Partilhar esta página: 

  • A desinformação põe em perigo a saúde dos cidadãos e a democracia 
  • Notícias falsas têm também origem em atores próximos da extrema-direita dos EUA, na China e na Rússia 
  • Página Web da UE ajuda a desfazer alguns dos mitos relacionados com a pandemia 
A verificação dos factos é essencial para conter a pandemia de COVID-19 ©TheVisualsYouNeed/AdobeStock  

Hoje, Dia Internacional da Verificação de Factos, o Parlamento Europeu contribui para a sensibilização sobre os perigos da desinformação, tanto para a saúde como para a democracia.

O surto de coronavírus levou à disseminação de notícias falsas e desinformação, o que dificulta os esforços para conter a pandemia.


Enquanto algumas pessoas trabalham dia e noite para salvar vidas da COVID-19, organizações de saúde e verificadores de factos desvendaram outro lado negro da pandemia. Em vez de apoiarem as pessoas que ajudam, algumas organizações e indivíduos dedicam-se a tirar proveito da crise para a manipulação política ou comercial.


As instituições europeias estão preocupadas com este fenómeno e têm alertado para os riscos ligados às tentativas de desinformação e às burlas na Internet. Para contribuir para uma informação factual e fiável, a União Europeia (UE) criou uma página Web sobre a resposta ao surto de COVID-19, que inclui informação para ajudar a distinguir as notícias verdadeiras das falsas e a desfazer alguns dos mitos comuns relacionados com a pandemia.


De acordo com um relatório de um grupo de trabalho criado no âmbito do Serviço Europeu para a Ação Externa para combater a desinformação (EUvsDisinfo), algumas alegações falsas tiveram origem em atores próximos da extrema-direita dos EUA (alt-right), da China e da Rússia. Nestes casos, o objetivo é político, visando minar a UE ou criar mudanças políticas.


Um dos vice-presidentes do Parlamento Europeu (PE) responsáveis pela política de informação, Othmar Karas, disse: “As alegações falsas são fáceis de verificar. A prova da solidariedade da UE é fácil de encontrar. A UE nunca teve competências em matéria de saúde, mas os Estados-Membros e a UE como um todo estão a procurar formas de ajudar as vítimas da crise. Neste preciso momento, por exemplo, enfermeiras e médicos alemães estão a cuidar de doentes do coronavírus vindos de Itália ou da França. A Chéquia enviou 10.000 fatos de proteção para a Itália e outros tantos para a Espanha. A Áustria e a França enviaram milhões de máscaras para a Itália".


O vice-presidente do PE relembrou que, “na semana passada, os eurodeputados aprovaram quase unanimemente medidas urgentes para mobilizar fundos com vista a ajudar os países da UE a financiar os serviços de saúde, a assistência médica ou a prevenir a propagação da doença. As outras instituições da UE estão também a trabalhar incansavelmente para encontrar formas eficazes e rápidas de apoiar as vítimas da crise, sejam elas as pessoas doentes, os profissionais de saúde ou as pessoas que perdem o seu emprego ou rendimento devido à crise".


A outra vice-presidente do PE responsável pela política de informação, Katarina Barley, afirmou: “Em tempos como este, em que vidas dependem de todos ouvirmos as autoridades sanitárias, não é adequado espalhar mentiras e relativizar a verdade. É importante que as instituições continuem a cooperar estreitamente com as plataformas em linha, encorajando-as a promover fontes autorizadas, a retirar conteúdos que são verificados como falsos ou enganadores e a remover conteúdos ilegais ou conteúdos que possam causar danos físicos”.


A eurodeputada anunciou também que “o Parlamento está a lançar uma campanha para apoiar a resposta da UE à crise e para mostrar aos cidadãos que este continente está cheio de europeus que lutam lado a lado contra a COVID-19".


“Hoje, no Dia Internacional da Verificação de Factos, gostaríamos de relembrar a importância da verificação de factos e de partilhar dicas para poder fazê-lo em todas as línguas. Assim como respeitamos o distanciamento social e a lavagem das mãos, temos o dever de travar a difusão de falsos conselhos e histórias manipuladoras", salientou Katarina Barley.


Othmar Karas reiterou também a necessidade da verificação de factos neste momento de crise: “Não se trata de ser o sabichão que tem prazer em corrigir pessoas que cometem erros, mas é nosso dever cívico proteger-nos a nós próprios e aos nossos entes queridos e à sociedade democrática que criámos".