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Debates
Quarta-feira, 22 de Março de 2006 - Bruxelas Edição JO

Critérios para as operações de imposição da paz da União Europeia, nomeadamente na República Democrática do Congo (debate)
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  Angelika Beer, em nome do Grupo Verts/ALE. – (DE) Senhor Presidente, o debate ocorrido durante as últimas semanas deixou a nu todo o dilema da nossa falta de orientação política. Seria errado se nos afastássemos do problema ou o encobríssemos.

Desde a carta de 27 de Dezembro do Sub-Secretário Geral Guéhenno, relativamente ao envolvimento militar na República Democrática do Congo, carta recebida no período de passagem do ano e que apanhou de surpresa inclusive o próprio Conselho de Segurança, desde essa altura 12 semanas passaram e continua a haver mais perguntas do que respostas. Continua a haver uma distância abissal entre as palavras e os actos. Continuamos à espera de que nos convençam. Não damos o nosso apoio à resolução conjunta e permitam-me explicar porquê

Nós, Grupo dos Verdes/Aliança Livre Europeia, somos obviamente favoráveis ao apoio ao processo de democratização no Congo. Mas como se deu a situação de o tema do envolvimento da UE ter sido reduzido a uma missão militar em Kinshasa e à contagem de soldados? Como é que nos encontramos a debater o envio de soldados, mas não um largo número de observadores eleitorais da UE? O que se passa para toda uma série de acções no âmbito da Política Externa e de Segurança Comum e da Política Europeia de Segurança e Defesa não estarem a ser investigadas? O facto é que, em cada dia que passa, novas justificações surgem, tais como o interesse da Europa em não receber refugiados. Pergunto, o que tem tudo isto a ver com o auxílio às eleições democráticas no Congo?

Estas discussões palavrosas das últimas semanas levantaram a questão de saber se a missão planeada para Kinshasa tem efectivamente a ver com democratização ou se tem realmente a ver com a UE salvar a face. Digo salvar a face, pois a dinâmica posta em marcha pelo inquérito já adquiriu vida própria. Passaram meses desde o inquérito e a missão de averiguação inconclusiva ao Congo, e desde Nova Iorque não há qualquer sinal de um plano político ou de uma tarefa clara.

Senhoras e Senhores Deputados, um belo gesto do Sr. Chirac não pode esconder as questões que continuam por esclarecer, ou seja, como vai o envio de 1 500 soldados para Kinshasa garantir eleições livres em todo o Congo? Como vamos defender-nos da acusação de que estamos a tomar partido por Kabila? Como pode a UE, na sequência de uma missão deste tipo, desempenhar um papel global no Congo? E, se o tema for a evacuação, algo que se tornou um tópico importantíssimo, quem vai efectivamente ser evacuado? Precisamos de tropas mandatadas pelas Nações Unidas para promover a causa da democracia no Congo?

Por último, Senhoras e Senhores Deputados, uma questão muito importante. Falamos tão apaixonadamente sobre a responsabilidade da Europa em relação à África, mas, então, como conciliamos o debate de hoje com a nosso fracasso em relação à actuação para impedir o prosseguimento do genocídio do Darfur?

 
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