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Normas de segurança nos aeroportos: pouco seguras, suficientemente seguras, demasiado seguras?

Transportes - 11-09-2008 - 14:15
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Os eurodeputados Philip Bradbourn e Ignasi Guardans

Os eurodeputados Philip Bradbourn e Ignasi Guardans

Secretas até 8 de Agosto de 2008, data em que a Comissão Europeia decidiu publicá-las, muitas das normas de segurança da aviação são agora públicas. Poderá essa publicação ajudar os cidadãos a conhecerem melhor os seus direitos de passageiros? As opiniões sobre as normas divergem: algumas pessoas defendem normas mais apertadas, outras consideram as normas existentes excessivas. Em entrevista exclusiva, os deputados Philip Bradbourn e Ignasi Guardans apresentaram-nos as diversas faces da questão.

Considera as normas de segurança publicadas pela Comissão Europeia pouco seguras, suficientemente seguras ou demasiado seguras?
"O problema reside na forma como essas normas são aplicadas pelas autoridades de aviação. A proposta sobre segurança na aviação prevê a criação de procedimentos idênticos em toda a Europa, para que os passageiros não sejam indevidamente incomodados. Mas isso, claro, depende da aplicação das regras existentes de uma forma consistente e segura, por parte dos aeroportos europeus", Philip Bradbourn, eurodeputado britânico (Grupo do Partido Popular Europeu e dos Democratas Europeus), Vice-Presidente da comissão parlamentar das Liberdades Cívicas, Justiça e Assuntos Internos.
 
"As normas são, simultaneamente, pouco e demasiado seguras. Nunca teremos 100% de segurança em nada e algumas das normas não têm fundamento. Na minha opinião, a questão dos líquidos é apenas uma forma de mostrar segurança, sem qualquer prova que fundamente essa norma. É claro que se proibirmos o acesso de automóveis aos aeroportos, impediremos explosões com carros armadilhados, o que não significa que a medida seja proporcional e inteligente", Ignasi Guardans Cambó, eurodeputado espanhol (Grupo da Aliança dos Democratas e Liberais pela Europa).
 
Alguma vez teve algum incidente num aeroporto ou considerou a segurança prepotente?
"Alguns aeroportos lidam com a segurança de forma muito eficiente, porque dispõem do pessoal e do equipamento adequado e necessário para que os passageiros não sejam indevidamente incomodados. No entanto, também existem aeroportos onde parece nunca existir pessoal suficiente para lidar com os passageiros. Não é a segurança em si que é prepotente, porque é necessária, mas sim a forma como é implementada. Não se trata apenas de ter o pessoal, mas também o equipamento adequado e a funcionar correctamente nos períodos de tráfego mais intensos do aeroporto. É uma questão de planeamento, que permita evitar que os passageiros sejam incomodados mais do que é necessário, para que o avião parta em segurança. Nunca senti que a segurança fosse prepotente e costumo dizer que prefiro sentir-me seguro quando estou a mais de 10km de altitude!", Philip Bradbourn.
 
"Tive uma situação em Espanha que acabou em tribunal. Tratou-se de um abuso de autoridade, em grande parte devido ao facto de as normas terem sido mantidas secretas até há alguns dias atrás, o que permitia que os polícias de toda a Europa pudessem decidir quando fazer a revista. Algumas das normas existentes não têm qualquer fundamento legal. É o caso dos sapatos: não está prevista na legislação europeia a obrigação de retirar os sapatos antes de passar pelo detector de metais. Nos aeroportos europeus os passageiros são obrigados a aceitar coisas que não aceitariam em mais nenhum lado. Se, em Trafalgar Square, um polícia pedisse a alguém para dançar, para confirmar o seu estado de embriaguez, ninguém aceitaria fazê-lo, porque esse não é o procedimento correcto. Nos aeroportos, sob o pretexto da segurança e com um regulamento secreto, os polícias podiam fazer o que quisessem. A Comissão Europeia tem uma grande responsabilidade nesta matéria, por ter mantido secretas as normas e por ter introduzido normas irracionais e sem qualquer sentido prático. Os Estados-Membros, por seu lado, têm a responsabilidade de não implementarem as normas, agora que são públicas, de uma forma adequada e racional", Ignasi Guardans Cambó.
 
Qual deveria ser, na sua opinião, a postura dos passageiros, quando passam pelos controlos de segurança nos aeroportos?
"Têm que compreender que, face às ameaças que se colocam na Europa e no mundo inteiro, é necessário garantir o cumprimento das normas de segurança. É frustrante ter que esperar numa fila, mas isso não se deve às normas de segurança em si, mas sim à forma como a segurança é implementada. Estou certo de que a maioria das pessoas compreende que é necessário passar pelo controlo de segurança. Por vezes verifica-se alguma inconsistência entre os diferentes Estados-Membros da União Europeia, nomeadamente no que se refere à forma como o nível de perigo é avaliado e às circunstâncias que obrigam a um reforço das medidas de segurança", Philip Bradbourn.
 
"Os passageiros devem ter consciência de que os aeroportos não são uma excepção à democracia e que dispõem dos mesmos direitos fundamentais quando estão perante um polícia no aeroporto ou em qualquer outro local. Isto significa que devem reclamar sempre que lhe seja solicitado o cumprimento de um acto que não está previsto na lei. Infelizmente, os passageiros estão sempre em situação de tensão quando viajam e a única coisa que querem é apanhar o avião. Nesse sentido, estão dispostos a prescindir de direitos dos quais não prescindiriam em nenhuma outra situação. Os passageiros devem reclamar, tirar uma fotografia, identificar o agente de segurança através da placa identificativa que utilizam na farda", Ignasi Guardans Cambó.
 
REF.: 20080904STO36281