apresentada na sequência de uma declaração da Comissão
nos termos do artigo 33.º do Regimento
por Brian Crowley, Cristiana Muscardini, Adam Bielan, Guntars Krasts, Gintaras Didžiokas, Roberta Angelilli, Ryszard Czarnecki, Konrad Szymański, Mario Borghezio, Hanna Foltyn-Kubicka e Janusz Wojciechowski
em nome do Grupo UEN
sobre o programa legislativo e de trabalho da Comissão para 2009
Resolução do Parlamento Europeu sobre o programa legislativo e de trabalho da Comissão para 2009
B6‑0439/2008
O Parlamento Europeu,
–
Tendo em conta a sua Resolução de 16 de Dezembro de 2004 sobre as orientações em matéria de estratégias políticas da Comissão Barroso,
–
Tendo em conta a sua Resolução de 22 de Abril de 2008 sobre a estratégia política anual da Comissão para 2009,
–
Tendo em conta o Acordo-Quadro sobre as relações entre o Parlamento Europeu e a Comissão, de 26 de Maio de 2005, e o "diálogo estruturado" estabelecido nesse contexto,
–
Tendo em conta o artigo 33.º do seu Regimento,
A.
Considerando que o programa legislativo e de trabalho da Comissão para 2009 deve reflectir a capacidade da União Europeia de encontrar soluções comuns para fazer face aos desafios comuns, tanto internos como mundiais,
B.
Considerando que a política europeia pode e deve desempenhar um papel concreto para ajudar os cidadãos a anteciparem as rápidas mutações da sociedade e a adaptaram-se às mesmas,
C.
Considerando que a Comissão atribuiu uma grande importância a que o papel do cidadão fosse colocado no centro do projecto europeu, nomeadamente melhorando a qualidade de vida na Europa e promovendo melhores condições sanitárias nos nossos países,
D.
Considerando que a implementação e a conclusão de um mercado único moderno, com a eliminação de todos os entraves que ainda subsistem à livre circulação de pessoas, de serviços e de trabalhadores, constituem um elemento essencial para a competitividade global da Europa,
E.
Considerando que a segurança, a justiça e a protecção dos cidadãos da Europa constituem objectivos definidos pela União Europeia e apoiados pela Comissão no seu programa de trabalho para 2009,
F.
Considerando que o crescimento e o emprego, bem como as possibilidades que os mesmos propiciam, devem estar no cerne do programa da Comissão para a Europa, porquanto constituem um requisito da prosperidade económica, da justiça social e do desenvolvimento sustentável e um critério essencial que permite aos cidadãos julgar se a Europa surte efeitos positivos na sua vida quotidiana,
G.
Considerando que prosseguirá a introdução progressiva das ajudas directas à agricultura nos Estados-Membros que aderiram à União Europeia em 2004, devendo registar-se um aumento de 50% para 60% do montante final das ajudas; considerando que, em relação aos Estados-Membros que aderiram em 2007, as ajudas aumentarão de 30% para 35%,
H.
Considerando que a energia e, em especial, as energias renováveis devem ser consideradas um sector estratégico para o futuro da União Europeia, a fim de que esta possa responder às alterações climáticas e garantir a segurança do aprovisionamento de matérias-primas,
I.
Considerando que um dos maiores desafios enfrentados pela Comissão consiste em conferir à Europa os meios para assegurar a paz e a estabilidade no mundo e, em particular, nas suas fronteiras, bem como para fazer face à globalização e competir numa economia mundial que sofreu alterações profundas no decurso dos últimos anos, na sequência do aparecimento de novos actores importantes,
J.
Considerando que a União Europeia deveria utilizar os recursos financeiros disponíveis para responder às suas prioridades políticas, garantindo a qualidade e a rentabilidade da legislação europeia,
K.
Considerando que o multilinguismo e, consequentemente, a promoção da diversidade cultural deveriam constituir uma das pedras angulares da política cultural da União Europeia alargada,
L.
Considerando ser da máxima importância realizar avaliações de impacto exaustivas e independentes sobre as propostas legislativas da UE,
M.
Considerando que nada prejudica mais o apoio à União Europeia do que casos de má gestão, incompetência ou fraude,
1.
Solicita à Comissão que continue a estabelecer uma distinção entre um número razoável de "iniciativas estratégicas" - que a Comissão se compromete a concretizar em 2009 - e uma lista mais exaustiva de "iniciativas prioritárias", que serão realizadas, se possível, durante o período previsto; considera que esta distinção reforça a clareza e a credibilidade do programa legislativo e de trabalho enquanto instrumento que visa propor e adoptar um programa legislativo coerente para o próximo ano;
Prioridades para 2009
Crescimento e emprego
Investigação e desenvolvimento
2.
Congratula-se com a declaração da Comissão, segundo a qual "a sociedade do conhecimento constitui uma pedra angular da estratégia para o crescimento e o emprego"; considera que a consecução dos objectivos ambiciosos da Estratégia de Lisboa requer uma nova abordagem do desenvolvimento e da promoção da investigação, em especial nos domínios da alta tecnologia, da educação, da formação, da inovação e da aprendizagem ao longo da vida; considera que um investimento adequado no domínio do conhecimento pode criar uma economia mais próspera e apta a combater problemas como, por exemplo, a pobreza, a exclusão social e o desemprego, e a assegurar uma melhor protecção dos trabalhadores;
3.
Realça as dificuldades que os jovens podem enfrentar em termos de integração económica e social quando terminam os seus estudos e tentam ingressar no mercado de trabalho, e considera que são necessárias medidas específicas para responder às necessidades das pessoas portadoras de deficiência e solucionar o problema do desemprego juvenil através da formação e do desenvolvimento do espírito empresarial;
4.
Destaca os esforços envidados pela Comissão para alcançar os objectivos estabelecidos na Estratégia de Lisboa em matéria de taxa de emprego; incentiva a Comissão a prosseguir o desenvolvimento de uma abordagem comum relativamente a formas de flexigurança, que promovam, por um lado, uma maior flexibilidade do mercado de trabalho e, por outro, a segurança dos trabalhadores, aspectos que podem ser necessários para alcançar melhores resultados económicos;
5.
Insta a Comissão a definir uma abordagem comum dos desafios resultantes das alterações demográficas; considera que a melhor forma de responder a estes desafios consiste na adopção de políticas adequadas que apoiem a família, bem como de medidas que permitam conciliar as necessidades da vida profissional e da vida familiar; exorta, por conseguinte, a Comissão a criar um quadro para o intercâmbio das melhores práticas neste domínio;
Mercado interno
7.
Destaca veementemente a importância de que se reveste a exploração de todo o potencial propiciado pelo mercado único graças à conclusão da estratégia de mercado único para o período 2007-2014; propõe que esta seja completada mediante a elaboração de um plano de aplicação da directiva relativa aos serviços;
8.
Apoia as duas prioridades definidas pela Comissão neste domínio, nomeadamente um conjunto de disposições modernas e simples em matéria de direito das sociedades que permitam reduzir a burocracia, garantindo, ao mesmo tempo, uma boa gestão empresarial, e uma reforma das normas europeias em matéria de propriedade intelectual susceptível de promover a inovação e recompensar as pessoas responsáveis por inovações;
9.
Considera que podem coexistir no interior do mercado interno regimes fiscais competitivos e que os mesmos constituem um instrumento valioso susceptível de surtir vantagens, quer para os consumidores, quer para as empresas;
Agricultura
10.
Insta a Comissão a adoptar um plano de acção destinado a garantir a igualdade de oportunidades a nível do desenvolvimento agrícola na UE no âmbito das mudanças da Política Agrícola Comum;
11.
Solicita à Comissão que proíba, na União Europeia, a clonagem de animais para a provisão de alimentos;
12.
Convida a Comissão a examinar a sua política administrativa de limitação da produção agrícola na UE;
13.
Sublinha que as políticas de desenvolvimento rural devem constituir a chave para a melhoria da competitividade e da sustentabilidade ambiental do sector agrícola, bem como para o aumento do emprego e do crescimento em domínios económicos conexos;
14.
Insta a Comissão a reforçar os meios de formação, as redes de formação profissional e os programas de intercâmbio para jovens agricultores, bem como os instrumentos de intervenção a favor dos jovens agricultores previstos no programa de desenvolvimento rural;
15.
Exorta a Comissão a rever a introdução de um sistema de identificação electrónica dos ovinos, prevista para 31 de Dezembro de 2009, tendo em conta as dificuldades na implementação, os custos elevados e os benefícios não comprovados;
16.
Exorta a Comissão a introduzir na UE um sistema regulamentar obrigatório de rotulagem para os produtos à base de carne de ovino, com um logótipo comum que permita aos consumidores distinguirem os produtos da União dos produtos de países terceiros; considera que este sistema deve assentar numa série de critérios, incluindo um regime de garantia de qualidade agrícola e uma indicação do país de origem que garanta que os consumidores sejam plenamente informados do local de origem do produto que adquirem; entende que o sistema deve ser concebido de modo a permitir evitar efeitos negativos para os regimes promocionais de rotulagem existentes a nível dos Estados‑Membros e a nível regional;
17.
Exorta a Comissão a aumentar o orçamento anual da União destinado à promoção dos produtos alimentares, estimado em 45 milhões de euros para 2008, a garantir o financiamento da carne de ovino produzida na União e a alterar, simplificar e racionalizar as regras práticas que regem a execução do orçamento, de molde a que os produtos à base de borrego possam dispor de um verdadeiro acesso ao orçamento;
Uma Europa sustentável
18.
Acolhe com satisfação a iniciativa da Comissão de tornar o transporte europeu sustentável em termos energéticos e ambientais, promovendo um sector dos transportes mais ecológico; sublinha que é necessário articular uma série de políticas que se apoiem e se corrijam mutuamente para encontrar um justo equilíbrio entre a mobilidade sustentável, a importância do sector dos transportes em termos económicos e os aspectos ambientais;
19.
Sublinha que convém reforçar o papel dos transportes marítimos no sistema económico europeu no seu todo e, por conseguinte, felicita-se com o plano de acção para a nova política marítima integrada da UE aprovado em 2007 pela Comissão e aguarda com interesse a sua execução eficaz, bem como o acompanhamento, a informação e a simplificação dos processos administrativos, nos casos em que seja necessário, no âmbito de iniciativas conexas definidas no programa de trabalho para 2008;
20.
Congratula-se com as iniciativas propostas pela Comissão com vista ao reforço das normas comuns em matéria de segurança da aviação e à promoção de novas tecnologias neste sector, nomeadamente melhorando os sistemas ATM (Gestão do Tráfego Aéreo) e SESAR (Gestão e Investigação do Tráfego Aéreo no Céu Único Europeu), a fim de contribuir para a consecução dos objectivos em matéria de sustentabilidade;
21.
Sublinha que os direitos dos passageiros devem ocupar uma posição mais central, nomeadamente no que se refere à protecção dos passageiros nas viagens de longa distância em autocarro e camioneta, bem como dos passageiros ferroviários e marítimos;
22.
Sublinha a necessidade de proteger a biodiversidade enquanto tal da pressão humana, da poluição, da degradação dos solos e das alterações climáticas, e considera fundamental integrar a biodiversidade noutros domínios políticos, como a agricultura, a protecção dos solos e os biocombustíveis; solicita a definição, a nível europeu, de objectivos claros e quantificáveis que permitam acompanhar a situação, e apela a medidas urgentes e concretas que permitam cumprir o objectivo comunitário de travar a perda de biodiversidade até 2010;
23.
Reitera a importância estratégica da energia para o futuro da UE; considera, neste contexto, que as iniciativas da Comissão para liberalizar o mercado da energia são essenciais para a criação de um mercado da energia eficaz e competitivo;
24.
Considera igualmente que se deve fazer uma distinção entre a evolução do mercado da electricidade e a do mercado do gás, em que a liberalização deve responder a um sistema extremamente monopolístico e profundamente dependente do abastecimento de países terceiros;
25.
Acolhe com agrado a proposta da Comissão destinada a promover a utilização de energias renováveis na União Europeia; solicita à Comissão que dê início à sua execução em 2009;
26.
Solicita aos Estados-Membros que dêem execução ao plano de acção adoptado pela Comissão para melhorar o mercado da energia, acelerar o recurso às novas tecnologias, diversificar e garantir os aprovisionamentos, manter sob controlo a procura e promover a eficiência energética, nomeadamente através de uma melhor coordenação das políticas energéticas nacionais;
Uma abordagem integrada da migração
27.
Considera que a migração e a integração social são duas faces da mesma moeda e representam um importante desafio; neste contexto, apoia as iniciativas da Comissão no domínio da gestão dos fluxos migratórios a nível europeu, da educação e da integração, com o objectivo de estabelecer um quadro inequívoco e seguro para os imigrantes económicos, nomeadamente os trabalhadores qualificados, que clarifique as suas obrigações e os seus direitos;
28.
Considera que o êxito da integração depende igualmente de uma acção eficaz contra a imigração ilegal e o tráfico de seres humanos; neste contexto, apoia a acção da Comissão que visa proteger as fronteiras externas da UE recorrendo a instrumentos comuns, e considera que a Agência para as Fronteiras Externas pode desempenhar um papel fundamental neste domínio através do novo sistema de vigilância europeu;
29.
Aplaude o empenho da Comissão no desenvolvimento de uma política comum de imigração e acentua que um "pacto europeu sobre a política de migração" deve abranger questões relacionadas com a luta contra a imigração ilegal, a gestão da imigração legal e uma adequada política de integração no âmbito de competências da UE; recorda igualmente a necessidade de passar para a segunda fase do sistema europeu de asilo, paralelamente à revisão da Convenção de Dublim II;
30.
Regozija-se com a perspectiva de conclusão de uma política europeia comum em matéria de asilo até 2010 e entende ser necessário complementá-la com a directiva relativa a normas e procedimentos comuns nos Estados-membros para o regresso de nacionais de países terceiros em situação irregular, a fim de gerir, de forma mais adequada, os fluxos migratórios;
Prioridade aos cidadãos
Saúde, luta contra a discriminação, aspectos sociais e evolução da Internet
31.
Destaca o papel de liderança que incumbe à União Europeia, a nível internacional, no que se refere à promoção das questões ambientais, e entende que, em 2009, importa dirigir os esforços para a protecção da biodiversidade e a prevenção das alterações climáticas, nomeadamente através de uma política energética orientada para o aumento da quota-parte das energias renováveis, para as poupanças energéticas e para a promoção da eficiência energética na Europa; congratula-se, neste contexto, com o Livro Verde sobre as alterações climáticas após 2012, o qual permitirá identificar os domínios em que é necessário intervir;
32.
Regozija-se com a proposta da Comissão no que respeita aos direitos da criança e à sua protecção; apoia, em particular, a proposta da Comissão sobre um programa comunitário plurianual para a protecção das crianças na utilização da Internet e de outras tecnologias das comunicações e espera que lhe seja dada execução a partir de Janeiro de 2009;
33.
Considera que, no âmbito da protecção das crianças, os menores devem ser protegidos, através de filtros específicos e adequados, do conteúdo de determinados programas quando utilizam a Internet e as novas tecnologias; importa igualmente conferir especial atenção às crianças romanichéis e ao seu direito ao registo de nascimento, à escolaridade e a cuidados de saúde; insta igualmente a Comissão a acelerar a criação de um Sistema Europeu de Alerta para crianças desaparecidas;
34.
Salienta que a protecção das fronteiras e uma melhor cooperação policial e judicial são igualmente prioridades, e, consequentemente, sublinha a necessidade de reforçar a FRONTEX e acelerar a plena implementação do SIS II e do VIS;
35.
Insta a Comissão a acelerar as iniciativas tomadas após o Conselho "Ambiente", de 9 de Março de 2006, a fim de resolver o problema da escassez de água e da seca;
36.
Exorta a Comissão a estudar de forma cuidadosa a forma como a UE pode contribuir para a melhoria dos transportes urbanos utilizados diariamente por milhões de europeus; saúda, neste contexto, o Livro Verde sobre os transportes nas zonas urbanas e metropolitanas, o qual deverá permitir identificar os problemas e as eventuais novas soluções, nomeadamente as acções de prevenção, bem como as responsabilidades;
37.
Congratula-se com a estratégia comunitária em matéria de saúde e segurança no trabalho para 2007-2013, lançada pela Comissão em Fevereiro de 2007, que sublinha a importância das negociações entre os parceiros sociais sobre a prevenção da violência e do assédio no local de trabalho; exorta, a este respeito, a Comissão a controlar a sua eficácia e a sua transposição rápida e eficaz para a legislação nacional;
38.
Regozija-se com a contribuição da Comissão para a definição da política de saúde na Europa, com vista à criação de um quadro comunitário para serviços de saúde seguros, de elevada qualidade e eficiência em todo o território da UE;
39.
Sublinha o facto de uma estratégia europeia em matéria de saúde eficaz requerer uma melhor colaboração entre os serviços de saúde, a fim de garantir a segurança dos doentes nos locais em que são prestados cuidados e dissipar algumas incertezas relativamente à aplicação do direito comunitário no domínio dos serviços de saúde, fornecer informação sobre as consequências das alterações do modo de vida e fazer face aos desafios colocados pelo envelhecimento de uma população saudável;
40.
Apoia as iniciativas extremamente válidas empreendidas pela Comissão para garantir o direito do cidadão europeu a cuidados de saúde e estabelecer normas de elevada qualidade para o tratamento de pacientes; regozija-se com a proposta de directiva relativa à prestação de cuidados de saúde transfronteiriços e salienta que, para grande número de cidadãos europeus, a aplicação desta proposta se reveste de grande importância;
41.
Reconhece a mais valia europeia de fazer face, a nível comunitário, às causas de doenças raras, procedendo a uma troca de conhecimentos específicos e de informações, e insta a Comissão a facilitar a definição, concedendo-lhe prioridade, de uma política europeia de investigação sobre doenças raras;
42.
Considera que a intensificação da protecção jurídica contra a discriminação, prevista na proposta de directiva que aplica o princípio da igualdade de tratamento entre as pessoas, independentemente da sua religião ou crença, deficiência, idade ou orientação sexual, é contrária aos princípios da subsidiariedade e da proporcionalidade; considera que, dado que cada Estado-Membro dispõe de leis contra a discriminação, não é necessário instituir um quadro jurídico comunitário para lutar contra essas formas discriminação e dar aplicação ao princípio da igualdade de tratamento fora do âmbito do emprego;
Educação
43.
Considera que a Comissão deve continuar a chamar a atenção dos cidadãos para a importância da diversidade cultural e, por conseguinte, para o diálogo entre culturas numa União alargada; considera que o diálogo intercultural deve igualmente ser reforçado para além das fronteiras europeias e tornar-se num elo susceptível de favorecer a compreensão recíproca e deste modo contribuir para a prevenção ou a resolução de conflitos sociais e humanos;
Segurança dos cidadãos
44.
Entende que a UE deve lutar contra a criminalidade e a violência, a fim de proteger os cidadãos e que, para tal, cumpre alargar a todo o território da UE os serviços policiais e de instrução criminal; assim sendo, e uma vez que a segurança é essencial para o bem-estar dos cidadãos europeus, apoia igualmente as medidas que a Comissão se propõe tomar para lutar contra o terrorismo, a propaganda terrorista e a difusão de conhecimento técnicos - por exemplo, no domínio dos explosivos - para fins de terrorismo, nomeadamente através da luta contra a cibercriminalidade em todas as suas formas;
A Europa como parceiro mundial
45.
Salienta que a parceria entre a Europa e a Rússia deve basear-se no respeito das regras fundamentais da cooperação europeia, e saúda, consequentemente, a condenação firme por parte do Conselho da Europa da acção militar da Rússia contra a Geórgia, incluindo o reconhecimento por parte de Moscovo da independência da Abecásia e da Ossétia do Sul;
46.
Exorta a Comissão a rever a sua política em relação à Rússia; saúda, consequentemente, a decisão do Conselho Europeu de adiar as negociações sobre o Acordo de Parceria e Cooperação até à retirada das tropas russas para as posições anteriores a 7 de Agosto de 2008; salienta que a continuação das negociações sobre um novo acordo entre a UE e a Rússia, bem como a aplicação do acordo de facilitação de vistos dependerão do empenho da Rússia na resolução da crise actual;
47.
Solicita a criação de um fundo da UE para a gestão de crises e a reconstrução da Geórgia, que permita conceder uma importante ajuda humanitária e económica, contribuir para o regresso dos refugiados e a reconstrução de habitações e de infra-estruturas energéticas, bem como garantir uma presença política mais forte da UE no país e em toda a região; solicita à Comissão que associe a Rússia à criação deste fundo;
48.
Insta a Comissão a apresentar uma avaliação das consequências do recente conflito em torno do aprovisionamento energético da UE e a intensificar os esforços para diversificar formas e fontes de energia; espera um forte empenho da UE no projecto do oleoduto Nabucco e reafirma o seu apoio a este projecto, e é de opinião que o mesmo deve constituir uma prioridade para a União Europeia e beneficiar de apoio específico adequado do orçamento da UE; insta a Comissão a prosseguir os esforços no sentido da adopção de uma verdadeira política comum em matéria de energia;
49.
Considera que a Política Europeia de Vizinhança (PEV) constitui um elemento-chave das relações com os vizinhos da União a leste e a sul, especialmente no contexto da acção militar da Rússia contra a Geórgia; espera que a Política Europeia de Vizinhança facilite a criação e a ampliação de um espaço comum de paz, estabilidade, segurança, respeito pelos direitos humanos, pela democracia e pelo Estado de Direito e de prosperidade; insiste na importância de reforçar a PEV e insta a Comissão a conferir a máxima atenção aos valores democráticos no contexto da análise da execução dos planos de acção em vigor no âmbito da PEV e da recondução desses planos de acção e de acordos próximos da data de expiração; solicita que seja conferida atenção à situação política actual na Ucrânia e na Transnístria no que se refere à segurança nesta região, na qual se regista uma interferência crescente da Rússia através de cidadãos da Federação da Rússia e compatriotas russos que aí residem;
50.
Solicita à Comissão que examine o modo como a PEV poderia ser desenvolvida e reforçada, nomeadamente no que diz respeito à liberalização dos vistos e à instauração do comércio livre entre a União Europeia e os seus vizinhos, bem como entre países vizinhos, reforçando nomeadamente a presença da UE na região do Mar Negro, e que aceite a proposta do Parlamento Europeu relativa a um Espaço Económico Europeu "Mais" ou a proposta da Suécia e da Polónia, a fim de acelerar, sobretudo em relação à Geórgia, à Ucrânia e à República da Moldávia, a instauração de uma zona de comércio livre;
51.
Regozija-se com a recente iniciativa "O Processo de Barcelona: União para o Mediterrâneo" e com a Comunicação da Comissão sobre a mesma, a qual deverá dar um novo impulso às relações económicas e políticas entre a União Europeia e os seus parceiros mediterrânicos, reforçando a dimensão meridional da União; insta a Comissão a desempenhar um papel de relevo no futuro do processo e a assegurar uma correcta ligação entre a nova iniciativa e o acervo de Barcelona;
52.
Apela uma vez mais a um novo e vasto acordo reforçado com a Ucrânia, que deverá suceder ao Acordo de Parceria e Cooperação, e sublinha que este novo acordo deve conter disposições relativas aos valores comuns e a uma cooperação reforçada no sector da justiça, da liberdade e da segurança, bem como disposições completas em matéria de energia e cooperação num vasto número de domínios, nomeadamente, transportes e ambiente;
53.
Solicita à Comissão que conclua as negociações com a Ucrânia em 2009; considera que estas negociações devem conduzir à conclusão de um acordo de associação que permita à Ucrânia utilizar o mecanismo neste previsto para reforçar a integração com a UE e preparar as etapas seguintes para responder às aspirações europeias da Ucrânia, a saber, aderir à UE a longo prazo;
54.
Condena veemente o regime bielorusso, que é a última ditadura na Europa, pelas prisões arbitrárias de activistas da oposição, pela repressão dos meios de comunicação social, pelos ataques às minorias, aos defensores dos direitos humanos e aos líderes religiosos, pelos maus tratos infligidos a detidos, pelos desaparecimentos, pela perseguição por motivos políticos e por outros actos de repressão que violam os princípios básicos da democracia e do Estado de Direito;
55.
Exorta o Conselho e a Comissão a criarem um programa de bolsas, visitas e estágios destinados a ONG e defensores dos direitos humanos e das minorias da Bielorrússia; insiste na importância de proporcionar informação de elevada qualidade e independente ao público bielorusso; exorta o Conselho e a Comissão a concederem ajuda financeira às iniciativas de livre difusão dos meios de comunicação social, como BELSAT TV, que actualmente são financiados apenas pela Polónia; apela aos partidos políticos europeus e aos seus grupos políticos para que reforcem os contactos com os representantes da oposição bielorussa e lhes prestem um maior apoio político;
56.
Sublinha que as relações transatlânticas devem beneficiar de um estatuto prioritário, através do reforço de um acordo-quadro sólido; reafirma que incumbe à UE e aos Estados Unidos, enquanto potências mundiais, cooperarem com o objectivo de desempenhar um papel de charneira no mundo, promovendo a paz e a estabilidade, fazendo face aos desafios que se colocam a nível mundial, contribuindo para o desenvolvimento do comércio mundial e das democracias e assegurando o desenvolvimento em todo o mundo;
57.
Apela ao reforço do papel político da União Europeia nos acontecimentos mundiais, por forma a poder prestar um maior contributo para a preservação da paz e da estabilidade em todo o mundo, em particular em determinadas áreas cruciais como o Médio Oriente, o Kosovo, o Paquistão e o Afeganistão;
58.
Considera que, no âmbito da actividade diplomática do Quarteto, a União Europeia, enquanto principal prestador de assistência aos palestinianos, pode desempenhar um papel de relevo no Médio Oriente, promovendo a dinâmica do processo político resultante da Conferência de Annapolis e persuadindo as partes interessadas a encetarem um diálogo de base, por forma a cumprirem as obrigações que lhes incumbem por força do "Roteiro para a Paz";
Alargamento
59.
Salienta que a política de alargamento da União deve assentar na promoção da paz e da estabilidade, da prosperidade e do respeito pela democracia, pelos direitos humanos e pelo Estado de Direito em toda a Europa; partilha da posição da Comissão segundo a qual a consolidação, a condicionalidade e a comunicação constituem os grandes princípios orientadores da estratégia da União em matéria de alargamento;
60.
Realça que as negociações de adesão com a Croácia estão a entrar numa fase decisiva; espera que a intensificação dos esforços de negociação envidados pela Croácia e o reforço do apoio por parte das instituições da UE permitam alcançar, antes das próximas eleições europeias em 2009, uma decisão final quanto à adesão da Croácia à UE, uma vez que todos os requisitos previstos para a adesão estão preenchidos;
61.
Insta a Comissão a apoiar e a manter o rumo dos Estados dos Balcãs Ocidentais a uma futura adesão à UE, com a ajuda do Processo de Estabilização e Associação; apela ao apoio, por parte da Comissão, ao desenvolvimento do Kosovo enquanto Estado independente, em particular através da aplicação dos instrumentos comunitários e do apoio ao processo de reformas no Kosovo;
62.
Solicita à Comissão que tenha em conta a opinião pública no que se refere ao alargamento da UE e que preste aos cidadãos europeus uma informação completa sobre as vantagens e os possíveis problemas decorrentes deste processo;
63.
Reitera que é necessária uma estratégia comunitária para o Mar Báltico; regozija-se com o relatório sobre uma estratégia do Mar Báltico para a Dimensão Setentrional e insta a Comissão a apresentar uma estratégia comunitária para a região do Mar Báltico até Junho de 2009;
Política de desenvolvimento
64.
Insta a Comissão a prosseguir as negociações em curso sobre os Acordos de Parceria Económica, com o objectivo de alcançar a fase final de assinatura, de preferência com os grupos regionais ACP ou com países ACP a título individual que estejam prontos e tenham vontade de dar este passo; reitera a sua convicção de que os EPA são um instrumento de promoção do desenvolvimento sustentável e do progresso das economias ACP, bem como de apoio à integração regional, à erradicação da pobreza e à integração gradual dos países ACP na economia mundial;
65.
Solicita à Comissão que apresente proposta específicas e concretas para a realização dos Objectivos de Desenvolvimento do Milénio, a fim de respeitar este compromisso até 2015, e que continue a apoiar os esforços empreendidos por todos os países em desenvolvimento com vista à realização destes objectivos;
66.
Insta a Comissão a propor medidas estruturais a curto prazo para proporcionar assistência imediata a pessoas directamente afectadas pela subida dos preços dos produtos alimentares nos países em desenvolvimento e impedir uma repetição da actual crise alimentar;
67.
Reitera o seu empenho numa ajuda mais estruturada e mais eficaz, com base numa forte coordenação entre as partes envolvidas - doadores, beneficiários, ONG, etc. - para lograr uma verdadeira eficácia e o respeito dos direitos humanos e da igualdade social, a fim de aumentar as possibilidades de realização do principal objectivo da UE, a saber, a erradicação da pobreza através da cooperação para o desenvolvimento;
Política comercial
68.
Lamenta profundamente o colapso das negociações da Ronda de Doha em Julho de 2008, em Genebra; está persuadido de que os custos do fracasso das negociações da OMC serão substanciais; reconhece que a União Europeia negociou com transparência e de boa fé e trabalhou com o objectivo de concluir o processo com êxito; insta a Comissão a continuar a promover um sistema multilateral regulamentado e a procurar retomar as negociações quando estiverem preenchidas as condições necessárias;
69.
Salienta a importância do programa da Comissão em matéria de competitividade para a futura política comercial da UE e as iniciativas conexas; considera, neste contexto, que uma nova estratégia global para a China e a Índia, uma estratégia mundial para proteger os direitos de propriedade intelectual, a renovação da estratégia de acesso ao mercado da UE, em particular para as PME, medidas rigorosas de combate à pirataria e um novo programa de acordos bilaterais de comércio livre, vistos enquanto instrumento estratégico complementar da abordagem multilateral, representarão desafios extremamente importantes para a política comercial nos próximos meses;
70.
Considera que qualquer reforma dos instrumentos de protecção comercial, que deverá ter em consideração as novas realidades mundiais, deve ser negociada a nível da OMC e ser aceite e aplicada por todos os principais actores da OMC; solicita que o Parlamento seja associado a este processo;
Questões horizontais
71.
Insta a Comissão a prosseguir os seus esforços tendentes a melhorar a qualidade dos novos programas e projectos financiados pela UE no âmbito das novas Perspectivas Financeiras e a esforçar-se por promover uma gestão financeira fiável e o grau mais elevado possível de rentabilidade;
Legislar melhor/Assegurar o bom funcionamento das políticas
72.
Congratula-se com as iniciativas da Comissão tendentes a simplificar e modernizar o quadro regulamentar europeu e a retirar a legislação pendente na sequência de uma investigação adequada; sublinha, neste contexto, a necessidade de acelerar o processo de simplificação da legislação encetado em 2007, o qual deverá permitir reduzir os encargos administrativos em 25% até 2012;
73.
Está ciente de que o desenvolvimento e a aplicação das políticas da UE dependem da parceria e do empenho dos Estados-Membros na realização dos seus programas de reforma; considera, contudo, que cabe à Comissão o papel fundamental de ajudar os Estados-Membros a promoverem e desenvolverem activamente as principais políticas da UE; vê a Estratégia de Lisboa renovada como um exemplo do papel que a Comissão pode desempenhar;
Avaliações de impacto
74.
Regozija-se com a garantia dada pela Comissão de que irá realizar avaliações exaustivas do impacto de todas as medidas legislativas, incluindo o processo de comitologia, propostas como iniciativas estratégicas ou prioritárias em 2007;
75.
Considera que a aplicação bem sucedida do processo de avaliação do impacto é crucial para instituir na União Europeia uma cultura de "legislar melhor", a que todas as suas instituições aspiram; considera, neste contexto, que se podem reconhecer realizações positivas no tocante à integração das avaliações de impacto no processo legislativo;
77.
Congratula-se com a iniciativa da Comissão de retirar a legislação pendente; considera, no entanto, que a iniciativa "legislar melhor" não deve conduzir a uma desregulamentação total, mas a uma regulamentação que, mesmo que seja mínima, possa melhorar a qualidade do quadro regulamentar europeu;
Ligação entre prioridades políticas e meios orçamentais
78.
Salienta que, tendo em conta os limitados recursos orçamentais da União Europeia em relação às suas necessidades, a Comissão deve conceder uma atenção especial à correcta utilização dos recursos financeiros, orientando melhor os recursos orçamentais e humanos, conforme referido na sua resolução sobre a Estratégia Política Anual da Comissão;
Aproximar a Europa dos seus cidadãos
79.
Exorta a Comissão a redobrar os seus esforços para comunicar com os cidadãos europeus e explicar o projecto europeu, a fim de reforçar a visibilidade da UE, associando o Parlamento a este processo; além disso, exorta a Comissão a cooperar estreitamente com o Parlamento nas propostas operacionais decorrentes do Livro Branco sobre comunicação;
80.
Encarrega o seu Presidente de transmitir a presente resolução ao Conselho, à Comissão e aos parlamentos dos Estados-Membros.