Artigo
Crise alimentar: o que dar de comer às gerações presentes e futuras?
Desenvolvimento e cooperação - 04-07-2008 - 15:19
No dia 3 de Julho, o Parlamento Europeu e o governo francês organizaram, em Bruxelas, uma conferência dedicada à crise alimentar que se vive actualmente. O aumento de 70% do preço do arroz, do milho e de outros bens alimentares essenciais em apenas um ano, o investimento, o comércio livre e a utilização de biocombustíveis foram algumas das questões debatidas pelos eurodeputados, académicos e políticos reunidos na conferência.
"850 milhões de pessoas, entre as quais 170 milhões de crianças, passam fome ou sofrem de má nutrição, e todos os anos 5,6 milhões de crianças morrem por má nutrição" afirmou o Presidente do Parlamento Europeu, Hans-Gert Pöttering, durante a sua intervenção na conferência.
Investir na agricultura: a melhor forma de combater a pobreza
Para o eurodeputado espanhol Josep Borrell (Grupo Socialista), presidente da comissão parlamentar do Desenvolvimento, só será possível aumentar a produtividade se houver mais investimento no sector agrícola. Borrell relembrou que o investimento tem sido essencialmente feito no sector industrial e que apenas 4% do investimento público nos países em desenvolvimento é aplicado na agricultura. Por outro lado, referiu, "as políticas de redução dos preços deram origem a cidades monstruosas".
"É necessário libertar os nossos agricultores da regulamentação, da burocracia e dos subsídios que distorcem o mercado, para que possam vir a alimentar o mundo", acrescentou o eurodeputado britânico Neil Parish, presidente da comissão parlamentar da Agricultura.
A forma mais eficaz de combater a pobreza é o investimento na agricultura, relembrou o Ministro da Agricultura francês, Michel Barneir, citando uma declaração do Banco Mundial.
"Os jovens agricultores têm um papel fundamental a desempenhar na alimentação do mundo, na medida em que preferem produzir com qualidade, desenvolver os mercados locais e inovar com novos produtos" afirmou Kati Partanen, da Federação Internacional dos Produtores Agrícolas.
De acordo com as previsões, daqui a 40 anos existirão 9 mil milhões de pessoas no mundo. "Se nessa altura o mundo tiver necessidade de tantos alimentos como tem actualmente, não existirá terra suficiente para os cultivar" alertou Michel Griffon, Director-Geral da Agência Francesa de Investigação, que relembrou igualmente os desafios que se colocarão futuramente em matéria de escassez de água, alterações climáticas e poluição causada pela própria agricultura.
Para Pascal Lamy, director da Organização Mundial do Comércio, o comércio continua a ser a melhor forma de fazer face ao aumento do preço dos alimentos, aumento esse que, ao longo de 2007, fez com que mais 50 milhões de pessoas passassem fome.
"Esta crise é muito grave, pois existe pouca diversidade em termos de recursos alimentares" afirmou Aziz Akhannouch, Ministro da Agricultura de Marrocos, um país onde 45% da população é rural e depende directamente da agricultura.
REF.: 20080627STO32886

