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Eurodeputados analisam soluções para as dificuldades da zona euro

Instituições - 07-04-2010 - 18:22
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  • Problemas financeiros e económicos da zona euro
  • Intervenção do FMI
Jerzy Buzek, Presidente do PE, e Herman Van Rompuy, Presidente do Conselho da UE, Parlamento Europeu, Bruxelas, 7 de Abril de 2010

Jerzy Buzek, Presidente do PE, e Herman Van Rompuy, Presidente do Conselho da UE, Parlamento Europeu, Bruxelas, 7 de Abril de 2010

O Presidente do Conselho da União Europeia, Herman Van Rompuy, debateu hoje com os deputados ao Parlamento Europeu as conclusões do Conselho Europeu da Primavera. Durante o debate os deputados analisaram as soluções apresentadas para a crise que afecta a zona euro, com muitas críticas à falta de ambição da estratégia delineada para fazer face às dificuldades existentes.

De acordo com Van Rompuy, houve uma grande divergência de opiniões mas o acordo final comprova "a capacidade que a União Europeia tem de encontrar compromissos". No que se refere ao papel do Fundo Monetário Internacional na Grécia, Rompuy referiu que "o FMI é financiado com dinheiro da UE", pelo que o seu envolvimento não deve ser entendido com apreensão. "Os problemas orçamentais representam problemas económicos", acrescentou, defendendo o reforço dos mecanismos de supervisão e de governança.
 
Maroš ŠEFČOVIČ, Vice-Presidente da Comissão Europeia, substituiu Durão Barroso no debate em plenário e manifestou satisfação com os resultados do Conselho, apesar de continuar a ser necessário melhorar a coordenação das políticas económicas.
 
Corien Wortmann-Kool (Partido Popular Europeu, Países Baixos) defendeu que o reforço das estruturas de governança económica "é apenas uma promessa" e adiantou que o que as pessoas querem realmente é ver os resultados. O Grupo do Partido Popular Europeu apoia o Pacto de Estabilidade e Crescimento, especialmente na sua vertente preventiva. "A solidariedade é uma estrada com dois sentidos", afirmou, referindo que a Grécia deve implementar medidas de poupança.
 
Para a eurodeputada austríaca Hannes Swoboda (S&D) o Conselho Europeu da Primavera foi uma desilusão, especialmente no que se refere à Grécia, uma vez que deixar a ajuda nas mãos do FMI significa desistir de uma política económica comum a favor de uma abordagem tecnocrática. "O Conselho é como o Titanic", afirmou, "embatem num iceberg e como resposta formam um grupo de trabalho".
 
Guy Verhofstadt (ADLE, Bélgica) manifestou sérias dúvidas quanto ao mecanismo grego, que se baseia em empréstimos bilaterais e não em soluções europeias.
 
Para Rebecca Harms (Grupo dos Verdes/ALE, Alemanha) o "único resultado positivo do Conselho Europeu da Primavera foi o fim de uma batalha nada dignificante entre Paris e Berlim". "A Grécia foi avaliada de uma forma muito negativa e houve muito pouco empenho em ajudar o país, tanto financeira como politicamente. Os critérios a aplicar para resolver a situação das finanças gregas serão provavelmente estabelecidos pelo FMI. Bruxelas desistiu dos seus poderes", acrescentou.
 
Timothy Kirkhope (CRE, Reino Unido) defendeu que "os debates sobre as soluções europeias para a crise não devem servir de pretexto para alargar os poderes da União Europeia".
 
Lothar Bisky (GCEUE/ENV): "Esta resposta não é uma solução europeia. Estamos a permitir que os bancos e os mercados financeiros digam aos países como devem utilizar o dinheiro dos contribuintes".
 
Nigel Farage (ELD, Reino Unido): "Todos os planos de centralização da UE falharam e o mesmo acontecerá com o governo económico".
 
REF.: 20100406STO72118