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Processo : 2015/2612(RSP)
Ciclo de vida em sessão
Ciclo relativo ao documento : B8-0308/2016

Textos apresentados :

B8-0308/2016

Debates :

PV 07/03/2016 - 16
CRE 07/03/2016 - 16

Votação :

PV 10/03/2016 - 7.7
Declarações de voto

Textos aprovados :

P8_TA(2016)0089

Textos aprovados
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Quinta-feira, 10 de Março de 2016 - Estrasburgo Edição definitiva
Para uma economia dos dados próspera
P8_TA(2016)0089B8-0308/2016

Resolução do Parlamento Europeu, de 10 de março de 2016, sobre o tema «Para uma economia dos dados próspera» (2015/2612(RSP))

O Parlamento Europeu,

–  Tendo em conta a comunicação da Comissão, de 2 de julho de 2014, intitulada «Para uma economia dos dados próspera» (COM(2014)0442),

–  Tendo em conta a pergunta à Comissão relativa a uma economia dos dados próspera (O-000021/2016 – B8-0116/2016),

–  Tendo em conta a proposta de resolução da Comissão da Indústria, da Investigação e da Energia,

–  Tendo em conta o artigo 8.º da Carta dos Direitos Fundamentais da UE e o artigo 16.º do Tratado sobre o Funcionamento da União Europeia,

–  Tendo em conta a sua resolução, de 10 de dezembro de 2013, sobre a exploração plena do potencial da computação em nuvem na Europa(1),

–  Tendo em conta a comunicação da Comissão, de 6 de maio de 2015, intitulada «Estratégia para o Mercado Único Digital na Europa» (COM(2015)0192),

–  Tendo em conta o artigo 128.º, n.º 5, e o artigo 123.º, n.º 2, do seu Regimento,

A.  Considerando que a taxa de crescimento do mercado dos grandes volumes de dados até 2017 será seis vezes superior à do mercado global das TIC e atingirá um total global de 50 mil milhões de euros, segundo as previsões da International Data Corporation sobre as tecnologias e os serviços dos grandes volumes de dados a nível mundial para 2013‑2017, o que poderá gerar 3,75 milhões de novos empregos até 2017, segundo a parceria público-privada no domínio dos megadados;

B.  Considerando que o volume de dados está a crescer a um ritmo sem precedentes, pelo que, até 2020, existirão mais de 16 biliões de gigabytes de dados, o que equivale a uma taxa de crescimento anual de 236 % em termos de geração de dados;

C.  Considerando que as decisões baseadas em conhecimentos gerados pelos grandes volumes de dados podem proporcionar um aumento considerável de produtividade e de competitividade, e que os benefícios decorrentes de uma economia dos dados podem proporcionar um crescimento suplementar de 1,9 % do PIB até 2020;

D.  Considerando que o desenvolvimento dos grandes volumes de dados é uma parte integrante do novo mercado digital e deve assegurar o desenvolvimento de modelos empresariais inovadores e competitivos, ao mesmo tempo que respeita o quadro da UE sobre a proteção de dados, uma vez que pode implicar riscos e desafios consideráveis, nomeadamente no que diz respeito aos direitos fundamentais (incluindo a privacidade e a proteção de dados);

E.  Considerando que uma futura economia dos dados próspera pode representar uma oportunidade de crescimento e emprego, nomeadamente permitindo novos modelos de negócio e serviços e uma maior produtividade; Considerando que é imprescindível conseguir um justo equilíbrio para criar um quadro de crescimento económico apropriado, a fim de manter a confiança e, ao mesmo tempo, salvaguardar e proteger os direitos do consumidor através de um controlo eficaz e de uma avaliação e respostas apropriadas, através de meios legislativos, se necessário;

F.  Considerando que os grandes volumes de dados também oferecem oportunidades aos consumidores (como comodidade, eficiência e poupanças), às empresas (indústria 4.0) e ao governo (administração pública em linha), bem como no que diz respeito à habitação (cidades inteligentes), à ciência, à medicina (saúde em linha), à resposta a catástrofes e ao combate ao crime;

O papel da economia dos dados na estratégia de União Digital

1.  Espera que os benefícios de uma economia dos dados a nível nacional e europeu tenham um impacto sobre a sociedade e todo o tipo de empresas da cadeia de valor; prevê a criação de uma economia dos dados na base da estratégia do Mercado Único Digital e reconhece o seu potencial para permitir à Europa recuperar a competitividade em setores avançados e acelerar a sua recuperação económica, o investimento no crescimento e a inovação em todos os setores. Contudo, tal só será possível na presença de um ambiente empresarial propício e se existirem formas de desencadear a transformação digital, e apenas se essas tecnologias respeitarem o quadro jurídico da UE sobre a proteção de dados, a fim de ultrapassar os riscos e os desafios associados, nomeadamente em matéria de direitos fundamentais, e especialmente no que se refere à privacidade e à proteção de dados;

2.  Salienta que uma economia dos dados exige competências avançadas e que se espera que crie um número significativo de empregos na Europa nos próximos anos;

3.  Reconhece os benefícios sociais e económicos associados à utilização integrada dos dados em todos os setores da economia europeia e em todos os domínios da investigação europeia e sublinha a importância da transparência relativamente ao valor e à utilização dos dados recolhidos, bem como às normas de gestão e às formas como esses dados são recolhidos e tratados; acentua que as pessoas devem ter o direito de aceder a dados atualizados e relevantes e a informações sobre o tratamento de dados; realça a necessidade, nesse contexto, de recolher estatísticas precisas sobre o nível de conhecimento dos cidadãos, das empresas e das administrações públicas; sublinha que a digitalização da economia é um importante impulsionador do desenvolvimento dos grandes volumes de dados e, por conseguinte, requer uma abordagem horizontal para que a economia dos dados cresça;

4.  Está convicto de que os dados representam um ativo valioso para as empresas, cujo valor pode ser significativamente aumentado através do desenvolvimento de formas inovadoras e inteligentes de integração dos dados detidos pelas empresas com dados abertos; solicita iniciativas de sensibilização das PME sobre o valor dos seus dados e como os podem utilizar para desenvolver novos modelos empresariais, a fim de promover o crescimento e fazer das PME um dos atores principais no domínio dos grandes volumes de dados;

5.  Salienta que o tratamento de determinados tipos de dados, em particular dados pessoais, recai no âmbito da legislação em matéria de proteção de dados da UE; apela, neste contexto, à adoção rápida do pacote relativo à proteção de dados;

6.  Salienta que a proteção dos dados e as oportunidades resultantes da utilização integrada dos dados não são mutuamente exclusivas, visto que uma utilização inteligente das oportunidades pode assegurar a compatibilidade com a proteção de dados; considera que a promoção da confiança nestas tecnologias deve estar no cerne das políticas públicas e dos modelos empresariais, uma vez que a falta de confiança pode prejudicar gravemente o crescimento e a inovação no setor digital; considera que é imperioso criar um quadro jurídico uniforme e preparado para o futuro em matéria de proteção de dados, a fim de fomentar o crescimento e a inovação, e reconhece o caráter aberto e global da Internet; reconhece que a legislação sobre proteção de dados é tecnologicamente neutra, já se aplica plenamente às atividades de grandes volumes de dados que operam na UE e, por conseguinte, deve ser rigorosamente respeitada; apela à inclusão nas políticas públicas de privacidade na conceção e de privacidade como norma no ciclo de geração e análise de dados, aproveitando todas as oportunidades para fomentar o desenvolvimento do potencial dos grandes volumes de dados;

7.  Considera fundamental desenvolver um quadro regulamentar que permita superar os desafios económicos, tecnológicos, sociais e culturais de uma economia dos dados, como o acesso, o controlo e a propriedade dos dados, sobretudo dos dados públicos; considera que a segurança e a proteção de dados são fundamentais para o crescimento da indústria dos dados; acentua que é essencial encontrar sinergias entre os grandes volumes de dados, a proteção de dados, a segurança de dados e os dados abertos para um novo arranque digital na Europa; solicita que os seguintes desafios sejam abordados: propriedade, posse, gestão, acesso e segurança dos dados, interoperabilidade, limitação e armazenamento dos dados, restrições à utilização e reutilização dos dados na Europa, bloqueios à inovação no capital intelectual, acessibilidade e infraestruturas, regras transparentes no domínio dos transportes, mecanismos transfronteiriços e, sempre que seja o caso, criação, difusão, acesso e disponibilidade dos dados abertos para as administrações públicas e os prestadores de serviços;

Investir numa economia dos dados (infraestrutura e I&D)

8.  Observa que uma economia dos dados depende de um ecossistema das TIC mais alargado, incluindo a Internet das Coisas para o fornecimento dos dados, as redes de banda larga de alta velocidade para o transporte e a computação em nuvem para o tratamento, bem como de mão-de-obra qualificada, acesso aos dados e interoperabilidade; assinala que este setor precisa de grandes investimentos no desenvolvimento da computação em nuvem, em supercomputadores e banda larga de alta velocidade, que são pré-requisitos para o sucesso da economia digital; solicita um quadro regulamentar e um ambiente melhores, tanto para o setor privado como para o setor público; recorda que o investimento por parte do setor privado deve continuar a ser fundamental para as infraestruturas de rede; incentiva, neste contexto, a Comissão e os Estados-Membros a estimularem os investimentos em infraestruturas de rede através de um quadro regulamentar positivo e a continuarem a apoiar as infraestruturas de banda larga através dos programas existentes, como o Mecanismo Interligar a Europa, os Fundos Europeus Estruturais e de Investimento (FEEI) e os fundos de coesão, mas apenas em domínios onde foram identificadas falhas no mercado;

9.  Manifesta a sua preocupação com o facto de o fosso digital, a falta de investimento e a ausência de normalização técnica e de legislação preparada para o futuro em matéria de proteção de dados poderem colocar a Europa em risco de se atrasar em termos tecnológicos e económicos no desenvolvimento de uma economia dos dados;

10.  Reconhece a importância da interoperabilidade e de normas que fomentem a competitividade no setor das TIC, bem como a importância de a Comissão ter um papel pró-ativo para mandatar organismos de normalização; solicita à Comissão que desenvolva uma estratégia para os grandes volumes de dados que vise identificar as lacunas da indústria europeia dos grandes volumes de dados, incluindo PME e setores europeus chave; apoia o desenvolvimento de normas orientadas para o mercado, voluntárias, neutras do ponto de vista tecnológico, transparentes, compatíveis a nível internacional e relevantes para o mercado;

11.  Considera que o programa ISA2 é uma oportunidade para desenvolver normas de interoperabilidade aplicáveis à gestão de grandes volumes de dados nas administrações públicas e entre estas e as empresas e os cidadãos;

12.  Congratula-se com a proposta da Comissão de desenvolver uma iniciativa de livre circulação de dados; acolhe com satisfação o anúncio de uma iniciativa europeia sobre a «livre circulação de dados», que necessita de eliminar os atuais obstáculos ao mercado único dos dados; insta a Comissão a rever de forma abrangente e transparente a criação de uma economia dos dados, com vista a antecipar as necessidades no que respeita às tecnologias indispensáveis e a eliminar os obstáculos à inovação na Europa; solicita que esta iniciativa aborde os seguintes desafios: segurança dos dados, interoperabilidade, propriedade, limitação e armazenamento dos dados, restrições à utilização e reutilização dos dados na Europa, regras transparentes no domínio dos transportes, mecanismos transfronteiras e intercâmbio de dados abertos entre administrações, empresas e a sociedade civil;

13.  Observa que o sucesso dos grandes volumes de dados depende de um ecossistema mais alargado das TIC, incluindo a Internet das Coisas para o fornecimento dos dados, as redes de banda larga para o transporte e a computação em nuvem para o tratamento;

14.  Considera que a UE deve facilitar os procedimentos de atribuição de subvenções e aumentar o financiamento da investigação e da inovação em matéria de utilização integrada dos dados, da inovação digital e do desenvolvimento do mercado em domínios que, reconhecidamente, trazem valor acrescentado para os cidadãos, a sociedade e a economia, bem como melhorar a promoção da entrada no mercado de produtos e serviços inovadores; considera, neste contexto, que é necessário criar um roteiro europeu conjunto entre os Estados-Membros e a UE, com perspetivas a médio e longo prazo e com um quadro financeiro estável, que permita evoluir para a investigação eletrónica; entende que o software livre pode desempenhar um papel importante na realização desses objetivos;

15.  Reconhece que as iniciativas da Comissão para criar parcerias público-privadas (PPP) com base no desenvolvimento da economia dos dados, como cooperação entre os setores público e privado, são fundamentais para identificar os obstáculos ao desenvolvimento das tecnologias necessárias; reconhece que a Comissão e a indústria de dados europeia se comprometeram a investir 2,5 mil milhões de euros numa PPP que se destina a reforçar o setor dos dados e a colocar a Europa na dianteira da corrida global em matéria de dados, através da maximização do potencial da economia digital; salienta que o acesso a portais de dados abertos e a infraestruturas eletrónicas de investigação representa uma possibilidade para diminuir as eventuais desvantagens que afetam os investigadores e as PME nas regiões periféricas;

16.  Acolhe com agrado a criação de espaços de inovação, áreas em que existe à partida uma concentração de empresas e de competências que pode ser aumentada, permitindo a experimentação com tecnologias relacionadas com dados em polos inovadores que criam ecossistemas e projetos de plataformas industriais entre setores para o estabelecimento de redes da economia real e digital; sublinha que estes espaços devem agir enquanto incubadoras de empresas, instruindo-as sobre o modo como traduzir a utilização dos dados em oportunidades de negócio e apoiando o crescimento e a internacionalização de PME e de empresas inovadoras em fase de arranque; apela ao reforço das parcerias entre as empresas, as universidades e os centros de investigação, a fim de promover a inovação em matéria de grandes volumes de dados; destaca, neste contexto, o investimento feito em iniciativas como a Grande Coligação para os Empregos Digitais e a Semana Europeia de Competências em TIC;

17.  Incentiva a Comissão e os Estados-Membros a criarem um quadro regulamentar moderno e preparado para o futuro que estimule e promova o investimento nas infraestruturas de rede necessárias às futuras exigências da economia digital conectada, bem como a adotarem políticas que permitam o desenvolvimento da Internet das Coisas, a assegurarem capacidades e velocidades de dados adequadas, expandindo a tecnologia móvel, e a fomentarem a implantação do protocolo IPv6;

18.  Salienta que é necessária uma maior coordenação para conferir abertura às normas e interoperabilidade aos sistemas e às plataformas de colaboração;

19.  Solicita à Comissão que adote políticas que eliminem o excesso de obstáculos em setores inovadores, incentivem os investimentos em investigação e desenvolvimento e na normalização europeia e deem resposta ao atual problema das infrações no domínio das patentes essenciais para o cumprimento da norma; considera necessário garantir o devido equilíbrio entre os que investem em investigação e inovação para o desenvolvimento dessas patentes essenciais e os que beneficiam da sua existência; salienta que as patentes essenciais para o cumprimento da norma constituem um elemento importante da normalização e são parte integrante do modelo empresarial de muitas empresas europeias do setor das TIC; solicita a adoção de medidas que mantenham um sistema de normalização de elevada qualidade, que possa atrair os melhores contributos tecnológicos, disponibilizar serviços e aplicações digitais interoperáveis e inovadores e permitir que os contratos de licenciamento de patentes tenham condições justas, razoáveis e não discriminatórias; considera ser necessário um esforço adicional para permitir o acesso das pessoas com deficiência e a eliminação das barreiras digitais com que estas se deparam;

20.  Considera que, a fim de obter os melhores benefícios da inovação no domínio dos grandes volumes de dados, o princípio de «inovação responsável» do programa Horizonte 2020 deve orientar a identificação de oportunidades, sobretudo no que diz respeito às PME, para acelerar a entrada no mercado;

21.  Solicita à Comissão que assegure o investimento em infraestruturas e o desenvolvimento a longo prazo de serviços de computação em nuvem na Europa, melhorando a certeza jurídica acerca das obrigações e responsabilidades de cada parte, garantindo o cumprimento das medidas comuns de segurança e proteção de dados, deixando os dados atravessar fronteiras e promovendo um ambiente empresarial propício para o desenvolvimento de um mercado global aberto e eficiente;

Criar uma economia dos dados para o mercado da UE

22.  Considera que os grandes volumes de dados têm potencial para impulsionar a produtividade económica e melhorar os serviços relacionados com os consumidores e a administração pública; reconhece que os grandes volumes de dados podem criar mais oportunidades comerciais e aumentar a disponibilidade de conhecimentos e de capital, desde que os governos e as partes interessadas trabalhem em conjunto de forma construtiva; salienta, contudo, que a atual fragmentação do mercado único está a prejudicar o desenvolvimento de uma economia dos dados, dos grandes volumes de dados, da computação em nuvem, da Internet das Coisas e de outras tecnologias baseadas em dados;

23.  Considera que, entre os principais obstáculos tecnológicos ao desenvolvimento de uma economia dos dados, se destacam a falta de interoperabilidade e de um quadro comum de interfaces para facilitar a comunicação de dados entre máquinas e sensores, bem como a comunicação entre o mundo físico e virtual, a insuficiente disponibilidade de dados abertos e a falta de condições de mercado para os empresários inovarem e crescerem; solicita à Comissão que estimule a investigação conjunta para dar resposta a estas questões;

24.  Solicita à Comissão que estimule e promova a investigação conjunta para criar um quadro comum de interfaces, com o objetivo de reduzir a duplicidade de normas e de assegurar a interoperabilidade técnica e semântica no âmbito de um processo de estabelecimento de normas impulsionado pelas necessidades dos consumidores e das empresas;

25.  Acolhe com satisfação o anúncio de uma iniciativa europeia sobre a «livre circulação de dados», que necessita de eliminar os atuais obstáculos ao mercado único dos dados;

26.  Solicita um enquadramento regulamentar a longo prazo que reflita a natureza evolutiva do mercado, seja tecnologicamente neutro e incentive a criação de empresas em fase de arranque e a entrada no mercado de novos operadores, garantindo condições equitativas e uma concorrência leal, evitando simultaneamente encargos regulamentares excessivos e assegurando o pleno respeito das normas em matéria de proteção dos dados e de privacidade; congratula-se, neste contexto, com a intenção da Comissão de rever a diretiva relativa à privacidade e às comunicações eletrónicas; observa que as medidas regulamentares devem ser orientadas para o mercado; entende que a existência de igualdade de condições dá a todos os operadores, pequenos e grandes, a possibilidade de investirem, inovarem e competirem, beneficiando os utilizadores finais europeus em termos de escolha e acessibilidade financeira;

27.  Regista a importância dos dados abertos enquanto matéria-prima de elevada qualidade para o desenvolvimento de serviços e produtos com valor acrescentado ligados à informação; salienta que os dados gerados por instituições públicas e por programas de investigação europeus, com recurso a fundos públicos, como os programas Copernicus e Galileo, devem ser disponibilizados aos cidadãos europeus, mediante um modelo de acesso aberto, e serem acessíveis às administrações públicas e empresas privadas, para melhorarem a qualidade dos seus serviços, respeitando os direitos de propriedade intelectual em vigor;

28.  Observa que devem estar disponíveis mais dados para existir uma economia dos dados mais competitiva e inovadora, pelo que as plataformas da Internet devem ser encorajadas a publicar os seus conjuntos de dados como dados abertos num formato anonimizado e agregado, respeitando as normas de proteção de dados;

29.  Entende que é necessário redobrar esforços no que toca à anonimização e pseudonimização dos dados como pré-requisito para a inovação criativa no domínio dos dados e um passo importante para reduzir os obstáculos à entrada no mercado de empresas em fase de arranque e PME; considera que a implantação de tecnologias, incluindo prospeção de texto e de dados, será um fator importante para se obter valor acrescentado a partir dos conjuntos de dados abertos; realça, contudo, que é necessário fazer uma distinção clara entre o tratamento de dados pessoais e de outro tipo de dados, bem como encontrar soluções tecnológicas que melhorem a privacidade na conceção;

30.  Realça que todos os princípios estabelecidos na legislação da UE em matéria de proteção de dados, tais como a justiça e a legalidade, a limitação da finalidade, a base legal para o tratamento, a autorização, a proporcionalidade, a exatidão e os períodos limitados de retenção de dados, devem ser respeitados pelos prestadores de serviços de grandes volumes de dados durante o tratamento de dados pessoais; recorda, neste contexto, o parecer da Autoridade Europeia para a Proteção de Dados sobre privacidade e competitividade na era dos grandes volumes de dados;

Fomentar empresas em fase de arranque e PME na economia dos dados

31.  Reconhece a necessidade de criar uma base sólida de prestadores de serviços, a fim de promover os benefícios e os ativos da utilização integrada de dados para a economia e a sociedade e fomentar a confiança das PME nas tecnologias relacionadas com grandes volumes de dados; reconhece a necessidade de apoiar a aplicação generalizada dos serviços ligados aos grandes volumes de dados, com vista a melhorar a eficiência dos diferentes setores económicos, e de apoiar os novos prestadores de serviços; solicita a criação de balcões únicos que ajudem as PME a melhorar a utilização dos seus próprios dados e de dados públicos, observando a legislação europeia em matéria de proteção de dados;

32.  Lamenta o facto de muitas ideias e oportunidades serem perdidas ou concretizadas fora da Europa devido a um problema de escala motivado pelos obstáculos existentes, como os encargos administrativos e o acesso ao financiamento, que afetam negativamente a competitividade da Europa; solicita o apoio ao acesso a capital privado, proporcionando os incentivos certos, incluindo esforços para dar resposta aos desafios colocados pelas diferentes normas nacionais a nível administrativo, regulamentar e fiscal; requer a promoção do desenvolvimento de ecossistemas que associem instituições públicas e privadas, fornecendo tecnologias e infraestruturas a empresas em fase de arranque que apresentem ideias de aplicação;

33.  Relembra que apenas 1,7 % das empresas utilizam ao máximo as tecnologias digitais avançadas, não obstante os benefícios que as ferramentas digitais podem proporcionar a todos os setores económicos; exorta, por conseguinte, a Comissão e os Estados-Membros a lançarem uma estratégia para o empreendedorismo digital;

34.  Exorta a Comissão e os Estados-Membros a criarem centros da economia digital europeia, que incluam a utilização de grandes volumes de dados e outras tecnologias baseadas em dados por parte de empresários, PME e empresas inovadoras, bem como investigadores e a economia em geral; exorta a Comissão e os Estados-Membros a promoverem a criação de espaços e de polos de inovação para ajudar a desenvolver competências e uma vantagem concorrencial no domínio do capital intelectual, bem como a compreender melhor as perspetivas e as limitações das tecnologias associadas aos grandes volumes de dados;

35.  Solicita que a UE e os Estados-Membros melhorem os seus esforços coordenados nos estabelecimentos escolares e de ensino para fazer das TIC um domínio profissional atraente, nomeadamente para as mulheres e as jovens, e acredita que tais esforços devem incluir medidas que visem promover uma mentalidade mais empreendedora e facilitar o empreendedorismo no domínio dos grandes volumes de dados, através da criação de novas empresas em fase de arranque neste domínio, criando assim mais oportunidades de emprego; destaca a importância de adotar uma abordagem pluridisciplinar no domínio da formação de profissionais e da criação de equipas;

36.  Apela ao lançamento de iniciativas e à recomendação de modelos de financiamento que promovam a aprendizagem ao longo da vida e medidas específicas para todos, incluindo os idosos, e facilitem o acesso dos profissionais à educação, por forma a diversificar as suas competências em matéria de TIC e de tratamento de dados, a fim de aumentar o número de profissionais com competências digitais; apela ao reforço do papel dos programas de transformação digital na empresa no âmbito da formação contínua e dos programas de «e-leadership»; salienta a necessidade de promover a circulação de trabalhadores qualificados na UE e de medidas que visem dar resposta às lacunas em termos de competências, incluindo medidas específicas para atrair talento;

37.  Apoia iniciativas destinadas a incluir a programação e temas relacionados com o tratamento de dados nos planos de estudos nacionais; salienta as múltiplas vantagens do software gratuito na educação, e solicita especial atenção no sentido de garantir que estes novos planos de estudos motivem as crianças a descobrirem os seus talentos e a participarem nas ciências da computação e na programação;

38.  Considera que a UE e os Estados-Membros devem intensificar os seus esforços para impedir a fuga de cérebros para outras regiões fora da Europa, nomeadamente profissionais especializados com elevados níveis de qualificações e competências;

39.  Solicita o apoio ao desenvolvimento de instrumentos vocacionados para utilizadores ocasionais, que lhes permitam desenvolver, nas PME, novos modelos empresariais baseados em dados;

Envolvimento da sociedade

40.  Apela à promoção de iniciativas para melhorar a sensibilização e de debates públicos nos Estados-Membros, a nível europeu e internacional, sobre os benefícios e o valor das tecnologias digitais, sobretudo para os grupos que ainda não têm acesso a estas tecnologias ou que estão pouco familiarizados com as mesmas; apela a iniciativas para capacitar os cidadãos relativamente à utilização e ao valor dos seus dados, em particular com vista a desenvolver novos serviços inovadores, e para melhorar a sensibilização para os benefícios e o valor que os grandes volumes de dados proporcionam à sociedade;

41.  Salienta que a análise dos grandes volumes de dados tem potencial para acelerar consideravelmente o desenvolvimento dos serviços públicos inovadores baseados na utilização de dados governamentais abertos e na reutilização de informações do setor público; congratula-se, por conseguinte, com as oportunidades criadas pelas infraestruturas digitais e pela utilização integrada dos dados para aumentar a participação e o envolvimento da população através de várias formas de governação e democracia eletrónicas;

42.  Exorta a Comissão e os Estados-Membros a agilizarem as ações que visam desenvolver a governação eletrónica; reconhece em especial o valor da Internet das Coisas, e insta a Comissão a coordenar o quadro relativo ao mercado único digital com os objetivos definidos na Estratégia Europa 2020; sublinha igualmente a necessidade de explorar plenamente as vantagens decorrentes da economia partilhada e do envolvimento inclusivo da sociedade civil e dos cidadãos;

o
o   o

43.  Encarrega o seu Presidente de transmitir a presente resolução ao Conselho e à Comissão.

(1) Textos Aprovados, P7_TA(2013)0535.

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