Artigo
 

Conflito do gás: como transformar a crise em segurança energética

Energia - 13-01-2009 - 16:23
Partilhar / Guardar
Rússia, 11 de Janeiro de 2008.  ©BELGA/EPA/SERGEY DOLZHENKO

Conflito do gás entre a Rússia e a Ucrânia

O conflito do gás entre a Ucrânia e a Rússia resultou numa diminuição acentuada das reservas europeias. No dia 15 de Janeiro e enquanto a União Europeia aguarda o restabelecimento dos aprovisionamentos de gás, o Parlamento Europeu vai debater as lições a retirar desta crise.

Até à Revolução Laranja de 2004, a Ucrânia beneficiava de tarifas especiais sobre o preço do gás, de cerca de 50 dólares norte-americanos por 1000 metros cúbicos.
 
No dia 1 de Janeiro de 2009, a empresa russa Gazprom interrompeu o aprovisionamento de gás à Ucrânia, depois do fracasso das negociações sobre os preços e as condições a aplicar em 2009.
 
De acordo com a Gazprom, em 2008 a Ucrânia pagava 179,5 dólares norte-americanos por 1000 metros cúbicos de gás e rejeitou a proposta de 250 dólares norte-americanos em 2009, destinada a aproximar o valor pago pela Ucrânia do preço de mercado, que se situa actualmente numa média de 400 dólares norte-americanos.
 
No dia 7 de Janeiro de 2009, o aprovisionamento de gás via Ucrânia foi igualmente interrompido. Putin afirmou que era inútil aprovisionar o gasoduto, uma vez que a Ucrânia estava a desviar o gás para seu próprio consumo.
 
No dia 12 de Janeiro, na sequência das negociações da semana passada entre a União Europeia, a Rússia e a Ucrânia, foi celebrado um acordo de acordo com o qual a Rússia deve restabelecer o aprovisionamento de gás destinado à União Europeia e a outros países europeus. Uma equipa de observadores da Rússia, da Ucrânia e da União Europeia está incumbida de garantir que o gás chega ao destino.
 
Quem depende do gás russo?
Mais de metade dos Estados-Membros da União Europeia e os países dos Balcãs são gravemente afectados pela interrupção do fornecimento de gás russo.
 
A maioria dos países da UE depende das importações de gás e a Rússia é responsável por cerca de 42% das importações de gás da UE. A Polónia, a Finlândia e os outros países do Báltico importam 100% do gás da Rússia, situação semelhante à da Bulgária e da Áustria, que dependem quase exclusivamente dos aprovisionamentos russos.
 
90% das exportações de gás russo passam pela Ucrânia, tendo como principais clientes a Alemanha, Itália, França e a Turquia.
 
Melhorar a segurança energética
A crise do gás realçou a dependência energética europeia e a necessidade de uma política externa com uma dimensão externa.
 
Em finais de 2008, a Comissão Europeia apresentou a Segunda Análise Estratégica da Política Energética. A proposta tem por objectivos reforçar o investimento em edifícios e produtos mais eficientes do ponto de vista energético, aumentar o leque de fontes de energia disponíveis, investir em infra-estruturas energéticas e em interligações transfronteiriças, desenvolver os mecanismos de apoio entre Estados-Membros e reforçar as relações diplomáticas entre a UE e os fornecedores de energia externos.
 
Subscreva gratuitamente os nossos alertas RSS e mantenha-se actualizado sobre os últimos acontecimentos em matéria energética.
 
Assista à transmissão do debate sobre o conflito do gás, em directo, no dia 14 de Janeiro, a partir das 16h30 (Horário da Europa Central), através da ligação abaixo indicada.
 
REF.: 20090108STO45594