Proteção de Dados: as empresas terão que se ajustar, alerta Peter Hustinx  

 
 

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Entrevista com Peter Hustinx, Autoridade Europeia para a Proteção de Dados  

“Infelizmente, estamos habituados a utilizar serviços gratuitos online, em troca de um acordo silencioso segundo o qual o utilizador se torna transparente. Precisamos de ter uma postura mais crítica”, avisou Peter Hustinx, Autoridade Europeia para a Proteção de Dados, cuja função é assegurar que as instituições e organismos da UE respeitam o direito à privacidade. Falámos com Peter Hustinx na altura em que se assinala o Dia Europeu da Proteção de Dados, a 28 de janeiro.

Como vê a proteção de dados após o escândalo relevado por Snowden? Mudará a forma como os governos lidam com os nossos dados?


O caso Snowden foi uma chamada de atenção. O que vemos atualmente não é apenas a espionagem efetuada pelos serviços de inteligência, mas também o lado mais negro do mundo digital que inclui coisas que utilizamos todos os dias: os nossos smartphones, os nossos computadores portáteis, os nossos tablets. É uma descoberta dolorosa, porque nos inclui a todos e à forma como nos comportamos.


Atualmente participamos na revisão muito ambiciosa do quadro legal, que trará reforçará os direitos, a supervisão e a aplicação da lei e que incluirá muitas das grandes empresas como a Apple, Facebook e a Google. São empresas com sucesso, mas têm que se ajustar.


O Parlamento defendeu mais privacidade na Internet, mas até ao momento o progresso parece reduzido. Como vê o futuro da lei da proteção de dados?


As coisas não progridem tão depressa quanto desejamos. Os governos dos Estados-Membros ainda não estão preparados. Mas, penso que a atual Presidência Grega está a fazer o melhor para alcançar uma conclusão na Primavera de forma a permitir o inicio das negociações finais.


O estudo de opinião Eurobarómetro mostra que existem mais pessoas preocupadas com a privacidade. Houve uma alteração de mentalidade ou pensa que o assunto ainda não está no topo da nossa lista de prioridades?


Eu diria a última opção. A maioria das pessoas estão preocupadas, mas não ao nível das suas ações diárias. Utilizam o Facebook, usam diferentes dispositivos, descarregam aplicações e estão preocupadas. Mas cada um de nós é responsável pelas suas configurações de segurança. Infelizmente estamos habituados a usar imensos serviços grátis, em troca de um acordo silencioso segundo o qual o utilizador se torna transparente. Temos que ser mais cuidadosos em quem confiamos, exercer os nossos direitos e colocar mais questões. Temos que ser mais críticos.