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Dienstag, 15. Dezember 2020 - Brüssel Überprüfte Ausgabe

12. Verschlechterung der Lage in Mosambik (Aussprache)
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  Elnök asszony. – A következő pont a Bizottság alelnökének/az Unió külügyi és biztonságpolitikai főképviselőjének nyilatkozata: A mozambiki helyzet romlása [2020/2910(RSP)]

 
  
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  Josep Borrell Fontelles, vicepresidente de la Comisión / alto representante de la Unión para Asuntos Exteriores y Política de Seguridad. – Señor presidente, honorables miembros, la crisis en la parte norte de Mozambique está causando ya más de medio millón de personas desplazadas y más de dos mil muertos, y nosotros —la Unión Europea— seguimos tratando de ayudar a través del eje humanitario, del desarrollo y del fomento de la paz, defendiendo los derechos humanos en el centro de nuestra respuesta.

Por si fuera poco, Cabo Delgado, una de las provincias más pobres de Mozambique, con una estructura social tremendamente frágil, fue devastada por el ciclón Kenneth en 2019. Eso no hizo sino agravar una situación que ahora se complica con la extensión del terrorismo que les llega desde el norte, desde Somalia.

Tenemos equipos especializados que trabajan sobre la situación en Mozambique; tenemos contactos permanentes con el Gobierno y con las instituciones internacionales —las Naciones Unidas, la Unión Africana y los Estados Unidos—. Hemos asignado cien millones a través de un programa de resiliencia firmado con el Gobierno para responder a las consecuencias socioeconómicas del COVID-19, y, por supuesto, estamos dispuestos a estudiar la posibilidad de aportar más recursos. Pero, en este año, hemos aportado ya 37 millones en ayuda humanitaria, prioritariamente a Cabo Delgado. Estamos reforzando la cooperación con todos los países de la región, combatiendo el impacto del tráfico de seres humanos, que, desgraciadamente, aumentará con esta situación, y ayudando a implementar el Acuerdo de Paz de Maputo entre el Gobierno de Mozambique y la Renamo.

Pero las perspectivas no son positivas, señorías: la situación en Mozambique se deteriora al amparo y al calor de las catástrofes naturales y de un país con gravísimas dificultades de gobierno.

En realidad, es toda la fachada del Cuerno de África hacia el océano Índico la que está siendo el escenario de una extensión de los conflictos y de la propagación de fuerzas terroristas. Nos preocupa mucho la situación.

No parece que haya mejoras en el área de Somalia hacia el sur; las recientes tensiones entre Somalia y Kenia tampoco van a ayudar. Pero, dentro de Mozambique, tenemos que tomar medidas seguramente más fuertes.

He pedido al ministro de Asuntos Exteriores de Portugal —país que asumirá la Presidencia dentro de poco— que se desplace a la región como enviado personal mío, ya que yo no puedo ir por razones de agenda. Y le he pedido, como colega del Consejo, que dedique especial atención durante su Presidencia a lo que ocurre en ese país —que, por otra parte, Portugal conoce muy bien—.

Es lo que les puedo decir; no puedo aportarles muchos elementos positivos. Simplemente, tengan la seguridad de que movilizamos todos los recursos que tenemos para actuar en Mozambique.

 
  
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  Paulo Rangel, em nome do Grupo PPE. – Senhor Alto Representante, a sua declaração aqui é a prova provada daquilo que já sabíamos. O serviço de ação externa da União Europeia não está à altura da crise humanitária de Moçambique. Vossa Excelência não tem tempo para ir a Moçambique, Vossa Excelência não é capaz de ver que recursos foram dados à região de Cabo Delgado, continua a falar nos furacões, continua a falar no processo de paz, isto foi o que eu ouvi o Serviço de Ação Externa trazer aqui no dia 6 de julho, não sabia nada sobre Cabo Delgado.

A crise de Cabo Delgado é uma crise autónoma, totalmente diferente, com outras características, onde as mulheres estão a ser violadas, onde estão a ser recrutados jovens para o terrorismo islamita radical, onde as pessoas são expulsas das aldeias, onde há mais de meio milhão de refugiados nas vilas e cidades mais costeiras, onde a crise de sanidade é brutal. Não ouvi falar aqui em ajuda sanitária. Não há equipas logísticas? Não há equipas de médicos da União Europeia que se desloquem a Cabo Delgado nesta altura? Com a malária? A cólera? A COVID? Não há alojamento para levar para esta região?

Senhor Alto Representante, a União Europeia está a falhar e a responsabilidade, em primeiro lugar, é sua. Tenho a certeza de que a Presidência portuguesa fará o seu papel, mas a União Europeia não pode votar Moçambique ao ostracismo como está a fazer desde que Vossa Excelência ocupou este cargo e tenho consciência de que esta crise existe há mais de 3 anos.

 
  
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  Carlos Zorrinho, em nome do Grupo S&D. – Senhora Presidente, Senhor Alto Representante, agradeço que tenha estado presente neste debate e que, com a sua intervenção, tenha assumido o compromisso de que a União Europeia será parte da solução política e humanitária para o conflito em Cabo Delgado. Saúdo também a nomeação do Ministro dos Negócios Estrangeiros português como enviado especial.

A indiferença da comunidade internacional face à situação gerou um silêncio ensurdecedor, arrepiante, incompreensível. O Parlamento Europeu posicionou-se na primeira linha da denúncia da situação e da exigência de ação, quer da comunidade internacional das instituições, quer do Governo moçambicano. Estes alertas contribuíram para acordar a comunidade internacional e reforçar o empenho do Governo moçambicano numa solução.

A ONU e a União Europeia reforçaram os seus programas de ajuda e cooperação. Uma eventual intervenção no terreno das Nações Unidas passou a ser ponderada. Também a Comunidade dos Estados da África Austral agendou uma cimeira. Portugal, que assumirá a Presidência europeia a partir do próximo dia 1 de janeiro, decidiu apoiar a formação de militares moçambicanos, bem como a logística das suas forças armadas, dando um exemplo de ação que deve ser salientado.

Neste momento em que as relações entre a União Europeia e África se aprofundam de forma promissora, saúdo a nova atitude da União Europeia perante o conflito em Cabo Delgado. Já era tempo, Senhor Alto Representante. É preciso agora transformar esta atitude em mais ação.

 
  
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  Jan-Christoph Oetjen, on behalf of the Renew Group. – Madam President, first of all, Mr Borrell said things don’t look good in Mozambique and in Cabo Delgado especially, and the situation is worsening, and I thank Mr Rangel for describing the situation and I would like to add that since the urgency resolution we discussed here in the plenary, several hundred people have been killed. On 9 November, 50 people were beheaded – just to remind you of the situation at the moment in Mozambique.

You said that you are using all means that are at your disposal to help in that country, but as colleagues already said, at this moment, you cannot even reach the most vulnerable and I would like to ask you: you said that you want to explore the possibility of more resources. That’s good. But how do you want to reach those in need of help? Today even doctors cannot go there. What do you want to do to help those people?

 
  
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  Lars Patrick Berg, im Namen der ID-Fraktion. – Frau Präsidentin, Hoher Vertreter Herr Borrell! In meinen Augen lässt sich die Lage in Mosambik sehr treffend am Beispiel von Andre Hanekom aufzeigen, einem südafrikanischen Geschäftsmann, der in Mosambik tätig war und in Polizeigewahrsam verstarb, nachdem er zuvor von der mosambikanischen Armee verhaftet und inhaftiert worden war.

Herr Hanekom wurde beschuldigt, die islamistischen Rebellen in Cabo Delgado zu unterstützen. Diese Aufständischen haben sich abscheulicher Verbrechen schuldig gemacht, unter anderem der Enthauptung von Dorfbewohnern, die sich ihren Machenschaften in den Weg stellten. Es bestehen keine Zweifel daran, dass es diese Rebellen wirklich gibt, und sie stellen eine ernste Bedrohung für den Staat Mosambik und die Region darüber hinaus dar. Und – Herr Borrell, Sie hatten es eben erwähnt – der terroristische Einfluss aus Somalia kommt hinzu.

Wie Herr Hanekom auf tragische Weise erfahren musste, bedienen sich Teile der Polizei und der Armee in Mosambik dieser Aufständischen jedoch als Vorwand, um sämtliche von der offiziellen Linie abweichenden Meinungen in Cabo Delgado zu unterdrücken. Zu diesen abweichenden Meinungen zählt etwa die Opposition gegen die Erschließung von Offshore-Gasfeldern – einem der größten Vorkommen in Afrika – und gegen den erzwungenen Ankauf von Grundstücken der lokalen Bevölkerung im direkten Zusammenhang mit der Erschließung von Gasfeldern.

Nimmt man die Ausbeutung von Bergbauressourcen zur Gewinnung von Edelsteinen, die ausufernde Korruption und die Präsenz von Privatmilizen – einschließlich des zeitweisen Auftauchens von Eric Black – hinzu, so sind alle Zutaten für eine humanitäre Katastrophe vereint.

Herr Hanekom wollte sein Grundstück nicht verkaufen. Einflussreichen Gruppen ging es darum, den Verkauf zu erzwingen. Herr Hanekom hatte Partner, die ebenfalls Bergbauinteressen in Cabo Delgado verfolgten. Die islamistischen Aufstände sind Folge der Ausbeutung der natürlichen Ressourcen Mosambiks sowie der Marginalisierung der örtlichen Bevölkerung. Diese ist das Ergebnis der Korruption in Afrika, die meist immer diesen Dingen auf dem Fuß folgt.

 
  
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  Pierrette Herzberger-Fofana, au nom du groupe Verts/ALE. – Madame la Présidente, Monsieur le Vice-Président, chers collègues, la situation au Mozambique est alarmante.

Plus de 450 000 personnes ont dû fuir et abandonner leur foyer. Ces personnes déplacées dans leur propre pays souffrent de l’insécurité permanente, du manque d’accès aux soins de première nécessité et, bien sûr, du traumatisme qui résulte de ce conflit, souvent perçu comme une mesure ciblée pour dépeupler les zones de terre économiquement intéressantes.

Je voudrais souligner la situation particulièrement précaire des femmes, des jeunes filles et des enfants pendant ce conflit, situation sur laquelle nous devons absolument nous concentrer. Le dernier appel de l’Unicef sur la situation au Mozambique, qui a été publié hier, mentionne que les violations des droits de l’enfant perdurent, avec des rapports faisant état de meurtres, d’enlèvements, d’abus et de mauvais traitements infligés aux jeunes filles et aux femmes. Les cas de violences fondées sur le genre ne cessent d’augmenter.

Surmonter et trouver des solutions à plusieurs niveaux, afin d’aborder ou d’atténuer ce conflit sans pour autant faire preuve d’ingérence, devrait être la norme et correspondre à nos propres objectifs.

 
  
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  Assita Kanko, on behalf of the ECR Group. – Madam President, Islamic militants linked to ISIS in Mozambique’s gas-rich northern province Cabo Delgado are becoming bolder. The extrajudicial executions, burning and looting and destruction of schools and hospitals is also extending to Tanzania. Since 2017, this Islamic terrorism has killed more than 2 200 people in this country. There are almost half a million internally-displaced people depending on international aid for food and basic needs.

This humanitarian catastrophe must come to an end. The civilian population must be protected – urgently – and human rights violations must be investigated and punished. Gas resources should be used for the development of the region and to create the much-needed employment. The EU must contribute to humanitarian aid and the de-escalation of this conflict. We should also seriously consider why the EU so often underestimates this type of geopolitical threat – the proliferation of jihadist violence is deliberately disrupting African societies and becoming a push factor for migration.

If the EU is serious about its geopolitical role then regional crises with a potential global impact, such as this, must be at the top of our EU-Africa agenda.

 
  
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  Sandra Pereira, em nome do Grupo GUE/NGL. – Senhor Presidente, Senhor Alto Representante, a República de Moçambique tem vindo a enfrentar grupos mercenários terroristas que são responsáveis por atos de terrorismo gravíssimos contra a população moçambicana, nomeadamente na província de Cabo Delgado. Condenando veementemente a ação destes grupos terroristas, denunciamos igualmente os interesses que estão por detrás desta nova operação de desestabilização contra Moçambique e o seu povo e que visam a apropriação de recursos que são essenciais ao desenvolvimento económico e social do Estado moçambicano.

Rejeitamos, por isso, qualquer instrumentalização da situação em Cabo Delgado para abrir caminho ao intervencionismo e a posturas neocoloniais que desrespeitam a soberania, a independência e a integridade territorial de Moçambique. A República de Moçambique tem o direito inalienável de defender a sua soberania e a sua integridade mobilizando os meios necessários, incluindo no quadro da cooperação internacional, para proteger o seu povo, território e recursos.

Quaisquer apoios a Moçambique devem respeitar a sua soberania e as suas instituições. Daqui expressamos a nossa solidariedade a Moçambique, ao seu povo e à sua luta.

 
  
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  Isabel Santos (S&D). – Senhora Presidente, Senhor Alto Representante, pego nas suas palavras para lhe dizer que não venho pedir-lhe uma solução mágica nem uma varinha mágica. Venho pedir-lhe pura e simplesmente uma resposta ao pedido de auxílio que foi enviado à União Europeia pelas autoridades moçambicanas e, nesse sentido, peço à União Europeia que complemente a resposta portuguesa no apoio à formação das forças militares moçambicanas e no apoio ao seu equipamento e que deem uma resposta, uma resposta forte e ativa, à ajuda humanitária que é necessária neste momento no terreno.

É preciso não esquecer que há mais de meio milhão de deslocados. Pessoas que não têm qualquer tipo de abrigo, que estão sem acesso à água, que estão sem acesso a medicamentos e que estão sem acesso a alimentação. É preciso dar uma resposta urgente a esta necessidade. Mas não podemos ficar pura e simplesmente pelas respostas de emergência. Cabe-nos ir à raiz dos problemas, às desigualdades, à pobreza e à falta de expetativas no futuro, apesar de este país ter as maiores reservas de gás, o que tem constituído solo fértil para a radicalização jihadista.

É forçoso que as multinacionais europeias abandonem a lógica do extrativismo puro e assumam as suas responsabilidades ambientais e de contribuição para o desenvolvimento sustentável dos países onde opera.

 
  
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  Dominique Bilde (ID). – Madame la Présidente, les exactions du groupe islamiste al-Chabab au Cabo Delgado s’inscrivent dans une vague de terreur qui, de l’Afrique au Moyen-Orient, réprime avec férocité les communautés chrétiennes.

Partout, les conséquences en sont les mêmes: la fermeture des écoles, qui hypothèque l’avenir des jeunes générations, et le devenir incertain de milliers de déplacés internes. Comme je le répète inlassablement, ils seraient plus de 300 000 dans cette région du Mozambique.

En jeu également, le rebond économique de l’Afrique. Dans un monde miné par la crise sanitaire, au Cabo Delgado, ce n’est pas seulement le projet titanesque d’exploitation du gaz naturel liquéfié, essentiel à toute la région, et notamment au département de Mayotte, qui s’en trouve compromis, mais également des activités traditionnelles comme la pêche ou la culture de noix de cajou.

Reste qu’il serait prématuré d’évoquer une quelconque intervention européenne sans d’abord faire jouer l’intégration régionale. Du gouvernement mozambicain à la Communauté de développement de l’Afrique australe, en passant par l’Union africaine, il incombe à l’ensemble des responsables de ce continent de démontrer dans les faits sa capacité de riposte.

 
  
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  Francisco Guerreiro (Verts/ALE). – Senhora Presidente, caro Senhor Representante, antes de mais gostaria de relembrar a importante intervenção do bispo de Pemba, D. Luiz Fernando Lisboa, que apresentou por videoconferência durante a reunião da comissão AFET no passado dia 3 de dezembro a situação de urgência humanitária vivida em Moçambique, onde os ataques terroristas já deixaram milhares de mortos e deslocados.

Devemos pôr de lado, por agora, os debates políticos e as estratégias a longo prazo porque Moçambique enfrenta uma situação de emergência, tendo em conta também os fatores agravantes, tais como a situação da COVID e a próxima época de chuvas na região.

Assim, Senhor Borrell, pergunto-lhe concretamente de que mais recursos falava na sua intervenção para ajudar Cabo Delgado e as autoridades moçambicanas? Por fim, apelo à Comissão Europeia, a Portugal e aos restantes Estados-Membros para que intervenham agora com urgência para ajudar Moçambique a restaurar a segurança na região e assegurar a chegada e distribuição de ajuda humanitária. Precisamos de uma resposta europeia rápida, concreta, para o bem dos moçambicanos e para restabelecer a credibilidade da capacidade de ação da União Europeia a nível global.

 
  
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  Josep Borrell Fontelles, vicepresidente de la Comisión / alto representante de la Unión para Asuntos Exteriores y Política de Seguridad. – Señora presidenta, señorías, vamos a poner en relieve lo que hacemos.

Hemos dado prioridad a la ayuda humanitaria a Mozambique.

La Dirección General de Protección Civil y Operaciones de Ayuda Humanitaria Europeas (ECHO) ha asignado más de 14 millones de ayuda humanitaria en Mozambique, en este año. Cinco millones se han dedicado específicamente a la población afectada por el conflicto en la zona. Para nosotros Cabo Delgado es un área de acción prioritaria, pero piensen que la demanda para ayuda ha crecido exponencialmente en los últimos meses.

En mayo, las Naciones Unidas preveían que necesitarían 35 millones de euros y, ahora, están pidiendo 250 millones de euros. Seguramente los necesitan, pero nuestro presupuesto no es expandible como un globo en el que se sopla. No tenemos 250 millones de euros disponibles; si los tuviéramos...

También han preguntado ustedes por qué no somos más activos, como siempre, y por qué no mandamos una ayuda que el Gobierno de Mozambique ha solicitado.

Bueno, las cosas no son tan claras. Estamos a la espera de que el Gobierno de Mozambique nos dé la luz verde para mandar una misión de expertos de seguridad, que están nombrados desde el mes de noviembre y dispuestos para salir hacia Mozambique en cuanto nos autoricen. Ha habido conversaciones con el Gobierno, que duda de si prefiere a nuestros expertos o prefiere relaciones bilaterales con algunos países de la Unión Europea.

Nosotros hemos hecho nuestros deberes: hemos intercambiado cartas y peticiones con el Gobierno de Mozambique y nuestros expertos están dispuestos a desplazarse allí, ¡están nombrados! Solamente necesitamos que nos autoricen.

Pero miren, no cerremos los ojos a la realidad. Ustedes la conocen muy bien y han participado en este debate porque la conocen y les interesa. Pero Mozambique es un país que está sumido en una profunda crisis financiera, con un nivel de deuda que supera el 110 % de su producto interior bruto; que solamente se ha podido mantener gracias a la ayuda masiva de los donantes internacionales; que ha tenido problemas graves de corrupción y problemas de toma de control de empresas por parte del Gobierno. El Fondo Monetario Internacional ha parado su programa de ayuda financiera y la comunidad internacional ha disminuido su apoyo comunitario.

No se puede tampoco decir que todo lo que pasa en Mozambique, como algunos dicen, es una simple extensión de los movimientos del terrorismo llamado islamista. Bueno, en parte es verdad; la violencia armada en el norte de Mozambique ha estado, desde el principio, impulsada por la creciente pobreza y desigualdad y el desapego con respecto a un Estado que no puede aportar bienes básicos a la población. Pero hay problemas de gobernanza, hay problemas de tráfico; hay problemas...

Piensen que Mozambique es un país que tiene cien trillones cúbicos de gas natural —reservas probadas—: es la tercera reserva de gas natural en África, después de Nigeria y Argelia. Se pueden imaginar que esto plantea para los ciudadanos un sentimiento de alienación, de decir «somos un país rico y vivimos sumidos en la pobreza», y sus expectativas están frustradas por la falta de desarrollo y desgobierno, o problemas graves de gobierno.

Nosotros estamos allí para ayudar en la medida de nuestras capacidades, pero las necesidades de Mozambique van mucho más lejos de las capacidades operativas que nos da nuestro presupuesto.

Les digo con esto lo mismo que les decía antes con respecto a sus demandas de intervenciones musculosas en Armenia y Azerbaiyán: tenemos lo que tenemos, y lo que tenemos, lo usamos. Y si de repente las necesidades se multiplican por diez, mi presupuesto no se multiplica por diez.

Estamos dispuestos a mandar misiones, pero necesitamos que el Gobierno las acepte.

Sí, no tengo tiempo para ir a todas partes. No tengo tiempo para ir a Mozambique porque, o no pudo viajar o, cuando viajo, tengo que atender otras necesidades. Y no me parece una mala idea que el ministro de Exteriores de Portugal asuma, en mi representación, la presencia en Mozambique —Portugal es el país que va a ostentar la Presidencia—, de igual manera que le he pedido al ministro de Finlandia que vaya a Etiopía, y seguiré pidiendo a mis colegas del Consejo de Asuntos Exteriores que me ayuden en la representación internacional de Europa, porque yo no puedo estar en todas partes. Pero ellos pueden ayudarme —y mucho—, y así contribuirán a crear una política exterior más común, más apropiada por todos los países, porque participan en ello.

Y espero —estoy seguro de ello— que la presencia del ministro Augusto, mi amigo Augusto, en Mozambique contribuya a que conozcamos mejor la realidad y a impulsar más la cooperación con el Gobierno y orientar más nuestros recursos, siempre escasos para las muchas necesidades que en este año 2020 se han manifestado, con la COVID-19 y sin la COVID-19. En el caso de Mozambique no es un problema de COVID-19, pero la COVID-19 lo ha agravado. Es un problema crónico de falta de buen gobierno, de desarrollo, de pobreza y de desigualdad, y de conflictos armados. Y todo eso solo se puede resolver a través de una acción concertada con la comunidad internacional, de la que la Unión Europea participa en la medida de nuestras capacidades.

 
  
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  Elnök asszony. – A vitát lezárom.

 
Letzte Aktualisierung: 19. Februar 2021Rechtlicher Hinweis - Datenschutzbestimmungen