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Artigo
 

Presidente do Parlamento Europeu em Portugal

Instituições - 03-12-2009 - 16:07
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Jerzy Buzek, Lisboa, 1 de Dezembro de 2009

Jerzy Buzek, Lisboa, 1 de Dezembro de 2009

"Hoje vivemos num novo mundo globalizado mas nós, europeus, temos um novo mapa para nos guiar: o Tratado de Lisboa". Foi desta forma e evocando os Descobrimentos que Jerzy Buzek definiu o novo Tratado que tornará as instituições europeias mais eficientes. Na cerimónia que decorreu com a Torre de Belém como pano de fundo, em Lisboa, Buzek citou o poeta português Fernando Pessoa para marcar o importante momento: "O sucesso consiste em ter êxito, não em ter potencial para o sucesso".

Naquela que foi a primeira deslocação a Portugal após ter sido eleito em Julho de 2009, o Presidente do Parlamento Europeu (PE) referiu-se à entrada em vigor do Tratado de Lisboa como "o início de uma nova era da integração europeia" que dota a Europa da capacidade de "falar com uma voz clara" para o exterior.
 
"Hoje precisamos de mais Europa, não de menos, porque só trabalhando juntos podemos enfrentar os desafios do século XXI – o aquecimento global a redução da pobreza, as finanças internacionais. Todos necessitam de soluções globais e a Europa tem que ser parte da solução", afirmou.
 
A cerimónia reuniu os líderes das principais instituições europeias – o presidente do PE, Jerzy Buzek, o presidente da Comissão Europeia, José Manuel Barroso, o presidente em exercício da UE e o primeiro-ministro sueco, Fredrik Reinfeldt –, bem como o recém-designado presidente do Conselho Europeu, Herman Van Rompuy.
 
Também o Presidente da República Portuguesa, Aníbal Cavaco Silva, o primeiro-ministro de Portugal, José Sócrates, e o presidente da Câmara Municipal de Lisboa, António Costa, na qualidade de anfitrião da cidade de Lisboa, discursaram na cerimónia, que ficou marcada pelo sentimento unânime de vitória ao fim de anos de negociações para chegar a um Tratado que simplificasse o funcionamento da EU.
 
Também o primeiro-ministro de Espanha, José Luis Zapatero, fez uma intervenção, uma vez que a Espanha assume a Presidência da UE a 1 de Janeiro de 2010.
 
Os participantes puderam ainda assistir a um filme sobre Lisboa e sobre o longo caminho que levou ao Tratado, com o momento alto da assinatura do mesmo no Mosteiro dos Jerónimos, a poucos metros da Torre de Belém, a 13 de Dezembro de 2007, bem como a um pequeno concerto de Rodrigo Leão e a um espectáculo de fogo de artifício junto à Torre de Belém.
 
Antes da cerimónia, o Presidente do PE encontrou-se com jornalistas portugueses, a quem explicou as vantagens do novo Tratado bem como as mudanças para a UE, em especial para o PE, a instituição que mais poderes ganha.
 
Papel fundamental
Acérrimo defensor do Tratado de Lisboa, Jerzy Buzek empenhou-se a fundo na sua ratificação: "Precisamos do Tratado de Lisboa porque precisamos de uma União organizada e eficaz", afirmou no dia em que foi eleito, a 14 de Julho de 2009.
 
Logo após as férias parlamentares, Jerzy Buzek deslocou-se à Irlanda, onde garantiu aos cidadãos que não lhes iria dizer como votar, pois ele próprio já tinha vivido numa “ditadura que não só se dizia em quem votar, mas como pensar”. Contudo, pediu que não o fizessem em função da política interna: "Espero que o voto tenha em conta os assuntos em causa no Tratado de Lisboa e não a eficácia do actual governo”, disse então.
 
A 9 de Outubro, reuniu-se em Praga com o presidente da República Checa, então um dos chefes de Estado mais relutantes em assinar o Tratado de Lisboa. Após o encontro, afirmou-se “optimista”.
 
No dia seguinte, deslocou-se a Varsóvia para assistir à cerimónia de ratificação do Tratado pela seu país, aproveitando a ocasião para debater com o primeiro-ministro sueco e presidente em exercício da UE, Fredrik Reinfeldt, e o presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, os pormenores da ratificação pela República Checa.
 
O momento decisivo e final aconteceu a 3 de Novembro, dia em que Praga ratificou o tratado e derrubou o último obstáculo para a entrada em vigor do Tratado de Lisboa.
 
“São óptimas notícias”, reagiu Buzek com entusiasmo, acrescentando de imediato que era hora de começar a trabalhar nos muitos desafios com que a Europa se debate. Agora, o Tratado de Lisboa está oficialmente em vigor.
 
REF.: 20091203STO65931