Processo : 2015/2732(RSP)
Ciclo de vida em sessão
Ciclo relativo ao documento : RC-B8-0575/2015

Textos apresentados :

RC-B8-0575/2015

Debates :

Votação :

PV 11/06/2015 - 5.1

Textos aprovados :

P8_TA(2015)0229

PROPOSTA DE RESOLUÇÃO COMUM
PDF 198kWORD 87k
10.6.2015
PE558.929v01-00}
PE558.931v01-00}
PE558.932v01-00}
PE558.933v01-00}
PE558.939v01-00} RC1
 
B8-0575/2015}
B8-0577/2015}
B8-0578/2015}
B8-0579/2015}
B8-0585/2015} RC1

apresentada nos termos do artigo 135.º, n.º 5, e do artigo 123.º, n.º 4, do Regimento

em substituição das propostas de resolução apresentadas pelos seguintes Grupos:

ECR (B8‑0575/2015)

PPE (B8‑0577/2015)

Verts/ALE (B8‑0578/2015)

ALDE (B8‑0579/2015)

S&D, EFDD (B8‑0585/2015)


sobre a Síria: a situação em Palmira e o caso de Mazen Darwish (2015/2732(RSP))


Cristian Dan Preda, Tomáš Zdechovský, Michèle Alliot-Marie, Elmar Brok, Davor Ivo Stier, Dubravka Šuica, David McAllister, György Hölvényi, Giovanni La Via, Michaela Šojdrová, Jiří Pospíšil, Lara Comi, Eduard Kukan, Patricija Šulin, Jarosław Wałęsa, Kinga Gál, Claude Rolin, Bogdan Brunon Wenta, Therese Comodini Cachia, Csaba Sógor, Ivana Maletić, Luděk Niedermayer, Marijana Petir, József Nagy, Jeroen Lenaers, Ivan Štefanec, Pavel Svoboda, Tunne Kelam, Thomas Mann, Róża Gräfin von Thun und Hohenstein, Joachim Zeller, Jaromír Štětina, Barbara Kudrycka, Roberta Metsola, Ramón Luis Valcárcel Siso, Ramona Nicole Mănescu, Ildikó Gáll-Pelcz, Seán Kelly, Andrej Plenković, Bogdan Andrzej Zdrojewski em nome do Grupo PPE
Josef Weidenholzer, Arne Lietz, Victor Boştinaru, Richard Howitt, Elena Valenciano, Pier Antonio Panzeri, Silvia Costa, Afzal Khan, Nicola Caputo, Neena Gill, Claudia Tapardel, Janusz Zemke, Jeppe Kofod, Liliana Rodrigues, Michela Giuffrida, Doru-Claudian Frunzulică, Miroslav Poche, Momchil Nekov, Alessia Maria Mosca, Andi Cristea, José Blanco López, Vilija Blinkevičiūtė, Sergio Gutiérrez Prieto, Zigmantas Balčytis, Goffredo Maria Bettini, Vincent Peillon, Elena Gentile, Enrico Gasbarra, Demetris Papadakis, Nikos Androulakis, Tonino Picula, Jonás Fernández, Julie Ward, Brando Benifei, Theresa Griffin, Liisa Jaakonsaari, Eider Gardiazabal Rubial, Eric Andrieu, Marlene Mizzi, Isabella De Monte, Hugues Bayet, Biljana Borzan, Victor Negrescu, Emilian Pavel, Flavio Zanonato, Krystyna Łybacka, Nicola Danti, Marc Tarabella, Renato Soru, Maria Grapini, Siôn Simon, Lidia Joanna Geringer de Oedenberg, Tibor Szanyi, Javi López, Csaba Molnár, Viorica Dăncilă, Péter Niedermüller, Inmaculada Rodríguez-Piñero Fernández, Jytte Guteland, Olle Ludvigsson, Marita Ulvskog em nome do Grupo S&D
Charles Tannock, Mark Demesmaeker, Geoffrey Van Orden, Notis Marias, Hans-Olaf Henkel, Valdemar Tomaševski, Angel Dzhambazki, Ruža Tomašić, Jana Žitňanská, Ryszard Czarnecki, Tomasz Piotr Poręba, Ryszard Antoni Legutko em nome do Grupo ECR
Marietje Schaake, Ilhan Kyuchyuk, Frédérique Ries, Marielle de Sarnez, Filiz Hyusmenova, Hilde Vautmans, Martina Dlabajová, Ivo Vajgl, Beatriz Becerra Basterrechea, Ramon Tremosa i Balcells, Gérard Deprez, Jozo Radoš, Petras Auštrevičius, Johannes Cornelis van Baalen, Maite Pagazaurtundúa Ruiz, Ivan Jakovčić, Fredrick Federley, Robert Rochefort, Louis Michel, Pavel Telička, Petr Ježek, Dita Charanzová, Antanas Guoga, Hannu Takkula, Izaskun Bilbao Barandica, Nedzhmi Ali, Nathalie Griesbeck, Urmas Paet, José Inácio Faria, Philippe De Backer em nome do Grupo ALDE
Barbara Lochbihler, Alyn Smith, Davor Škrlec, Karima Delli, Ernest Urtasun, Eva Joly, Bronis Ropė, Bodil Ceballos, Judith Sargentini, Michèle Rivasi em nome do Grupo Verts/ALE
ALTERAÇÕES

Resolução do Parlamento Europeu sobre a Síria: a situação em Palmira e o caso de Mazen Darwish (2015/2732(RSP))  

O Parlamento Europeu,

–       Tendo em conta as suas anteriores resoluções sobre a Síria, designadamente a de 30 de abril de 2015(1),

–       Tendo em conta a comunicação da Comissão Europeia, de 6 de fevereiro de 2015, intitulada «Elementos para uma estratégia regional da UE para a Síria e o Iraque, bem como para a ameaça representada pelo Da'esh»,

–       Tendo em conta as declarações e os relatórios do Secretário-Geral das Nações Unidas e do Alto-Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos sobre o conflito na Síria,

–       Tendo em conta os relatórios da Comissão Internacional Independente de Inquérito sobre a Síria, criada pelo Conselho dos Direitos do Homem das Nações Unidas,

–       Tendo em conta o Estatuto de Roma do Tribunal Penal Internacional, adotado em 17 de julho de 1998 e, nomeadamente, o seu artigo 8.º, n.º 2, alínea b), subalínea ix), que estabelece que os ataques intencionais a monumentos históricos constituem crimes de guerra,

–       Tendo em conta a sua resolução de 28 de abril de 2015 sobre a destruição dos bens culturais pelo EIIL/Daesh,

–       Tendo em conta o artigo 167.º do TFUE que estabelece que «A União e os Estados‑Membros incentivarão a cooperação com os países terceiros e as organizações internacionais competentes no domínio da cultura»,

–       Tendo em conta o Regulamento (CE) n.º 116/2009 do Conselho, de 18 de dezembro de 2008, relativo à exportação de bens culturais,

–       Tendo em conta a resolução do Conselho, de outubro de 2012, sobre a criação de uma rede informal de autoridades de aplicação da lei e de peritos competentes no domínio dos bens culturais (UE CULTNET),

–       Tendo em conta o Segundo Protocolo de 1999 relativo à Convenção da Haia de 1954 para a Proteção de Bens Culturais em Caso de Conflito Armado,

–       Tendo em conta a declaração proferida pela Vice-Presidente da Comissão/Alta Representante da União para os Negócios Estrangeiros e a Política de Segurança, Federica Mogherini, em 21 de maio de 2015, sobre a situação em Palmira; tendo em conta a declaração proferida pelo porta-voz da Alta Representante Catherine Ashton, em 17 de fevereiro de 2012, condenando a detenção de Mazen Darwish, bem como a declaração local da União Europeia, de 3 de abril de 2012, sobre a detenção continuada sem acusação de Mazen Darwish e de outros sete defensores dos direitos humanos,

–       Tendo em conta as Orientações da União Europeia relativas aos Defensores dos Direitos Humanos, aprovadas em Junho de 2004 e revistas em 2008,

–       Tendo em conta a Resolução 2222 (2015) do Conselho de Segurança das Nações Unidas,

–       Tendo em conta a Declaração Universal dos Direitos do Homem,

–       Tendo em conta o artigo 135.º do seu Regimento,

A.     Considerando que mais de 220 000 pessoas, na sua maioria civis, perderam a vida desde o início do conflito na Síria, em 2011; considerando que foram cometidas violações massivas e recorrentes dos direitos humanos e do direito internacional humanitário pelo regime de Assad, o EIIL/Daesh, a Frente al-Nusra e as outras partes envolvidas no conflito; considerando que a esmagadora maioria destes crimes, até à data, ficaram impunes;

B.     Considerando que a tortura, as detenções em massa e a destruição generalizada das zonas povoadas conheceram uma escalada dramática nos últimos meses; considerando que muitos sírios estão a ser deslocados, e alguns mesmo obrigados a afastar-se ainda mais da assistência humanitária de que necessitam;

C.     Considerando que o EIIL/Daesh matou, pelo menos, 400 pessoas, incluindo mulheres e crianças, em Palmira desde que capturou a antiga cidade síria, e que, de acordo com o Observatório Sírio para os Direitos Humanos, foram executadas pelo menos 217 pessoas e detidas 600 pessoas, entre as quais mulheres e crianças acusadas de envolvimento com as forças do regime e de albergar membros do regime nas suas casas;

D.     Considerando que à captura da cidade de Palmira se seguiram violentos ataques aéreos pelas forças pró-Assad, que vitimaram mais de uma dúzia de civis e levaram muitos dos habitantes que restavam a fugir;

E.     Considerando que, após uma nova ofensiva em abril/maio de 2015, o EIIL/Daesh capturou Ramadi em 17 de maio e Palmira em 21 de maio, passando a controlar 50 % do território sírio; considerando que o caráter transnacional do chamado Estado Islâmico, com um volume significativo de recursos financeiros e cerca de 200 000 combatentes, de acordo com algumas fontes, representa uma ameaça para toda a região; considerando que se estima em vários milhares o número de estrangeiros, onde se incluem cidadãos da UE, que lutam ao lado destes grupos armados; considerando que a expansão do EIIL/Daesh tem exacerbado a crise humanitária, nomeadamente com uma deslocação de civis em grande escala;

F.     Considerando que, em 5 de junho de 2015, os membros do Conselho de Segurança das Nações Unidas exprimiram a sua indignação face à escalada da violência e a todos os ataques contra civis na Síria e condenaram os ataques terroristas perpetrados pelo EIIL/Daesh, a Frente al-Nusra e outros grupos terroristas que operam na Síria;

G.     Considerando que Palmira se situa entre Damasco e a cidade de Deir al-Zour, a leste, e tem importantes campos de gás e minas de fosfato na sua vizinhança; considerando que a captura de Palmira coincidiu com a conquista de Ramadi pelo EIIL/Daesh, na província iraquiana de Anbar, mas também ocorreu pouco depois de o EIIL/Daesh ter sofrido perdas territoriais à volta de Tikrit;

H.     Recordando que esta antiga cidade, com mais de 2000 anos, é um tesouro cultural classificado como património mundial da UNESCO; considerando que, em 21 de maio de 2015, a Diretora-Geral da UNESCO apelou à cessação imediata das hostilidades em Palmira;

I.      Considerando que Palmira é um símbolo do rico património cultural da Síria, contendo as ruínas monumentais de uma grande cidade que foi um dos mais importantes centros culturais do mundo antigo; considerando que os assassinatos em massa e atos de destruição do património arqueológico e cultural perpetrados pelo EIIL/Daesh são considerados, em certas circunstâncias, crimes contra a Humanidade e «limpeza cultural», e que constituem um crime de guerra nos termos do Estatuto de Roma do Tribunal Penal Internacional; considerando que estes ataques sistemáticos contra o património cultural foram descritos pela Diretora-Geral da UNESCO, Irina Bokova, como «limpeza cultural»;

J.      Considerando que o EIIL/Daesh ataca e destrói sistematicamente o património cultural tanto do Iraque como da Síria enquanto tática de guerra para espalhar o terror e o ódio; considerando que, devido à captura de Palmira pelo EIIL/Daesh, o património histórico desta cidade está sob ameaça de destruição;

K.     Considerando que, na estratégia regional da UE para a Síria e o Iraque, bem como para a ameaça do EIIL/Daesh, que foi aprovada pelo Conselho «Negócios Estrangeiros» em 16 de março de 2015, a UE condena firmemente a destruição deliberada de património arqueológico e cultural, e observa que tais ações podem configurar um crime de guerra nos termos do Estatuto de Roma do Tribunal Penal Internacional (TPI);

L.     Considerando que a UNESCO e outros parceiros lançaram o projeto de «salvaguarda do património sírio» por um período de três anos, destinado a assegurar a proteção urgente do património cultural;

M.    Considerando que o comércio ilícito de bens culturais é atualmente o terceiro comércio ilegal mais significativo depois do tráfico de droga e de armas, e que este comércio ilícito é dominado por redes de criminalidade organizada, e considerando que os mecanismos nacionais e internacionais existentes não dispõem de recursos nem apoio suficientes para fazer face a este problema; considerando que a UE tomou todas as medidas adequadas em conformidade com a Resolução 2199 (2015) do Conselho de Segurança da ONU para impedir o comércio ilegal de bens culturais;

N.     Considerando que, desde o início do conflito na Síria, em março de 2011, se têm registado violações generalizadas e graves dos direitos humanos, nomeadamente a perseguição deliberada, detenção arbitrária e desaparecimento de jornalistas independentes, defensores dos direitos humanos, trabalhadores humanitários e pessoal médico, submetidos a ameaças, violência, detenção arbitrária ou desaparecimento na Síria;

O.     Considerando que Mazen Darwish, um jornalista e ativista sírio, presidente do Centro Sírio de Media e Liberdade de Expressão, Hani al-Zaitani e Hussain Ghrer estão detidos desde 2012 pelo seu trabalho em defesa da liberdade de expressão; considerando que Mazen Darwish foi alegadamente submetido a graves torturas e maus tratos e que, em 6 de maio de 2015, foi levado para local desconhecido; considerando que Mazen Darwish recebeu o prémio da UNESCO para a liberdade de imprensa em 2015, bem como outros importantes prémios internacionais, como o «Preis der Lutherstädte – "Das unerschrockene Wort"» de 2015, o «Bruno-Kreisky-Preis für Verdienste um die Menschenrechte» de 2013 e o prémio PEN-Pinter de 2014; considerando que a detenção continuada de Mazen Darwish, Hani al-Zaitani e Hussain Ghrer constitui mais uma prova da natureza repressiva do regime de Bashar al-Assad na Síria;

P.     Considerando que a Resolução 67/262 da Assembleia-Geral das Nações Unidas, de 15 de maio de 2013, exige às autoridades sírias que libertem imediatamente todas as pessoas detidas arbitrariamente, incluindo os membros do Centro Sírio de Media e Liberdade de Expressão;

Q.     Considerando que o Alto-Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Zeid Ra’ad al-Hussein, exortou, em 19 de fevereiro de 2015, as autoridades sírias a libertar todas as pessoas detidas por terem expressado pacificamente as suas opiniões e, nomeadamente, Mazen Darwish;

R.     Considerando que centenas de defensores dos direitos humanos foram vítimas de ameaças, violência, detenções arbitrárias ou desaparecimento na Síria; considerando que isto inclui a advogada defensora dos direitos humanos e laureada com o Prémio Sakharov em 2011, Razan Zaitouneh, raptada em Duma, em 9 de dezembro de 2013;

1.      Condena firmemente as terríveis violações, sistemáticas e generalizadas, dos direitos humanos e as violações do direito internacional humanitário cometidas pelo regime de al‑Assad, pelos terroristas do EIIL/Daesh e outros grupos jiadistas na Síria, bem como as sentenças e acusações proferidas contra ativistas políticos, civis e dos direitos humanos, bloguistas e jornalistas; reitera a sua total condenação da tortura, do fogo intenso e dos bombardeamentos aéreos, incluindo «bombas barril», por parte do governo sírio; manifesta a sua profunda solidariedade para com as vítimas; continua seriamente consternado com o nível angustiante de sofrimento humano e de perda de vidas no conflito sírio e está extremamente preocupado com a deterioração da situação humanitária e das condições de segurança na Síria;

2.      Condena o facto de o EI se ter apoderado de Palmira em 21 de maio, após um assalto sangrento de nove dias, e deplora que o EI tenha, desde então, executado pelo menos 217 pessoas na cidade e nos arredores, e que tenha multiplicado os atos de violência e atrocidades no «califado» que autoproclamou nas zonas que controla entre a Síria e o Iraque;

3.      Manifesta a sua preocupação face à situação no sítio arqueológico de Palmira e aos milhares de habitantes de Palmira no interior da cidade, bem como em relação às pessoas deslocadas devido ao avanço do EIIL/Daesh e às mulheres e crianças de Palmira, observando as práticas habituais do EIIL/Daesh noutros locais, designadamente o rapto, a exploração e o abuso de mulheres e crianças, incluindo a violação, o abuso sexual, o casamento forçado e o recrutamento forçado infantil;

4.      Encoraja o Conselho, a Comissão e a Alta Representante a disponibilizarem todos os recursos financeiros e humanos necessários para prestar assistência aos refugiados;

5.      Congratula-se com o compromisso no sentido de redobrar os esforços coletivos para derrotar o EIIL/Daesh, assumido na reunião ministerial da coligação internacional contra o EIIL/Daesh em Paris, em 3 de junho; exorta a coligação a intensificar os esforços para aplicar uma estratégia comum, multifacetada e a longo prazo com vista a enfraquecer e, mais tarde, erradicar o EIIL/Daesh; destaca a necessidade de completar esta estratégia com uma cooperação reforçada com todos os intervenientes estatais e não estatais a nível regional empenhados em lutar contra o EIIL/Daesh;

6.      Continua convencido de que não poderá haver uma resolução efetiva do conflito nem uma paz sustentável na Síria sem a responsabilização pelos crimes cometidos por todas as partes durante o conflito;

7.      Recorda que uma solução duradoura para a crise síria terá obrigatoriamente de ser uma solução política inclusiva, baseada no comunicado de imprensa de Genebra de junho de 2012 e apoiada pela comunidade internacional; insta o Enviado Especial das Nações Unidas, Staffan de Mistura, a trabalhar com todas as partes para uma transição política genuína que corresponda às legítimas aspirações do povo sírio e lhe permita decidir sobre o seu próprio futuro de forma independente e democrática;

8.      Exorta a comunidade internacional a intensificar os esforços tendentes a encontrar soluções para atenuar a crise e pôr termo à guerra na Síria, e apoia os atores envolvidos na luta contra o EI na Síria e no Iraque, apela aos governos regionais para que colaborem nessa luta, pois só uma cooperação securitária estreita permitirá restaurar a paz e a segurança na região;

9.      Exorta a comunidade internacional a fazer tudo ao seu alcance para proteger a população civil e salvaguardar o património cultural único de Palmira, e apela a todas as partes para que ponham termo imediato às hostilidades em Palmira e deem livre passagem aos civis que fogem da violência;

10.    Exige o fim imediato da destruição do património cultural da Síria e do Iraque, incluindo sítios e objetos religiosos; salienta que nenhum desses atos cometidos pelo EIIL/Daesh ou outros indivíduos, grupos, empresas e entidades pode ser tolerado, e apela igualmente à preservação do património cultural do Iraque através da proteção dos bens e sítios culturais e religiosos, em conformidade com o direito humanitário internacional;

11.    Insta a UE e os Estados-Membros a lançarem campanhas de sensibilização para desencorajar a compra e venda ilícitas de bens culturais provenientes das zonas em conflito;

12.    Reitera o elevado valor do património cultural para toda a Humanidade e, por conseguinte, pensa que a destruição desse património deve ser considerada um crime de guerra indefensável;

13.    Sublinha a necessidade de a comunidade internacional envidar esforços conjuntos para impedir o comércio ilegal de bens culturais e o tráfico ilícito de artefactos culturais, que contribuem para o financiamento do EIIL/Daesh;

14.    Apoia a intenção da Diretora-Geral da UNESCO, bem como todas as medidas excecionais tomadas pela ONU ou pela UNESCO para a defesa de Palmira, ou de qualquer outro sítio cultural e histórico ameaçado;

15.    Solicita ao Secretário-Geral das Nações Unidas que transmita esta questão ao Conselho de Segurança com vista à adoção de uma resolução para a defesa de todos os sítios culturais ameaçados pelos grupos terroristas e pelo EIIL/Daesh;

16.    Solicita aos Estados-Membros e à União Europeia que, em concertação com as Nações Unidas, tomem medidas concretas para a defesa dos sítios culturais, históricos, religiosos e arqueológicos ameaçados, de Palmira e, em termos mais gerais, do Médio Oriente;

17.    Saúda e destaca a importância crucial do trabalho das organizações da sociedade civil locais e internacionais para documentar as violações dos direitos humanos e obter provas dos crimes de guerra, dos crimes contra a Humanidade e de outras violações; manifesta a sua profunda admiração e solidariedade em relação a todos os ativistas sírios que continuam a trabalhar incansavelmente para monitorizar, documentar e informar sobre a situação dos direitos humanos no seu país dilacerado pela guerra, com risco da própria vida;

18.    Manifesta a sua profunda preocupação com a degradação cada vez maior da situação humanitária e dos direitos humanos na Síria, e salienta a necessidade de respeitar a liberdade de expressão e a liberdade dos defensores dos direitos humanos para executar o seu trabalho, em conformidade com as obrigações internacionais da Síria; recorda que todas as pessoas têm direito à liberdade de opinião e de expressão e que se trata de um direito humano fundamental; condena todas as violações da liberdade de imprensa e a violência de que são vítimas os jornalistas na Síria;

19.    Insta as autoridades sírias a libertarem imediata e incondicionalmente e a retirarem todas as acusações contra Mazen Darwish e todas as pessoas detidas, incriminadas e/ou condenadas por exercerem pacificamente os seus direitos à liberdade de expressão e de associação, bem como todos os defensores dos direitos humanos e ativistas dos direitos políticos arbitrariamente privados da sua liberdade com base nas suas atividades de defesa dos direitos humanos;

20.    Insta as autoridades sírias a divulgarem imediatamente o destino e o paradeiro dos três homens e a garantirem a sua proteção contra a tortura e os maus tratos, a permitirem o seu contacto imediato com as respetivas famílias e advogados, e a prestarem-lhes qualquer assistência médica de que necessitem;

21.    Insta todos os Estados-Membros a ratificarem a Convenção Internacional para a Proteção de Todas as Pessoas contra o Desaparecimento Forçado, com caráter prioritário; insta o Serviço Europeu para a Ação Externa (SEAE) e os Estados-Membros a promoverem a ratificação universal e a aplicação deste instrumento chave de proteção dos direitos humanos e a apoiarem o trabalho desenvolvido pelo Comité da ONU para os Desaparecimentos Forçados, criado ao abrigo desta Convenção;

22.    Encarrega o seu Presidente de transmitir a presente resolução à Vice-Presidente da Comissão/Alta Representante da União para os Negócios Estrangeiros e a Política de Segurança, ao Conselho, à Comissão, aos governos e parlamentos dos Estados-Membros, ao Secretário-Geral das Nações Unidas, ao Enviado Especial das Nações Unidas e da Liga Árabe para a Síria e a todas as partes envolvidas no conflito da Síria.

 

(1)

Textos aprovados, P8_TA(2015)0187.

Dados pessoais - Política de privacidade