Terrorismo: “A ameaça parece estar a aumentar dentro e fora da UE” 

 
 

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Os eurodeputados debateram a ameaça terrorista com o Conselho da UE e a Comissão Europeia.  

Os eurodeputados debateram, esta quinta-feira, 21 de janeiro, em plenário, as melhores formas para lidar com a crescente ameaça terrorista. Os participantes sublinharam a importância da troca de informação, a necessidade de reforçar dos controlos das fronteiras e apelaram aos Estados-Membros para aumentar a colaboração entre eles e com países terceiros.

“A julgar pelos recentes acontecimentos a ameaça terrorista parece estar a aumentar dentro e fora da União Europeia”, afirmou Bert Koenders, ministro dos Negócios Estrangeiros dos Países Baixos, em representação do Conselho.


Mais cooperação


No combate ao terrorismo é essencial que os Estados-Membros trabalhem em conjunto e colaborarem com países terceiros, afirmaram muitos dos participantes.


Bert Koenders reafirmou que a troca de informação e a cooperação internacional estavam entre as principais prioridades do Conselho citando o acordo provisório sobre o regime de identificação de passageiros como um exemplo. “O acordo sobre a diretiva da União Europeia para o Regime de Identificação de Passageiros vai apoiar a polícia e os serviços de informação a detetar possíveis terroristas e criminosos através do acesso à informação dos passageiros”, afirmou.


Dimitris Avramopoulos, comissário europeu para os Assuntos Internos e Migração, defendeu que os Estados-Membros “têm de confiar mais uns nos outros e partilhar mais informação entre eles e a Europol”. “Enfrentamos ameaças comuns. Não se trata de uma competição, seremos mais fortes se cooperarmos" explicou.


Jan Philipp Albrecht (Verdes/ALE, Alemanha) pediu aos Estados-Membros para assumirem as suas responsabilidades: “Foram os países que bloquearam muitas das medidas para estabelecer padrões comuns no âmbito dos processos penais no que diz respeito ao combate ao crime organizado e ao terrorismo, sobretudo na troca de informação.”


O comissário europeu Avramopoulos concordou: “Pessoalmente não estou satisfeito com a cooperação até ao momento. Infelizmente a maioria dos Estados-Membros guarda a melhor informação para si.”


"As organizações terroristas tem sido subestimadas; a radicalização tem sido subestimada, na verdade o multiculturalismo falhou e infelizmente muitos países continuam a seguir políticas imprudentes com países com a Turquia, a Arábia Saudita e o Qatar, países que financiam organizações terroristas. Chegou altura de por fim a isto”, afirmou o eurodeputado Angel Dzhambazki (ECR, Bulgária).


Migração


A migração revelou-se um tema de grande controvérsia durante o debate. A chegada de um elevado número de pessoas à UE em 2015 levou muitos países a reintroduzirem temporariamente controlos des fronteiras dentro da área Schengen, temendo também que os terroristas possam utilizar a crise migratória para entrar na Europa.


Elissavet Vozemberg-Vrionidi (PPE, Grécia) alertou para o perigo de confundir migração com terrorismo "Estes dois fenómenos não podem ser associados”, alertou a eurodeputada.


Para Steven Woolfe (EFDD, Reino Unido) “a maioria dos migrantes tem motivações económicas: grande parte dos requerentes de asilo são pessoas que fogem do terrorismo”.


Se querem proteger os europeus então têm de aceitar que a única solução passa por fechar as nossas fronteiras nacionais e fazer regressar os chamados requerentes de asilo”, afirmou Vicky Maeijer (ENF, Países Baixos)


"Os países europeus permitem terrorismo nas ruas da Europa. (...) Estamos a assistir ao aumento do racismo e de todos outros tipos de fenómenos. Precisamos de medidas sensatas para lidar com os terroristas”, acrescentou o eurodeputado grego não-inscrito Lampros Fountoulis.


Medidas equilibradas


Embora os eurodeputados tenham defendido medidas para combater o terrorismo, vários chamaram a atenção que estas medidas precisam de ser justas e equilibradas.


Birgit Sippel (S&D, Alemanha) afirmou que é necessária uma definição europeia de atos terroristas e outros crimes: "Devem estar sempre garantidos processos justos para que os casos não venham abaixo por falta de provas.”


Petr Ježek (ALDE, República Checa) pediu medidas para promover a segurança interna e externa, mas sublinhou que “as medidas devem ser efetivas mas não excessivas.”


As medidas adotadas para combater o terrorismo podem enfraquecer a liberdade, alertou Inês Cristina Zuber (CEUE/EVN, Portugal). "Fazem parte da militarização e da guerra que conduzem ao racismo e à xenofobia”, afirmou.