Filha de Ilham Tohti recebe Prémio Sakharov em nome do pai

Jewher Tothi declarou, ao receber o prémio, em Estrasburgo, esta quarta-feira: “Não há atualmente liberdade para os uigures na China, quer seja na escola, em público ou mesmo em casa”.

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Ilham Tohti, economista e ativista pelos direitos da minoria uigure na China, está preso desde 2014, depois de ter sido condenado a prisão perpétua sob acusações separatismo.

"Com o seu ativismo, Ilham Tohti conseguiu dar uma voz ao povo uigure. [...] Tem trabalhado nos últimos 20 anos para promover o diálogo e a compreensão mútua entre os uigures e a população chinesa", afirmou o Presidente do Parlamento Europeu, David Sassoli, durante a cerimónia de entrega do prémio.

Este deveria ser um momento de felicidade, para celebrar a liberdade de expressão. Em vez disso, este é um dia triste. Mais uma vez, esta cadeira está vazia, porque, no mundo em que vivemos, exercer a nossa liberdade de expressão não significa sempre ser livre.
David Sassoli

No momento em que aceitou o prémio, na cerimónia em Estrasburgo, Jewher Ilham declarou: "É uma honra estar no Parlamento Europeu hoje, para receber o Prémio Sakharov em nome do meu pai. Estou grata por esta oportunidade de poder contar a sua história, porque ele não pode fazê-lo. Para ser honesta convosco, não sei onde o meu pai está neste momento. Foi em 2017 que a minha família recebeu pela última vez notícias dele".

Atualmente, não há liberdade para os uigures na China... nem na escola, nem em público, nem mesmo em privado. O meu pai, como a maioria dos uigures, foi catalogado como um extremista violento, com uma doença que precisa de ser curada e uma mente que precisa de sofrer uma lavagem.
Jewher Ilham

"É sob estas acusações falsas de extremismo que o governo já prendeu cerca de um milhão de pessoas - provavelmente mais - em campos de concentração, onde os uigures são forçados a abdicar da sua religião, língua e cultura, onde as pessoas são torturadas e algumas morrem", concluiu.

Desde abril de 2017, mais de um milhão de uigures foram detidos e presos em campos de internamento, onde são forçados a renunciar a sua identidade e religião e jurar lealdade ao governo chinês.

Jewher Ilham apelou para que o Parlamento Europeu apoie ativamente a causa do pai.

"Pergunto, a quem está nesta sala e a quem estiver a ouvir, se veem um problema na forma como o governo chinês está a tratar a minoria uigure? Se acham que existe, por favor, trabalhem para uma solução".

David Sassoli pediu ainda a libertação incondicional e imediata de Ilham Tothi e de outros laureados com o Prémio Sakharov "que continuam na prisão e que estão a ser perseguidos por defenderem os direitos humanos e as liberdades fundamentais".

Desde abril de 2017, mais de um milhão de uigures foram detidos e presos em campos de internamento, onde são forçados a renunciar a sua identidade e religião e jurar lealdade ao governo chinês.

Jewher Ilham apelou ao Parlamento Europeu que apoie ativamente a causa do pai.

Os eurodeputados pediram que o ativista seja imediatamente libertado, numa resolução votada na quinta-feira.

Sobre o vencedor

Ilham Tohti é um defensor do diálogo e da implementação de uma região autónoma na China. Em 2014, depois do julgamento, foi condenado a prisão perpétua sob acusações de separatismo. Apesar de estar encarcerado, permanece como uma voz para a moderação e reconciliação.

Cerimónia de entrega do prémio

O prémio, que consiste na doação de um certificado e de 50 mil euros, foi recebido por Jewher Ilham, durante a cerimónia que decorreu em Estrasburgo, no dia 18 de dezembro. Os restantes finalistas do Prémio Sakharov para a Liberdade de Pensamento também estiveram presentes ou representados.

Pode rever toda a cerimónia aqui.

Os finalistas

Três defensores dos direitos humanos brasileiros e um grupo de estudantes brasileiros foram os finalistas do Prémio Sakharov deste ano.


Saiba mais sobre os outros finalistas neste artigo.



Mais sobre o Prémio Sakharov

O Prémio Sakharov para a Liberdade de Pensamento, nomeado em honra do físico e dissidente político soviético Andrei Sakharov, é atribuído anualmente pelo Parlamento Europeu. Foi criado em 1988 para homenagear pessoas e organizações que defendem os direitos humanos e as liberdades fundamentais.


No ano passado, o prémio foi entregue ao realizador ucraniano Oleg Sentsov.


Saiba mais sobre a forma como o laureado é escolhido na infografia