma dimensão moral à humanidade. A civilização humana baseia-se na moralidade e na razão: a razão constrói a parte material da vida e a moralidade constrói o amor entre os seres humanos e une-os como irmãos, tanto cultural como espiritualmente. É por esse motivo que, actualmente, num mundo que se tornou uma "pequena aldeia", podemos beneficiar de todas as culturas e uni-las numa única civilização, para o bem de todos. Já lá vai o tempo em que as pessoas só podiam ouvir uma missa ou um sermão no seu próprio local de culto. Hoje em dia é possível ter acesso a milhares de canais televisivos, cada um pertencendo a uma cultura diferente. Os nossos filhos podem ouvir o mundo inteiro. Por um lado não podemos impedir que sejam universais na sua cultura e, por outro, devemos defender a nossa própria identidade, de forma a conseguir proteger a beleza do mundo. O diálogo entre as culturas é uma estrada de felicidade para a humanidade que nos afasta dos conflitos, impede as guerras contra uma civilização ou cultura e torna possível a construção de uma civilização do mundo."
 
A Terra Santa é sagrada para três grandes religiões e todas apelam ao amor e à paz. No entanto, a paz na Terra Santa parece inatingível. Como explica este fenómeno?
"O problema não é causado pelos homens nem pelas religiões, mas sim pelos políticos que fizeram uma interpretação incorrecta dos textos religiosos: a Bíblia, a Tora e o Corão. Apenas o homem é sagrado, o que não se aplica a nenhum pedaço de terra, igreja, muro das lamentações ou mesquita. A partir da leitura da Tora, do Corão e da Bíblia compreendemos que os dedos de uma criança são mais sagrados do que o planeta inteiro. As crianças são uma obra de Deus e quem destruir essa obra está a atacar Deus. Se destruirmos todos os edifícios religiosos é possível reconstruí-los, mas quem pode voltar a dar vida a uma criança? Os profetas vieram à terra pelo homem. O mais estranho é termos transformado a mensagem sagrada numa justificação para acabar com vidas humanas e dizermos que existe um povo sagrado e um povo não sagrado. Deus é sagrado. Se alguém destruir uma obra de Michelangelo, o que iremos pensar dessa pessoa? Que é uma pessoa ignorante, violenta, animalesca, sem respeito pelos valores humanos. E se destruirmos Deus? Aqueles que fabricam minas e armas de destruição massiva são os verdadeiros inimigos da civilização humana, porque são responsáveis pela morte de seres humanos. No meu discurso no Parlamento Europeu referi-me à nossa região como uma região de confluência de três religiões, da mensagem divina transmitida pelo cristianismo, pelo islamismo e pelo judaísmo: não nos enviem armas de fogo! Os nossos países são países de luz, a região do Médio Oriente é uma região de luz." 
 
Na sua qualidade de antigo Mufti de Aleppo e actual Grande Mufti da Síria, é conhecido pela sua capacidade de permitir a coexistência pacífica das comunidades religiosas. Que lições aprendeu em Aleppo e o que nos pode ensinar com base nessa experiência?
"Quando fui nomeado Grande Mufti da República Árabe da Síria as pessoas pensavam que eu seria apenas o Mufti dos muçulmanos mas depois do meu primeiro discurso, transmitido na rádio e na televisão, tornei-me o Mufti dos muçulmanos, dos cristãos, dos secularistas e de todos os cidadãos do meu país. Não me limito apenas a uma comunidade e foi por esse motivo que pedi a todos os líderes religiosos que fossem pais de todos os cidadãos sírios e que não se fechassem dentro da sua própria comunidade. Estou a tentar transmitir esta mensagem a todo o mundo árabe e muçulmano e, em seguida, tentarei transmiti-la a todo o mundo. Os líderes espirituais devem ser universais e não devem estar limitados a uma única comunidade ou confissão: o Papa não é apenas responsável pelos católicos, mas sim por toda a humanidade. Do mesmo modo, um Mufti não é responsável apenas pelos muçulmanos, mas sim por todo o mundo."
 
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Festival de Cinema Intercultural no Parlamento Europeu

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© Belga/LA MONTAGNE/DELPY Michele

"Express, express" inaugura festival de cinema do PE

"O Parlamento Europeu quer demonstrar o seu apoio a projectos realizados pela sociedade civil, que contribuam para o diálogo entre culturas". São palavras de Hans-Gert Pöttering antes do início do festival de cinema intercultural que se realiza no Parlamento Europeu a partir do dia 13 de Fevereiro. O programa para os próximos quatro meses inclui a projecção de 14 filmes de 14 Estados-Membros da UE, que têm como tema comum o diálogo intercultural.
 
A iniciativa do festival de cinema sobre diálogo intercultural foi tomada pela EUNIC, um conjunto de institutos culturais nacionais da União Europeia. O Parlamento Europeu decidiu patrocinar o evento e o festival foi co-organizado pela Direcção-Geral da Comunicação do Parlamento Europeu. Os filmes serão projectados no Edifício PHS do Parlamento Europeu em Bruxelas, às 19h00, duas ou três vezes por mês até ao final do ano e podem ser visionados pelos convidados dos institutos culturais, embaixadas e todas as pessoas com acesso ao Parlamento Europeu, incluindo a imprensa acreditada.
 
O Parlamento Europeu e o cinema
Tendo como objectivo promover a divulgação do cinema europeu, o Parlamento Europeu criou, em 2007, o Prémio Lux, cuja primeira edição contou com a participação de diversos realizadores de renome, entre os quais Manoel de Oliveira, um dos três finalistas ao prémio.
 
Este ano, no âmbito do festival de cinema dedicado ao Ano Europeu do Diálogo Intercultural, o PE decidiu organizar debates entre realizadores, actores e espectadores. A projecção dos filmes será antecedida de uma apresentação feita por um eurodeputado oriundo do respectivo país.
 
O festival tem início no dia 13 de Fevereiro, às 19h00, com a projecção de um filme esloveno, em homenagem à actual Presidência eslovena da União Europeia, intitulado "Express, express". O evento contará com a presença do realizador, Igor Stek, a eurodeputada Romana Jordan Cizelj e o Presidente do PE, Hans-Gert Pöttering.
 
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Entrevista com Dani Klein, vocalista dos Vaya Con Dios

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Dani Klein, vocalista do grupo belga Vaya Con Dios

"Brahms não seria Brahms sem a música cigana"

Há duas décadas, o grupo belga Vaya Con Dios era um êxito em muitas rádios e discotecas europeias, com temas como "What's a woman when a man...". Vinte anos depois, o grupo liderado pela vocalista Dani Klein continua a dar concertos em todo o mundo. No dia 7 de Abril, véspera do Dia Internacional dos Ciganos, e no âmbito do Ano Europeu do Diálogo Intercultural, os Vaya Con Dios deram um concerto no Parlamento Europeu, em defesa dos direitos dos romanichéis. A entrevista que se segue foi-nos concedida pela vocalista do grupo.
 
Quando é que se começou a interessar pela situação dos ciganos?
"Os Vaya Con Dios já deram bastantes concertos em países de Leste, onde existem muitos ciganos. Sempre que cantamos "Djelem djelem", o hino cigano que integrei no repertório, as pessoas reagem de forma entusiástica e identificam-se com a canção. Mas muitas das pessoas que se identificam com esta música têm uma atitude pessoal bastante discriminatória em relação aos ciganos. Por um lado apropriamo-nos da cultura cigana e, por outro lado, negamos e discriminamos o povo cigano. Não tenho nenhuma mensagem política a não ser a de que nos devemos respeitar todos uns aos outros."
 
Defende que os romanichéis devem ser encarados de uma forma mais positiva, designadamente tendo em consideração a sua contribuição para a cultura europeia?
"Sim, uma vez que a música cigana contribuiu para a arte em geral: não sou especialista em música clássica, mas Brahms não seria Brahms sem a música cigana e este exemplo aplica-se a muitos compositores clássicos. A música, a língua e as tradições ciganas contribuem para a riqueza europeia: deveríamos interessar-nos por saber quem são e o que querem. Os romanichéis são, de certa forma, irredutíveis, querem viajar, não são sedentários e nós queremos forçá-los a sê-lo. Admiro os ciganos porque conseguiram resistir até agora. Hoje em dia vemos muitos ciganos em Bruxelas, nomeadamente quando estamos parados num semáforo. Muitas pessoas afirmam que não lhes dão nada "porque é fácil viver desta maneira". Eu não concordo e penso que é extremamente difícil viver assim! Será que alguém tem vontade de respirar dióxido de carbono o dia inteiro, para receber quinze ou vinte cêntimos e algumas reprimendas? Não me parece uma abordagem correcta. É importante aproximar as pessoas por aquilo que têm de positivo."
 
Poderá a Europa contribuir para alterar essa perspectiva?
"Não sei quais são os poderes da Europa, porque não faço política. Mas se dispuser de meios para tal, sim. A ideia que esteve na origem da actual União Europeia foi a de impedir que países como a França e a Alemanha, por exemplo, entrassem em guerra! Se a ambição europeia é a paz, então a Europa poderá facilmente ajudar a aceitar os ciganos e as suas características específicas como parte do povo europeu."
 
Enquanto artista, o que a leva a envolver-se na causa cigana?
"Envolvo-me com causas que considero justas, para defender a liberdade e o respeito pelo outro. Os artistas não rejeitam a diferença: inspiram-se dela. Os artistas inspiram-se em todas as influências que os tocam. A nossa música inspira-se em músicas diferentes. Para os músicos, o racismo é uma realidade menos palpável do que noutros meios. Ser artista é ser marginal e é também ser, de certa forma, incómodo para a sociedade. Essa marginalidade aproxima-nos das outras comunidades marginalizadas da sociedade. A arte sempre teve essa função de acabar com os preconceitos, de abrir as mentalidades e os espíritos."
 
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Presidente Pöttering no Qatar: uma parceria no diálogo contra o extremismo

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O Presidente do PE e o Emir do Qatar, Doha, Qatar, 13 de Abril de 2008.

O Presidente do PE e o Emir do Qatar

Uma das principais prioridades do Parlamento Europeu para 2008, Ano Europeu do Diálogo Intercultural, é a promoção do diálogo, designadamente com os países árabes e islâmicos. Este fim-de-semana, na sua primeira visita a um país do Conselho de Cooperação do Golfo, o Presidente Hans-Gert Pöttering deslocou-se ao Qatar e participou na 8ª Cimeira de Doha sobre desenvolvimento democrático e liberdade comercial.
 
Durante o seu discurso, o Presidente do Parlamento Europeu afirmou que a parceria entre a União Europeia e os países do Conselho de Cooperação do Golfo "é fundamental para assegurar uma estabilidade geopolítica sustentável na região".
 
De acordo com Hans-Gert Pöttering, a União Europeia e o Qatar "devem desenvolver uma relação de parceria no diálogo, de forma a ultrapassar os desentendimentos e a ignorância que tantas vezes têm dado origem a confrontos, violências e extremismos".
 
Durante a visita, o Presidente do Parlamento Europeu reuniu-se com membros do governo e com o Emir do Qatar, com quem debateu questões energéticas, o processo de paz no Médio Oriente, a situação no Irão, a estabilidade regional, a religião e a tolerância.
 
"Vocês serão certamente o nosso 'próximo passo' em matéria de vizinhança, não só por questões geográficas e geoestratégicas, mas também pelas sólidas convergências que temos vindo a desenvolver!".  Nesse sentido, o Presidente do Parlamento Europeu vai propor que dois deputados de países do Conselho de Cooperação do Golfo sejam nomeados observadores na Assembleia Parlamentar Euro-Mediterrânica.
 
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Fotografia do dia: jovens líderes políticos no Parlamento Europeu

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Momentos do encontro de 4 dias entre jovens líderes políticos europeus, israelitas e palestinianos

Jovens líderes políticos no Parlamento Europeu

Entre 25 e 28 de Maio realizou-se, no Parlamento Europeu, em Bruxelas, um encontro com jovens líderes políticos europeus, israelitas e palestinianos, no âmbito do Ano Europeu do Diálogo Intercultural.
 
O convite foi endereçado a 21 jovens pelo Presidente do Parlamento Europeu, Hans-Gert Pöttering, que pagou a visita com o dinheiro do prémio Hallstein, que lhe foi atribuído em 2007.
 
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Entrevista com Ibrahim Haiwa: "A UE pode ser a luz que nos indica o caminho"

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Hauwa Ibrahim no Parlamento Europeu

Hauwa Ibrahim no Parlamento Europeu

No dia 12 de Junho, no âmbito do Ano Europeu do Diálogo Intercultural, o Parlamento Europeu organizou um seminário dedicado ao Dia Internacional da Juventude Africana, que se celebra no dia 16 de Junho. A nigeriana Ibrahim Haiwa, vencedora do Prémio Sakharov para a Liberdade de Pensamento em 2005, foi uma das convidadas do encontro. Na entrevista que se segue falou-nos das aspirações e dos problemas do continente africano.
 
Quais são as esperanças e aspirações da juventude africana?
"Os jovens africanos querem contribuir para a paz, a liberdade e a dignidade humana. Querem ter a possibilidade de criar. Não querem ter que pensar se vão ter comida no dia seguinte e querem estar livres de situações que os impedem de avançar, como a pobreza. Querem ter a oportunidade de alterar de forma positiva a sociedade em que vivem, os seus países e o mundo".
 
O que podem a UE e o Parlamento Europeu fazer pelos jovens africanos?
"É uma honra saber que o Parlamento Europeu dedicou este seminário ao Dia Internacional da Juventude Africana! É importante que a União Europeia e o Parlamento Europeu não entendam África como uma unidade, mas sim como um grande continente. Quando uma grande entidade tem um problema, devemos analisá-lo peça a peça e resolver um problema de cada vez. Um dos problemas que o meu país, a Nigéria, enfrenta neste momento é a falta de consistência das políticas governamentais. A União Europeia e o Parlamento Europeu podem ajudar, nomeadamente visitando o continente regularmente, para ter uma noção do que se passa na realidade. As nossas infra-estruturas são completamente desadequadas. Por exemplo, uma escola que há dez anos era frequentada por 500 ou 600 alunos é actualmente frequentada por 1000 alunos, mas as instalações não foram adaptadas às novas necessidades. Esta questão perturba os professores e os alunos. A formação dos professores também é um problema e a União Europeia poderia convidá-los a visitarem as salas de aula, os livros e os laboratórios europeus, para que possam regressar e utilizar os mesmos materiais, ou formá-los em áreas como a ciência e a matemática. A União Europeia pode ser a luz que nos indica o caminho".
 
A Europa é um modelo e um motivo de esperança para a juventude africana?
"Sem dúvida. A Europa já passou por tantas experiências! A forma como ultrapassaram os problemas, como pensam o futuro e planeiam a actualidade são lições que devemos retirar da Europa. Este Parlamento é fascinante. Como conseguiram chegar aqui? Talvez a minha geração não seja capaz de alcançar uma situação destas, mas tenho esperança que a próxima geração consiga".
 
O que mudou na Nigéria e em África depois de ter recebido o Prémio Sakharov do Parlamento Europeu em 2005?
"O Prémio fez uma grande diferença. Deu-me mais voz, credibilidade e, acima de tudo, reconhecimento. A minha paixão é a educação e criámos uma instituição de caridade, a "Fundação para a Literacia", com o dinheiro que me foi atribuído com o Prémio Sakharov. Entretanto, outras pessoas decidiram doar dinheiro e os fundos existentes multiplicaram. Depositámos o dinheiro no banco e recebemos 5% de juros pelo depósito, com os quais enviámos 32 crianças para a escola e para a universidade. São crianças que não têm dinheiro para frequentar a escola. Além disso, quando fui professora na Universidade de Abuja, verifiquei que, para os 3.000 alunos que a frequentavam, existiam apenas 200 livros de direito. O governo queria retirar-nos a competência académica, por não satisfazermos as condições necessárias. Foi nessa altura que recebi o Prémio Sakharov e fui convidada para dar um discurso no Minnesota, durante o qual falei da nossa falta de livros. Resolveram dar-nos 800 livros novos, cujo transporte paguei com parte do dinheiro do Prémio. Nesse sentido, posso dizer que o Parlamento Europeu salvou a Universidade de Abuja".
 
Tendo em consideração a importação de recursos naturais africanos por parte da UE, a pesca excessiva na região e a imigração ilegal de África para a UE, o que pode a Europa fazer para ajudar África?
"Existem questões políticas e questões económicas. Os direitos humanos fundamentais situam-se entre estes dois tipos de questão. Se a Europa retirar algo de uma terra virgem africana ou pescar todo o nosso peixe, o que nos dá em troca? Quererão acabar com o peixe e deixar-nos sem nada? É esse o objectivo europeu? Penso que é necessário conciliar a questão económica com a questão humana e devemos tratar a globalização com dignidade. Pretendemos um mundo seguro, sem atrocidades e não queremos criar o contrário através das políticas que adoptamos. Independentemente de se tratar de madeira ou de peixe, devemos lembrar-nos sempre de conciliar a política com a humanidade, a dignidade e o respeito pela vida humana".
 
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Entrevista com Asma Jahangir sobre diálogo intercultural

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Asma Jahangir no Parlamento Europeu

Asma Jahangir no Parlamento Europeu

No dia 18 de Junho, Asma Jahangir, relatora especial do Conselho dos Direitos Humanos das Nações Unidas sobre a liberdade de religião ou de convicção, esteve no Parlamento Europeu em Estrasburgo, onde se dirigiu aos eurodeputados, no âmbito do Ano Europeu do Diálogo Intercultural. Em entrevista exclusiva explicou-nos de que forma somos, simultaneamente, "todos iguais e todos diferentes" e em que medida o diálogo intercultural é fundamental para a humanidade.
 
O que significa na prática o termo "diálogo intercultural" e qual a sua importância para as pessoas?
"A abordagem do termo não deve ser académica, mas sim prática. O diálogo intercultural é a abertura de espaço para que as diferentes vozes existentes se possam fazer ouvir. Não se trata apenas de interacção, trata-se de criar um ambiente onde as pessoas interajam naturalmente umas com as outras, sem guetos baseados na raça ou na religião".
 
O que podem instituições como a União Europeia e a Organização das Nações Unidas fazer para ampliar o diálogo intercultural e aumentar a tolerância religiosa no mundo?
"Quando as pessoas sentem que as suas vozes não serão ouvidas ou compreendidas, recorrem à violência. Neste sentido, a interacção é muito importante para evitar a violência. A Europa, tal como toda a comunidade internacional, deve expressar de forma muito clara que a violência não pode sair impune, especialmente em relação aos governos que conferem impunidade aos actos violentos cometidos "em nome da religião". A Europa tem um papel de liderança a desempenhar na sua qualidade de região democrática e pode indicar-nos como aprofundar a democracia de uma forma verdadeiramente pluralista".
 
Qual o factor mais importante na promoção do diálogo intercultural: a educação, a família, as organizações internacionais, os meios de comunicação social?
"São todos igualmente importantes. Os meios de comunicação social desempenham um papel importante, raramente negativo. A cultura é outra forma de promover o diálogo intercultural. Hoje falei sobre o papel que os filmes indianos têm desempenhado na educação pública sobre harmonia comunitária. A educação também é muito importante, porque é através da educação que as pessoas desenvolvem a sua personalidade. A família é outro factor relevante, porque não se trata apenas da educação, mas também de evitar que as famílias imponham restrições que impossibilitem a troca de experiências. Os casamentos combinados ainda existem e são muitas vezes um tabu, mesmo em sociedades consideradas civilizadas. Também é importante que os políticos sejam capazes de falar abertamente sobre as questões. A dignidade dos seres humanos deve estar no centro de todas as liberdades, independentemente de se tratar de liberdade religiosa ou de expressão".
 
Hoje citou o ex-Secretário-Geral da ONU, Boutros Boutros-Gali: "Somos, simultaneamente, todos iguais e todos diferentes". Em que é que somos iguais e em que medida podem os cidadãos europeus contribuir para a promoção do diálogo intercultural?
"Trabalhei com uma das camadas mais desfavorecidas da sociedade e, para essas pessoas, a dignidade é uma questão tão importante quanto a dignidade de qualquer outra pessoa mais privilegiada. O sentimento de humilhação, independentemente da cor ou religião do ofendido, é universal. Nesse sentido, somos todos iguais. No entanto, podemos ter crenças, abordagens da vida e ideias espirituais diferentes. Somos iguais em muitos sentidos, mas também somos diferentes".
 
Está optimista em relação ao futuro?
"Estou optimista porque em todos os locais que visitei constatei que a maioria das pessoas quer viver na diversidade. Penso que quando os governos e a opinião pública elaboram estratégias, devem dar voz à maioria que é contra a violência, a discriminação e a perseguição religiosa".
 
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Semana africana no Parlamento Europeu

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A semana africana, que decorreu no Parlamento Europeu entre os dias 8 e 12 de Setembro, trouxe a Bruxelas políticos e artistas de renome. Os debates realizados ao longo da semana centraram-se essencialmente nos direitos humanos, na imigração e na crise alimentar mundial, e o programa artístico contou com a colaboração de diversos artistas contemporâneos africanos.
 
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Fotografias de Dalai Lama no Parlamento Europeu

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No dia 4 de Dezembro, o líder espiritual budista esteve no Parlamento Europeu, onde falou da importância dos valores humanos universais e da situação do Tibete.
 
Durante aquele que foi o último evento realizado no âmbito do Ano Europeu do Diálogo Intercultural, o 14° Dalai Lama apelou à defesa dos valores humanos e da harmonia religiosa em todo o mundo.
 
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Entrevista com o Rabino-Chefe Jonathan Sacks: "Os heróis são os moderados"

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O Rabino-Chefe Jonathan Sacks durante a entrevista no Parlamento Europeu. Estrasburgo, Novembro de 2008

"A religião é como o clima"

No dia 19 de Novembro, Jonathan Sacks, Rabino-Chefe das Congregações Hebraicas Unidas da Commonwealth, esteve no Parlamento Europeu, no âmbito do Ano Europeu do Diálogo Intercultural. Em entrevista exclusiva concedida depois do seu discurso no hemiciclo de Estrasburgo, Jonathan Sacks falou-nos de humor e salientou que "a questão é saber como falar com os moderados, para conseguir isolar os extremistas".
 
A Europa e os Estados Unidos da América têm modelos sociais substancialmente diferentes em termos multi-raciais e multi-religiosos. Que ensinamentos podemos retirar dessas diferenças?
"Os americanos sempre tiveram que integrar os recém-chegados e a noção de 'consenso' sempre fez parte da cultura política dos Estados Unidos da América. Mas o conceito nasceu na Europa pós-Reforma, em grande parte baseado na Bíblia Hebraica. Penso que a Europa deve regressar a esse conceito, que tem o poder de unir diferentes grupos de diferentes culturas. Se quisermos construir uma sociedade, devemos considerar que todas as pessoas participam nessa construção.
 
Os Estados Unidos da América adoptaram esta ideia europeia – criada no séc. XVII quando as nações europeias tiveram necessidade de se unir – e continuaram a utilizá-la quando a Europa se esqueceu da sua existência. A reacção romântica contra o racionalismo do séc. XIX deu origem a nações baseadas na raça e, se basearmos uma nação na raça ou na religião criamos uma nação que exclui. Todos nós sabemos a que é que isso conduziu: a duas Guerras Mundiais e ao Holocausto. Não podemos regressar a essa via".
 
Nos seus encontros com islamitas radicais foi possível dialogar?
"A primeira condição para conseguirmos falar com alguém é que essa pessoa reconheça o nosso direito de expressão e a nossa qualidade de parceiro no diálogo. Uma pessoa que nega a minha existência, a minha identidade ou o meu direito a ter direitos não pode ser um parceiro de diálogo. A questão é saber como falar com os moderados, para conseguir isolar os extremistas.
 
A Europa deve conferir poderes aos moderados para conseguir marginalizar os extremistas. Trata-se de um desafio político, porque infelizmente os meios de comunicação social conferem poderes aos extremistas. Se desviarmos um petroleiro, provocarmos uma explosão ou matarmos alguém, somos publicitados. Nesse sentido, os extremistas transformam-se em heróis e os meios de comunicação social apresentam-nos como um modelo a seguir pelos jovens, que em seguida dizem que também querem ser assim. A menos que exista uma contra-corrente, se continuarmos assim acabamos todos em sarilhos. Não devemos falar com os extremistas, mas sim fazer dos moderados os nossos heróis".
 
Relativamente ao Médio Oriente, não deveria a religião funcionar como um instrumento de compreensão e não como um motivo de conflito?
"A religião é como o clima. Por vezes está sol e gostamos do tempo e outras vezes está frio e não o suportamos. A religião comporta sempre elementos bons e maus. Em momentos de acelerada mudança, instabilidade, incerteza e receio, as pessoas procuram quem lhes garante segurança e quem lhes garante segurança são os extremistas. Para eles o mundo é simples: nós temos razão, eles não. Em situações de turbulência política e extremismo religioso, os verdadeiros heróis são as pessoas que se opõem aos extremistas na sua religião. Alguns foram assassinados e outros excomungados. É preciso ter coragem para lutar contra os extremistas mas se o fizermos com sentido de humor e conseguirmos reunir as pessoas, conseguiremos combatê-los.
 
Existem líderes religiosos israelitas e palestinianos a favor da paz e do reconhecimento da genuína religiosidade do outro lado. Serão a maioria? Essa questão não interessa porque são necessários construtores de pontes de entendimento e, mesmo que sejam apenas alguns, devemos valorizá-los".
 
É possível ter esperança na coexistência pacífica das diferentes religiões?
"As pessoas confundem optimismo com esperança e existe uma diferença entre estes dois conceitos. Ter optimismo significa acreditar que as coisas vão melhorar. Ter esperança significa ter consciência de que se trabalharmos o suficiente, seremos capazes de tornar as coisas melhores. O optimismo é uma virtude passiva e a esperança é uma virtude activa. Não é necessário ter coragem para ser optimista, basta alguma ingenuidade, mas é necessário ter muita coragem para ter esperança.
 
Sabendo o que o nosso povo tem passado ao longo dos últimos três mil anos, nenhum judeu que conheça a história judaica pode ser optimista nem desistir de ter esperança. O hino nacional de Israel significa "esperança" e o nosso papel enquanto líderes religiosos é o de agentes de esperança num mundo próximo do desespero. É necessário ter firmeza e coragem para continuar a ter esperança, mas a alternativa existente não funciona: as políticas do desespero são sempre políticas perigosas".
 
O humor faz parte da esperança?
"Absolutamente! O humor é um parente próximo da esperança. Até sugeri ao Presidente Pöttering que, depois do Ano Europeu do Diálogo Intercultural, fosse declarado um Ano Europeu do Humor. Mas estava só a brincar".
 
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Entrevista com o Patriarca Ecuménico Bartolomeu I: "O nosso planeta é a casa de todos"

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O Patriarca Ecuménico Bartolomeu I, durante a entrevista no Parlamento Europeu

O Patriarca Ecuménico Bartolomeu I no PE

No dia 24 de Setembro, o primaz espiritual dos cristãos ortodoxos, Bartolomeu I, esteve no Parlamento Europeu, em Bruxelas. Durante o seu discurso perante os eurodeputados, o Patriarca Ecuménico defendeu que "existe lugar para todos na Europa" e que "a coexistência entre cristãos e não cristãos deve permitir o enriquecimento mútuo". Em entrevista concedida após a intervenção no hemiciclo, afirmou-nos que "a religião e a política coexistem porque ambos servem a humanidade".
 
Como descreve a inter-relação actual entre a religião e a política na Europa?
"A religião e a política coexistem porque ambas servem a humanidade, ambas existem para a humanidade. Um político não pode esconder a sua face nem a sua religião porque ambas fazem parte da sua existência e do exercício das suas funções.
 
O Parlamento Europeu tem convidado e recebido diversos líderes religiosos, o que demonstra que os políticos que têm nas mãos o destino dos povos da Europa não ignoram a vida das pessoas, nem os seus interesses.
 
A cultura europeia baseia-se na fé cristã, mas isso não significa deixar fora da Europa as pessoas que não são cristãs. A coexistência entre cristãos e não cristãos deve permitir o enriquecimento mútuo".
 
O diálogo entre religiões é uma das suas principais prioridades. Como descreve as relações actuais entre os cristãos e os muçulmanos na Europa?
"Existem vários milhões de muçulmanos na Europa. Todos nós devemos aspirar a viver em harmonia, na nossa qualidade de filhos do mesmo deus.
 
Nem os muçulmanos, nem os outros grupos minoritários devem viver em guetos: devem ser integrados na sociedade que os acolheu e viver com o melhor que essa sociedade tem para lhes oferecer.
 
A sociedade europeia é uma sociedade aberta e existem mesquitas em muitas cidades europeias, o que para nós é natural. Mas esta abertura tem que ser recíproca. Por exemplo, é injusto que não seja possível construir uma igreja cristã na Arábia Saudita.
 
Em Istambul somos uma pequena comunidade cristã, somos cidadãos turcos e cumprimos todas as nossas obrigações para com o Estado, mas nem sempre somos tratados da mesma maneira que os muçulmanos, que são a maioria. Sentimos que somos tratados como cidadãos de segunda classe e isso entristece-nos".
 
Chamaram-lhe o "Patriarca Verde", pela suas acções de apoio às questões ambientais. Porquê?
"Herdei este interesse pela ecologia do meu antecessor, o Patriarca Dimitros, que declarou o dia 1 de Setembro como o dia das orações para a protecção do ambiente.
 
A defesa ambiental é um problema urgente e crítico em todas as partes do globo. Todos os dias ouvimos falar das devastações causadas pelas tempestades, pelas cheias e pelas alterações climáticas em geral, que provocam milhares de mortes.
 
A igreja tem o dever de participar no esforço de consciencialização das pessoas, sobretudo dos jovens, porque serão determinantes para o futuro do planeta.
 
Este problema afecta-nos a todos – cristãos e não cristãos – porque o planeta é a nossa casa. A palavra ecologia deriva da palavra grega oikos, que significa casa.
 
Também organizamos simpósios bienais, como é o caso do 8° Simpósio que se realizará no Egipto em Abril de 2009, para os quais convidamos cristãos e pessoas de outras religiões, assim como especialistas em matérias como a biologia e o ambiente. Estamos a tentar desenvolver juntos um diálogo sobre ciência e religião e já alcançámos resultados importantes".
 
Tem uma perspectiva muito particular do diálogo inter-religioso e das relações entre a Turquia e os países vizinhos. Considera que estes factores serão importantes nas negociações de adesão entre a Turquia e a União Europeia?
 "A Turquia tem boas relações com todos os países vizinhos, incluindo a Grécia, a Bulgária e a Roménia, três países ortodoxos que fazem parte da União Europeia.
 
Estas relações irão ajudar a Turquia durante as negociações de adesão, mas também contribuirão para o bem dos países vizinhos que, em vez de se matarem uns aos outros e gastarem milhares de milhões em armamento, terão a possibilidade de uma cooperação pacífica e criativa, utilizando os fundos em obras públicas e educação.
 
Muitas pessoas afirmam que a Turquia, por ser um país quase exclusivamente muçulmano, não tem lugar na Europa. Nós acreditamos que a diferença na religião não deve ser um obstáculo.
 
Se a Turquia cumprir todos os requisitos existentes para países candidatos, pode ser aceite pela União europeia, ainda que a sua população seja quase exclusivamente muçulmana. É um mundo diferente, mas pode coexistir com o mundo cristão, tal como aconteceu muitas vezes no passado, em muitos locais diferentes do mundo.
 
Na Europa existe lugar para todos, desde que nos adaptemos e não vivamos em guetos".
 
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Fotografias da semana árabe no Parlamento Europeu

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Entre os dias 3 e 7 de Outubro, o Parlamento Europeu organizou, em Bruxelas, uma série de eventos relacionados com a semana árabe, no âmbito do Ano Europeu do Diálogo Intercultural. Debates sobre diversos temas da actualidade, exposições de pintura, fotografia, escultura e tapeçaria, concertos e espectáculos de dança, demonstrações da caligrafia árabe e projecção de filmes foram algumas das actividades constantes do programa.
 
Este conjunto de fotografias retrata alguns dos principais momentos da semana árabe no Parlamento Europeu.
 
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Entrevista com Wole Soyinka, o primeiro Nobel da Literatura africano

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O escritor nigeriano Wole Soyinka durante a entrevista no Parlamento Europeu

O escritor nigeriano Wole Soyinka

Wole Soyinka, escritor e poeta nigeriano, Nobel da Literatura em 1986, esteve presente na semana africana. Durante a sua intervenção na reunião dedicada ao diálogo intercultural, Soyinka insistiu firmemente na necessidade de julgar os responsáveis por violações dos direitos humanos. Detido diversas vezes na Nigéria pelas suas críticas às forças militares e governamentais, o escritor dedica grande parte da sua obra à corrupção, à tirania, ao culto da personalidade e aos ditadores africanos.
 
Quais são, na sua opinião, os factores mais importantes no diálogo intercultural?
"O diálogo intercultural é um fenómeno humano. O que está em causa é a forma de pôr em prática e de melhorar esse diálogo. Espero que a comunidade internacional já tenha percebido que a hierarquia de culturas não existe. O reconhecimento das culturas desconhecidas ou estranhas avançou muito e há um conhecimento cada vez melhor dos fenómenos culturais. Isso significa que é necessário desenvolver e melhorar os mecanismos de troca cultural".
 
O seu trabalho está muito ligado a alguns temas políticos em África, como a corrupção e o abuso de poder. Qual é, no seu entender, o papel dos escritores na sociedade?
"Voltamos à questão da interacção cultural e é evidente que cada cultura tem as suas prioridades. De certa maneira, a política encontra sempre uma forma de ocupar o seu próprio espaço nos programas culturais. As pessoas continuam a questionar-se sobre o papel do indivíduo na comunidade. Acredito que a cultura, seja sob a forma de literatura, poesia, prosa, romance, em África ou na Rússia, possa estar sempre impregnada de elementos socio-políticos. É como a água: encontra sempre o seu nível".
 
O que significam, para si, os mecanismos de troca entre culturas?
"Vou dar um exemplo concreto: o British Council e a Alliance Française enviam esporadicamente grupos de teatro a África, designadamente à Nigéria, para actuações e debates. Em seguida, os grupos nigerianos podem viajar para o estrangeiro e dar a conhecer ao público novos idiomas teatrais. Basta participar numa destas acções para constatar a forma enriquecedora como as pessoas abrem os seus horizontes. Um outro exemplo é o fenómeno da internacionalização dos festivais locais. Na minha Universidade organizamos um festival denominado "Máscaras, Mascaradas e Marionetas". Foi uma oportunidade de introduzir os nigerianos às tradições de máscaras do resto do mundo. Convidámos o Japão, a China e os países escandinavos. Muitos nigerianos não sabiam que existe uma tradição de máscaras nesses países e pensavam que era uma tradição exclusivamente africana. Foi duplamente útil para os nigerianos porque, como sabemos, o fundamentalismo religioso está a limitar a compreensão entre culturas e os horizontes das pessoas. Muitos cristãos e muçulmanos nigerianos, incluindo os próprios estudantes, ainda acreditam que as máscaras são um sinal de feiticismo, de paganismo e de barbárie".
 
Como se sente por participar na semana africana do Parlamento Europeu?
"Como é que me sinto? Em casa! Enquanto a Nigéria esteve em crise, eu costumava visitar e conversar com os deputados ao Parlamento Europeu. Agora que as coisas parecem ter estabilizado, entendi o convite como uma forma de regressar aqui e agradecer o apoio do Parlamento Europeu durante a última ditadura na Nigéria. Geralmente sou convidado em momentos de crise na Nigéria e espero nunca mais ter que voltar nessas circunstâncias. Mas estou muito feliz por estar aqui novamente".
 
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