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Pál Schmitt: do deporto para a política

Desporto - 01-06-2007 - 10:54
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EP member Pál Schmitt and Olympic fencing champion Pál Schmitt

Hoje eurodeputado, ontem campeão olímpico e mundial de esgrima

Na nossa nova série de entrevistas, destacamos os membros do Parlamento Europeu que foram distinguidos em diferentes e surpreendentes meios relacionados com outros sectores que não a política. Hoje eurodeputado húngaro no Parlamento Europeu, Pál Schmitt é um antigo campeão olímpico de esgrima.

Pode mesmo surpreender a abundância de desportistas de alto nível entre os membros do Parlamento Europeu. E como iremos verificar, talvez o sucesso no desporto e o sucesso na política possam até estar relacionados. Entre os eurodeputados, encontramos por exemplo o finlandês Ari Vatanen, antigo Campeão Mundial de Rally (1981), e o eslovaco Peter Šťastný, jogador profissional de hóquei no gelo na liga nacional norte-americana de hóquei, entre 1980 e 1995.
 
Desta vez entrevistamos o eurodeputado húngaro Pál Schmitt (Grupo do Partido Popular Europeu e dos Democratas Europeus), que combina o passado brilhante de campeão mundial e olímpico de esgrima com um envolvimento contínuo no movimento olímpico, pelo qual já foi embaixador do seu país em Espanha e Suiça, sendo um orgulhoso pai de três filhos e avô de seis netos. 
 
É um antigo campeão olímpico (1968, 1972) e mundial (1970,1971) em esgrima e o único campeão olímpico no Parlamento Europeu. Como se processou a mudança da pista de esgrima para um posto de eurodeputado no Parlamento Europeu?
 
Durante a minha carreira desportiva sempre prestei atenção à continuação dos estudos. Tirei o curso superior na Universidade de Ciências Económicas e estudei línguas. Não pensava tornar-me num eurodeputado, especialmente porque quando era desportista voltaram os tempos Comunistas com um partido único e um sistema totalitário. Na altura não podíamos sequer pensar num sistema onde a democracia iria prevalecer e que a Hungria se tornaria membro da União Europeia e da NATO.
 
Foi presidente do Comité Olímpico Húngaro durante 18 anos e é membro do Comité Olímpico Internacional há 23. Além do mais, como Vice-Presidente da comissão parlamentar da Cultura e Educação está a elaborar um relatório sobre o papel do desporto na educação. Quais são os valores que adquiriu como campeão de esgrima que podem ser aplicados no seu trabalho como eurodeputado?
 
Antes de mais, permitam-me referir, enquanto Vice-Presidente da comissão da Cultura e Educação, que penso que o desporto é importante para aumentar o nível da educação nos Estados-Membros, visto que a educação é a base para uma sociedade assente no conhecimento. A minha carreira desportiva permitiu-me adquirir as competências que não se podem conseguir de qualquer outra forma. O desporto ensina-o a concentrar-se, a gerir a monotonia, a construir um espírito de equipa, respeito pelas regras, resistência à dor e à exaustão. Em primeiro lugar, o que devo ao desporto ê que mesmo aos 65 anos consigo trabalhar muito. É também devido às diferentes personalidades que se encontram no desporto que se consegue conviver com 785 eurodeputados. Uma assiduidade e uma proactividade acima da média pode também contribuir para um melhor desempenho do seu conhecimento e para um melhor desempenho durante um debate ou na apresentação de uma moção escrita.
 
É também Presidente da delegação para o Comité Parlamentar Misto UE-Croácia. O Parlamento Europeu adoptou recentemente um relatório sobre a Croácia e tudo indica que tem pela frente dois anos de trabalho árduo. O que pensa das possibilidades de adesão da Croácia á União Europeia?
 
A Croácia tem procedido bem desde o momento em que as negociações para uma adesão continuaram tendo como base o próprio mérito do país, de forma independente à adesão da Turquia. A Croácia já ultrapassou praticamente todo o processo de análise. O país não será, de forma alguma, difícil de absorver pela capacidade da União Europeia, visto que, com 4,5 milhões de habitantes, as pessoas já conseguiram até ao momento indicadores de uma melhor situação económica que muitos dos países que se juntaram recentemente, incluindo o meu país, a Hungria, assim como a Bulgária e a Roménia. Se a legislação ambiental continuar a mudar como o tem feito até agora, poderemos adoptar o documento da constituição até 2008 e participar nas eleições parlamentares Europeias. Caso contrário, um cenário mais realista será 2010.
 
A adesão da Hungria à União Europeia está prestes a completar três anos. O que já conquistou durante estes três anos como eurodeputado e quais são os seus desafios futuros?
 
Quando nos juntamos à União Europeia, pensávamos que a iríamos enriquecer com a nossa língua, ciência, história e cultura, uma parte dos objectivos que conquistamos. Apenas posso estar menos satisfeito por não termos sido muito bem sucedidos no plano económico. Não é fácil ser um eurodeputado bem sucedido se o próprio país também não o for. Os indicadores económicos da Hungria estão um pouco atrás dos países com os quais aderiu à União Europeia em 2004. Nessa altura, éramos o país mais bem posicionado entre os 10. Penso na enorme dívida do Estado, na excepcionalmente alta taxa de inflação (9%) e na alta taxa de desemprego entre os jovens. Também não posso estar satisfeito que o acesso da Hungria à eurozona sofra sucessivos adiamentos. O que podemos fazer agora é absorver de forma eficiente os fundos cedidos à Hungria no orçamento para 2007-2013, para o desenvolvimento de programas nacionais. 
 
REF.: 20070531STO07250

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