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União Europeia e direitos humanos na ONU

Relações externas - 14-10-2008 - 11:20
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Assembleia-Geral da ONU ©UN Photo_Marco Castro

Assembleia-Geral da ONU

"A União Europeia atravessa uma crise em câmara lenta nas Nações Unidas" refere o mais recente relatório sobre direitos humanos da ONU, citando o exemplo do fracasso das acções europeias no Zimbabué e no Darfur. Em Setembro de 2008, um grupo de deputados ao Parlamento Europeu esteve na Assembleia-Geral da ONU em Nova Iorque. Em que medida poderá a União Europeia influenciar a agenda dos direitos humanos no mundo?

O relatório elaborado pelo Conselho Europeu para as Relações Externas sublinha o enfraquecimento da União Europeia na defesa dos direitos humanos, face à Rússia e à China. Durante a década de 1990, a UE apoiava cerca de 72% dos projectos relacionados com direitos humanos, número que se situa actualmente abaixo dos 50%.
 
Por outro lado, a Rússia e a China demonstram "as suas capacidades diplomáticas no sistema da ONU" e, enquanto a União Europeia perde credibilidade, a Rússia e a China tornam-se países mais atractivos.
 
Além disso, muitos países do Médio Oriente manifestaram já a sua oposição aos valores e à legislação da UE.
 
De acordo com o relatório, a UE tem sido incapaz de fazer com que o Conselho de Segurança aprove resoluções sobre a Birmânia e o Zimbabué, além dos fracassos diplomáticos verificados no Kosovo e no Darfur.
 
O relatório sugere que, para fazer face a esse enfraquecimento de posição, a União Europeia deve desenvolver alianças dentro da ONU.
 
De acordo com muitos diplomatas europeus, o futuro da ONU continua a depender dos Estados Unidos da América e a situação da UE só poderá ser ultrapassada através de uma verdadeira aliança ocidental com os americanos. Nesse sentido, a UE deve agir como uma ponte política entre os EUA e os seus opositores no seio da ONU.
 
"Os países tendem a votar em blocos geográficos"
"A Assembleia-Geral da ONU e o Conselho dos Direitos Humanos estão a tornar-se órgãos cada vez mais políticos e os países tendem a votar em blocos geográficos. Algumas organizações, como a Organização da Conferência Islâmica, bloqueiam as propostas da UE ou votam contra essas propostas em bloco", referiu o eurodeputado irlandês Colm Burke (Grupo do Partido Popular Europeu e dos Democratas Europeus), que esteve em Nova Iorque no âmbito da visita da delegação do Parlamento Europeu.
 
Burke afirmou ter recebido "mensagens muito positivas" relativamente ao papel da UE na manutenção da paz mundial, referindo que a UE foi capaz de mobilizar forças de segurança e equipamento mais depressa do que a ONU e que o Chade foi um "bom exemplo de parceria entre a UE e a ONU".
 
No dia 26 de Setembro, o Secretário-Geral da ONU, Ban Ki-moon, afirmou que "a cooperação entre as Nações Unidas e a União Europeia não pode funcionar como um clube privado. Deve ser capaz de chegar a outras organizações regionais e locais... tendo em vista a construção das ligações mundiais necessárias para fazer face à crise que atravessamos actualmente", acrescentou.
 
REF.: 20081013STO39207