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Entrevista com Jan Andersson: a caminho de um trabalho digno para todos?

Política de emprego - 13-02-2008 - 12:40
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O eurodeputado sueco Jan Andersson

O eurodeputado sueco Jan Andersson

O trabalho ocupa uma parte importante da vida quotidiana da maioria dos europeus. O que determina o grau de satisfação laboral e quais são os elementos fundamentais para um trabalho digno? Depois de participar numa sessão da Comissão para o Desenvolvimento Social da ONU, o presidente da comissão do Emprego e dos Assuntos Sociais do Parlamento Europeu, Jan Andersson, deu-nos uma entrevista na qual nos explica de que formas pode a UE promover o trabalho digno, tanto a nível europeu como global.

Qual a sua definição de 'trabalho digno'?
"Um trabalho com um salário digno, com o qual seja possível viver. Mas não se trata apenas de salário: um emprego digno implica saúde e segurança no local de trabalho, a possibilidade de o trabalhador influenciar a sua situação laboral e a possibilidade de continuar a aprendizagem ao longo da vida. O salário é importante para a vida fora do trabalho, mas existem elementos importantes no próprio trabalho, como a saúde e a segurança".
 
O salário mínimo é uma forma de promover o trabalho digno?
"Por um lado sim, por outro não. Não devemos centrar-nos demasiado no salário mínimo porque existe o risco de o salário mínimo se transformar no salário máximo. É necessária uma política de salário mínimo, mas devemos estar conscientes que o salário mínimo não é o objectivo a atingir: o objectivo é um salário normal e um salário melhor do que o salário mínimo."
 
A sessão da ONU correspondeu às suas expectativas?
"Não sei se tinha alguma expectativa... foi a minha primeira visita à ONU. Resolvemos ir por diversas razões: por um lado, penso que a UE e o PE devem desempenhar um papel mais activo à escala global, não se limitando à política de segurança. O que está em causa é também a política ambiental, as políticas comerciais, trabalho digno e condições de trabalho dignas em todo o mundo. Outro objectivo foi o estabelecimento de contactos, para que o Parlamento Europeu possa assumir um papel mais activo no debate global (...). Se não estabelecermos esse diálogo e não conseguirmos melhorar a situação dos trabalhadores em todo o mundo, o risco de que as forças proteccionistas europeias que querem fechar as fronteiras será maior. É do nosso interesse e também do interesse das pessoas fora da UE que exista este diálogo sobre trabalho digno."
 
O que faz a UE para promover o trabalho digno?
"Nós não podemos decidir o que se passa nos outros países. Podemos ser, antes de mais, um bom exemplo (...). Durante as negociações comerciais devemos levantar questões ambientais e sociais. Mas será que devemos dizer aos países africanos que devem ter as mesmas regras que nós? Não! Existem direitos fundamentais, que estão consagrados na convenção da Organização Internacional do Trabalho (OIT), tais como o direito a fazer parte de uma organização e a proibição do trabalho infantil. Devemos promover a OIT e a convenção da OIT em todo o mundo. (...)"
 
Qual é a situação actual na UE?
"Numa perspectiva global devemos dizer que é boa, mas não devemos estar demasiado orgulhosos! (...) A situação na UE não é perfeita e existem grandes diferenças entre os Estados-Membros no que se refere ao trabalho digno. O principal desafio a longo prazo consiste na capacidade que os trabalhadores devem ter de influenciar o seu posto de trabalho e a aprendizagem ao longo da vida. Na sociedade actual é importante ter um bom salário, mas o principal problema consiste no acesso a uma educação adequada. Quanto mais se aprende, melhor será, em princípio, o salário auferido."
 
O que tem a dizer sobre a economia informal?
"A economia informal é um problema. De acordo com os debates na ONU, a economia paralela é gigantesca. Em muitos países a economia informal movimenta mais dinheiro do que a economia formal. Na União Europeia também é um problema porque afecta a economia formal (...). Trata-se de um desafio, conseguir limitar a economia informal tanto quanto possível. Mas também neste ponto existem diferenças entre os Estados-Membros da UE (...)."
 
Quais serão os próximos passos?
"O trabalho digno será um tema a debater ao longo dos próximos anos. O trabalho também está relacionado com o comércio e com o ambiente, pelo que o próximo debate será mais alargado: em que medida as alterações climáticas e a necessidade de alterar os nossos padrões de vida irão afectar o emprego e que novos investimentos será necessário fazer? Estas questões estão relacionadas com a dignidade e com a sustentabilidade do trabalho, uma vez que todas as áreas políticas estão relacionadas entre si.(...)"
 
REF.: 20080211STO20952