Index 
 Texto integral 
Debates
Quarta-feira, 30 de Janeiro de 2008 - Bruxelas Edição JO

Situação no Irão (debate)
MPphoto
 
 

  Angelika Beer, em nome do Grupo Verts/ALE. – (DE) Senhor Presidente, permita-me começar por agradecer ao Senhor Solana e à Comissária Ferrero-Waldner por terem preparado tão bem a visita e por nos consultarem e dialogarem connosco antes e depois da mesma.

Gostaria de sublinhar – e que não haja dúvidas a este respeito – que este debate será ouvido no Irão. É uma sociedade esclarecida e pluralista que tenta obter a informação que necessita e apoiamos essa procura através do serviço noticioso do canal televisivo Farsi. Sabemos que os líderes do regime Ahmadinejad irão seguir este debate, pelo que é acertado e adequado dizer claramente ao Presidente Ahmadinejad e aos seus apoiantes que a imensidão de candidatos para os 296 assentos parlamentares – há mais de 7.000, dos quais 2.000 foram aparentemente excluídos – é um sinal seguro de que, em matéria de política interna, ele está encostado à parede. Somos solidários com a sociedade civil, as mulheres, os sindicatos e todos, cujas vidas estão ameaçadas e cujos nomes nos foram lidos há alguns instantes.

(Aplausos)

Houve uma outra razão para insistirmos no debate de hoje, pelo qual estou sinceramente grato. O Irão encontra-se num impasse. Foi dar a um beco sem saída e não sabe como avançar; não está em posição para oferecer o que quer que seja. Ao mesmo tempo, interrogo-me se nós, europeus, já teremos jogado todas as cartas. As conclusões da nossa missão transpartidária ao Irão são que temos de encontrar a nossa própria forma de negociar e que tal só poderá ser feito sem impor condições prévias, sem encostar uma faca ao pescoço de ninguém.

O que compreendi claramente dos relatos das pessoas com quem pudemos encontrar-nos e que precisam da nossa ajuda é que as sanções enfraquecem a sociedade civil e fortalecem o Presidente Ahmadinejad. Por essa razão, continuar a actuar como até agora não é uma opção política e não resolverá o impasse.

Permitam-me terminar, dizendo que não queremos armas nucleares em país algum. Pessoalmente, oponho-me a qualquer forma de energia nuclear, mas se a política do Presidente Sarkozy consiste em celebrar contratos de energia nuclear à esquerda e à direita, sem quaisquer salvaguardas sob a forma de, por exemplo, acordos de não-proliferação, a política externa da Europa irá converter-se num factor de proliferação em vez de contribuir para conter a maré.

(Aplausos)

 
Aviso legal - Política de privacidade