Presidente. – Gostaria de começar por dar conta de algumas informações importantes sobre o Prémio Sakharov de 2009. Esta manhã, a Conferência de Presidentes do Parlamento Europeu atribuiu o Prémio Sakharov de 2009 à Memorial, a organização de Oleg Orlov, Sergey Kovalev, Lyudmila Alexeyeva e todos os outros defensores dos direitos do Homem na Rússia que ela representa. Atribuímos o prémio deste ano à Memorial. Esperamos sinceramente que, com esta decisão, estejamos a contribuir para o fim do ambiente de medo, incerteza e violência que rodeia os defensores dos direitos do Homem na Federação Russa.
Esperamos transmitir também a mensagem de que, em qualquer parte do mundo, os activistas da sociedade civil devem ser livres de exercer os seus direitos mais básicos de liberdade de pensamento e liberdade de expressão, seja ela oral ou escrita. Precisamos de ser livres e de seguir os nossos pensamentos, condição essencial para se alcançar a verdade.
Permitam-me que partilhe convosco a minha grande satisfação por, na qualidade de Presidente do Parlamento Europeu e, em especial, enquanto homem vindo do sindicato Solidariedade, poder anunciar este prémio. Tempos houve em que vivemos problemas sérios, muito semelhantes aos que os nossos colegas e parceiros da Federação Russa enfrentam hoje. Apraz-me que a verdade e a liberdade acabem sempre por prevalecer. Foi isso que aconteceu em muitos países da Europa Central e Oriental. O facto de os russos que almejam a verdade não poderem agir hoje em liberdade é um problema que importa a toda a Europa, e uma tragédia pessoal para eles próprios. Para nós, deputados ao Parlamento Europeu, este prémio tem como objectivo exprimir o nosso grande apoio às actividades desses russos.
(Aplausos)
Gostaria de fazer algumas alusões gerais: em 1988, já lá vão mais de 20 anos, o Parlamento Europeu criou o Prémio Sakharov para a Liberdade de Pensamento com o propósito de honrar personalidades ou organizações pelo seu contributo para a promoção e a defesa dos direitos do Homem e das liberdades fundamentais.
Devemos também recordar hoje todas as pessoas extraordinárias que, por sua conta e dedicação, lutaram contra as severas realidades da opressão, da perseguição e do exílio. Não raro, são pessoas "comuns" que dão mostras de uma coragem e de uma dedicação excepcionais. Incorrem amiúde em grandes riscos, pondo até em xeque a própria vida. Atribuímos o prémio a escritores, jornalistas, políticos, professores, homens de leis e organizações que lutam pela liberdade no trabalho, e até mesmo a associações de mulheres que se insurgem contra o desaparecimento forçado. A liberdade de pensamento é um valor universal.
Gostaria de aproveitar esta oportunidade para salientar que os dois nomeados não laureados com o Prémio Sakharov deste ano têm, efectivamente, o nosso grande apoio, pelo que devemos igualmente citar os seus nomes enquanto pessoas que deixaram uma impressão particularmente forte no nosso espírito. O facto de termos mencionado os seus nomes, e de eles terem estado connosco num grande número de debates, diz bem do grande apoio que os seus actos nos merecem. Assim, o nosso enorme respeito e profundo reconhecimento vão não apenas para o laureado com o prémio, mas também para os restantes nomeados.
(Aplausos)
A cerimónia de entrega do Prémio Sakharov terá lugar numa quarta-feira, dia 16 de Dezembro, em Estrasburgo.