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Economia europeia: "Como poderá a Europa ultrapassar a crise?"

Eleições 2009 - Assuntos económicos e monetários - 17-02-2009 - 12:59
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Londres, 19 de Junho de 2008

Londres, 19 de Junho de 2008. ©BELGA/EPA/ANDY RAIN

Nos dias 11 e 12 de Fevereiro, mais de cem deputados e funcionários de toda a União Europeia participaram na reunião anual da comissão dos Assuntos Económicos e Monetários, para debater o futuro da economia europeia e as medidas necessárias para ultrapassar a crise financeira e económica global que atingiu a Europa.

"Estamos confrontados com uma crise global e a nossa resposta deve ser rápida, eficaz, focada, concertada e coordenada", afirmou a eurodeputada francesa e Presidente da Comissão dos Assuntos Económicos e Monetários, Pervenche Berès (Grupo Socialista).
 
Proteccionismo não é solução
Joaquín Almunia, comissário europeu para os Assuntos Económicos e Monetários, sublinhou a gravidade da situação, afirmando que "a economia da União Europeia encontra-se em forte recessão, tal como acontece com o resto do mundo". Nesse sentido, acrescentou, "estamos determinados a proteger as nossas economias e os nossos cidadãos, mas não devemos entender esta protecção no sentido do proteccionismo, que seria a pior resposta para a crise que vivemos".
 
Partidário desta posição, o ministro das finanças checo, Miroslav Kalousek, defendeu que "o proteccionismo é um grande risco. Nenhum país da União Europeia consegue garantir sozinho a sua oferta e procura. Os políticos populistas defendem o argumento proteccionista, mas a nós compete-nos fazer o trabalho difícil, ainda que em detrimento da nossa popularidade, que consiste em explicar que o proteccionismo é o caminho para o inferno".
 
Prevenir para evitar repetições futuras
De acordo com o eurodeputado grego Margaritis Schinas (Grupo do Partido Popular Europeu e dos Democratas Europeus), é importante prevenir a ocorrência de situações similares no futuro. "Conhecemos bem os efeitos simétricos desta economia capitalista global e devemos fazer tudo para que esta situação não se repita no futuro. Apesar de muitos dos responsáveis pelos problemas actuais já terem 'afundado', muitos dos regulamentos que permitiram a ocorrência desta crise continuam em vigor".
 
Prós e contras da supervisão financeira europeia
Pervenche Berès sugeriu a criação de um sistema europeu de supervisão financeira, que seguisse o modelo dos bancos centrais europeus, para permitir "a sinergia necessária de peritos nacionais e a integração europeia de medidas de acção com poderes sancionatórios".
 
Para Lorenzo Bini Smaghi, representante do Banco Central Europeu, "essa instituição já existe", referindo-se ao BCE. "A coordenação a nível europeu só é credível se for feita através de uma instituição que garanta confidencialidade, independência e decisões eficazes", acrescentou.
 
Um Fundo Monetário Europeu?
Tendo em vista uma maior coerência entre os países da UE economicamente divergentes, Pervenche Berès defendeu a introdução de um "Fundo Monetário para a Zona Euro", que deveria funcionar como "um sistema eficiente e proactivo de supervisão multilateral". De acordo com a Presidente da Comissão dos Assuntos Económicos e Monetários, este sistema teria por missão garantir que os Estados-Membros não ultrapassassem 60% do seu PIB em dívidas públicas.
 
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REF.: 20090213STO49388